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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

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Cortesia WebCount

Sons captados Domingo, Dezembro 09, 2007


Então clique aqui se for meu amigo e quiser ver algo que preparei com todo amor e carinho pra você. Ho ho ho.

Obs.: O template do novo blog tá pronto, mas ainda enrolado pra implementar. Eu devo voltar a escrever aqui mesmo por hora.





Sons captados Sexta-feira, Setembro 14, 2007


Tiop... Vim trabalhar na segunda de manhã e voltei pra casa 5 da manhã... de quinta.

Como fas?





Sons captados Terça-feira, Julho 17, 2007


Ah sim, Duro de Matar 4 é um lixo muito, muito grande. A história é horrorosa, as cenas de ação são gratuitas e muito ruins, e não aguento mais vilão abichalhado. É Roliúde fazendo seu white-trash statement contra os metrossexuais.



Não deixe o samba morrer




Sons captados Quarta-feira, Junho 27, 2007


Ainda estou arrumando a casa, ou literalmente arrumando casa, no novo país. Enquanto isso fiquem com o boletim diário no Fotolog e acompanhem a novela da minha nova vida.




Sons captados Quinta-feira, Maio 10, 2007


Ah, vou dizer:

Homem-Aranha 3 é uma porcaria.

Pronto, falei.





Sons captados Terça-feira, Maio 08, 2007


Arrãm.







Sons captados Segunda-feira, Abril 16, 2007


Todo mundo baixe agora o novo single dos Hereges.



São 3 músicas: "Ciao pro Mundo", "Quase Medo" e "As Coisas". Como de costume o lançamento de novas músicas heréticas é feito exclusivamente por internet, mp3 grátis, o que não quer dizer que a gravação não seja caprichada: A produção das faixas ficou a cargo de Beni Borja, batera e compositor do Kid Abelha (da fase antiga e boa...), além de produtor de trabalhos do Biquini Cavadão, Toni Platão, Picassos Falsos, Farofa Carioca e mais uma batelada de gente boa. O cara viu o nascimento do saudoso BRock dos anos 80 e acredita em Hereges. E vocês?

Baixem clicando na figura ou aqui: www.hereges.com.br

Ainda estamos em pré-lançamento, sem maiores spams, mas aos poucos vão pintando depoimentos como esse:

"(as músicas) mostram um grupo focado em uma sonoridade bem trabalhada e muito distante do padrão médio do rock nacional. Os Hereges estão muito acima e agora é esperar que virem The Next Big Thing." - Rubens Leme, colunista da Mofo e Coquetel Molotov

"Pois eles fazem o que sabem fazer de melhor....chutar sua maldita bunda e te jogar num oceano de melodias espinhosas, singelas, raivosas, diretas e mortais...." - André Wolf, líder da Jardins de Inverno

Falta só saber o que vocês acham.





Sons captados Quinta-feira, Março 15, 2007


Quero declarar que tenho mais de 20 posts escritos. Todos aparecerão em breve, assim que inaugurar uma novidade. Grandes mudanças no horizonte. Enquanto isso, caros seres aleatórios que caem aqui via Google, não, não tenho fotos de índias peladas, desistam.

A palavra "índias" o Google acha lá no meu velho post sobre Apache, clicando aqui.

Grato, a gerência sem crase (e sem classe).





Sons captados Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007


Batata. Oscar de melhores atores foram para dois velhinhos, ops, digo, cidadãos seniôres, e dois negros, ops, digo, afro-lances. Se você é anão, hermafrodita ou tem três mamilos, faça escolinha de teatro. O Oscar é seu.

Eu tinha escrito uma longuíssima crítica a Babel e da enorme porcaria que é, mas como um monte de gente boa já fez o serviço sujo e o filmeco não ganhou nada mesmo, só deixo aqui uma única observação: A japonesinha merecia ganhar. Não me entendam mal. É fácil interpretar personagens com sérios problemas encontrados na vida real. O ator lê o script que começa com "surdo-mudo" ou "cantor de axé", vai lá no meio de quem tem o problema, estuda os trejeitos, copia na frente do espelho exaustivamente e pronto: Comoção e prêmios. Fica fácil convencer quando o público já tem uma referência de como seu personagem deveria ser. O duro é quando o ator precisa parecer real com um personagem que nunca ninguém viu.

Pior ainda no caso da nossa amiga Rinko Kikuchi, que pegou um papel inverossímil, absurdo, algo jamais pensado mesmo pelos autores das lendas mais surreais e insuspeitas: Uma mulher que não conseguia dar de jeito nenhum. Uma mulher adolescente. Uma mulher adolescente com uniforme de estudante japonesa. Uma mulher adolescente com uniforme de estudante japonesa menos a calcinha em boa parte do filme. Aliás ela praticamente não usa roupa o filme inteiro. E não tava nem exigente, qualquer camarada servia pra resolver seu problema. E ainda assim, não conseguiu dar. Se por um momento o público não percebeu o quão esdrúxula é essa idéia, louros para a bravíssima atriz. Nem que seja por conseguir prender o riso ao longo das cenas. Mais uma injustiça na história do Oscar, fazer o quê.





Sons captados Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007


O Oscar segue tendências. Parece natural posto assim, mas não devia. A idéia seria premiar os melhores do ano, mas o que tem acontecido cada vez mais é a premiação pela tendência dos últimos anos. Por exemplo, Moulin Rouge fez um tremendo sucesso a despeito de declararem musical um gênero morto. Indicado a 8 Oscar, levou 2 da desconfiada academia, de direção de arte e figurinos. No ano seguinte, estreiou Chicago. Músicas e coreografias já consagradas em anos de apresentações na Broadway filmadas de um jeito algo burocrático e estático, mesmo sem comparar com o virtuosismo malabarista de Moulin Rouge. No elenco, medalhões que cantavam mal. Como musical é tão brilhante quanto o original, afinal é igual. Como filme, que é o que se paga ingresso pra ver, é uma bela porcaria. O resultado? Um dos filmes com mais indicações em todos os tempos: 13. Levou 6, incluindo melhor filme batendo As Horas, Gangues de Nova Iorque (sei lá porque tão subestimado), O Pianista e As Duas Torres.

A supracitada continuação de Senhor dos Anéis teve 6 indicações, levando apenas edição de som e efeitos especiais. No ano seguinte, o filme final da trilogia, em tese tão bom tecnicamente quanto os outros dois já que foi filmado junto, levou todos os 11 Oscars a que concorria. E por aí vai. Se a concorrência em algum ano deixa um bom filme com uns premiozinhos técnicos, no ano seguinte todo mundo resolve premiar algo que se pareça com aquilo. Possivelmente o horror da academia em cometer injustiças, notórias no seu histórico, motiva isso. Mas o resultado é que os prêmios têm sido ainda mais injustos. E as indicações parecem cada vez mais mandrakes (se essa expressão for do seu tempo, parabéns por aprender a usar a internet nessa idade).

Toda essa prosopopéia é pra poder dizer algo aqui sem soar preconceituoso. Depois de darem recentemente Oscar pra fraquíssima Halle Berry e pro ótimo Jamie Foxx, rachando o incômodo domínio racial nos atores laureados, nesse ano decidiram que Black is Beautiful: Forest Whitaker e Will Smith querem ser os melhores protagonistas, Djimon Hounsou e Eddie Murphy disputam nos coadjuvantes. Será que só esse ano tivemos boas atuações de atores negros? Eu admiro o trabalho de qualquer bom ator independente de ter 3 mamilos ou não, eu quero é me divertir no cinema, mas acho um saco essa onda de modismos que atingiu em cheio o que deveria ser uma premiação justa. Na ala feminia resolveram indicar todas as minorias, então temos uma negra, duas hispânicas, uma japonesa e até uma criança, por via das dúvidas. Se eu fosse anão ia lá fazer teste de casting, porque ano que vem tá no papo a indicação.

É uma época muito estranha no cinema. Faltam filmes arrebatadores. Premiar quem não foi melhor não vai trazer mais credibilidade artística ao meio. O Oscar é um termômetro de novas produções, então prevejo que o Spike Lee vai ser indicado por seu próximo filme mesmo que seja uma bomba (discutível se o Spike Lee é capaz de errar), e que mais filmes usarão atores estrangeiros falando em suas línguas-pátrias. Aliás ainda vou falar de Babel, mas esse filme não seria indicado a porongas se não fosse o precedente do Crash. Desconfio que nem teria existido. Se o Oscar segue tendências, os estúdios, e os diretores autorais espertos, sacam e usam isso. Resta saber se o público também segue as mesmas tendências, ou se só Sundance nos salva. E pensar que o Robert Redford virou a única esperança de honestidade e arte do cinema americano. Se não contarmos com o Stallone, lógico.





Sons captados Sexta-feira, Janeiro 26, 2007


O hype é uma coisa realmente triste. A imprensa inglesa elege a nova salvação do Rock com a mesma freqüência com que os argentinos escolhem o novo Maradona. Mais ou menos uma vez por mês, pra dar nova capa de revista. Os americanos, que são espertos, sacaram que dá dinheiro fazer isso e neste mês os Killers estouraram em tudo quanto é publicação, apesar dos bigodes ridículos. O divertido é que o pessoal descolado, antenado e muderno que dá de ombros tatuados para o que o mainstream tem a dizer tem a mesma doença. Deve ser efeito das viagens para Glastonbury.

Então do nada aparece uma banda que todo mundo precisa ouvir e amar, senão está out. Nomes que você - e as pessoas de bem - jamais ouviu falar na vida. E na semana seguinte, outra, porque aquela já virou super semana passada e é só pros mal-informados. Nesse ciclo a relação das pessoas hype é com a informação, não com a música. Eu descobri Elvis Costello por acaso, bem moleque, e aí já vão mais de 10 anos ouvindo sempre, cada vez mergulhando mais fundo nas antigüidades do homem, o ídolo, o mito. Finalmente cheguei no ponto de ter absorvido satisfatoriamente sua discografia, já vi 3 shows, já peguei autógrafo e tirei foto, creio que cumpri todas as etapas do caminho do fã com seu ídolo, ao menos o fã hetero. Se bem que se fosse pra ter graus de proximidade sexual com o ídolo eu bem toparia a ex-namoradinha Bebe Ruell, e se a véia não aceitasse, me contentaria com a filha dela, a tal de Liv Tyler. Mas o assunto não é esse, estou me deixando levar pela sexta à noite.

O ponto é que eu sempre tive que conviver com o fato do Costello não ser hype. Dentro do panteão dos ídolos punk/new wave, ele lembrado no máximo como parte do terceiro time da cena. E agora ele parece só fazer parte do grupo dos tiozões ainda em ação, sem merecer maiores ponderações da maioria dos amantes de róque & raipe. Se isso em algum momento me incomodou, não sei mais o porquê. Até porque ele teve o momento da moda aqui quando veio pro TIM, e as pessoas emocionadas lotaram os lugares para ouvir "She", cantada sob visível constrangimento. De repente ficou chique cantar junto com o Costello. O mais importante é que, conhecida ou não, a música dele serve pra mim e me levou por uma jornada de descoberta muito recompensadora. Minha vida é mais feliz com essa trilha sonora, por motivos insondáveis. A informação que a sociedade possa ter é irrelevante neste relacionamento.

Então quando chega a turma muderna jogando confete e nomes obscuro pro alto, eu fico com uma vontade danada de não ouvir e não gostar. E quanto mais as pessoas insistem no mesmo nome, menor a vontade de saber qualé, porque existe uma forte chance de só estarem falando porque todo mundo está falando. Um fenômeno parecido com as pseudo-celebridades que são muito famosas pelo fato de serem muito famosas. Fico de saco cheio e má vontade com os tais queridinhos do pessoal que só mede o grau de novidade e não de contribuição musical. Óbvio que essa atitude rabugenta acaba me fazendo perder alguma banda realmente boa, mas ao mesmo tempo me livra de centenas de ruindades. E fazendo compras há duas semanas passei a acreditar numa justiça roqueira divina.

Num fenômeno que acontece a cada conjunção de Marte, luas de Urano e uma vitória do Íbis ou a cada era glacial, o que ocorrer primeiro, eu resolvi comprar uma calça nova. Isso significou pegar a calça e esperar o provador da loja ficar livre. Enquanto esperava, me vi balançando a cabeça levemente, depois batendo o pé de leve no chão, depois fui invadido por uma onda de pensamentos de felicidade e paz para toda a humanidade, incluindo meu vizinho que reclama se eu tocar violão na sala. Só depois percebi que era a música ambiente da loja. Fiquei ali ouvindo com mais atenção e curtindo, aí começou alguma música emo e eu voltei aos meus pensamentos. Ou tentei, porque só conseguia pensar no que tinha ouvido. Acabei perguntando pro vendedor o que era, ele foi olhar no winamp lá: Blonde Redhead.

Esse nome já tinha sido soprado pelos passarinhos do hype há um tempaço, e como ninguém mais tinha mencionado desde então, caiu no meu limbo de "banda que sei que existe e só". Chegando em casa a primeira surpresa foi descobrir que tinham uma discografia de quase 10 anos. Escolhi dois álbums - meu limite mínimo pra conhecer uma banda - ao acaso e comecei a ouvir. Meu queixo caiu de vez. Como assim os indies não me explicaram *direito* que daquela vez era sério e a banda era boa de verdade?

Senão vejamos: Uma japonesa, Kazu Makino, que canta com sotaque e voz fininha característica. Pode parecer irritante, mas Polysics e Pizzicato Five já me ensinaram a achar charmoso. E tem mais um fator crucial, se as músicas do Blonde Redhead já seriam por si só tristes, a voz de Makino faz com que sejam quase que insuportavelmente doloridas, e por isso mesmo, belas. Completando a banda, dois irmão gêmeos italianos, Amedeo e Simone (homem, ok?) Pace. Tá explicado porque gostei de cara, meu coração criado com música brega italiana sabe reconhecer e amar o drama característico dos ancestrais. Toda música é épica, os arranjos são muito detalhados, tudo é feito para ser uma experiência emocional extrema. Só que isso está longe de sugerir complexidade, afinal a banda são só eles três mesmo. Simone toca as baterias de poucas notas, Amedeo dedilha guitarras, Makino às vezes ajuda na guitarra ou eventual baixo. Some mais um teclado coringa, e é isso. Grandioso e quase lo-fi, simples e onipresente. Embora nenhum deles tenha inglês como língua-pátria, as letras terminam o trabalho de te arrepiar até a medula, tornando a experiência de ouvir o CD inteiro sem pausas algo só para os mais fortes e corajosos. Mas de qualquer forma, melhor se acovardar para sorver devagar as amargas e divinas iguarias do Bonde Redhead.

"You were sorry that i was alone/So sorry that you run away." lamenta Makino em "Hated because of great qualities", com a voz de uma solidão infinita, para depois fechar a estrofe no suspiro: "It never meant a thing/So be it". Resignação, raiva e dor unidas numa melodia impossivel de tão doce. A guitarra dá apenas notas longas e graves, a bateria sem baixo adiciona o clima árido. "I can't understand this at all/I can't pronounce this at all" - aqui o sotaque estrangeiro dá outro peso a esta confissão. Quando ela finalmente conclui que "These are different matters/These are uncertain feelings/They should never be discussed here/So keep it to yourself", para dar lugar ao lento solo de guitarra em outro tom, não há como não dar razão a ela. Ele não merecia mesmo, aquele crápula.

Esta é apenas a terceira música de "Melody of Certain Damaged Lemons", lançado em 2000, e eu já estava embriagado de beleza. A próxima música, "Love despite of great faults", cantada pela voz estranha e estrangulada de Amedeo dá um contraponto com melodia e instrumental que só posso descrever, sem a criatividade que deixo pros críticos da Pitchfork, como puro Beatles. A letra, já a partir do título, parece ser uma resposta à canção anterior. O refrão explode: "That you refuse to fade away/I hide to stay the same/Where do we go from here/I don't know". Não poderia ser mais humano. Talvez ele pudesse ter uma segunda chance?

Por algum motivo as músicas da Makino são em 4/4, as de Amedeo em 6/8. Uma música quebra a outra numa seqüência de desconcertar qualquer tentativa de dançar. Soa alienígena e distante como o que se esconde em nossas almas. Mais tarde "This is not" remete ironicamente ao som de synthpop dos anos 80, quase sinalizando uma concessão à pista de dança, não fosse a bateria quase marcial de Simone. Makino continua discorrendo sobre amores impossíveis: "He could have been with her/But today can't be anymore/Tomorrow maybe yes./But today he is not there". Depois ela trai sua amargura solitária novamente: "I think it's so pathetic./Don't you ?/Were you listening to me./No not even one word". Quando a música fecha com um "La la la la" fica evidente a ironia no lugar da alegria. "For the damaged" é sua balada com acompanhamento apenas de piano e violão, misto de canção de ninar e sussurro de promessas muito mais negras: "Don't cross your finger/Sundays will never change/They keep on coming/You'll be a freak/And i'll keep you/company" - a música termina abruptamente como se houvesse algo mais a ser dito, e é automático procurar o repeat do player para entender melhor.

O álbum seguinte, "Misery is a Butterfly", lançado só 4 anos depois devido a um acidente com um cavalo sofrido por Makino, ganhou auxílio apropriado de cordas. Na abertura, "Elephant Woman", cada "Ah" abrindo as estrofes dói como se o cavalo tivesse passado por cima de nós. Ela sufoca com frases como "Do return my heart to me/No don't insist I'm already hurt", "Elephant girl/It was an accident unfortunate" ou "Lay me down on the ground softly softly/Don't remove my head hurts much too much ". Foi essa a música que ouvi naquela loja e que me arrebatou de primeira. Ao invés de solo temos um momento orquestral bonito e ameaçador que remete a trilhas sonoras de filmes cheios de fumaça. Depois vem "Messenger", onde um hipnótico tema instrumental dá o clima dos apelos de Amedeo. Quando a música chega na repetição de "So how can I keep anything to myself?" para explodir novamente no tema, desta vez cantado, juro que me dá vontade de botar saia de filó e sair fazendo pliê. Isso pode não fazer o menor sentido, mas é o mais perto que chego de descrever a sensação.

Eu poderia tentar guiar vocês pela mão pra mostrar tudo que vi e senti com as outras músicas, e do porque canto junto com o Amedeo o refrão "I'm just a man still learning how to fall" de "Falling Man", mas o post tá comprido e apaixonado o suficiente para passar a idéia. Não vou botar links de youtube aqui de propósito a fim de reforçar que vocês ouçam estes dois álbuns e conheçam uma banda que acredita em beleza e drama. Eles chegaram a se desligar de sua gravadora para gravar "Misery is a Butterfly" para ter mais liberdade. Óbvio que fecharam um bom contrato de distribuição com outra gravadora, que lançará também o novo trabalho, "23", em abril.

Então esse post está incensando uma banda e com certeza nenhum de vocês terá a mesma experiência que eu tive. Música pra te arrebatar depende mais do momento de vida do que de qualidade intrínseca. Eu continuo não acreditando no hype e o que posso fazer é, mais do que divulgar um nome, compartilhar o prazer de uma descoberta. Quando acontece ao acaso, não dependendo da expectativa que alguém criou, é muito mais prazerosa.

E vocês, qual foi a última descoberta musical que salvou sua vida?

O quê? Não sabem? Então fiquem sabendo que vazou o Neon Bible do Arcade Fire! É a coisa mais genial e moderna da semana! Super salvou o Rock! Baixem agora
clicando aqui para serem felizes para sempre. Ou até a próxima banda quente.

PS.: Funeral também foi descoberto tardiamente e o Arqueide mora muito no coração.





Sons captados Segunda-feira, Janeiro 22, 2007


O título do post sobre os filmes ali embaixo, "Beautiful Losers", foi roubado do segundo livro do Leonard Cohen, publicado em 1966, ali no início de sua genial carreira musical. O livro causou certo escândalo, pelo que se vê nas manchetes mostradas logo no início desta entrevista que encontrei (onde mais?) no youtube.

De lá pra cá um bocado de coisa mudou: Existe um programa de rádio chamado Canada Reads que traz 5 personalidades famosas defendendo seu livro canadense predileto, com um sistema de votação que vai eliminando um por dia até ser coroado o campeão, que ganha o título de "the book that Canada reads". Beautiful Losers concorreu na edição de 2005, e para fazer sua defesa estava escalado ninguém menos que o Rufus Wainwright.

O moleque já tem história com o Leonard, como podemos ver neste trecho do documentário "I'm your man" que sempre vale a pena assistir de novo. O Rufus fala do seu esdrúxulo primeiro encontro com o gênio e canta divinamente a cínica Everybody Knows.

Este documentário passou na mostra São Paulo, tirando as aparições constrangedoras do Bono falando as cretinices de sempre é bem emocionante. Numa das cenas o Cohen lê orgulhoso o prefácio da edição chinesa de seu livro. O texto bem revelador da personalidade única do Coehn está aqui.

De lambuja, mais dois números do I'm your fan:

  • Antony sem os Johnsons cantando If it be your will caprichando nos trinados sertanejos e no visual traveco-goth.

  • E o Jarvis Cocker arrebentando na I can't forget, que aliás tem também uma ótima versão by Pixies, no seu cliente p2p predileto.





  • Sons captados Sexta-feira, Janeiro 19, 2007


    Até eu acho que às vezes enxergo conspiração demais nas coisas, mas aí sempre vem algum fato que me dá razão. Escrevi sobre o suposto nojo de um elite dominante pelo poder que a internet dá as massas só por causa do causinho Cicarelli. Depois me vi passando madrugadas na cama falando comigo mesmo enquanto esperava o sono chegar (quer dizer, na verdade passei essas madrugadas pendurado no msn ou no playstation, mas a imagem da cama tá mais poética): "Fábio, meu filho, você e essa mania de ver gigante onde só tem moinho - ou pastel - ou peitos - de vento..." Sério que fiquei preocupado. Já há mais de um mês fora do país, acho que estou ficando meio desequilibrado na minha análise social.

    Até que me chega a notícia por e-mail de que o COB "proibiu" a veiculação ou transmissão do Pan via internet.

    Paranóia em Defcon 4. Eu queria muito rir disso, mas não tem nenhuma graça. Uma coisa é vergonha alheia, outra coisa é vergonha por mim mesmo. Grazie a Dio pela dupla cidadania que me permite viajar disfarçado.





    Sons captados Terça-feira, Janeiro 16, 2007


    Lost só em fevereiro, mas Heroes volta segunda que vem. Eis aí as séries hype do momento, por isso cito ambas no mesmo post. Lost foi o seriado que me fez aprender a usar o bit torrent. Não há o que não gostar no esquema da série onde os mistérios da ilha são o de menos, o foco fica sobre os mistérios da alma de cada um dos personagens. Você passa tanto tempo exposto às dificuldades e complexos de cada um que não tem como não ficar amigo de todos e querer continuar vendo e torcendo por eles. Quase comprei um bonequinho do Hurley numa loja de brinquedos, mas achei que seria um pouco demais. Falando em nosso amigo Hugo, é bom destacar que a coisa só funciona tão bem porque todos - eu disse TODOS - os atores estão entre o ótimo e o fenomenal. Este deve ser o melhor casting para TV em muito tempo.

    Esta é uma das abissais diferenças de Lost pra Heroes. Os atores de Heroes estão entre o ok e o fraco. O Mohinder com aquela constante cara de conteúdo e fala intensa não convence de cientista, por exemplo. Poderia citar também o emo suicida que é bem irritante, mas acho que seria injusto. O texto dele é que não ajuda nem um pouco. O conflito familiar fica no rascunho com suas frases (mal-)feitas, e talvez aí esteja maior diferença de todas entre os dois seriados, que torna meio descabida qualquer comparação: A história de Heroes é interessante, mas os roteiros individuais dos episódios, não. Várias cenas são desnecessárias, rasas demais pra ter impacto emocional ou mesmo absurdas. Os capítulos só decolam quando a história principal anda. Ou quando aparece o Hiro. Porque o Hiro é o melhor e vale a minha audiência.

    Não por acaso o responsável por ele, o japonês Masi Oka, foi o único ator de Heroes indicado ao Globo de Ouro neste ano. Perdeu para... Jeremy Irons!? Vacilo isso, o cara já ganhou Oscar, pô! Deixe os otakus concorrerem a prêmios em paz. E nem preciso comentar a cara de estuprador de criancinha que o Jeremy ostenta. Só rivaliza com o Christopher Walken no teor de sinistrez.

    Em todo caso, aqui está a imperdível entrevista do Masi Oka com o Craig Ferguson do Late late show, onde além de confirmar que trabalha na Industrial Light & Magic, nosso herói ainda esclarece a diferença entre um nerd e um geek. Clique bem aqui.

    PS.: Heroes e Lost perderam o prêmio de melhor série dramática para Grey's Anatomy. A bonitinha porém bizarrinha Evangeline Lilly citada no post abaixo concorreu a melhor atriz por Lost. Sou muito mais a Sun. E o prêmio de melhor série de comédia foi para... Ugly Betty. Sim, é isso mesmo que vocês estão pensando. Em remake americano.





    Sons captados Quarta-feira, Janeiro 10, 2007


    Aí todos os blogs que se prezam precisam falar da Cicarelli, nem que seja só pra atrair hits do Google. Eu meio que entrei em discussões sobre isso em listas, mas desisto. Não acho que o ponto real esteja realmente sendo discutido. Neste país, uma modelo dá pra um jogador de futebol como o caminho mais rápido para chegar à riqueza, à elite. E esta elite não gosta do lugar de onde saiu. Calem as multidões, fechem as janelas para não sentir seu cheiro pestilento. A campanha presidencial deste ano me tirou de vez a esperança no Brasil. Nossa ditadura e seu fim por um momento nos deu a sensação de sermos um povo, uma comunhão de pessoas interessadas em crescer unidos, em ser nação. A última campanha revelou a polarização que vem acontecendo de lá pra cá: A elite tão horrorizada com os pobres que até perdeu a noção de que chamar alguém de analfabeto e burro pela origem humilde é feio. Virou até piada. Um país que só dá o direito básico da educação pra quem ganha em 5 dígitos pode rir disso? E se ri, não seria sinal que mesmo esta educação é miseravelmente falha?

    Cabe aqui um parêntesis, podem pensar que estou aqui me posicionando politicamente, mas não é caso. Deixe-me explicar em uma frase minha posição política: Não apareci para votar na última eleição. Enough said. Segue o texto.

    O que sinto é que a máscara caiu de vez. Riqueza é vista como superioridade moral, cívica e intelectual no país dos coronéis. A novidade não é essa. A novidade é que perdeu-se a vergonha de assumir isso. A internet tem nos dado mostras de como realmente funciona nossa sociedade. Enquanto lá fora os memes se espalham e fascinam, aqui matam de medo os pretensos donos da cultura. Como assim o próprio povo decidindo o que é ou não entretenimento? Aí tome blog sendo censurado, gente sendo processada, e, agora, o imbroglio do youtube. Se existe ou não o direito à preservação da imagem eu prefiro nem discutir no caso do palpite jurídico brazuca na imagem captada numa praia pública da Espanha posta no ar num servidor americano. Mais importante é a representação metafórica da truculência do famoso contra a massa anônima, do centralizador da informação contra o poder do boca-a-boca cibernético. A China com seu controle ditatorial da mídia e, vejam só, o Brasil, se igualam neste espírito. O caso todo é deprimente e estúpido, não por causa dos famosos zé-ninguém tentando proteger direitos discutíveis (e esta discussão é cabível), mas pelos juristas surreias que também querem sua casquinha no mundo da fama ao invés de legislar com um mínimo de representatividade do desejo da sociedade. Reparem que apareceram em todas as notícias o nome dos advogados e do - Deus meu - desembargador envolvidos no caso.

    Agora nada disso importa. O que me irrita mesmo é que A DANIELA BOCARELLI É FEIA, PÔ. O rosto é desproporcional. O pescoço é de cegonha. A voz lembra um anão tísico tocando tuba. E o corpo... Que homem quer pegar uma mulher mais forte do que ele? O Ronaldo só encarou porque o cara é guerreiro, não tem tempo ruim, e seus 100 quilos equilibram qualquer batalha física. Posso até aceitar taras específicas por mulheres parrudas, afinal é só isso que se vê nas musas BBB (burra, biônica e biscate) de hoje, mas existe um componente fartamente documentado da admiração pelo sexo oposto: Somos fascinados pelas diferenças, porque elas indicam pros nossos instintos mais primais que a criatura que vem ali do outro lado da rua serve pra procriar. Por isso, mulheres, não (só) por safadeza olhamos para a bunda, os peitos, o rebolar ao caminhar. Olhos, cabelos, essas coisas (alguns) homens também têm. O que não temos são essas curvas, por isso olhamos embasbacados. Quando a mulher está de lado, as curvas são dos seios e traseiro. Quando está de frente ou de costas, vem da diferença entre cintura e quadril. E agora chegamos no ponto nevrálgico de toda essa questão do youtube: Mulher sem curva no quadril é interpretada pelo neandertal dentro de mim como "homem". Se os ombros forem mais largos que o quadril em questão, cai na categoria "jogador de futebol americano". O vídeo mostra bem que a Dani tem esse tipo de corpo. Respeitos os gostos dos leitores, mas por mim realmente nada sexy.

    Outro caso famoso é Evangeline Lilly, a Kate de Lost, que tem um rosto angelical, mas além de estar sempre com a mesma cara de "quem peidou", ainda é portadora do mesmo tipo de corpo:



    Pro hobbit dar uns pegas tá bom demais, mas cá entre nós, vejam a semelhança física impressionante:



    Não dá, né.

    Fica aqui a campanha "Chega de turbinadas imbecis. Para um homem feliz, mulheres com quadris". Já até escolhi a musa ideal:



    Ai, ai, Charlotte... Montauk é o escambau, meet me in Tokyo.





    Sons captados Terça-feira, Dezembro 26, 2006


    Beautiful Losers

    2 filmes independentes que passaram tanto no Festival do Rio quanto na Mostra São Paulo merecem comentário conjunto.



    Little Miss Sunshine já rodou pelo circuito. A Fox comprou os direitos de distribuição deste filme após a aclamação no festival de Sundance. O escopo é uma família interiorana que se enfia numa combi para tentar levar a filhinha num concurso de beleza na California. Os membros da trupe são o avô junkie e tarado, o tio recém saído de uma tentativa de suicídio por perder o reconhecimento acadêmico e namorado roubados por um colega da universidade, o adolescente rebelado adorador de Nietzche que fez voto de silêncio até entrar para a academia aérea, o pai cujo esforço para virar palestrante e escritor de auto-ajuda é um fracasso, e a mãe, como sempre, o esteio da família, lutando para mantê-la unida, sem muito sucesso.

    A candidata a pequena miss, Abigail Breslin, com uns óculos enormes, é muito fofa. Ela já tinha aparecido para o mundo com ninguém menos que o nosso amigo Shyamalan, era a menina com frescuras pra tomar água de "Sinais". (Aliás quem faz o papel de sua mãe, Toni Collette, também trabalhou com Shyamalan, era a mãe do assustado Cole de Sexto Sentido). Seria bonito dizer que a menininha era lindinha e forte candidata ao prêmio dando uma lição de como vencer na vida a toda a família, mas a viagem onde absolutamente tudo dá errado se encaminha para o desastre maior quando se compreende que a miss mirim típica é uma pirralha com muito laquê, biquinis de lantejoulas, postura de top model e cara de quem já fez 5 plásticas aos 9 anos. Como curiosidade, vestiram a magrinha (um tipo físico "competitivo" demais) Abigail com uma barriga falsa debaixo do seu maiô breguinha para tornar as diferenças mais visíveis.

    Já disse demais sobre a história que rende situações muito engraçadas, o que importa no filme é o choque das duas Américas. A que deveria ser e a que é. Ou a que é e a que corre atrás sem saber porque não consegue chegar lá. O sonho americano de beleza e sucesso pareceu não tocar a família Hoover (sobrenome ilustre, aliás, outra ironia), e a reação no início do filme é de perplexidade. Eles estão tentando se encaixar. Alguma hora, a maré vai virar, e eles poderão ter as realizações que parecem estar preparadas para o americano honesto que ama sua família e trabalha para criá-la com dignidade. A jornada rumo ao concurso de beleza é uma metáfora rebuscada e ao mesmo tempo crua - um bando de caipiras idiotas querendo seu lugar no jet set ou uma família acreditando com total fé e ingenuidade na fatia que os Estados Unidos prometem há tempos para seus filhos e que talvez nunca venha?

    Um dos personagens, talvez no único momento onde se explicita o raciocínio por trás deste roteiro, observa que a vida é um concurso de beleza atrás do outro, e - como diria a madre superiora - que se foda isso.

    Como o Sam Mendes nos mostrou há uns anos em Beleza Americana, talvez o mais bonito aconteça quando você manda isso pro inferno e saia deste ciclo. O que acontecer a partir daí, ainda que seja um desastre, se parece mais com felicidade e real beleza do que qualquer sonho que se venda pela TV. Outros cineastas americanos estão revisitando o tema, e isso pode ser um interessante termômetro de como os irmãos ao norte vêem suas identidades no momento.

    O outro filme indie, Clerks 2 (não sei se passa no Brasil ou não), também é sobre isso e coroa o Kevin Smith como o grande campeão da causa nerd, retirando o cetro das mãos de Peter Jackson e irmãos Wachowski. Ao invés de criar mitologias, Kevin Smith nos apresenta o loser americanus (com trocadilho, por favor, que ele faria esse tipo de piada) em toda sua realidade patética, com direito a zoom nos detalhes sórdidos.



    Creio que existem duas formas de ver Clerks 2. Numa, esta é uma comédia adolescente como American Pie e similares, porém tremendamente mais escatológica. Um dos que viram assim foi o famoso crítico americano Joel Siegel que saiu da sessão prévia gritando "Esta é a primeira vez em 30 (fucking) anos que eu saio no meio de um filme", detalhando que decidiu fazer isso numa menção a bestialismo (ou conforme um personagem corrige, "inter-species erotica"). Aliás não sei como o cara não se tocou da ridícula confissão de vagabundagem, afinal ele não entra no cinema por lazer. Espero, pro bem do jornalismo, que ele tenha sido demitido e hoje escreva horóscopos, até porque obviamente acho que esta visão é de uma superficialidade irritante.

    Outra visão é de um filme com uma agudíssima reflexão sobre a mesma américa dos Hoover ali acima. Dante e Randal eram balconistas no original Clerks. Jay e Silent Bob eram traficantes que ficavam enchendo o saco na calçada. 12 anos depois, eles engordaram, perderam cabelo, mas continuam rigorosamente onde estavam. Ou talvez tenham piorado, pois ao invés de uma locadora o cenário agora é um fast-food genérico, numa menção à América capitalista vitoriosa que talvez esteja lesando a população para continuar exibindo seus baluartes. Dante é o cara certinho, sério e meio patético. Randal é o sacana clássico que não encara nada a sério. Aos 30 anos de idade, ambos têm uma amargura que escorre da tela.

    Dante se envergonha de sua vida e só fala em se casar com a noiva que descolou, uma loira peituda que jamais tinha dado bola quando era cheerleader em seu colégio, e viajar para abrir um negócio na Flórida por presente do futuro sogro. Ele vê o destino justo e aguardado finalmente chamando o número da senha dele, e não vai perder a chance de saltar para o outro país do qual ele só vislumbrava do outro lado do balcão. Já Randal parece feliz onde está, mas suas piadas estão mais ácidas, seu sarcasmo não encontra mais limites, ele parece se divertir esmagando e flagelando qualquer ser humano no seu raio de ação, e não há como não imaginar contra o que exatamente ele parece estar tentando se vingar.

    As pistas vêm ao longo dos 3 clímax do filme:

    1) O show de "Kelly e o garanhão sexy" - o que já era grotesco piora muito com um certo engano que é cometido por Randal quando contrata o show. Escatologia da pior espécie, ou entre espécies. Só que não há como não rir. E rir muito. E se sentir culpado por estar rindo daquilo e rir mais ainda. Vocês sabem do que estou falando. A reação dos próprios personagens é de choque. Eles sabem que não fazem parte daquilo. Talvez a pornografia absolutamente depravada faça o papel do concurso de beleza em Little Miss Sunshine: A outra américa talvez esteja desperdiçando seu dinheiro para satisfazer desejos doentios, não importa se publicáveis ou não, e o máximo que qualquer pessoa poderia fazer quanto a isso é olhar e partir na direção oposta.

    2) Dante e sua chefe dançando no telhado ao som de ABC do Jackson 5 - o som contamina todos os funcionários e clientela, gerando uma cena de dança coreografada que poderia fazer parte de um musical. Dá vontade de dançar ou no mínimo bater palmas no cinema. Pra que padrões de comportamento etário, pares perfeitos ou felicidade? A música certa e um nível saudável de desprendimento num dado momento podem abrir nossos olhos sobre todo o resto muito além do que pensamos.

    3) Randal leva Dante para uma corrida de karts ao por do sol em câmera lenta - Poesia visual que expande o sentimento da cena anterior. Um divertimento singelo salva o dia de Randal e faz com que ele se aceite após sentir-se brutalmente humilhado por um ex-colega milionário. A América da TV ri na cara do perdedor, mas sua vingança é que pode se divertir com coisas simples. Enquanto uns se fecham em seus SUVs, outros ainda sentem o vento na cara e riem como crianças.

    Randal faz piadas mas não acha graça em tudo. Na verdade ele acha graça em muito pouca coisa à sua volta. Ele sabe que não há um lugar pra ele, simplesmente porque está feliz onde está e isto é um grave defeito na sociedade de ultra-consumo. Não existem mais lugares confortáveis, as pessoas esqueceram do que as completa, simplesmente porque a busca ficou mais valorizada que o tesouro. Isto é até coerente quando sabe-se no íntimo que o tesouro não tem valor. Randal enxerga isto, não está na mesma busca, e sua tristeza com o amigo que vai embora é profundamente comovente. Ele não está só com medo de ficar sozinho. Ele teme que as pessoas percam suas almas em troca do que escutaram como propaganda. Um cara trintão, ferrado na vida e amoral sabe que não é grande coisa, mas também sabe que poderia ser pior ainda se ele tentasse viver dentro da bolha dos sonhos de subúrbios republicanos. Ele é o que é, e julgar isso já é cometer a injustiça.

    Kevin Smith é um escritor de diálogos tão soberbo que mal percebemos esta carga crítica no meio das piadas nerds com Guerra nas Estrelas, Senhor dos Anéis e práticas sexuais bizarras. Mas ninguém é tão inconseqüente, e principalmente, não um cara tão inteligente quanto ele. A história se passa em New Jersey, por si só um lugar "quase". Fica de frente para Manhattan, mas abriga pessoas que carregam o estigma de não ter o dinheiro para morar na ilha. A escolha não é casual, o Kevin é de lá. Ele vislumbra a outra América, mas decidiu não fazer a travessia, e escrever sobre isto. Outra ironia quase paradoxal é que a noiva dos sonhos de Dante é a esposa do Kevin na vida real. O outcast pode se dar bem então?

    O desastre não é não "chegarmos lá". O desastre é perdermos nossa integridade por uma ambição plantada por outros. E descobrirmos tarde demais que felicidade é viver o que se tem na mão.

    Assistir dois filmes num curto espaço de tempo que versam sobre este mesmo tema foi uma experiência um bocado forte. Duas comédias algo grosseiras, algo parecidas com outras. Porém, feitas por quem não acha as coisas assim tão engraçadas. Não se tratam de sátiras, tratam-se de confissões e alertas muito sinceros, feitos com muito amor e orgulho de quem se sabe outsider. A américa pouco propagada e seus nerds alienados está começando a ter uma voz alta, e o que ela diz é muito interessante, além das piadas serem ótimas. Não percam a revolução social que o cinema americano está sinalizando, numa sala perto de você, ou no bittorrent de sua escolha.

    Aproveitem também para ler a divertida resposta do Kevin pro chilique do Siegel aqui.





    Sons captados Domingo, Dezembro 24, 2006


    Ok, isso aqui não é exatamente um post. Mas como eu já falei aqui do cânone de Pachelbel, achei que cabia um apêndice. Como vocês, Rob Paravonian e a tortura de tocar isso no cello.

    E só pra não ficar muito decepcionante, mais um projeto de Frank Miller para o cinema: Os 300 de Esparta. O trailer lindíssimo - não por acaso remetendo a Sin City - pode ser visto clicando aqui. Quem achar o Rodrigo Santoro ganha um prêmio.








    Sons captados Sábado, Dezembro 02, 2006


    Vocês não sabem que ótimo ia ser meu post traçando um paralelo entre Little Miss Sunshine e Cleks II. Talvez até saibam um dia. Ando viajando.

    Mas pelo menos o Youtube traz diversão ilimitada para toda a família e eu pude relembrar dois desenhos do Walter Lantz essenciais para a formação de minha personalidade:

    * A lenda de Rockabye Baby Rock

    * A Indústria Vital

    ...E obviamente, todos os do Charlie Brown, o desenho adulto, e não a banda infantil.





    Sons captados Sexta-feira, Novembro 17, 2006


    Memes novos na área, e vamos documentando. Um vídeo de animação tosca feito no Brasil conseguiu quase meio milhão de visitas em um mês. No áudio, ouvimos um camarada tentando dizer, com voz angelical, "O Jardineiro é Jesus, e as árvores somos nós". Só que ele fala tudo menos isso e o sucesso é absoluto, porque o que o povo gosta é rir da desgraça dos outros. Não sou diferente, clique aqui para assistir.

    A parte triste é o pessoal fazendo comentários tipo "É o Lula ahahaha". Os problemas que o nosso excelentíssimo presidente tem enfrentado se referem basicamente à corrupção e roubalheira deslavada do governo. No âmbito pessoal, pode-se pegar no pé dele por seus hábitos etílicos. Mas ele não é um cara reconhecidamente burro. Esse tipo de comentário partiu da polarização cretina que a última eleição acabou gerando. Temos agora claramente uma elite horrorizada por ter alguém da plebe no poder. Há 5 anos ninguém fazia esse tipo de piada, agora já escancarou. Fico triste. Por favor não confundam isso com um comentário político. É que julgar a inteligência de alguém pelo nível de instrução é algo que me dá muita vergonha alheia, e mostra... Burrice.

    De qualquer forma, é bastante óbvio que o locutor do vídeo não tem problemas de QI, mas sim de fala. Achei bem estranho, fui pesquisar e acho que descobri: O pobre sofre de um dano no fascículo arqueado, responsável pela ligação de duas áreas do cérebro: a de Broca, responsável pela produção da linguagem, e a de Wernicke, responsável pelo entendimento da linguagem. Tem uma figurinha desta áreas aqui.

    Como resultado, ele sofre de um raro tipo de distúrbio da fala, a afasia de condução. O cara fala e entende tudo, mas troca algumas palavras e fica com uma incapacidade específica de repetir o que ele escuta. Bizarro. Segundo o Wiki, "O paciente vai dizer algo impróprio ou errado, perceberá seu erro, mas continuará cometendo erros ao tentar se corrigir".

    E aí, as árveres-árvoros-árvorezes somos nozes. Cultura médica para as massas.







    Chegou até aqui?? Então leia o que escrevi em:




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