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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

A trilha sonora deste blog está na Rádio Ouvido Penico na Usina do Som. O Som Punk, New Wave e Pop dos anos 80 com algumas esquisitices extra.

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Sons captados Sábado, Maio 31, 2003


Eu ia botar o Matrix como filme em questão, mas ainda não assisti de novo, com menos sono, pra entender melhor. Então vamos com outro filme, que foi burramente programado pela distribuidora para estrear junto com o Matrix, e acabou sem o hype merecido: Tiros em Columbine. Muitos já falaram sobre o meu, o seu, o nosso Michael Moore por aqui, mas na época poucos tinham assitido a este petardo. Agora, por favor, todo mundo no cinema, que Tio Costello recomenda, e aguardo comentários. Esperto, temática polêmica, excelente ritmo sem um segundo de monotonia (Perigo de todo documentário), e várias sacadas muito bem-humoradas misturadas com momentos comoventes. É o tipo de filme que dá pra apreciar mesmo discordando.

De minha parte, concordo. E ainda adiciono todo o meu estupor ao verificar que meus amigos, gente muito bem instruída da California, que é um estado bastante liberal, estão todos com o Bush e não abrem. Acham que ele é um herói que está salvando o mundo de todo o mal, e o resto do mundo está contra os Estados Unidos sem motivos. Cegueira e complexo de perseguição, e o maior poderio bélico do planeta. Juro que isso me dá mais medo do que a violência e governantes do Rio. Ainda estou atordoado com isso, e isto faz este filme de Mr. Moore ainda mais necessário. Sempre bom alguém para emitir uma opinião forte, inteligente e contrária à corrente.



Aliás, quem quer me vender um microfone Shure SM-58? E Headphones de boa qualidade? Tô com pouca, pouquíssima grana e precisando gravar uns lances aqui em casa. Aceito doações em dinheiro também.



Mais um momento Palmas Para Mim. Sintam a lista de links do blog Masterplan, do Julio Amorim:



O que é isso, o humilde Ouvido Penico no meio de venerandas majestades do mundo blogger! É injusto destacar qualquer um dos outros citados, mas espero que estar ali tão próximo do Instante Anterior seja presságio de que algum dia estarei fazendo um som no mesmo palco que o seu autor, o Bruno...

Também estou aproveitando para adicionar à lista de blogs legais o da Karla, a Cosmic Girl que Vive Andando. Não percam as fotos do show do Gengis Khan. Sou um dos que estão esperando a trash aqui no Rio.




Sons captados Sexta-feira, Maio 30, 2003


Socorro, não aguento mais os clips bregas de hoje em dia. Porque diabos absolutamente todos, eu disse todos, os clips têm que ter aquele visual lavado, com as cores mexidas por computador? Hoje vi uma sequência de clips brazucas e aliens, e no início de cada um tive que esperar a legendinha com o nome pra ter certeza se o que estava começando era música ou propaganda de cigarro.

Tudo bem que a maioria dos bons diretores de clipes vieram da publicidade, mas um pouco de vontade de fazer algo menos burocrático seria uma boa. Os caras ligam o automático, filmam tudo do jeito mais óbvio, depois editam à beça, adicionam uns cenários digitais nada a ver e lavam as cores. O mais engraçado de tudo é assistir ao "Making the Video" e ver as entrevistas dos diretores e banda, contando altíssimas histórias: "Essa é cena onde a banda encontra Deus e revela o sentido da vida, aí a terra os acolhe e...". Quando passa o vídeo, não vemos nada além da banda fazendo pose de má e os efeitinhos digitais bobos. Chega a ser divertido os diretores confessarem nesse programa o quão incompetentes são para contar uma história com os recursos de um clip.

Pra fechar o assunto, eu digo que nada poderá barrar em tempo algum o novo clip do Lulu Santos. Acho que a idéia era ficar com um bem-humorado toque trash, mas na prática ficou um horror total. Não dá pra fazer um negócio trash com atrizes globais no papel de Panteras (Aliás, o que é aquele Bosley falando fino?), carros, lanchas, locação na ilha fiscal e efeitos especiais digitais. Gastaram uma grana violenta pra fazer aquilo, num resultado absolutamente inassistível. MTV, o canal que sempre te lembra de procurar o controle remoto... Mas eu sempre volto.




Sons captados Quinta-feira, Maio 29, 2003


Não conseguir dormir em avião ajuda a botar a literatura em dia. Mudo então o livro em questão, cujas 453 páginas comecei na ida e acabei na volta. Trata-se de Noites Tropicais, do Nelson Motta. Se alguém por aí gosta de música, é obrigatório.

O autor sempre andou pelas rodas onde fervilhou a música brasileira, testemunhando de perto movimentos, idéias e incentivando a cena através de suas empreitadas malucas como festivais e casas noturnas. De João Gilberto, no comecinho da Bossa, até Marisa Monte, passando pelo surgimento do BRock, um belíssimo apanhado de histórias que fizeram a nossa história musical.

O que mais me interessou foi perceber como a turma que criou uma música brasileira interessante e criativa se encontrava, trocava idéias, mostrava músicas, se unia em um objetivo artístico. Hoje em dia vejo esse monte de bandas batalhando por aí sem nenhum tipo de núcleo para orbitar, ou atração mútua. É o cada um por si competitivo que não combina nem um pouco com a arte. Informações de estúdios, lugares de shows, festivais, gravadoras, tudo fica meio guardado a sete chaves. Parcerias para compor, nem pensar. E mesmo se tudo isso rolasse, quão longe ainda estamos de uma conversa boa numa mesa de bar sobre os porquês e para quês de fazermos música.

A consequência óbvia disso é o horror que ouvimos em nossas rádios. Metidos a MPB sem talento ou bandas de Rock primárias, sem a menor proposta ou noção básica do que é Rock. Guitarra barulhenta qualquer idiota faz. Mas e aí, pra quê o barulho? Sem nada pra dizer, é fumaça sonora, poluição que intoxica e se esvai sem deixar memória. Que se danem os que vêem música como carreira, que venham os que idealizam utopias e fazem arte porque sonham. Sozinhos, não têm muita força. Mas esta jóia de livrinho mostra o que acontece quando uma turma com o compromisso da diversão e da provocação artística se une. O mundo inteiro para e assiste.




Sons captados Quarta-feira, Maio 28, 2003


Vortei! Os acentos dos posts também! Que beleza a comidinha do Brasil. Meu estômago já está quase totalmente livre das toxinas macabras do lixo que são os alimentos americanos. A volta consistiu em 3 horas até San Diego num ônibus, depois outro ônibus até o aeroporto, espera até avião para Washington, mais espera e embarque até São Paulo, espero um pouco mais e desço no Rio, 26 horas depois de sair da casa do meu amigo em San Bernardino. Aí obviamente dormi o dia inteiro, quando acordei liguei a TV pra me reajustar e minha mania de parar pra ver coisa ruim me faz testemunhar duas coisas de cair o queixo:

Num canal está ninguém menos que o Roy dos Menudos dando entrevista sobre sua filha brasileira. Meu Deus, quem diria que o cabeça de ovo do Roy também passava o rodo nas suas passagens pelas nossas terras. Só não era mais feio que o monocelha Robby, mas pelo menos o Robby cantava com aquela vozinha de falsete: "If you're not heeere..."

No outro canal passa aquele indizível programa esportivo carioca com uns políticos metidos a jornalistas puxando o saco de quem lhes convier. Aí um deles chama o "Repórter" para comentar o jogo do Mengão e me aparece o tal Nanny de Souza, falando obviedades sobre a partida. O sorriso com o dente quebrado é inconfundível. Era o Nani, que apresentava na Band há uns 15 anos um programa de clips junto com uns tais Multedo e Carina Cooper. Quem lembra? Acho até que se chamava Videomania. Quem não é do Rio não viu. Mas com certeza viu o mesmo moço em ação, no papel de ninguém menos que o Bozo! Depois da saída do primeiro o Sílvio Santos promoveu um verdadeiro rodízio, e o Nani foi um dos que mais tempo ficou, se não me engano apresentando a TV Pow, aquele videogame onde os meninhos ficavam gritando "Pau! Pau!" no telefone e errando umas navezinhas que dançavam pela tela.

Menudos e TV Pow no mesmo dia. Que maravilha eu ter voltado.




Sons captados Sexta-feira, Maio 23, 2003


Dois posts no mesmo dia, melhor aproveitar enquanto posso. O chato disso e' que existe a tendencia dos leitores apenas comentarem o mais recente. Saibam entao que eu verifico todos os posts por comentarios novos.

Ontem finalmente consegui por as maos num violao de novo. Deu pra comecar a matar a saudade. Meu amigo me mostrou o CD de sua irma, que esta' em turne pelo pais com sua banda de punk rock, The Soviettes. Eu mostrei umas musiquinhas da minha banda, ele gostou pra caramba. Combinamos que assim que gravarmos (Deve ser mes que vem) eu vou enviar o CD demo pra ele mandar para a gravadora da irma, com a promessa de se eles gostarem, a gente gravar em ingles.

Eu confesso que acho meio idiota esse monte de bandas brasileiras fazendo musica em ingles. Dizem eles que "Soa bem" ou "Estamos de olho no mercado internacional". Eu ja' acho que so' conseguir escrever letras que soem bem numa lingua cheia de palavras de uma silaba e' falta de capacidade poetica, e o mercado internacional sempre vai preferir, com as devidas excecoes que confirmam a regra, o lixo americano e ingles 'a melhor das bandas de outros paises. Vamos combinar o seguinte: Se alguem escreve mal na sua lingua natal, na lingua que usa no seu pensamento, vai escrever pior ainda em outra, o resto e' papo pra boi dormir. Fim da discussao.

Mas diante de uma possibilidade como essa... Esquecam tudo o que falei. Se uma gravadora gringa disser que banca, English is my native language from now on. Nao precisam me dizer que estou so' sonhando. Tenho plena consciencia disso e faco de proposito. E' bom demais.



De volta ao gabinete enquanto meu camarada esta' dando uma aula. O clima aqui nao tem nada a ver com o de San Diego. La' sempre tinha um vento frio, a jaqueta de couro era obrigatoria mesmo no sol, o que e' bom, porque me faz sentir Rock'n'Roll 'a beca mesmo trabalhando. Aqui ta' um calor da gota, ruim fora de casa, mas pior ainda dentro, porque ar condicionado de americano nao e' brincadeira. Dormi embolado num edredom e mesmo assim tou aqui cheio de resfriado.

A noite alias foi bacana. O nenem, de pouco mais de 2 meses, acordou chorando algumas vezes. Casa pequena, acordei junto. Ouvi tambem o ruido dos pais tentando gentilmente conforta'-lo. Depois de tanto hotel, palestras, paulistas de terno e gravata fazendo cara de superior e questao de nao cumprimentar, os mesmos dancando ridiculamente na festa de encerramento com aquele famoso orgulho de pagar mico e fingir animacao fora do comum por ser um brasileiro no exterior... Foi muito bom acordar no meio da noite com os barulhos de uma familia normal. Um homem ama uma mulher, os dois se unem, vivem com certo sacrificio, dessa uniao aparece mais um serzinho com os tracos dos dois, ele acorda todo mundo aos berros de madrugada, e mesmo com todo o cansaco eu acabei crendo por um momento que tudo estava bem com o mundo, e sorri no escuro.




Sons captados Quinta-feira, Maio 22, 2003


Continuo postando de lugares exoticos. Depois do centro de convencoes de San Diego, agora estou em Corona, nos arredores de Los Angeles, dentro do gabinete de um amigo doutor em Quimica na Universidade de La Sierra. Foram 3 horinhas de onibus. A paisagem da estrada deixa claro que mesmo perto da costa, com praias, isso e' um deserto. O clima e' tao seco que rebenta a pele do rosto. Alias praia e' modo de dizer, as mais interessantes estao em La Jolla, fui ate' la', rola um surf, mas so' se voce realmente achar boa ideia entrar numa agua onde focas nadam 'a vontade. Sao animais bonitinhos. Mas indicam que a temperatura da agua nao e' para quem tem menos de 400 quilos e uma camada de gordura de uns 10 centimetros.

Fiz uma descoberta bem interessante: Meu dinheiro acabou. O cartao foi negado numa loja, bem no presentinho da esposa, paguei em cash, e la' se foi o pouco que tinha. Entao tenho que me segurar ate' domingo, quando embarco. Vou ficar aqui hospedado com meu amigo, esposa e nenem, que ainda nao conheco, ate' sabado, quando vamos ver Matrix de novo, e pego o onibus de volta para San Diego. Nao pretendo gastar nada ate' la'. A noite em San Diego estava meio problematica, ja' estava verificando a maciez dos bancos de praca, ate' que um dos milhares brasileiros que trabalham la' de garcom me indicou um albergue, 20 dolares a cama. Reserva feita. Depois conto mais.

Alias caiu dramaticamente a probabilidade de manter uma periodicidade curta aqui no blog. Se 10% dos contatos que iniciei e ideias que tive nesta conferencia forem adiante, vou trabalhar 25 horas por dia nos proximos 200 anos.




Sons captados Segunda-feira, Maio 19, 2003


EU VI MATRIX RELOADED. Pra voces verem como sao as coisas. Aparentemente um maluco acha que nao so vale a pena me contratar pra desenvolver um produto com ainda me mandou para pesquisa num congresso da area. Entao na quinta peguei um aviao no Rio e 18 horas depois desci aqui em San Diego, de onde escrevo este post sem acentos.

Chegando no hotel nao havia quartos disponiveis e eu teria que esperar, entao peguei um bonde ate o cinema mais proximo e relaxei na poltrona. Ainda estou zureta com a falta de sono e nao quero contar muito do filme, mas acho que preciso responder 3 perguntas fundamentais:
  1. E' Bom?

    SIM! Os elementos que tornaram o primeiro tao cult estao todos la': Direcao segura, cenas bacanas, dialogos espertos, atores carismaticos, efeitos especiais realmente interessantes e a historia intrigante. A trama e' o maior trunfo, com reviravoltas surpreendentes e conseguindo manter o clima filosofico. Na verdade pra alguem que nao dorme em aviao foi filosofico ate demais, e nao estou muito certo de ter conseguido entender tudo. Mas foi um alivio ver que os Wachowski conseguiram nao apoiar tanto o filme em um mero apanhado de efeitos visuais.

  2. E' melhor que o primeiro?

    Essa e' dificil. Nao existe comparacao da expectativa do primeiro filme, que foi quase nenhuma, e deste, que esta' fazendo nerds como eu babarem desde as primeiras noticias sobre uma continuacao. As lutas acontecem com mais frequencia, e la' pelas tantas eu fiquei meio aborrecido em algumas. Eu preferia que o pessoal puxasse uma arma pra resolver certas brigas que pareciam nao acabar e nao ter muito sentido. Em compensacao, a luta do Neo contra "os" agente Smith e' perfeita. As cenas de acao sao boas, mas nenhuma barrou o resgate do Morpheus no primeiro filme.

    Os personagens novos e antigos ganharam mais personalidade, o Neo continua o mesmo babaquara sem saber direito o que fazer, o Morpheus ganhou um contexto de lider carismatico, rebelde, e o direito a um par mais ou menos romantico, a Trinity continua com aquela carinha charmosa de quem esta' achando tudo um saco, e a volta do Oraculo e' um dos pontos altos do filme, que estava meio devagar ate' entao. A atriz continua absolutamente perfeita, com o mesmo jeito de tia boazinha, e o dialogo, pra variar, deixa o Neo e a plateia com cara de pastel, e abre novos rumos para a historia. Dos personagens novos, fora os gemeos albinos com poderes sobrenaturais que todo mundo viu no trailer, esta' o chefe deles, que adora xingar em frances e e' hilario. Fazendo par com ele, a Monica Belucci. Nao preciso comentar a Monica Belucci.

    Porem, a grande diferenca e estrela do filme e' a Matriz. O fato dela ser um mundo virtual e' levado a consequencias bem mais dramaticas do que no primeiro filme. As cenas dentro da matriz sao sempre muito mais bacanas do que quando vemos o mundo real. Embora esta continuacao mostre bastante do mundo real, em Zion, eu achei que ficou com uma certa cara de Star Wars, um bla-bla-bla politico um tanto cliche.

    Esta alias foi a impressao final do Reloaded. Enquanto o primeiro filme utilizava varios cliches de quadrinhos, transportando-os para a tela grande com perfeicao, este aparentemente usa cliches de filmes, mesmo, com o heroi rebelde contra o chefe obtuso, ou os tiros que nao acertam ninguem, o que simplesmente nao tem a metade da graca.

  3. Quem nao viu o primeiro vai gostar desse?

    Como tem muito mais Kung Fu e a filosofia esta' muito mais viajante, meu diagnostico e': Nem pensem em levar as namoradas. Ou voce viu o primeiro filme, e gostou, ou tenho a impressao de que vai perder seu precioso tempo tentando entender as loucuras deste, que e' bem mais radical.
Em resumo: Vale a pena? Vale. E' muito melhor que a media dos filmes que tenho visto. Belos personagens, belo cenario, historia intrigante. Eu vou ver de novo no Brasil, com legendas quem sabe eu entendo melhor... E' revolucionario? Nem tanto.




Sons captados Quinta-feira, Maio 15, 2003


Algumas músicas que bateram e ficaram. É assim que chamo aquelas músicas que por algum motivo nos fizeram viajar por instantes, botaram um sorriso na nossa cara sem motivo, nos fizeram chorar ou sair dançando no quarto na primeira escutada. Não raro muitas músicas dessa lista pessoal são meio constrangedoras. Acho o assunto interessante e me arrisco a provocar aqui fortes reações abrindo corajosamente o meu baú, sem ordem específica:
  • Legal Tender - B52's - Era um pirralho quando ouvi pela primeira vez, através do clipe. Aquelas gatas dançando com os cabelões, a batidona new wave, os teclados atrás fazendo outra melodia, fui arrebatado por aquilo. Pouco tempo depois lá estava eu no Rock in Rio, em 18 de janeiro de 1985, dia do Queen, pra assistir... B-52's. Ainda não cansei de ouvir Legal Tender.
  • This Charming Man - The Smiths - A primeira vez que ouvi foi numa festinha naquela idade quando homens e mulheres dançavam em grupinhos separados. O DJ botou isso aí e lembro de ter saído dançando que nem um alucinado. Foi uma das festas mais felizes da minha vida, mesmo terminando sozinho. Ali aprendi que certas músicas são ótima companhia.
  • The Comedians - Roy Orbison - Esse cara é a voz da própria tristeza, e ao som desta canção de Elvis Costello já chorei um bocado: "I should be drinking a toast to absent friends, instead of these comedians...".
  • Hazy Shade of Winter - The Bangles - Bandinha feminina dos anos 80, que explodiu com a bobagem "Walk Like an Egyptian". Essa aí é um cover de uma canção obscura do Simon & Garfunkel, no original lentinha e com um violão dedilhado, na revisão das meninas uma sonzeira com guitarra distorcidas e batida quase de Punk Rock. Foi gravada para a trilha sonora de "Abaixo de Zero", filme sobre drogados com o Sean Penn. Durante um bom tempo foi minha música preferida, entre todas.
  • Major Tom (Coming Home) - Peter Schiling - Mais techno, acho que algo no contraste da voz sussurada e o refrão forte é bastante emocionante. Nas festinhas a galera gritava junto o "4, 3, 2, 1!" em inglês que chamava o refrão.
  • Pale Shelter - Tears for Fears - Me traz uma lembrança estranhérrima, eu estava no saudoso Tivoli Park, em alguma fila, a música soou pelos alto-falantes. Algo nos teclados me passou uma sensação de medo, uma coisa macabra. Devia ser o misto de fascinação e pavor que eu tinha daquelas pinturas na fachada do trem-fantasma. Hoje, sabendo o que a música fala, o sentimento não podia ser mais apropriado. Tem algo na parte do final, com a repetição do "You don't give me love", o dedilhado da guitarra, o baixo pululante, que de vez em quando ainda me arranca uma lágrima. Vi o show das Tias Fofinhas no Hollywood Rock, e fiquei pulando sozinho. Outra curiosidade dessa música é que o clipe tem umas cenas onde os caras caminham entre várias gaivotas de papel voando, e dá pra ver quando uma delas acerta em cheio o olho do guitarrista. Clássico.
  • Smells Like Teen Spirit - Nirvana - Uma das poucas vezes em que eu parei tudo o que estava fazendo pra aumentar o volume nos anos 90. Foi a primeira deles que ouvi e é pra mim a melhor de todas. A batida do refrão é fenomenal e dá vontade de quebrar tudo.
  • Black - Pearl Jam - Da mesma época tenho que destacar essa. Era chegar da faculdade, me encolher na cama, e estourar as caixas do meu som com essa balada sombria e potente. Nas rodas de violão era certo de eu tocar. Ainda mais se o pessoal pedia Milton, Caetano e outras coisas irritantes.
  • Mary - Oingo Boingo - Ouvia esses caras nas longínquas épocas de bodyboarder e skatista. O pessoal do meio ficava trocando fitas de bandas da Califórnia, e eles eram os meus prediletos. Temáticas ligadas à morte num som estranhamente alegre e instrumental rebuscado, prenunciando o ouvido que levaria o líder Danny Elfman a tornar-se o compositor de trilhas sonoras para Hollywood (Zilhões de filmes famosos têm sua assinatura, destaco Batman e Simpsons). 'Mary' é de um desconhecido álbum deles lançado em 1994, rebatizados de Boingo. Uma balada bizarra com violões, violinos, pelo menos um solo de guitarra histérica e a fábula de Mary, que sai de casa para conhecer o mundo e suas coisas estranhas, enquanto sua família espera sua volta ao de sempre. Quando o trabalho parecia insuportável, botava o mp3 aos berros nos headphones, fechava os olhos, e tudo ficava bem por uns momentos.
  • Final Cut - Pink Floyd - Pois é, de tanta coisa maravilhosa que o Pink Floyd deixou eu cismo logo com essa, do CD mais odiado deles. Mais uma vez, a esmagadora tristeza da música, a poesia amarga do Roger Waters, e especialmente o fantástico solo do Dave Gilmore me deixam chapado. Tem uma história com ela, uma vez eu estava numa espécie de acampamento na Argentina. Numa noite o pessoal fez uma fogueira, rolou um Rock, lá pelas tantas me isolei com o violão, e cantei Final Cut de olhos fechados. Acabei de cantar, continuei dedilhando por uns minutos, aí abri os olhos. Umas 30 pessoas estavam sentadas na minha frente, tinham chegado em silêncio absoluto, ficaram lá viajando. E só quando parei de tocar eles sorriram e aplaudiram. Esse talvez seja o episódio crucial para a minha ambição de ser músico.
  • * Adendo: Velhas canções bregas italianas - Cresci ao som das coletâneas compradas por minha mamma, o que explica em parte porque não tem música brasileira nesta lista. Praticamente não ouvi nada que não fosse em italiano durante a infância e MPB até hoje me parece alienígena. A gente treinava o vocabulário pelas canções de Sergio Endrigo, Pepino Di Capri, Nico Fidenco, Fred Bongusto... Vibrei quando tocou "Ti Amo" do Umberto Tozzi no último filme do Asterix.
  • Tudo - Elvis Costello - Sobre ele, o homem, o mito, vou precisar de um outro post. Fanático é fogo.
É difícil a gente entender porque certas músicas fazem "clique", gerando reações emocionais. Quando componho é exatamente este o critério para saber se a música vai pra frente, ou se está pronta. A sensação de que algo fez sentido, lá na alma, mesmo quando a cabeça diz que aquilo não é exatamente genial. Eu creio que esse é o sentimento que define nossa necessidade por arte.

E aí, quem comenta estas canções? Alguém tem coragem de publicar uma ou duas músicas - mesmo as bobas - que cutucam a sua alma, com uma breve explicação?




Sons captados Quarta-feira, Maio 14, 2003


Aproveitando o clima "Gente que faz", rolou ontem no GNT um documentário sobre a Jane Elliott. É uma senhora que desde a morte de Martin Luther King Jr. se dedica a denunciar o racismo americano com um método pra lá de interessante. Ela separa a turma que vai assistí-la por de cor dos olhos, e os de olhos azuis são tratados como inferiores aos outros. No documentário ela faz isso com uma turma de adolescentes, e não raro algum olho azul caía em prantos. A mensagem: Aquilo ali é apenas uma experiência por alguns minutos de um dia, que todos sabem que vai acabar. Os negros passam por isso o dia inteiro, todos os dias desde que nascem, e não termina nunca. A inversão de papéis é importante para os loirinhos branquelos entenderem as formas de discriminação que existem, mesmo as mais sutis. Eu recomendo à turma do GNT que corra atrás.

Transcrevo uma frase em especial dessa professorinha branca do Iowa: "A única coisa necessária para a perpetuação do mal é que as pessoas boas não façam nada".




Sons captados Terça-feira, Maio 13, 2003


O Charles Schulz é simplesmente o cara. Pra quem não ligou o nome aos quadrinhos, é o criador de Snoopy, Charlie Brown, Lucy (Se eu não mencionasse a Lucy podia ter leitora brava comigo) e demais figuras que tanto me divertiam nas tirinhas de Peanuts. Lembrei dele quando achei a seguinte pérola ao dar uma faxina no meu HD:



Desconfio que essa tirinha sintetize praticamente toda a minha vida amorosa (Assim com minha vida profissional está descrita com exatidão em Dilbert, e o resto está resumido por uma mistura de Garfield e Pateta). Lembro que escaneei pra mandar pros camaradas da faculdade, já que "Menina Ruiva" era codinome para aquelas garotas maravilhosas dos outros cursos, que víamos todos os dias mas ninguém juntava coragem pra ir lá falar. Desnecessário dizer, éramos todos já crescidinhos, mas todo mundo era fã de Peanuts. Eu chegava correndo da faculdade pra ver quando o desenho animado passava meio-dia no SBT, com aquela trilha sonora viajante de Jazz. Também lembro que o cara que dublava o Charlie Brown era o mesmo do Chaves.

Peanuts é um negócio bastante estranho, porque na verdade conta histórias de criancinhas vivendo dilemas e angústias de adultos, e lidando com isso com a lógica infantil. Uma sacada de gênio. O grande Schulz, ele mesmo uma pessoa introspectiva, insegura, com fortes sentimentos de rejeição, passou a vida dedicado a nos lembrar que a vida pode ser complicada, mas nós não precisamos ser assim, e no fundo, sempre dá pra achar um motivo pra uma boa risada de qualquer situação. Acabou virando o desenhista mais lido e bem pago da história. Estimava-se que ele faturava por ano algo no mesmo patamar de pop stars do calibre de Michael Jackson (Antes da história com os menininhos), embora ele detestasse tocar no assunto, tinha medo que as pessoas pensassem que ele se achava importante por causa disso.

Apesar do estrondoso sucesso, ao contrário da maioria dos cartunistas, fazia questão absoluta de ele mesmo, sozinho em sua casa, bolar e desenhar cada uma das tirinhas, o que fez diariamente por mais de 50 anos até o derrame e a descoberta de um câncer que forçaram sua aposentadoria aos 77 anos. Apenas 3 meses depois, sem poder mais fazer o que mais amava na vida, decidiu finalmente encontrar a grande abóbora ou o que quer que nos espere no fim da nossa linha.

Fica aqui o meu respeito e admiração pelo cara que a partir angústia e solidão, ao invés de fazer o mais fácil, que seria se vestir de preto e querer destruir tudo, foi capaz de criar uma coisa ousada e maravilhosa, que tornou a vida de tantos mais feliz. Quando você percebe que o mundo é mau e as pessoas não se importam com você, o que é mais inteligente: Pregar a destruição e conseguir piorar o mundo ainda mais, dançar conforme a música e por omissão colaborar para tudo continuar na mesma, ou mostrar sua visão de forma criativa para que as pessoas enxerguem outras realidades? Parece dramático demais para falar de um "mero" artista, parece mesmo que a ação de um só de nada adianta, mas eu não ia querer viver em mundo onde o Schulz nunca tivesse existido. Ou sem o Elvis Costello, que não tem nada ver com esse post.






Sons captados Segunda-feira, Maio 12, 2003


Previsões para o futuro: O blog deve sofrer daqui a pouco um pequeno intervalo por motivos de força maior, com posts mais espaçados por um período. Mas tudo na vida tem sua compensação, se tudo acontecer como estou prevendo, estará aqui, em primeira mão antes da estréia oficial, uma crítica de um certo filme que muitos de vocês estão esperando... Não sou muito bom profeta, então por favor torçam por mim.




Sons captados Domingo, Maio 11, 2003


Estou no fim do livro em questão, mas sempre cabe falar do Neil Gaiman. Conheci esse escritor inglês quando a editora Globo começou a publicar Sandman, uma revista em quadrinhos com temática mitológica, clima pesadão e capas muito bonitas. Quem acompanhou tem que lembrar bem, por exemplo, do desafio entre o Morpheus e um demônio em pleno inferno. Era tão bem escrito, tão lírico mas ao mesmo tempo tão divertido de ler, que não dava pra não ficar boquiaberto com a qualidade do texto do Mr. Gaiman.

Outros momentos que ficaram pra sempre em meu coração incluem o monólogo de Lúcifer, banido do inferno, observando um por-do-sol numa praia. E uma das histórias mais deprimentes que já li na minha vida, de um lunático de posse de um item mágico transformando um restaurante numa sucursal do inferno. Infelizmente a Globo cancelou do nada a publicação do título (Akira também rodou junto) e fiquei de mãos abanando.

Por isso fiquei bem feliz quando um amigo me emprestou o "Belas Maldições". Na verdade eu vi em cima de uma mesa e roubei. Os elementos familiares a quem conhece o Gaiman estão todos lá: Anjos, demônios, bruxas, profecias, com participação especial do anti-cristo, já que o tema do livro é o apocalipse. Aí você já está pensando que deve ser mais uma chorumela de terror, e aí você se enganou. É um livro hilariante, o que é ressaltado pela ótima tradução.

O "Plano diabólico" de destruição do mundo se torna uma bagunça total. As situações são ótimas, principalmente as causadas pelos desastrados Azyraphale e Crawley, o anjo e o demônio que têm como missão vigiar o anti-cristo, que aliás é um achado: Um moleque de 11 anos, e não o esperado líder mundial sinistro, muito mais preocupado em brincar com seus amigos do que qualquer outra coisa. Mas mesmo um pirralho pode ter seus conceitos a respeito do mundo, e deixo aqui uma bela amostra:

"Você cresce lendo sobre piratas, caubóis, homens do espaço, essas coisas, e justo quando você pensa que o mundo está cheio de coisas fantásticas, eles te dizem que a verdade é que ele está cheio é de baleias mortas, florestas devastadas e lixo nuclear que vai ficar por aí milhões de anos. Mundinho boboca de se crescer, se você quer minha opinião."

Em plena crise dos 30, só posso assinar embaixo.

Bons personagens, narrativa fácil, e o texto sempre esperto do Neil, com a ajuda do co-autor Terry Pratchett. Recomendo pra quem quiser uma leitura leve e gostar de humor inglês esculhambando místicos e profetas em geral. As notícias de sempre dão conta de um filme baseado no livro, como sempre o nome do Terry Gilliam estava envolvido, e como sempre ele pulou fora.

Ainda do Neil Gaiman encontrei uma preciosidade no Kazaa: "Neverwhere", série escrita por ele para a BBC, em 6 episódios de meia-hora. A história é de um cara que socorre uma mulher misteriosa na rua, e a partir daí é envolvido pelo universo fantástico das pessoas que vivem nas ruas, uma sociedade com regras próprias, estranhos seres e muita magia, totalmente invisível aos olhos do resto dos humanos, insensíveis demais para enxergar. Bacana mesmo.

Este post foi editado para não conter detalhes que apeteceriam somente aos mais fanáticos. Deixo alguns sites úteis para maiores informações:






Sons captados Sábado, Maio 10, 2003


Parem as máquinas. Vejam que notícia: "Os internautas americanos que baixam música em sites de troca de arquivos são mais propensos a comprar discos online e em lojas convencionais, concluiu uma pesquisa encomendada pela indústria fonográfica..."(Clique aqui para ler tudo)

Não é fantástico? A indústria está descobrindo que quem gosta de música compra mais CDs do que quem não gosta! Ok, mundo, pode voltar a girar agora.

Pra não ser chato, até existe uma notícia aí, e é que então as gravadoras talvez consigam reconhecer, ao custo de pesquisas óbvias, que não há nada de errado com o mercado, que continua querendo consumir música, e vistam a carapuça das bobagens que têm feito, tipo investir em música horrenda (Vejam as bandas convidadas para o coca-cola vibezone e tentem não chorar) e incentivar a inflação dos custos de todos os canais de distribuição de música, escravizando o mercado em uma necessidade de fluxo de caixa totalmente irreal, numa situação onde só os gêneros de música para consumo de massa podem sobreviver.




Sons captados Sexta-feira, Maio 09, 2003


Parece que blog tem que ter poesia ou letra de música. Então posto abaixo um estudo para ambos, feito num workshop de composição com o Leoni, aquele mesmo, ex-Kid Abelha e ex-Paula Toller. O exercício era abrir uma revista, pegar um título que soasse bem e escrever uma letra a partir do título, que deveria constar no refrão. Na minha mão caiu a revista "Gula". Aí deu nisso:

Arsenal do Cozinheiro

A colher para escavar o fosso
O Vinagre pra arder a ferida
Leite na validade vencida

O garfo pra espetar os sonhos
O alho pra espantar com o hálito
Um café pra não perder o hábito

Os pratos pra quebrar na festa
O vinho ruim ajuda a sesta

Basta apenas criatividade
E o arsenal do cozinheiro
Para temperar a verdade
Com os molhos mais traiçoeiros

Pro feitiço é sempre bom ter ervas
A bandeja pra servir à mesa
A vingança que o freezer conserva

O cutelo esquarteja o amigo
O azeite pra queimar as provas
O jiló pra piorar o castigo

O forno queimou as memórias
De quem virou uma longa história

Basta apenas criatividade
E o arsenal de ingredientes
Para requentar a saudade
De amor e amizade ausentes




Quem mais quer botar a foto da orelha aqui? Para conseguir, basta ser o visitante número 3.333. Deve acontecer hoje. O contador está do lado esquerdo, mais pra baixo. Por favor capture a tela com "Print Screen", cole num editor gráfico e salve se for você, feliz ganhador, e bem-vindo ao mundo dos ricos e famosos!




Sons captados Quinta-feira, Maio 08, 2003


O emburrecimento do mundo está avançando a largos passos. Primeiro a Flu FM, que deveria ter sido o grande triunfo das rádios independentes no Rio, virou um mico ridículo, mostrando-se uma rádio jabá como qualquer outra. Sem o mínimo de inventividade pra cativar um público sedento de boa música e com poder aquisitivo, finalmente assumiu que não quer mesmo nada com o Rock e virou uma chorumela triste. No blog do Tom Leão tem uma boa discussão sobre isso, ver link aí ao lado.

Agora leio no jornal que o Wal-Mart acaba de suspender as vendas de algumas revistas masculinas, até aí morreu o neves, mas na reportagem acabei sabendo que esta foi mais uma medida, após já terem sido suspensas as vendas de CDs com os selos de linguajar chulo na capa ou capas consideradas ofensivas. Opa. Este é o país que a direita fundamentalista americana está construindo. Em nome de valores morais, estão pressionando o corte dos canais de distribuição de obras que não estejam de acordo com os padrões vigentes. Isto é censura, e é abjeta. Obstruir qualquer tipo de expressão artística é por definição se encerrar na ignorância. Eu não compartilho dos valores de bandas que escrevem letras sobre matar todo mundo, ou suicídio, ou coisas destrutivas sem propostas ou razão. Mas existe gente que tem esta visão, e eles têm que ter o direito de dizer o que pensam, até para o meu direito à discordância estar preservado. Vejo horrorizado o início de uma caminhada rumo à homogeinização da opinião. Num momento parecido, no pós-guerra, o Rock surgiu. Hoje a maioria das bandas por aí está numa onda besta de fazer letras falando, mal à beça, de amor. Queridos, usem essas guitarras praquilo que elas foram criadas. Coisas horríveis estão acontecendo. Abram os olhos.



Mais uma saga real:
Um casal argentino amigo da família está nos visitando, o marido é doido por futebol, então coube a mim levá-lo ontem no Maracanã pra curtir o Mengão (Ouço vaias?). É sempre bom pra atualizar meu sotaque porteño. Várias coisas interessantes aconteceram:
  • Anotem aí pra me lembrar, se algum dia eu for cantor profissional, que não adianta achar que vou conseguir ir ao estádio e ficar quieto poupando minha voz. Aguentei firme até mais ou menos 20 do primeiro tempo, daí em diante foi só trauma nas cordas vocais. Nesse findi o ensaio vai ser sábado pra evitar o dia das mães, vai ser duro colocar a voz no lugar até lá.

  • Passei o jogo inteiro xingando em espanhol em pleno Maracanã. Achei que seria rude de minha parte fazê-lo em português, na frente do gringo.

  • Entrada tranquila, saída tranquila, táxi fácil, uma beleza, já no caminho de volta soaram dois tiros, não deu pra ver onde mas com certeza foi bem mais perto do que gostaria. Também deu pra ver o corre-corre da horda logo depois, em nossa direção, quase passando por cima do táxi.

  • Momento Lei de Murphy: O gringo ficou meio assim, debater o tema da violência no Rio foi inevitável, eu comecei a explicar uma visão muito sociológica de como a polícia e os bandidos aqui já viraram mais ou menos a mesma coisa... E aí o taxista interrompe, em espanhol perfeito. Ele era casado com uma chilena. Tinha entendido tudo. E era PM.

  • O gringo gelou, pelo jeito achou que o cara fosse apagar a gente ali mesmo. Aí eu comecei a desfiar a outra tese sociológica de que o soldado, este nobre, é também uma vítima de um sistema que não lhe dá o mínimo respaldo, salário, condições de trabalho, condições de moradia. Nos entendemos, acho. Pelo menos ele nos deixou no endereço certo. Pelo sim, pelo não, o hermano deu uma gorjeta boa.





Sons captados Quarta-feira, Maio 07, 2003


Hein? (Dia dos Posts curtos)

A imagem acima foi capturada do blog da Jackie Mayfair, e por incrível que pareça está linkando para cá! Isso vale muito mais que estar no Blogs of Note. Ganhei o dia!

O bom de ser casado com uma dermatologista é que ela tem uma pele impecável, linda, maravilhosa. O ruim é que quando você vai dar o beijo de boa-noite o gosto do coquetel de cremes faz você levantar correndo direto lavar a boca na pia.

O Stereototal agora me persegue. Estou calmamente vendo o jornal da MTV, e aparece um pedaço do show dos caras em Curitiba. A mesma leseira, a mulher cantarolando desafinada e o cara pulando atrás, e exatamente aí caiu o sinal da Net e eu fiquei sem TV.

Minha primeira decepção nesse negócio de blog foi ontem, vendo um desses blogs famosos, tirando uma onda de descolado e bem-informado, que todo mundo lê e põe o link. Lá estava um post quase que completamente chupado de um comment que escrevi no blog do Tom Leão, que o autor da "coincidência" também frequenta. Informações e link para foto interessante, que me custou um bom tempo de Google, idênticos ao meu comentário. O meu bloguinho esse cara não deve ler, e não achou importante citar a fonte, mas o link e crédito pro do Tom Leão, onde ele é assíduo, sempre comentando, seria o mínimo esperado, nénão?

Ainda a minha cisma com a mesma figura. Eu voltei lá. Várias notícias que ele posta tem créditos para "Globonews" e coisas assim. Agora um novo post sobre a rádio Fluminense, mais uma vez com informações obtidas nos comentários do mesmo supracitado blog, não tem crédito algum. Minha mente roqueira processa isso como respeito aos poderosos e desprezo aos independentes. Asshole. Favor não perguntar quem é, não tô aqui pra fazer publicidade da gentalha. É até divertido saber que virei "fonte" desse blog influente. Os porões informam as elites, mas elas têm horror de admitir..

Novo som na Rádio Ouvido Penico pra ilustrar meu mood. "Suspicious Minds", na versão matadora do Fine Young Cannibals.

Faltou dizer que Buffy ontem foi um espetáculo. Teve um climão. As cenas dela com o vampiro psicanalista, sensacionais.

Mais uma indicação simpática no post de hoje de "A Bêbada e o Equilibrista", blog de um casal da minha estranha terra natal.

Gostei da definição. Nerd com N maiúsculo eu já tava acostumado, mas "gente boa" acho que é a primeira vez.






Sons captados Terça-feira, Maio 06, 2003


Meu coração está feliz. X-Men 2 é um filme muito, muito bacana mesmo. É um raro caso de seqüência superior ao primeiro filme. Até minha mulher que no máximo tolera meus gostos nerd disse que dá vontade de ver mais, porque os personagens são tão legais, e que está esperando a continuação. Na saída do cinema ela ainda ficou brincando de ser a vampira, me beijando pra ver se eu morria (Não sei se interpreto isso com uma coisa boa ou não). Eu gostar de filme baseado em história em quadrinhos é normal, mas ela... É um fato digno de post. Na verdade, de um post enorme.
Não há segredo sobre as causas do filme ser tão bom. Os roteiristas se concentraram em todos os pontos que tornaram X-Men um dos quadrinhos mais populares de todos os tempos: O interessante dilema entre os mutantes que se sentem deslocados no mundo e humanos com medo dos próprios filhos, sem entender porque nasceram diferentes, as personalidades marcantes de cada um dos mutantes, todos de uma forma ou de outra traumatizados pelo fato de terem estranhos poderes, os romances platônicos (Sim!), e, obviamente, os poderes bem diferentes que cada um possui.

Os personagens são interessantes à beça, e o filme explora isso bastante, principalmente pelo acerto do elenco. É um deleite ver o Professor Xavier e o Magneto, com sua estranha relação de empatia apesar de estarem em lados opostos da briga, encarnados pelos senhores Patrick Stewart e o Ian McKellen. Só saber que um saiu do Jornada nas Estrelas e o outro é o Gandalf do Senhor dos Anéis já é um nirvana nerd, mas os dois ainda por cima são atores monumentais e tiram tudo que os papéis podem dar. Qualquer um que goste de cinema tem que assistir estes senhores se divertindo num filme de heróis.

O Wolverine é outro caso já falado até demais. O Hugh Jackman, terror das menininhas, continua tão ou mais afiado que no primeiro filme, mostrando um lado mais violento, outro gol dos roteiristas. Ao mesmo tempo, tem que encarar o dilema de não saber sua origem, e a única pessoa que talvez saiba, e começa a tentá-lo com isso, é o pior inimigo dos mutantes.

A Vampira também está legal, na série ela acabou ficando mais com papel de mocinha em apuros, sendo salva algumas vezes, do que de heroína. Isso não tira a graça do problema que ela enfrenta, tendo que administrar de um jeito ou de outro o fato dela absorver a "força vital" de qualquer um em quem ela encoste e os hormônios gritando no seu ouvido adolescente. A atriz, Anna Paquin, é perfeita, embora seja um pouco esquisito ver a angelical meninha do piano avançando pra cima do namorado. Você fica com vontade de gritar "É isso!", mas parece que é pecado.

Jean Grey... Ah, a Jean Grey. Que beleza. Ela é tudo que a Helena Ranaldi seria se não fosse tão esbugalhada. Linda, apesar do cabelo de piaçava que arrumaram pra ela, médica, e ainda por cima telepata. O problema dela é dobrado: Sentir que seus poderes estão saindo de foco, e ainda segurar a onda do apaixonado Wolverine. A atriz dá conta direitinho, você sente que aquela mulher está com problemas. E quer ir lá consolar.

Ainda no departamento feminino, ignoremos a Hale Berry, que continua com uma peruca muito estranha, e está um tanto quanto forçada, embora mostre seus poderes de modo bem legal. Passemos à Mística, também conhecida como "Aquela mulher azul". A coitadinha teve que sofrer bastante no primeiro filme com a tinta que usaram, chegou a ir pro hospital, então para este filme o pessoal da maquiagem pesquisou uma nova tecnologia de pintura que segundo as entrevistas da moça era bem mais confortável. Não satisfeitos, ainda deram a Rebecca Romijn-Stamos outra colher de chá, e ela aparece sem maquiagem nenhuma numa cena. Fora estes detalhes ela ganha um papel bastante importante, com cenas de ação excelentes e personalidade de sobra.

Ainda adicione a isto o meu mutante preferido, o grande Noturno, com sua aparência demoníaca e personalidade de coroinha. Ele aparece pela primeira vez numa das melhores cenas de ação que já assisti em toda a minha vida cinéfila pop. E daí em diante somos apresentados ao trabalho do ator Alan Cumming, que deita e rola ao fazer do personagem de aspecto mais sinistro o mais simpático, cômico até. Ele vive o problema de alguém que nasceu parecendo uma criatura maligna, e buscou o equilíbrio na fé e contrição. É bacana demais, inesperadamente lírico pra um filme blockbuster. Queremos mais Noturno!!!

Ainda temos um mutante vilão que parece saído das páginas de Akira, um camarada realmente assustador. Some esta turma toda em cenas ótimas, dirigidas com segurança pelo Brian Synger, e temos um ingresso regiamente pago. Quase me arrependi por ter ido de clube do assinante e pago meia, tou a fim de voltar e comprar uma inteira só como gesto de apreciação. Ainda não posso deixar de falar da cena onde o Professor Xavier vai na Casa Branca dar uma escovada no Presidente, que estava prestes a dar um pronunciamento em favor da guerra. Uma cena como esta em tempos de cowboys é corajosa, necessária, e uma surpresa num filme pipoca. Ei, Bush, vai ver X-Men2!!!!!




Sons captados Domingo, Maio 04, 2003


Coisas que me deixam muito mal-humorado. Fora a gripe que arruinou o futebolzinho (Eu ia escrever aquele sinônimo que começa com pel... e acaba com ...ada, mas quero poupar os coitados que caem aqui via Google de ficarem procurando fotos mais interessantes em vão.) e a minha já não muito maviosa voz, adiando nossos planos de gravar o ensaio de hoje e mandar pra MTV, eu fui assistir o programa do Gordo. O que interessa, na MTV, e não o metido imitador de Letterman da Globo. No final sempre tem uma banda tocando ao vivo. Dessa vez foi a "banda franco-germânica" Stereototal, conforme o anúncio, que está com vários shows marcados no Brasil. A galera aplaude, eles se preparam, e... Um cara liga uma base gravada, mas base completa, com todos os instrumentos, batera, baixo, teclados. Em suma, dá um Play num cassete. E uma mulher começa a cantar uma melodia muito chinfrim, meio desafinada. Enquanto isso, o cara, que não tinha mais muito o que fazer no palco, começa uma dança tosca, pulando atrás da mulher.

Vou dizer uma coisa. Sou bom em assistir coisas ruins. Gosto de clips ruins, ouço música horrível, que faria qualquer criança sair da sala, e homens feitos taparem seus ouvidos em desepero, com a maior atenção. Eu gosto assim de música. Se é boa, quero curtir. Se é ruim, ouço pra saber o que não fazer. Mas com 30 segundos joguei a toalha e desliguei a TV. Vai ver é o efeito da gripe. Mas não consigo mais entender nada. Que onda é essa de "bandas" e "artistas" dizerem que fazem música e se limitarem a virar botões liberando gravações? O nome disso pra mim é vídeokê, pô. O pior é que esse lance de base gravada pegou, e os outrora românticos bares onde a gente podia curtir um camarada tocando um violão num canto agora exibem caras com parfernálias eletrônicas com as tais bases com bateria, violinos, raio laser e o caramba, uma overdose de sons e timbres bregas soterrando a voz e violão. Aliás a voz é um caso à parte, a moda agora é encher de reverb, no popular o famoso eco, e parece que os caras tão cantando no banheiro.

Moro perto do Downtown, aqui no Rio, com um complexo de bares bem populares, e chega a ser engraçado caminhar um pouco à noite e curtir a poluição sonora das batidinhas eletrônicas diferentes de cada bar, um do lado do outro. E os caras lá, com pose de estrela. Eu devo estar ficando velho mesmo, mas só consigo achar que hoje em dia nego acredita que computador substitui talento. Burro devo ser eu, estudando canto, queimando os miolos pra compor e juntando uma banda de feras num estúdio, acreditando que podemos fazer boa música e que algum dia teremos um público de pessoas tão ávidas por um show divertido quanto nós. Mas já falei que estou mal-humorado?



Ser famoso perturba a mente. Não digo por experiência própria, sou só perturbado, mesmo, sem nunca ter sido famoso. Mas cheguei a esta conclusão após ler no jornal que a Sinéad O'Connor declarou que está encerrando a carreira por estar cansada de ser famosa. Perguntas mais do que justas:
  1. Sou só eu o desinformado ou mais alguém por aí também estava achando que ela tinha encerrado a carreira há pelo menos uns cinco anos? Depois de "Nothing compares 2 U", aliás cover do Prince, só me lembro de alguma coisa vinda dela quando rasgou uma foto do Papa num show, depois tomou uma vaia e ficou chorando.

  2. Quer dizer que alguém cansa de ser famoso, a melhor forma de fechar o boteco é convocar a imprensa mundial pra avisar? No caso dela era só deixar o cabelo crescer que ninguém nunca mais reconhecia.

  3. Ô Sinéad, vai ver se eu estou na esquina?





Sons captados Sexta-feira, Maio 02, 2003


A gripe tem arruinado meu humor, pra ver se fico mais feliz dei uma mexida na rádio Ouvido Penico. Adicionei algumas coisas que estava precisando ouvir:
  • San Tropez - Pink Floyd - Pouco conhecida quase-bossa-nova, um clima de por-do-sol na praia perfeito.
  • Dead Man's Party - Oingo Boingo - Clichê, mas não mais do que a Just Another Day, já constante na programação. Quem preferir coisas mais obscuras dos meninos pode conferir No One Lives Forever, um quê de música disco-russa. Alguém lembra do esdrúxulo hit das pistas Rasputin? Alguém sabe o nome da banda? É no mesmo clima.
  • Time Out For Fun e Whip It - Devo - Não tinha nada do Devo por aqui, só estou reparando a falta lamentável. Inesquecível a voz fanhosa no início da Time... "Helooooo, Is this Devo..."
  • Juliet - Robin Gibb - YEAH! Um dos manos menos cotados dos Bee Gees numa linha velharia-brega-pop, tá tudo no seu devido lugar, os tecladinhos viajantes, a voz em falsete vinda do fundo do poço, foi um grande Hit em sua época e me traz lágrimas aos olhos pela lembrança. Eu só ficaria mais eufórico se tivesse achado a Mirror Man do Human League, alguém lembra dessa? Isso é uma ameaça.

Com a recente "mudança de linha" da Rádio Flu FM não há mais esperança de boa música no dial carioca. Clique logo aqui para ouvir a Rádio Ouvido Penico e faça um bem a você mesmo. Brevemente postarei a nossa programação completa de pérolas e porcarias em convívio harmônico.



Momento Reality. É o seguinte. Estou em casa porque o mercado de trabalho não é nada daquilo. Emprego existe. Mas não existem mais carreiras. E não consigo ver nenhum tipo de valorização de experiências. Há um tempo atrás eu controlava implementações de sistemas atendendo mais de 300.000 usuários em todo o Brasil, tendo desenhado o plano de treinamento pra toda essa turma. Durante um seminário interno da empresa minha apresentação ganhou loas do consultor que ministrava a palestra, citando-a como exemplo de perfeição e coisas assim. Talvez eu fosse, e ainda seja, uma das 3 pessoas da América Latina que mais entendem da área em que eu trabalhava.

Mas fui demitido. De novo. Não consigo me adaptar ao universo Dilbertiano das grandes empresas. Outro dia escrevendo uma letra acabei parafraseando o livro de Eclesiastes: "Maldade, maldade. Tudo é maldade." Mas que saco, não vou ficar glamourizando a cretinice das pessoas, que inventam um mundo cruel, se entrincheiram na própria visão limitada das coisas para uma guerra sem sentido contra tudo e todos. Não precisava ser assim. De que adianta construir um castelo em um depósito de lixo? De que adianta diminuir o mundo à mediocridade total, para então dominá-lo? Qual é o mérito?


Sou mais um cara querendo ganhar a vida. Gostaria de conseguir ajudar uma empresa a crescer. Ela cresce, eu cresço junto, todo mundo fica feliz. Isso, é claro, se esquecermos que existem os chefes tapados que vão tentar destruir ou levar o crédito pelo seu trabalho, os coleguinhas que vão te dar informações erradas e mentir sobre você por trás. Numa empresa de verdade, todos são nivelados à inteligência do mais estúpido. Assim ninguém se destaca, a empresa não cresce, todo mundo tem uma desculpa para isso e fica feliz. Se alguém não fica feliz, demissão nele.

A última entrevista de emprego que eu fiz foi com o "candidato a futuro chefe". No final da entrevista ficou claro que eu tinha mais experiência, e formação melhor. Adivinha se eu consegui o cargo? Adivinha se eu queria trabalhar chefiado por aquela pessoa? Esse é o brabo da coisa toda. Não consigo mais me animar com a perspectiva de conseguir um emprego por aí. E vou me encontrar cada vez mais na composição de novas canções, ou nas mal-traçadas linhas de um blog. Pra ganhar uma grana, frilas, com aquele socorrinho dos amigos. Ganho muito abaixo do meu último salário, mas pelo menos fico bastante em casa, ninguém me enche o saco, assisto aos jogos da copa da UEFA e foi uma ótima desculpa pra botar internet rápida aqui no "home office". E vou acreditando que em algum momento, alguma destas coisas que eu faço por puro amor, como cantar e compor numa banda, ou ficar brincando de website, vão me abrir portas pra outro tipo de existência mais feliz. É muita ingenuidade? Mas o que vocês queriam, sou só uma criança.






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