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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

A trilha sonora deste blog está na Rádio Ouvido Penico na Usina do Som. O Som Punk, New Wave e Pop dos anos 80 com algumas esquisitices extra.

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Cortesia WebCount

Sons captados Segunda-feira, Junho 30, 2003


O assunto ainda é Los Hermanos. A MTV passou neste fim de semana um programa de 3 horas de duração com a banda, com 3 partes. Na primeira eles comentam seus vídeos. Graças a esta programa finalmente consegui ver o clipe de Cara Estranho. Já começa com o famoso visual de cores lavadas à la Matrix que ficou meio brega. Aí aparece o cara que parece ter saído do oscarizado "Meu Pé Esquerdo" metido num rabo de peixe. Fiquei esperando pra ver o que acontece, e... Não acontece. O cara só fica rastejando de um lado pro outro, aí cai na água e fica nadando de um lado pro outro. Ou talvez não, porque as imagens muito escuras e cortes frenéticos não deixam ver nada direito. Pra completar, a banda aparece em miniatura num efeito digno do Chapolim, como bem lembrou o Flavius, leitor assíduo e baixista dos Hereges.

É bem decepcionante, porque eu credito a Los Hermanos a autoria de nada menos do que o melhor clipe brasileiro da história, e esperava que eles mantivessem o nível. Estou falando de "Todo carnaval tem seu fim". A iluminação é linda (Imitada no último clipe do Skank), o efeito do slow motion é bacana, a banda está expressiva sem forçar a barra, o plano contínuo dá um efeito muito mais legal que o tradicional monte de cortes nos videoclipes, e ainda temos uma tonelada de papéis voando e uma corrida de sacos.

E vocês, qual acham o melhor clipe brasileiro de todos os tempos?

Links:
  • Clipe de cara estranho, na seção de download, à esquerda da página. Informação conseguida no blog Los Hermanos. O clipe também já está no Kazaa.




Existe uma esperança. Atendi ao clamor dos blogs e companheiros de banda e comprei o Ventura do Los Hermanos. Ainda não consigo acreditar no que ouvi.

Tentar descrever a música do Ventura vai passar inevitavelmente pela tentativa de rotular de "Rock Popular Brasileiro" ou outros nomes espertinhos que tentem explicar a sonoridade que a banda está definindo. A maioria das composições poderia ser facilmente arranjada com violão e harmonias de bossa-nova, e teríamos mais um pessoal tentando fazer a tal da nova MPB. Mas aparentemente os Hermanos não estão muito preocupados com isso, revestindo melodias delicadas com batidas secas, guitarras distorcidas, teclados sintetizados, metais cortantes. A maneira de cantar é sempre despreocupada com gritinhos histéricos e demais coisas que cantores de bandas sem noção fazem para tentar "parecer" Rock'n'Roll. Dá pra perceber que os rapazes se preocupam é em compor boas letras e belas melodias, sendo a voz o veículo responsável por entregar estas ao ouvinte com a maior clareza possível.

Ao ouvir o CD fiquei tentando responder a simples pergunta: Isso é Rock? Por um lado, o emprego dos arranjos sempre como roupa de luxo para a voz, sem riffs matadores de guitarra, baixo distorcido ou viradas espetaculares de bateria pode fazer o som parecer sem "atitude" para alguns. Por outro lado, me lembrou demais a época de ouro do Rock Pop, os indefectíveis anos 80, onde o negócio era música bonita, e era comum termos arranjos extremamente caprichados, mas somente para reforçar a beleza da composição, e não para dizer nas entrelinhas "Olha como eu toco bem" que era parte da herança da década anterior. A linguagem do Ventura não é tipicamente de Rock. E dá pra dizer que também que eles não estão nem aí para isso. O que se houve é um CD de gente que está fazendo a música que deseja, do modo que acha melhor, sem a menor ansiedade de provar nada ou agradar ninguém. O álbum é o registro da viagem de artistas talentosos pela gama de matizes disponíveis no universo da música, com o intuito de emocionar. Pra quê classificar o som deles? Melhor só ouvir.

E ouvindo, mesmo achando algumas canções um pouco MPB demais pro meu gosto ignorante, minha fé vem voltando. Quem mais no Brasil tem a coragem de fazer música com esse desassombro? Se preocupando a poesia, com a nota certa do instrumento certo, com os silêncios que fazem você parar de respirar junto? Los Hermanos está mostrando, no meio de tantas bandas que vendem mais e que vão sumir na poeira, que basta ser honesto, verdadeiro, e abrir mão da popularidade, e paradoxalmente você encontrará seu público. E de quebra presta um serviço à música do seu país, mostrando às gravadoras que não é pecado investir em artistas de verdade lançando CDs para nichos lucrativos e muito mais fiéis do que a grande massa que escolhe seus ídolos pelos programas dominicais de TV. Mesmo não virando fã incondicional de cada canção, acho obrigação de todo amante da música tentar o Ventura. Ajuda a não esquecer do que nos fez gostar tanto assim de música.

Ouvido Penico recomenda:
  • O Último Romance - A primeira faixa do Amarante e sua voz meio bêbada, com bastante guitarra e um arranjo que convida a escutar na estrada. A linda melodia só aumenta o lirismo de frases como "Ir onde o vento for, que pra nós dois sair de casa já é se aventurar".

  • Cara Estranho - A faixa mais Rock de todas, sem refrão, num crescendo contínuo. Pra ouvir e ficar feliz.

  • Além do que se vê - Obra-Prima. Começa meio bossa, e se transforma num arranjo à la Police, para emendar numa sinfonia de metais melancólica e bela. Ouça no último volume.
  • Deixa o Verão - Poderia ter sido um ska se estivesse no primeiro CD, mas aqui se transforma em um ragtime, com direito a clarineta de gafieira e frases como "Esse sofá está bom demais, deixa o verão pra mais tarde". Alegrona pacas, talvez seja a única realmente dançante.
Links:




Sons captados Domingo, Junho 29, 2003


Pessoal que está esperando os posts do Elvis Costello, saibam que já vão sair. Estou tomando um cuidado extra com a redação, e preciso de mais tempo. Enquanto isso, vou aproveitar a súbita popularidade deste tosco veículo e indicar novamente a Mofo, coluna do site Whiplash. É escrita pelo Rubens Leme, dono de um acervo invejável de Rock'n'Roll e um ótimo texto.

Hoje está no ar uma entrevista exclusiva do Rubens com o Andy Gill do Gang of Four. Nos próximos dias sai uma matéria com o Clash, e depois desta muito provavelmente teremos Elvis Costello, com a resenha do My Aim is True. Não que o Rubens já não pretendesse escrever sobre o homem, o mito, o ídolo, mas de qualquer forma eu perturbei bastante o cara pra ver se apressava as coisas.

Para ler a Mofo, clique aqui



Esse é o tal atorHoje decidi que nunca mais saio com a barba de 5 dias em público, estou com medo de apanhar. Tenho pouquíssima barba, um ou dois dias quase não fazem diferença, então nunca adquiri o hábito de me barbear todo dia. Vou deixando pra lá, e nesta época de trabalho em casa só lembro mesmo se tiver alguma reunião.

A coisa começou numa nova pelada que fui jogar, os caras quando me viram imediatamente começaram a rir e se cutucar. Volta e meia gero esta reação nas pessoas, já me conformei com o fato de ter um aspecto risível, então nem liguei muito. O problema foi na primeira bola que me passaram, ouviu-se o clamor da galera das arquibancadas: "Vai, Sopapo!" - E a gargalhada geral. "Sopapo?", pensei. Não me pareceu tão desonroso quanto outros apelidos que já tive.

Aí ontem fui numa festa, obviamente esqueci de fazer a barba antes. Foi entrar na casa e pai da aniversariante falar na hora: "Ih! Cuidado aí pra sair na rua, hein? Periga tomar uns tapas." O negócio é o seguinte: A novela das oito, que eu não assisto. Parece que lá tem um cara que bate na esposa. E parece que com minha barba infanto-juvenil eu fiquei a cara dele.

Hoje tivemos ensaio só de vozes, pra acertar os coros que o tecladista e o guitarrista fazem. A primeira observação do tecladista, antes de dizer oi, foi me comparar com o tal malandro, achando engraçadão. Mesmo retrucando na hora que ele não podia falar nada já que os tufos de cabelo grande que ele cultivou o deixaram a cara do Wolverine, tou ficando preocupado. Ninguém vai bater nele por parecer o Wolverine. Já a minha situação é preocupante. Tem gente que leva novela a sério. Amanhã sem falta passo o barbeador.

Ainda sobre isso, ouvi que estão chamando o tal ator de "Tom Hanks brasileiro". Realmente lembrei que uma irmãzinha caçula de uma amiga ficava me chamando de Tom Hanks quando eu ia na casa delas. Não acho que proceda, mas o fato é protagonizei uma bonita história com essa menina. Algum dia em que estava por lá ela não encontrava alguma coisa na casa, e eu acabei achando. Com o meu bom-senso e senso de humor rebuscado perguntei:
-"Eu hein, nem conhece a própria casa, você foi adotada? (he he he)"
Ao que ela responde, séria: "Fui."
-"... É mesmo?" - Pedindo com os olhos para ser piada.
-"É sim." - Bem séria.
- "Ãhn... Éééé... QUE BARATO!"
Eu devia ter dito que tinha esquecido um negócio no carro ou perguntado onde era o banheiro, mas o que aconteceu depois foi um longo silêncio, eu olhando enquanto ela jogava videogame, até o pai (Adotivo, como eu tinha acabado de descobrir) entrar na sala e puxar algum assunto. Acho que o Tom Hanks não seria tão cretino, porque ela nunca mais me chamou assim.




Sons captados Sexta-feira, Junho 27, 2003


Eu hein, os comentários tinham sumido de vez. Dei aquela verificada básica na função JavaScript de comentários do blogger, e descobri um erro no código. Enquanto o pessoal do blogger não conserta, taquei a minha própria versão do código no meu template. Ok, isso é papo nerd e vocês não entenderam nada, mas na prática o que vai acontecer é que se tudo der certo pelo menos os links para as janelinhas vão aparecer e a turma pode comentar normalmente, embora os links informem que o número de comentários é zero para cada post. Isso é um efeito colateral que resolvi aceitar pra botar os comentários no ar de volta com mais rapidez. Vejamos no que dá.

Pessoal do Blogger, minha hora de consultoria em JavaScript não está tão cara, qualquer dúvida tamos aí...

Update: Verifiquei de novo a função, o pessoal já consertou. Mudando o template de volta...



Hoje estréia o Hulk mas como de costume eu já vi. Foi ontem, na pré-estréia. Estava sem muito o que fazer, dei uma incerta no cinema do Via Parque porque esses multiplex cansam minha beleza. Se estivesse cheio eu veria O Homem que Copiava, mas o cinema estava às moscas. Ingresso a 8 reais. Melhor ainda, o som lá está tinindo, permitindo assistir um filme desta categoria como se deve: Com o chão tremendo.

Mas vocês não querem saber isso. Vocês querem a resenha. Como de costume falemos do filme sem entrar nos detalhes da história, aqui vocês só vão achar a minha opinião com as devidas justificativas, mais um monte de besteira adicional. Textos mais metidos a jornalísticos podem ser encontrados em blogs de metidos a jornalistas. Não cito nomes. Mas agora sim o filme:

O bonecãoÉ bem melhor do que o trailer sugere. Ou bem pior também.

Explico-me: A computação gráfica em O Homem-Aranha já tinha sido meio incômoda, e saber que o Hulk usava este recurso deu medo. Queremos filmes bobos de heróis mas filme é uma coisa e desenho animado é outra. O trailer mostrou um bonecão verde meio, na falta de expressão melhor no momento, broxante. Mas o filme não é sobre isso. Entra o efeito "diretor chinês" na história. O Ang Lee filmou Hulk como primo-irmão do seu filme anterior, O Tigre e o Dragão. O pau come, mas isso é acessório no meio de conflitos existenciais, relacionamentos familiares conturbados, traumas não resolvidos. Li uma entrevista do Mr. Lee onde ele dizia almejar uma história mais para Shakespeare do que para super-herói. É por aí, ainda mais com o foco no conflito do Bruce Banner com seu passado, e mais especificamente seu pai. É um filme bastante negro e algo amargo, que não dá para caracterizar como filme de herói.

Dando fricote é bem melhorO Hulk mesmo só aparece depois de um tempão de filme, e não protagoniza tantas cenas assim. E isso é bom por um lado, sempre que aparece tem muito impacto, e deixa saudades pra próxima vez. Mas isso também é ruim, porque um monte de gente deve estar querendo ver um filme com mais gigante arrasando quarteirões, e vão ter aguentar muito, mas muito blá-blá-blá e dramas psicológicos de todo tipo. Gostei dos dois lados, os personagens são interessantes e quando o Hulk aparece quebrando tudo dá vontade de gritar "SIM! MAIS! MAIS!", mas isto pode ser fruto do meu lado negro nerd. A computação gráfica em si nem é ruim, o problema foi mesmo o desenho do personagem, que ficou caricatural demais, com estética de cartoon. O Gollum do senhor dos Anéis dá de dez, mas como o Gollum não quebra nem uma pedrinha e nem dá uns urros de tremer o cinema, esqueçamos dele até dezembro. Minha mulher reclamou do tamanho e dos poderes dele, já que ela se acostumou com o bom e velho Lou Ferrigno, que fazia o Hulk da TV. Expliquei que o dos quadrinhos era bem diferente e ela se tranquilizou.

O filme é bastante longo, então algumas vezes a parte, digamos, dramática, fica um tanto quanto esticada, dando a impressão de que a mesma história poderia ser contada em muito menos tempo. Chegou um momento lá para o final que eu desisti de entender certos detalhes porque a coisa estava ficando bem confusa, com a apoteose do caos na luta final, onde eu sinceramente não tenho a menor idéia de o quê e como aconteceu. Em compensação, em favor do Ang Lee temos cenas mais contemplativas bem interessantes, que de alguma forma pontuam a história adicionando emoção, e os cortes muito legais imitando páginas de histórias em quadrinhos.

Esta é minha síntese besta do filme, agora vamos às bobagens de sempre. Obviamente este filme depende um bocado de seus atores, segue a análise aprofundada com toda a minha bagagem cultural e intelectual:

O Bruce Banner é vivido pelo australiano Eric Bana, que fica difícil levar a sério por conta de sua incômoda semelhança com o Marcelo Picchi, que fez um monte de novelas na Globo. Confiram:

Eric ou Marcelo?Eric ou Marcelo?Eric ou Marcelo?Eric ou Marcelo?


O Eric Bana no momento está rodando "Tróia", baseado na obra de Homero e dirigido pelo Wolfgang Petersen. Deve sair em 2004. Como colegas, Orlando Bloom e Sean Bean, respectivamente Legolas e o saudoso Boromir do Senhor dos Anéis. Tem o Brad Pitt também mas isso não interessa tanto.

A Betsy é vivida pela Jennifer Connely, que não só é ótima atriz, emprestando alguma credibilidade a um papel ingrato que exige que ela chore o tempo todo, como poderia estar facilmente fazendo anúncios da Embratel, ou estou errado?

Jennifer Arosio


Preciso confessar que ela foi minha primeira musa do cinema. Sonhei com ela noites a fio depois de ver "Labirinto" no cinema, lá nos idos da década de oitenta. Ela acabou moldando minha preferência em termos de garotas. Sempre que eu via alguém de cabelos pretos e olhos azuis ficava instantaneamente apaixonado. Como não vi muitas, desencanei dessa bobagem e acabei casando com uma loira, mas rever a Jennifer é sempre uma maravilha. Desencavei umas fotos deste filme, dirigido pelo criador dos Muppets Jim Henson, e portanto cheio de bichinhos bacanas. O vilão é o camaleão David Bowie, que também compôs e cantou a música-tema "Underground".

Jennifer e BowieSuspirosMais suspiros


RossDavid BannerO pai da Betsy, General Ross, é vivido pelo Sam Elliott. Ele está muito bem no papel, mas o que chama atenção é o seu bigode aparado retinho na borda de baixo. Eu só conseguia olhar pro bigode quando o cara entrava em cena. Chega a ser hipnótico. É sem discussão o bigode mais irritante da história do cinema.

Já o pai do Bruce é a maior atração do filme, o Nick Nolte em uma performance meio lunática e com um visual que, se tivesse óculos escuros, ia ficar a cara do Jerry Garcia do Grateful Dead. Tudo a ver, já que o filme se passa em Berkeley e San Francisco, onde o Dead é particularmente idolatrado.

A trilha sonora ficou, pra variar, com o Danny Elfman, que pra variar fez uma música cheia de barulhinhos e nenhuma personalidade. Vamos começar aqui uma campanha, fazendo o nobre apelo: Danny, você já está rico, reúne o Oingo Boingo de novo e esquece esse negócio de Hollywood que todo mundo ganha mais.

Ainda temos a faixa "Set Me Free", do Velvet Revolver, aguardado grupo formado por Slash, Duff McKagan e Matt Sorum do Guns N' Roses, reforçados pela guitarra do Dave Kushner do Suicidal Tendencies e vocais de Scott Weiland do Stone Temple Pilots. É boa? Bem, na primeira ouvida não me emocionou muito. É aquele estilo "muito barulho por nada". O Scott parece estar tentando "cantar" como o Marilyn Manson, sei lá por quê.

Agora é com vocês, vamos todos ver Hulk esmagar o absurdo primeiro lugar de público do ano para o fraquinho Carandiru. O fim de Senhor dos Anéis só rola em dezembro e não vai dar tempo de levar o título, então a hora é essa. Se bem que teremos o Exterminador do Futuro 3, quem sabe o velho Arnoldão não consegue, finalmente, dar um jeito no mundo.




Sons captados Quinta-feira, Junho 26, 2003


Aliás não me perguntem porque raios os comentários do blogger estão marcando só zero ou um. Ficou binário o negócio. Deve ser influência de Matrix.



Assisti Por um Fio, não é digno de colocar como filme em questão. Como fui de graça ainda valeu. Dá pra ver que o irlandês (Quanto tempo faz que ninguém ouve falar de uma boa revelação americana?) Colin Farrell tem mesmo muito talento, segurando o filme sozinho. Parece ser bem o tipo de ator que ganha Oscar se receber o papel comovente certo pra isso. Talvez ainda falte no seu currículo um aleijado ou doente de alguma espécie, pra Academia costuma ser a única prova de que um ator merece um prêmio.

Já o Joel Schumacher não precisa mais disso. Já provou que tem alguma doença grave, que o impede de ser um diretor minimamente interessante. É uma bomba atrás da outra. Vou alugar Garotos Perdidos (Lost Boys) outra vez, porque não pode ser tão bom quanto eu achava. Esse Joel é um mala. Pelo menos uma coisa do Lost Boys é clássica, a trilha sonora. A banda está ensaiando a versão do Echo & the Bunnymen para People are Strange. Breve num barzinho longe de você.

Ah, sim, ainda faltou dizer que a história de Por um Fio é praticamente uma refilmagem mais simples (Ou plágio mesmo) de Liberty Stands Still, filme do ano passado com Wesley Snipes e Linda Fiorentino, com foco anti-indústria bélica.



Comovido pela participação dos leitores na enquete para o nosso logo, resolvi compartilhar aqui outros dramas aos quais um pobre músico amador está sujeito. Fiz uma melodia pra um Rock grudento. Mostrei, o resto da banda aprovou, fizemos um arranjo mais sujo, ficou com uma cara muito promissora. Aí decidi que aquilo tinha o potencial pra ser o hino da banda, com uma letra bombástica que seria a carta de intenções dos Hereges. Saí escrevendo, usei de tudo, jogos de palavras, aliterações, rimas, metáforas medievais, foi ficando lindo... E empaquei no refrão.

Semanas e mais semanas, a gente ensaiando a música, que aliás já está pronta, e eu ainda sem letra pro bendito refrão. Eram poucas sílabas, precisava de frases curtas e poderosas, frases que fariam a massa cantar junto, que virariam palavras de ordem, que seriam o catalisador de novos movimentos sociais e políticos, e...

E com a ajuda de meu parceiro de composição Marcelo, me toquei que o problema era esse mesmo. Excesso de pretensão. A letra começou tão séria e metida à besta que não dava pra fazer um refrão mais sério ainda. E pior ainda, comecei a ver que o negócio estava meio que fedendo a imitação barata de Renato Russo, ele sim sabia falar de grandes coisas com propriedade e poesia. Eu não precisava de um refrão. Precisava era de uma letra nova.

Quando disse isso pra banda eles ficaram meio assim, então vou abrir aqui umas estrofes da candidata a letra e vocês decidem: Poesia engajada ou Filosofia de boteco? Aproveito ou taco tudo fora?

Pregaram os pulsos dos mais jovens corações
Negaram discursos cessaram sermões
Pretendem calar a plenos pulmões
O que você não pode entender
E revoluções não vão mais acontecer

Taparam os olhos dos mais fortes furacões
Fizeram gente em escala industrial
Sua qualidade é pensar igual
Garantia de um mundo mais feliz
Suas idéias mortas na raiz
...






Sons captados Quarta-feira, Junho 25, 2003


"Mamma Mia!", já diria o Abba. "Mais 15 minutos de fama", já diria o Andy Warhol. "Dinheiro, mulheres, iates", já diria o Pica-Pau. "What would the loved ones say?", já perguntaria Elvis Costello, o homem, o mito, o ídolo. E, é claro, "Putz Grila, Jesus Maria e José", já diria eu mesmo.

Em algum momento durante meu cochilo vespertino aconteceu isso aí. Desconfiei pela volta aos comentários do mulheril e das propagandas de outros blogs:
O BloggerMan endoidou!
Isto aqui é um post de boas-vindas a todos. Meu pseudônimo é Costello, sou cantor e compositor da banda Hereges, que está a ponto de sair do estúdio para conquistar o mundo, casado, nerd, na crise dos trinta, e amo cinema, Rock'n'Roll e acima de tudo Elvis Costello. Esse blog nasceu quando estava desempregado e ficava tempo demais em casa sem fazer nada, agora estou contratado e trabalhando, um pouco em casa, um pouco por aí, mas dependendo do número de leitores vou continuando minhas bobagens.

O Ouvido Penico é um lugar onde fico falando sobre música, cinema, cultura pop em geral, como aliás 90% dos blogs por aí (Muitos deles absurdamente melhores do que este aqui), e metendo o pau em tudo, e também conto um pouco da vida de um maluco querendo ser músico depois de estudar para ser executivo, tentando conciliar as duas coisas para o desespero de sua esposa.

Aí ao lado está o link para a famosa rádio Ouvido Penico, que deu origem ao blog, com muitos sons bacanas, a maioria dos anos 80. Ouça sem medo e encontre a verdadeira felicidade.

No mais, abraços e beijos, o e-mail deste blog é: ouvidopenico no hotmail



A MTV está pedindo fitas com ensaios gravados então domingo passado a gente foi pro estúdio com câmera de vídeo e dois convidados que foram lá assistir e pra filmar. Escolhemos a música com o arranjo mais diferente que temos, 3 Homens Cegos, mandamos bala, e bem quando a câmera estava mostrando o batera, uma baqueta sai voando da sua mão. Foi total fruto da Lei de Murphy. Ele estava esperto, acabou pegando a baqueta no ar mesmo, e tentou continuar a batida como se nada tivesse acontecido.

Mas o problema foi que eu estava olhando pra ele na hora. Primeiro a expressão de "Quê que isso?" quando a baqueta voou, depois um sorrisinho amarelo quando pegou de volta. Teve algo nas caras que ele fez que me fez explodir na gargalhada. Tentei continuar cantando, mas aí a banda inteira começou a prender o riso e continuar tocando naquela situação clássica que te faz rir mais ainda. Já estava me dobrando, virei pro câmera agitando os braços mandando parar tudo.

Decidimos que melhor não podia ser, e vamos mandar precisamente isso pra MTV. Gravamos em seguida a mesma música até o fim, caso os caras queiram curtir o som decentemente, mas aí eu estava rouco de tanto que tinha rido, a voz falhando nos agudos. Se a coisa funcionar e nossa fita for selecionada, apareceremos por alguns segundos nos intervalos, quando a vinheta com o título "Sonora" pintar. Sei lá que pedaço que eles mandariam pro ar...




Sons captados Terça-feira, Junho 24, 2003


A Viagem era pra ser da Chihiro, mas o público vai junto. É o ganhador do Oscar de melhor animação. Assiti numa pré-estréia, no lugar mais improvável para alguém conseguir assistir um filme: Cinemark da Barra, sábado à noite. O lugar vira um circo, mas fui tranquilo, por ter a certeza que o público do Cinemark ia achar que aquilo era algum Pokemon da vida e preferir outra coisa. Batata. É muito divertido dar um pulo lá na noite de sábado só pra curtir a fauna. Gente de tudo quanto é lugar do mundo suada e amassada se degladiando nas filas da bilheteria, entrada, pipoca... Muitos chegam lá sem ter a menor idéia do que está passando. Minhas observações científicas me levaram a concluir que uma boa parte na verdade não está nem aí para cinema, ir ao Downtown e ao Cinemark virou uma espécie de point. E dá-lhe bombas de Jim Carrey e Eddie Murphy ficando lotadas. Tinha até umas garotas querendo ver Hulk! Enquanto isso, cheguei 10 minutos antes da sessão, recolhi meus ingressos gratuitos (De uma promoção que está rolando por lá), comprei pipoca, e escolhi o lugar na sala quase vazia de um ganhador de inúmeros prêmios de cinema.

A Viagem de Chihiro é um desenho feito pelo japonês Hayao Miyazaki. Eu não tinha assistido nenhum trailer então não estava certo sobre o estilo. Não consigo gostar de mangás e estes animes de lutas cretinas que passam na TV. Logo na primeira cena me tranquilizei. Um carro com uma família passa por alguma cidade. Uma menina está deitada no banco de trás, com uma cara triste. O traço é muito bonito, cores idem. Eles erram o caminho. Saem num matagal e deparam com uma construção. Os pais resolvem entrar. A menina amedrontada vai agarrada à mãe. Só temos isso de introdução. A partir daí, as coisas vão ficar estranhas. A melhor comparação que consigo fazer é com o livro Alice no País das Maravilhas, que te arrasta num misto de aventura e pesadelo, onde tudo é tão surreal que confunde e até amedronta, mas ao mesmo tempo provoca a seguir adiante e saber o que vem depois.

O filme mostra como fazer uma animação que não é exatamente adulta mas também não tem as fórmulas fáceis patenteadas pela Disney. Não é necessário que saibamos quem é a Chihiro e sua personalidade, ou que ela tenha algum grande drama pessoal que será redimido no final. Ela é apenas uma garotinha metida num mundo que não compreende, tentando se virar como pode para sobreviver, e quem não se identifica imediatamente com isto? Não há também o maniqueísmo tão comum ultimamente. Nem mesmo a vilã da história é totalmente maligna. Trata as pessoas com decência a não ser que lhe pisem nos calos, e tem um bebê que ama. Que diferença para os vilões de sempre, que se dedicam a torturar seus assistentes atrapalhados. Há ainda um personagem mais intrigante ainda, que age como bom ou mau devido a certas circunstâncias. Nossa cultura ocidental parece ter perdido um pouco a lucidez de contar histórias com estes tipos de personagens, talvez por medo de se identificar?

O efeito interessante desta ausência de maldade absoluta é a ausência de necessidade moral de punição. Niniguém fica torcendo para ninguém morrer, só para que Chihiro fique bem no fim das contas. Não é preciso se vingar, nem conseguir uma válvula de escape para a agressividade, e muito menos julgar ninguém. Que lição tão mais interessante do que as dos desenhos americanos! Bom para as crianças. Bom para mim também. Mesmo a resolução da trama sendo um pouco infantil, curti demais esse desenho feito de sentimentos delicados, movimentos sutis, criaturas fantásticas imaginadas por uma cultura muito diferente da nossa e belíssimos cenários, destacando uma linda cena com um trem deslizando sobre um oceano feito pela chuva. A quem for ver, boa viagem.

Visite o site em Português para saber mais.




Sons captados Segunda-feira, Junho 23, 2003


Somos uma banda interativa pacas. Ninguém ouviu nosso som ainda, mas já pode dar palpite no nosso logo. Em primeira mão a todos vocês, o nome da ex-misteriosa banda e 3 opções de logo. Votem a, b, c, "Nenhuma das alternativas", "Esse nome é ridículo", e "Vai trabalhar vagabundo":





Sons captados Domingo, Junho 22, 2003


Estreiou o Hulk nos EUA, e a crítica está seriamente dividida. Todo mundo elogia partes do filme, boa parte da turma tira o chapéu pro Ang Lee, mas há bastante reclamação também, principalmente quanto a ser um filme não muito emocionante. Pelo que vi nos trailers, tá muito estranho o nosso gigante esmeralda. A Veja descreve como "bola de borracha verde", e é mesmo por aí. Mesmo sem ter visto o filme, posso informá-los que esse sim é o Hulk e ninguém tasca.



Continuo me abismando com os fenômenos musicais aqui no Rio, que na minha cabeça só podem ser fruto de algum tipo de histeria coletiva. Senão vejamos: O primeiro sinal de que algo estava muito, muito errado foi ter visto nas lojas um CD da Celebrare. É uma banda de covers dançantes, daquelas especializadas em casamentos e festas em geral. Tudo bem que conta com músicos competentes, boa produção, um show divertido... Mas quem, meu Deus, no mínimo de suas condições de sanidade, vai comprar um CD recheado de versões de velhos sucessos disco que não contam com o principal, que são as vozes originais do pessoal black? Segundo um lojista, muita gente.

Corta para hoje. Passo na frente de um bar com gente saindo pelo ladrão, dentro e fora. Num palquinho, um camarada de voz desagradável (Nisso tamos empatados) cantava aos berros com uma guitarra e os inevitáveis sequenciadores com sons bregas de violino. A música que estava fazendo todo mundo cantar junto era uma sertaneja dessas que devem aparecer no programa do Gugu. Já tava ruim o suficiente. Aí o cara começa um discurso: "Agora, a faixa 10 do meu CD, aliás obrigado aos que compraram o meu CD!" - E lá vem uma música metida a MPB, pavorosa. É tradição entre cantores de churrascaria deixar aquele CDzinho pra vender e ver se fortalece o couvert artístico, nada contra. Mas o choque foi ver os pôsteres com o nome do cara, foto e o escambau. Produção ao nível de estrela. Pelo público cantando junto, o cara é uma estrela. Cantando música dos outros. Música ruim. Com arranjos de mau gosto. E enche um bar de gente que vai especialmente para vê-lo.

Ainda um terceiro fenômeno. Um outro cantor desses de bar arrumou uma gravadora e tascou um CD chamado "Versão Acústica" em tudo quanto é loja, com direito à boa publicidade. Isso obviamente é um eufemismo pra um repertório de covers, gravados da maneira mais barata possível, só voz e violão. Putz, se fosse pra escolher como eu preferia morrer, era melhor o Celebrare do que isso. Podendo adquirir os originais, pra que diabos alguém vai comprar um CD com mané cantando musiquinhas famosas acompanhado de seu violão?? No fim do mês, entrando a grana, devo comprar meu microfone, então se quiserem algo do tipo é só pedir, que eu gravo e dou de graça. Vai ser tão ruim quanto. Mas a coisa piorou: Ele gravou um segundo CD, "devido ao sucesso". E realmente não há desgraça que chegue, o cara está com show marcado na maior casa do Rio, com anúncios nos jornais.

Vamos entender. Sabe aquele fazendo música de fundo no barzinho? Aquele que você já fica meio bravo de pagar 5 reais de couvert? Pois é, ele está numa casa de shows te cobrando de 15 pra cima pra ouvir a mesma coisa, sem direito ao chopp. Ou então 20 ou mais, e você leva o CD dele pra casa. É histeria, só pode ser. Ou o apocalipse.

...Ou a conclusão mais sensata, mas a que mais me dói. As pessoas estão deixando de gostar de música. Por favor alguém me convence do contrário, porque estou perdendo minha fé.




Sons captados Sexta-feira, Junho 20, 2003


Lendo meus posts metidos achei que há o risco de vocês pensarem que tenho bom gosto. Pra não cair neste erro fiquem sabendo que um pessoal da escola de música me chamou pra cantar duas do Silverchair, num showcase segunda-feira no Bar do Tom. Vou amarradão. Não convido ninguém pra ir ver porque é caro, e às vezes têm muitos alunos inciantes, com números não lá muito interessantes a não ser para os vovôs e vovós presentes com suas câmeras.

Ei, assistir a minha banda é bem legal. Já decidimos o que gravar, vai a lista de aperitivo pra vocês:
  • Músicas próprias:
    • Alice
    • A Praia
    • 3 Homens Cegos
  • Covers:
    • This Charming Man - The Smiths
    • #41 - Dave Matthews Band
Com isso gravado já deve dar pra passar uma idéia do estilo do nosso trabalho, e começar nossas aparições por aí. Quem vai?...



Porque os cantores têm que endeusar MPB? Eu sempre me peguei com minha professora por cantar Rock. Depois de batermos de frente algumas vezes, ela tentando empurrar uns Tom Jobim e turma limitada, nos acertamos com standards de Jazz e canções da Broadway, assim ninguém sai totalmente vitorioso. Hoje tive aula com um substituto. Na hora de cantar, pedi a que comecei a trabalhar, Overjoyed do Stevie Wonder, que é um absurdo de difícil e de linda. Aí o cara volta, diz que não tinha encontrado a partitura, e veio com o livro do Djavan: "Não quer tentar algo daqui?" Respondi que não curtia e que não conhecia muito, obrigado. "Não conhece e nem quer aprender?" - Com o olhar do juiz que está a ponto de dar a pena máxima.

Qual é o problema desse povo? É um absurdo o tipo de preconceito ao qual sou submetido nos meandors musicais só porque tenho a pretensão de ser um bom músico mas não sigo o caminho da MPB. Minha família é de São Paulo, origem italiana, minha mãe fazia massa em casa com aquele rolinho de madeira. Cresci ouvindo apenas música italiana, que é tão forte e tão significativa para quem quer cultivar as raízes de seus ascendentes. Boa parte do italiano que falo veio dessas canções. Me acostumei com este tipo de sonoridade, canções com letras apaixonadas, interpretações exageradas, orquestrações imponentes. Aí veio a adolescência, e me abracei com o Rock, também forte e à flor da pele. Admiro o rigor técnico e a força poética da turma da Bossa, compreendo a importância e sofisticação desta música, mas ela simplesmente não se presta à minha maneira de me expressar. É como falar inglês pensando em português. Até pode-se acertar as palavras, mas para quem ouve sempre vai haver a sensação de que algo não se encaixa. Pois minha alma fala Rock. Posso tentar falar outras coisas com a boca, mas qual é a validade? Pra quê ser um poliglota se não conseguir expressar suas idéias com clareza?

Não existe inferioridade ou superioridade de nenhuma forma de música, cada uma se presta melhor a um determinado tipo de expressão. A escolha é do autor. Não sou contra a arte do país onde nasci. Mas sou parte deste país, que é multi-cultural, e faço o que acho mais sincero e melhor. O meio musical se esquece disso para eleger seus deuses intocáveis e julgar os infiéis. Essa bitolação é um problema todo deles, mas pelo menos, cruz credo, larguem do meu pé e deixem-me cantar o meu Stevie Wonder, que é muito mais compositor que 99% dos músicos de qualquer lugar do mundo.




Sons captados Quinta-feira, Junho 19, 2003


Blogclipe - Bangles - Be With You
Como já falei aqui, gosto do Kazaa mesmo é pra baixar vídeos que não passam na TV mas estão em meu coração. Decidi compartilhar alguns deles com vocês. Aproveitando que escrevi sobre as Bangles há pouco, assistamos juntos a um dos singles do último álbum delas, que se tivesse emplacado como a Eternal Flame talvez tivesse prolongado a vida da banda.
O clipe tem várias cenas de um show, tentando passar a sensação de como seria se você estivesse num show das garotas. Então no início junto com a introdução marcante do baixo e bateria vemos o palco, a Debbi e a Michael tocando em cima e as meninas das guitarras rebolando de costas pro público e fazendo uma coreografia com os braços.
Logo depois a câmera nos dá uma amostra do que o público estaria vendo. Devem estar curtindo bastante a... saia de franjinhas da Vicki
O pessoal realmente fica amarradão.
As meninas continuam a sua dancinha, o detalhe aqui é o tamanho da saia da Susanna. Depois as outras não queriam que a imprensa ficasse falando nela.
Logo depois a câmera dá um tremendo zoom no traseiro da moça. De alguma forma isto denigre um pouco a credibilidade da música... Na fila da frente dá ver um bando de fotógrafos e cameramen fazendo a festa.
O clip supostamente é ao vivo, como vemos pela iluminação e cenas de um bruta estádio cheio, mas aí temos que acreditar que a Debbi canta sem microfone? Maria Callas perde.
De qualquer forma, se vocês preferiam que fosse a Maria Callas, problema de vocês.
Mais galera. Tem uma figura nos ombros de alguém de paletó branco arregaçado até os cotovelos e um cabelão... Não há duvidas! O Rei Roberto também ama as Bangles!
Mais Susanna rebolando para as câmeras
Até a Michael que não é tão poser tem que entrar na dança. Dá pra imaginar o diretor do clipe dizendo "Vamos virando de costas aí e rebolando porque é isso que o povo quer ver!" Cara mais sem sensibilidade musical.
E o nível foi baixando. A Vicki e a Susanna tentam a página 37 do Kama Sutra.
Hã... Página 242, capítulo "Instrumentos Musicais e você"?
Sintam o cabelo da gordinha bem no centro do quadro. Lição que podemos tirar: O que não fica bem nem em poodles, definitivamente não funciona em gente. Às vezes acho bom os anos 80 terem ficado para trás.
A Michael acha graça, mas não necessariamente está em situação muito melhor, capilarmente falando.
Vicki e Susanna novamente, já partindo pra puxão de cabelo e outras coisas mais fortes.
Susanna e seu alongamento num momento Iron Maiden.
O clipe encerra com uma série de closes na Susanna. Narf... Será que se eu tivesse essa aparência já ia ter feito sucesso como cantor? Mamãe diz que sou bonitinho, poxa.

Vimos um belo exemplo da época em que bandas femininas eram compostas por mulheres, mesmo... E mulheres sem o menor trauma em lançar roupas e maquiagens pra ficar muito gatas e fazer todo mundo babar. A música das Bangles não deixava de ser boa por isso.

Tá aqui o link de KazaaLite pra quem quiser baixar o clipe: Bangles - be with you.mpg (32,9 Mb)

(P.S.: Já deu seu palpite no post sobre a foto abaixo? A resposta tem a ver com um videoclipe que será postado futuramente.)




Sons captados Quarta-feira, Junho 18, 2003


Parem tudo pra admirar esta foto sensacional:
Quem são?
Eu ia até explicar, mas dou a deixa pra vocês demonstrarem impressionante cultura me dizendo quem são as moças e a ligação entre elas... Vale chutar à vontade.





Sons captados Terça-feira, Junho 17, 2003


Uma frase que me traumatiza até hoje foi de uma garota que eu estava tentando cantar no ônibus, no único dia que tive cara-de-pau pra isso na vida. É bom que se explique que deve fazer uns 10 anos, e foi ela quem começou, me perguntando o ônibus certo pra faculdade aonde eu também ia. Aí papo vai, papo vem, falamos de Rock, e ela se sai com "Eu gosto é das bandas de Manchester". Nunca tinha pensado em fazer algo tão bizarro quanto juntar as bandas que gostava por afinidade geográfica. Até citei os Stone Roses, meio sem certeza se eram de lá e fingindo que gostava, e pelo menos serviu pra continuar a conversa.

O fato é que ela tinha namorado, mais tarde me casei com uma menina muito mais bonita, e acho que só agora consegui entender do que ela estava falando, depois de assistir "A Festa Nunca Termina". O filme é um pseudo-documentário sobre Tony Wilson, um jornalista apaixonado por música que desde que viu o primeiro show dos Sex Pistols se convenceu que uma nova página da história do Rock começava a ser escrita, e decidiu ser um dos evangelistas. Ele foi o dono do selo Factory e da boate Hacienda, promovendo shows de novas bandas e sendo o responsável pelas aparições públicas de astros como Joy Division/New Order, coisas esquisitas como Durutti Column e A Certain Ratio, e principalmente, pelo menos na hieraquia do filme, os doidões do Happy Mondays.

Isso vocês já leram em outros blogs. O filme em si é interessante, bem escrito e com ótimos atores (Destaco o principal e o cara que faz o Ian Curtis), mas lá pelas tantas um pouco chato. Fragmentado demais, e quando fecha nos Happy Mondays e nas nights da Hacienda a música cai de nível sensivelmente, por mais que os caras fiquem repetindo que o Shaun Ryder era um gênio. Aham... Respeito quem gosta de Happy Mondays, Black Grapes etc, mas ouvir isso do pessoal da mesma cidade que revelou os Smiths é muita dureza. Na humilde opinião deste ignorante que vos fala, até os malucos do The Fall, capitaneados pelo indescritível Mark Smith, que aliás aparece no filme, eram bem melhores. Mas explico logo minha opinião: Confesso que nunca engoli muito essa batidinha dance music que surgiu em Manchester e até hoje virou a regra única do outrora criativo e essencial Rock inglês, contribuindo muito para a banalização deste até o ponto em que uma banda mediana e sem inovação como Oasis (E com a mesma batidinha infame) vira megastar. O Happy Mondays era o ápice desta música feita apenas pra dançar, com um cantor dono de um vocal arrastado e sem melodia, sobrando apenas o ritmo.

Em compensação, mais uma vez fica demonstrado o que acontece quando alguém com visão resolve criar um espaço para a divulgação da nova música na mídia, e um palco decente para as bandas tocarem. Todos ficam incentivados a criar, novos sons surgem, e sempre aparecem verdadeiros talentos no meio da turma, capazes de ditar os novos rumos da cultura e das idéias, além dos limites de uma cidade para todo o globo. Isso não pode ser novidade para os empresários que lidam com música, a saber, gravadoras e rádios. Então a conclusão que tiro é que é precisamente isto que eles querem evitar, tentando ter em suas mãos o controle da arte. Só isso pode explicar porque não existe uma única rádio que toque independentes na FM do Rio, ou uma única casa de shows com estrutura boa para novas bandas, sem a necessidade de covers. O que há são pequenos palcos, a grande maioria frequentados apenas por pequenas tribos indies, sem o mínimo de condições para receber um público maior, com poder aquisitivo suficiente para sustentar um movimento.

O que eles só estão percebendo agora é que para haver arte são necessários os artistas. E as gravadoras passaram tempo demais sem investir neles. A queda vertiginosa nas vendas de CDs é muito mais decorrência disto do que as desculpas esfarrapadas de "MP3" e "Pirataria" que executivos estão dando para manter seus empregos de mecenas da indigência. O público não está cansado de comprar música. Apenas está querendo algo que valha os seus suados tostões, e se não há oferta disso nas lojas, irá arrumar por outros meios. Pra começar a sair deste sufoco, que tal alguma major organizar um festival de novos talentos? Ou então fechar uma noite por semana em um bom bar, para dar uma chance às bandas que enviam suas demos? Não precisa tanta grana assim. Com o tempo, o público vai saber onde ir para encontrar a nova música. E um vai chamando o outro, as preferências por bandas vão surgindo, e a gravadora pode ter uma ótima noção do tamanho do mercado já existente para algum som, ao invés de primeiro escolherem garotos sem alma que tocam bem e depois injetarem uma montanha de dinheiro pra lavar o cérebro dos consumidores até que eles acreditem que aquilo é legal. Muito dinheiro mal gasto. E a longo prazo esta postura só vai piorar a situação financeira de quem tentar viver desta prática.

De qualquer forma, não precisam acreditar em mim. Apenas dêem uma espiada neste filme.

Aos cinéfilos que não estão nem aí pra nada disso, recomendo Velvet Goldmine, por mim é muito melhor, tanto como filme quanto na música. Algum dia merece um post.



Um singelo poema para o novo Rock brasileiro

A cópia da cópia da empulhação
Mude a estação, mas ninguém escapa:
Esses caras copiam o Charlie Brown
Ou são aqueles que imitam O Rappa?

Ou então, citando quem escreve bem melhor que eu, vamos todos cantar com tio Morrisey:
Hang the DJ, hang the DJ, hang the DJ...




Sons captados Segunda-feira, Junho 16, 2003


Querer ter uma banda é uma loucura. Mas é um barato. Estamos nos organizando pra iniciar nossas aparições públicas, então este blog vai começar a cobrir o assunto com mais frequência, discorrendo um pouco sobre a união de cinco caras que acreditam que podem fazer música relevante. Tudo começou porque eu quis participar de um festival da minha escola de música. Minha professora de canto indicou várias canções de Jazz, mas eu bati o pé pra cantar uma composição própria me inscrevendo também na competição de compositor, diminuindo irreversivelmente a chance de disputar o primeiro prêmio como cantor. Não passei das semi-finais, mas acabei arrumando uma turma de excelentes músicos, dos melhores da escola, que gostaram da minha musiquinha e quiseram embarcar na aventura de formar uma banda.

E então já são uns 5 meses fechados num estúdio, compondo arranjos e ensaiando. Toda vez que escuto esses caras tocando tenho certeza de que conquistei uma vitória muito maior no tal festival do que os primeiros colocados. É um tremendo privilégio, que espero daqui a pouco poder compartilhar com vocês.

Ontem, por exemplo teria sido o último ensaio antes da gravação. O tecladista teve que faltar então fomos desfalcados, meio na obrigação, porque não deu pra desmarcar com o estúdio. E o ensaio foi ótimo. Cheguei em casa feliz da vida, cantarolando as músicas. Aí voltamos ao ponto que gera tanta angústia: Porque diabos estamos investindo grana e tempo pra ficar num estúdio tocando, se as chances de conseguirmos público estão contra nós? Eu ainda não sei. O que sei é que gosto de escrever canções. Me aplico em fazer o melhor possível, tentando entender as diferentes técnicas, os estilos musicais, desenvolvendo uma linguagem eficiente para o que quero expressar. Gosto muito mesmo de cantá-las, mesmo com aquele frio na barriga me dizendo que ninguém mais vai entender aquilo. E amo me reunir com esses caras de gostos musicais bem diferentes, que adoram a arte e trocam sorrisos quando tocamos, por sentirem que o que produzimos juntos é bacana pacas, e que a música nos aproxima num sentimento de amizade.

Eu queria que mais gente sentisse isso. Mas mesmo se não der, até aqui tenho tido domingos deliciosos, que justificam a banda. Não sei aonde chegaremos, aí me lembro que muitas vezes o caminho é bem mais importante que o destino.

Pela primeira vez vou fazer como o Fábio Lima e convidar publicamente quem quiser nos conhecer (Antes da fama??), testemunhando nosso último ensaio antes da gravação de nosso CD demo, que é fundamental para conseguirmos marcar os shows. Será no domingo, dia 22, de 14 às 17 horas, no estúdio ATG, no alto da Gávea. É em frente ao clube Umuarama, perto da Escola Americana e colégio Bahiense. Para maiores informações, perguntar aí embaixo nos comentários.




Sons captados Domingo, Junho 15, 2003


Aviso aos navegantes que eu e o blogger estamos com fusos diferentes, quando um está funcionando o outro não.

Aviso também que estou mergulhando mais fundo na pesquisa sobre o Elvis Costello, e em vez de um post vão sair vários, pois é muita informação, e depois de tanta antecipação não vou privar ninguém de nenhum detalhe. Meu objetivo é evangelizar sobre o Costellão, sempre, e assim tornar o mundo mais feliz.

Aviso que agora no Kazaa só baixo clipes dos anos 80, só pra terem uma idéia do calibre das coisas o último foi o Safety Dance do Men Without Hats. Estou instalando umas coisinhas pra tirar capturas das telas e poder fazer uns posts sobre as melhores pérolas. Aceito sugestões.

Aviso que setembro será um mês pra ser aguardado. O novo álbum do Elvis Costello vai sair, e também a edição em Português do último do Neil Gaiman, a ser editado pela Rocco. Informação exclusiva dada por um companheiro de pelada que está trabalhando na capa do livro.

Aviso que trabalhar é chato e toma tempo, e que cantar é bem mais legal, caso alguém não saiba ainda.




Sons captados Quinta-feira, Junho 12, 2003


As Bangles voltaram!
Rostos
Como já comentei em algum canto, tem um monte de ótimos blogs e zines que falam das grandes bandas clássicas. É injusto citar só uma, mas por critério de afinidade musical acho que vale botar aqui o link para uma coluna genial, a Mofo, no site Whiplash, escrita pelo Rubens Leme. Lá ele trata de álbuns clássicos das bandas antigas que importam, que não são poucas, com biografia completa. Já está prometida a coluna sobre o My Aim is True do Elvis Costello, que estou aguardando com ansiedade (Atenção todos os que estão me cobrando, com razão, o post sobre o Elvis Costello: Vou publicá-lo mais ou menos junto com o da Mofo, assim unimos as informações pro pessoal da web brasileira ter as duas fontes disponíveis). No entanto, bandas pop esdrúxulas dificilmente ganham artigos em Português, então senti-me no dever de dar conta da tarefa.
Era divertido ser cabelereiro nos anos 80
A "girl band" dos anos 80 que fez todo mundo dançar com bracinhos de faraó nas boates está com CD novo e turnê pela California, com a formação original: Debbi na batera, sua mana Vicki na guitarra, Michael (É mulher mesmo) no baixo e Susanna na outra guitarra. O diferencial do som delas para outras bandas é que todas cantavam, alternando a voz principal ou fazendo harmonias a 2, 3 e 4 vozes, na escola dos conterrâneos Beach Boys (Mas sem a mesma complexidade ou genialidade, antes que me joguem pedras).

As meninas surgiram com leituras de músicas de outros compositores, e chegaram ao estrelato em segundo álbum de 1985, A Different Light, com um cover de "Manic Monday", do Prince (Sob o pseudônimo de Christopher). A partir daí foi ladeira acima, "Walk Like an Egyptian" foi a primeira música de uma banda feminina na história a alcançar o topo das paradas, no verão de 86. O clip mostrava as meninas tocando e dançando com roupinha de egípcias, e um pessoal aleatório imitando hieróglifo pelas ruas, lançando a coreografia. A batida com um baixão pulsante tinha tudo a ver com o New Wave.

O ponto mais alto da carreira foi com a baba arrasa-quarteirão "Eternal Flame", do terceiro álbum, Everything, de 1988. Muitos devem lembrar, pois foi tema de novela por aqui. A banda se dissolveu meses depois da balada chegar ao topo das paradas americanas e inglesas. O motivo: Problemas de relacionamento gerados pela desproporcional exposição da Susanna Hoffs, baixinha de menos de 1,60, que com sua voz lânguida, sainha curta e olhos de "vem cá meu bem" se transformou na grande musa da garotada. A imprensa já a chamava de "Líder das Bangles", e muitas vezes somente ela, sem o resto da banda, aparecia nas fotos de artigos e capas. A situação foi aborrecendo as meninas (Até porque a idéia da banda foi das irmãs Vicki e Debbi), a ponto de não conseguirem mais tocar juntas. Isso só piorou quando Eternal Flame explodiu, pois a canção tinha a voz da Susanna e instrumental todo feito pela produção do disco, com apenas alguns vocais de apoio das outras integrantes como figuração. O que elas mais queriam era emplacar as composições próprias da banda, como a alegrinha "Be with you", cantada pela Debbi. Baterista louraça cantando, isso sim é charme.

Depois da dissolução a Susanna Hoffs seguiu em óbvia carreira solo, de relativo sucesso, as demais integraram bandas obscuras. A reaproximação começou com Susanna e Debbi, que trocavam dicas maternais após terem seus bebês. As conversas evoluíram para a música até que em 2000 as quatro se uniram outra vez para tocar. Depois de algumas gigs, a EMI se animou e saiu o novo "Doll Revolution", em 2003.

Dadas as resumidas informações sérias, vamos às bobagens que mais me interessam.
  • O nome do novo álbum é tirado da primeira faixa, Tear Off Your Own Head (It's A Doll Revolution), que é escrita por ninguém menos que ele, o homem, o mito, o ídolo, Elvis Costello, que deu a idéia delas gravarem. A canção também consta no último CD do próprio, When I Was Cruel, obviamente em outro arranjo. Ainda encontrei na web esta foto antiga e legal das meninas (Falta a Michael) emoldurando o homem em pessoa, e todos fazendo uma pose patética:
    Bangles encontram Deus

  • Eu gosto de Bangles porque elas fizeram uma das músicas que mais curto na vida, o cover de "Hazy shade of Winter", do Simon & Garfunkel. Da original calminha elas tiraram uma pedrada com belíssimos arranjos vocais. Elas ainda têm o tremendo mérito de assinarem a produção da faixa, por ficarem insatisfeitas com o resultado criado pelo guru da música pesada Rick Rubin, que tinha em seu currículo Beastie Boys, Public Enemy, Run DMC, Slayer e Queen. Depois de ele dar a gravação por terminada, elas passaram mais dois dias no estúdio fazendo algumas adições ao que pensavam ser cru demais, após o quê o Rick renegou a faixa por detestar o que ouviu. Esta é a canção de abertura dos shows atuais.

  • Allnighter
  • A "Hazy Shade..." foi lançada somente como parte da trilha sonora do filme "Less than Zero", sobre cocaína em Beverly Hills. O single foi para as rádios e chegou à quinta posição das paradas. O clip, que é bacana demais, mostra várias cenas do filme. A cena inicial é ótima, elas com uma expressão dramática andando lentamente pra fingir que estão em câmera lenta, com os cabelos e figurinos típicos. Dá pra perceber como a Susanna parece uma anã perto das outras, num resultado ridículo e clássico. No mais destaco a Vicki com um belo conjunto de meia 7/8 e micro-saia, e a Debbi sacudindo o cabelão platinado enquanto esmerilha a bateria com a batida "pá-cum-pá-cum-pá" de hardcore.

  • Em 1987 a Susanna estrelou um filme, aliás uma bomba, "Allnighter". Foi dirigido por sua mãe e filmado na casa de praia da família. Fracassou retumbantemente nas bilheterias, mas ajudou a criar mais hype em torno de seu nome contribuindo para a situação que terminou com a banda. Não vi, mas as críticas dão conta de que é vergonhoso. Fica a dica aos amantes do trash. Uma Joan Cusack antes do estrelato e Dedee Pfeiffer, irmã menos famosa da Michelle, também participam da tragédia.

  • Vejam aí uma foto atual. Cometendo uma brutal indiscrição com as senhoras, mas dane-se porque elas não falam português, revelo que todas estão com mais de 40, sendo a Michael a mais velha, fez 49 semana passada.
    As senhoras do Rock

  • Site oficial: www.thebangles.com

  • Seleção de raridades no Kazaa (Links de Sig2Dat):






Sons captados Quarta-feira, Junho 11, 2003


Serviço de Utilidade Nerd
Para quem usa os serviços de trocas de arquivos pela rede FastTrack, como os usuários de Kazaa, Grokster e iMesh, existe um programinha esperto que é absolutamente fundamental para que você consiga divulgar as coisas interessantes de sua coleção: Sig2Dat.

O que o Sig2Dat faz por você é transformar um determinado código em um download na fila do seu Kazaa ou similar (Daqui por diante vou apenas citar o Kazaa). Isto permite que se publique em qualquer site um link que faz o seu Kazaa iniciar o download de um arquivo específico, ou então que se passe por e-mail o link de um arquivo interessante aos seus amigos. Desta pode-se garantir que eles vão baixar a mesma versão de arquivo que você já tem, e não algum outro de pior qualidade ou com o nome errado. Vamos ver se consigo explicar de uma forma que vocês acabem acreditando que o negócio é simples:

Os usuários do Kazaa Lite já têm o Sig2Dat instalado, os demais devem procurar o atalho para o utilitário no mesmo menu do Windows onde está o seu software de trocas, se não encontrarem é só baixar o programa no site dos desenvolvedores e instalar, descomprimindo o arquivo com o Winzip para alguma pasta. Sugiro descomprimir para a mesma pasta do Kazaa. Depois, para instalar a integração com o Internet Explorer, clique duas vezes em url-sig2dat.reg. De qualquer forma, aviso a quem usar o Kazaa em sua versão normal que neste momento existem alguns programas instalados em seu computador pegando seus dados de navegação e utilizando sua rede e computador para executar tarefas sem te avisar. O Kazaa instala estes amiguinhos sem você saber (A não ser que tenha lido o contrato de licença com muita atenção), o Kazaa Lite é uma versão livre destes espiões. Considere trocar uma versão pela outra.

Ok, vamos testar o Sig2Dat: Feche o Kazaa e clique neste link: Animatrix - Detective Story - 640x272.mov

Se o Sig2Dat estiver instalado, quando você abrir o Kazaa novamente o arquivo estará na sua fila de downloads, imediatamente buscando usuários com a cópia exata da versão que eu usei para gerar este código, que no caso é um dos episódios de Animatrix, na maior resolução, que eu baixei direto do site original.

Se isto não funcionar, e você tiver certeza que instalou o programa, o outro modo de usá-lo é copiar as 3 linhas abaixo selecionando-as com o mouse usando Ctrl-C, "Copiar" ou "Copy":

File:animatrix_detective_story_640_dl.mov
Length:123495977 Bytes,120602KB
UUHash:=35Wuq0waEh1IYnJULKiGMaxMw60=

Depois basta abrir o Sig2Dat e escolher a opção "Paste from Clipboard".


Pode fechar o Sig2Dat, e quando você abrir o Kazaa novamente, verá o arquivo começando a baixar automaticamente.

Posso ensinar como gerar estes links se houver pedidos suficientes nos comentários, ou pelo menos um pedido comovente o suficiente. Enquanto isso vocês podem ver vários links deste tipo em sites como www.verifieddownloads.com




Sons captados Terça-feira, Junho 10, 2003


Pra ninguém dizer que não sou politizado, depois de muito meditar sobre o problema dos traficantes e da violência não só no Rio de Janeiro mas também no resto do mundo, com regimes como o talibã e os guerrilheiros da Colômbia sendo financiados pela produção de droga, finalmente cheguei a um ponto de vista sociológico e filosófico sobre a nova campanha que responsabiliza os usuários pela violência e a subsequente reportagem altamente imparcial deste veículo tão idôneo que é o Fantástico. Peço ajuda aos meus gurus da T-Shirt Hell, sempre sensíveis a questões essenciais e comprometidos com o bem-estar mundial:
Eu financio o terrorismo internacional

Hã... Votem em mim?



Uma curiosidade sobre o livro do post anterior, o título vem de uma música do Velvet Underground, que por sua vez também emprestou o nome a um festival de bandas com um conceito bem bacana, de chamar algum artista para ser o curador, selecionando os convidados. Esta idéia foi inspirada pela turma do Belle & Sebastian, que organizou uma farra semelhante em 1999. O próximo acontecerá em Los Angeles, com Matt Groening, criador dos Simpsons, convidando entre muitos outros alguns queridos como Nick Cave & the Bad Seeds, Breeders, The Fall e o Fantômas de Mike Patton. Haverá também uma edição em New York, para maiores informações sobre ambos, o site está aqui.



Se não me engano um dos Dez Mandamentos é que todo nerd entusiasta da internet tem que ler William Gibson, o homem que cunhou o termo "Ciberspace". Então abiscoitei o pocket book do seu penúltimo romance, "All Tomorrow's Parties", pra tentar me redimir de nunca ter lido Neuromancer, o primeiro e mais famoso dele. Pesquisando por aí descobri que alguns personagens de um romance anterior, Idoru, reaparecem aqui, mas mesmo sem ter lido dá pra seguir a história tranquilamente.

A ação futurista se passa basicamente nos estados de NoCal e SoCal, as duas metades quase antagônicas da California capitaneadas por San Francisco e Los Angeles, respectivamente, agora divididas politicamente. O ambiente predominante é "A Ponte", na verdade a Baybridge, que liga San Francisco a Oakland (E Berkeley, onde estudei!) por cima da grande baía, desativada depois que o grande terremoto abalou suas estruturas. O fechamento ao trânsito atraiu os inúmeros desabrigados da região, transformando seus dois andares em uma grande mistura de moradias construídas de improviso e bazares de todos os tipos, com regras próprias e ausência de polícia. Em suma, qualquer semelhança com as favelas cariocas pode não ser mera coincidência. Esta mistura dos dois lugares onde já morei na vida já serviu pra tornar a leitura interessante, que conta a história de hackers tentando buscar ajuda externa para impedir uma grande catástrofe pressentida por pessoas com habilidade incomum de enxergar anomalias em grandes fluxos de dados. Estes dados trafegam pela internet do futuro, que é navegada por uma interface de óculos de realidade virtual com as pessoas sendo representadas por avatares de todos os tipos.

A prosa do Gibson é cheia de estilo, mas às vezes prejudica um pouco a narrativa neste livro. O desenvolvimento da história até agora também me deu a impressão de ser um pouco lento, mas a ambientação bacana acaba sendo o grande motivo para seguir adiante, com um futuro que não parece muito distante, onde o avanço tecnológico é proporcional à decadência social das cidades.

Não sou leitor contumaz de ficção científica então apesar deste livro não ter edição em português pelo que pude apurar, deixo o espaço de comentários pra quem puder adicionar algo sobre o Gibson ou sua obra.

Site oficial do William Gibson - Incluindo o seu blog pessoal: http://www.williamgibsonbooks.com




Sons captados Domingo, Junho 08, 2003


Eu não tenho mais falado muito de Rock pra não encher o saco dos bravos leitores que por algum motivo ainda passam por aqui. O problema é que adoro Rock, que ouvi durante a vida toda. Na verdade isso é a solução, mas gera o problema: Como falar bem de alguma coisa? Prefiro me ater às coisas atuais do que aos clássicos, já cobertos por tantos jornalistas e fanzineiros bons por aí. Mas eu estou perdendo algum bonde, não consigo mais ter o mínimo parâmetro pra julgar nada, porque não é possível que tudo seja tão ruim quanto vejo.

Por exemplo, eu não acho legal xingar as bandas brasileiras do mainstream pelo nome. Primeiro porque cada um na sua, eles estão lá ganhando a vida, etc., e depois porque no que me diz respeito são todas um lixo absolutamente porco e horroroso, com exceções de umas duas... ok, vou citar os nomes, Los Hermanos e Pato Fu, dos quais estou longe de ser fã incondicional, mas pelo menos identifico neles um trabalho com preocupação musical genuína. Pronto, viram essa frase? Polêmica demais. Quem vai se interessar por um blog que fica falando mal de caras que têm um monte de fãs? Parece coisa de invejoso, o que por um lado é até verdade. Ver uma banda que faz todas as frases de todas as letras acabarem em verbos pra rimar os "ar" e "er" num programa de TV tocando acústico mostrando que não têm uma intimidade básica pra tocar seus instrumentos, com um cantor que não tem a menor idéia de como cantar no tom, vender milhares de CDs e dar shows para mega-casas lotadas é mesmo de doer. Antes que me acusem de elitista, deixo claro que amo Ramones. Rock "mal tocado" pode ser jóia, contanto que tenha alma.

E a alma é o problema. Resolvi fazer este post ranzinza por ter lido um blog por aí onde o autor dava uma opinião entusiasmada a respeito de uma letra de música, dizendo que era espetacular e que somente os gênios da tal banda tinham o talento pra escrever tão bem. Ele transcreveu a letra. A tal letra era simplesmente uma das que tinha separado para um projeto, que não será realizado, que visava demonstrar o ponto lamentável de indigência dos compositores brasileiros de Rock. Na minha cabeça é um absurdo amontoado de clichês e frases inócuas com rimas ridículas, sem uma coerência ou honestidade mínimas. Mas na cabeça de outra pessoa aquilo é considerado genial. Eu pensei com meus botões que não era possível alguém que já tinha ouvido um Renato Russo achar aquela letra profunda. Depois acabei formulando uma teoria apocalíptica de que era isso mesmo. Aquela pessoa provavelmente nunca tinha ouvido Renato Russo. O pessoal que nasceu nos anos 80 foi exposto a muito menos coisa que os da década de 70. As rádios dos anos 90, quando esses caras eram adolescentes, eram muito mais caretas e homogêneas. Esse pessoal cresceu somente conhecendo e moldando seu gosto musical pelo que o jabá das gravadoras determinou.

E o resultado está aí. Uma exasperante inabilidade de conseguir reconhecer a verdadeira beleza, simplesmente por nunca ter visto. A música que antes era um efetivo meio de mostrar pontos de vista, questionar coisas, sugerir comportamentos, gerar sentimentos, tornou-se inócua, besta e alienada, arrastando uma geração inteira na crença de que o mundo só tem este vazio a oferecer. Aí alguém pode lembrar que se eles estão felizes assim, qual seria então o motivo pra tanto recalque. E eu retrucaria que não acredito que ignorânica traga a felicidade, mas sim a prisão em valores medíocres que criam pessoas deformadas, da qual somente a verdade liberta. E aí é que tenho certeza de vez que estou pregando ao vento, com um papo maluco e messiânico que ninguém quer saber.

A moral da história? Que provavelmente a música que escrevo com meu sangue, as horas bolando arranjos no limite de nossas habilidades para vestí-la com nada além de beleza e sentimento, nada disso vai ser entendido pela geração à qual a maioria da banda pertence. Nosso ideal de acreditar que 5 estudantes de música num estúdio conseguem criar coisas que emocionam os outros está fadado a falhar porque boa parte do público não busca esse tipo de emoção. Já está acostumado demais com um leite ralo e rançoso, e nós querendo servir um banquete de iguarias. Não estou dizendo que temos o talento necessário, mas sim que é isso o que queremos e buscamos como banda. Pra que continuar gastando tempo e dinheiro numa coisa que tem uma probabilidade tão desesperadora de não dar em nada? O que resta? O sonho. Vocês sonham?




Sons captados Sábado, Junho 07, 2003


Uma comédia romântica ou mais ou menos isso. É o filme "Embriagado de Amor", do Paul Thomas Anderson, diretor de Boogie Nights e Magnolia. Enquanto somos inundados pelas bobagens com as Jennifer Lopez, Meg Ryans e Sandra Bullocks da vida, pelo menos esse cara, com orçamento de mainstream mas pegada de independente, nos dá uma alternativa para levar as mulheres num filme romântico mas não cretino.

Imaginem a situação: Acontece uma promoção que dá milhagem aérea na compra de produtos alimentícios de uma determinada marca. Fuçando nos supermercados um camarada acha um pudim vendido a .99 cents cada quatro embalagens, ele faz as contas e descobre que há prêmio quase vitalício de passagens aéreas para quem gastar algumas centenas de dólares nos tais pudins. Este fato realmente aconteceu, e foi o ponto de partida do diretor e roteirista, ao comprar os direitos sobre a história do espertalhão que hoje deve estar voando por aí. Somos apresentados ao personagem na cena inicial, sem créditos de abertura, onde ele está numa mesa no seu galpão, levanta tomando um café, vai até a rua vazia, de repente uma van capota violentamente e passa zunindo por ele, no momento seguinte outra van para, alguém descarrega na calçada uma espécie de piano que depois aprendemos que se chama harmônio, e arranca.
A partir daí já está dado o clima estranho do filme, e você já pode ter uma idéia se vai detestar ou gostar do resto. Este resto mostra as sete irmãs dele que o deixam louco, a extorsão de uma atendente de tele-sexo, e as investidas da amiga de uma das irmãs, a simpática Emily Watson. Todo mundo sabe do que se trata uma comédia de amor cinematográfica: Duas pessoas altamente glamourosas (Mesmo se uma for mendiga) mas incompatíveis se encontram, passam o filme inteiro esbarrando em impossibilidades de aproximação, até nos últimos cinco minutos, de preferência numa correria para chegar em algum lugar ou pegar um avião, rola o beijo e tudo se ajeita. Esse aqui tem uma diferença básica: Uma das pessoas em questão é um cara perturbado, meio idiota, com violentos surtos psicóticos, alguém que nós do público precisamos nos convencer se estamos a fim de amá-lo, ou torcer para que alguém o ame. Ainda mais quando o rapaz em questão é o Adam Sandler, mais um da longa lista de comediantes que saem do Saturday Night Live para cometer filmes abomináveis no cinema. Mas o que num filme é chatíssimo, no outro, com um diretor mais talentoso, se revela um inacreditável acerto. A atuação do rapaz é primorosa. Outra diferença é que aqui não há conflitos eletrizantes que separam os pretendentes. O que os separa é o mesmo que separa todo mundo na vida real: As dificuldades de se encontrar e lutar por um amor, e fazê-lo acontecer. Só isso já basta, e já é assunto suficiente para filme. Nós sabemos que eles querem ficar juntos. Desconfiamos que provavelmente eles vão ficar juntos. E porque o desenrolar desse encontro não daria uma história interessante, sem clima de conto de fadas e sem correrias bobas? Um quer o outro, o outro quer o um, não há suspense nenhum para o primeiro beijo, aliás há, mas só vendo a cena para entender. Ainda temos no elenco o gordinho afetado Phillip Seymour-Hoffman num papel de vilão, com sua atuação cheia de maneirismos e exageros que alguns críticos vão achar genial, fantástica e que roubou o filme, e eu achei besta, histérica e e sem justificativa.

Em suma, é um filme meio maluco, com bons diálogos, uma tremenda atuação do Adam Sandler, história estranha e muitas cenas metafóricas, como os múltiplos enquadramentos do protagonista correndo em corredores fechados, várias vezes a palavra "Exit" aparecendo, o tal do harmônio e outros truques estéticos. Se não gostar de toques bizarros, nem pense em ir ver. Mas se não se incomodar com isso e estiver a fim de curtir uma historieta de amor onde duas pessoas se aceitam como são e mostram a capacidade de enfrentar qualquer coisa pra tentar fazer esse amor dar certo, de um modo que não é focado para mulherzinhas, acho que é uma boa indicação.



Caros 5 leitores, espero que os poucos comentários para Tiros em Columbine não sejam sinal de que quase ninguém viu. Estou trocando o filme em questão, mas deixo a intimação para que vejam.

Afinal de contas, Mr. Moore está vindo para o Brasil em setembro, para dar uma agitada no seu livro "Stupid White Men", que eu já comprei e está na fila de leitura. O livro já entra no "Livro em Questão", enquanto isso sintam-se à vontade pra comentar o filme. Vocês ainda não sabem disso, mas vocês têm necessidade de ver este filme. Suas mentes irão agradecer.





Sons captados Sexta-feira, Junho 06, 2003


Mais uma experiência sui generis na minha vidinha. Fui lá na escola de música para oficializar minha saída do curso que faço, já que tem sido impossível conciliar os horários e a falta de grana tá triste, e acabei passando a tarde inteira dando aulas de canto, em substituição a uma professora que ficou doente.

Foi divertido, eu que não toco piano fazendo escalas pros exercícios, eu que não sou professor corrigindo a respiração e voz dos alunos, eu que sou um ignorante tocando bossa-nova pra acompanhar a turma... Eu sempre acreditei que cara-de-pau é tudo na vida, e te põe nas situações mais divertidas e que mais valem a pena. Hoje foi mais uma prova. Teve um pouco de tudo, tipo duas menininhas aborrescentes que cantavam com cara de pastel, voz de sono, e no meio da aula me deixaram falando sozinho pra irem desenhar no quadro. Teve também um senhor de idade que pediu pra cantar Carinhoso. Fui até a secretaria pra perguntar sobre a partitura. Ninguém sabia cadê. Voltei tentando sugerir que hoje ele cantasse outra coisa. O cara surtou, começou um discurso que já tinha morado em Paris, que no Brasil era tudo uma esculhambação, e por aí foi ladeira abaixo. Mantive um sorriso congelado, mas os olhos ameaçavam um bote no pescoço.

Em compensação, acabei dando aula pra um colega de faculdade, o cara estava cantando Sting, altamente na minha praia, trocamos idéia sobre interpretação e como chegar nas notas mais problemáticas por mais meia hora além do horário. Foi uma farra. E teve a Camila: Depois das aborrescentes, que finalmente tinham acabado seus desenhos, entra aquela menininha que devia ter uns 8 anos. Eu já meio desanimado me desesperei ante a perspectiva de manter alguém daquela idade entretida por uma hora com bi-bi-bó-bó-bó-bis e outros exercícios mala. Comecei devagar, fazendo uns exercícios de respiração, explicando na melhor linguagem tatibitate sobre o diafragma, sem saber direito se a criancinha ia pescar patavina desse papo. Aí ela fez o exercício direitinho, com um sorrisão que já me desarmou. Fomos em frente, ela sempre respondia certo tudo o que eu falava, estava sacando absolutamente tudo. Me empolguei, fiz uns exercícios mais pesados, ela acompanhou hiper-compenetrada, a voz afinadinha, o sorrisão com covinhas ainda lá, e aí perguntei o que ela ia cantar. "Pode ser Garota de Ipanema?" Putz. Eu não sabia tocar, mas podia, como não? Mandei os acordes catando milho, e ela cantou maravilhosamente essa melodia que não é mole. Dei umas dicas para os agudos, treinamos juntos, já eramos cúmplices, acabou a aula. Ela saiu, entraram os alunos da nova turma, eu sento no piano, de repente a porta abre e é ela de volta, perguntei se tinha esquecido algo, ela disse que ainda não sabia meu nome. O antipático aqui, mergulhado na sua preocupação, não tinha nem se apresentado. Eu disse, e ela me deu o maior abraço que cabia nos seus bracinhos, me estalou um beijo no rosto. "Tchau" e saiu.

Devo mesmo estar ficando velho, porque eu estou todo bobo até agora, e ainda achei que valia a entrada no blog. Tchau, Camila, foi um privilégio saber que existem crianças assim, e que o amor ainda não está morto nesse mundo.



Ou quem sabe os Mutantes não trazem mais justiça pro mundo? No dia 12 de junho, o Cinemark e UCI só vão cobrar um ingresso para cada 2 pessoas que entrarem. Perfeita desculpa pra ir lá visitar o Noturno outra vez, e apresentá-lo à namorada. Quem sabe os meninos do Professor Xavier não desbancam o esquisito líder de público de 2003?

Agora me toquei. Pode acontecer de alguns patrulheiros de opinião se irritarem por desconfiarem que eu não estou valorizando o produto cultural nacional, preferindo idolatrar os produtos da máquina capitalista de Hollywood. Puxa, não quero correr este risco, que preocupação. Deixa eu explicar melhor: É precisamente isso. Estou mesmo. Eu gosto de cinema. O cinema brasileiro, ou o iraniano, ou o francês, simplesmente não chega ao pés da produção americana. Simples assim. Não preciso ser tão covarde a ponto de comparar com as ótimas diversões pipocas tipo X-Men, Matrix ou Senhor dos Anéis. Apenas assistam aos filmes independentes americanos e constatem a abissal diferença de qualidade. Existem filmes muito bons sendo feitos em vários lugares do mundo, não há dúvidas. Não sou nenhum partidário do Dogma 95 mas curto um bom filme venha de onde vier. Mas os americanos são criativos, fazem filmes em maior número, com mais dinheiro. É natural que eles produzam o melhor cinema do mundo, apesar do lixo que também sai de lá, que NÃO é o caso de filmes como X-Men, Matrix e Senhor dos Anéis (Quem não gosta desses, provavelmente é por não curtir muito o estilo, o que está ok, e não porque sejam filmes ruins. Eu odiei Titanic, mas não deixa de ser um filme espetacular).

E isto me traz de volta ao ponto. O que eu não consigo é defender o lixo daqui. Não confundamos nacionalismo com falta de gosto. Muito obrigado, deixa eu descer do palanque.




Sons captados Quinta-feira, Junho 05, 2003


Segundo o Globo de hoje, Carandiru acaba de se tornar o filme mais visto do ano, ultrapassando As Duas Torres. Ainda por cima já bateu o público de Cidade de Deus por um milhão de pessoas. Eu não assisti Carandiru. Mas como gosto bastante de cinema, segui com atenção as críticas, perguntei aos amigos, tudo o que se faz antes de gastar uma grana com um filme que te deixa meio desconfiado, porque o trailer não convenceu, nem as entrevistas do Hector Babenco. O que verifiquei é que há uma certa unanimidade: O filme é... Mais ou menos. Isso não quer dizer que ninguém tenha gostado muito, mas que mesmo quem gostou teve algumas sérias críticas. E quem não gostou dava sempre os mesmos motivos: História fraca, atuações caricatas. E todos que assistiram Cidade de Deus não hesitaram em dizer que não tem nem comparação. A performance dos dois filmes em festivais internacionais também não está deixando dúvidas quanto às qualidades de um e de outro.

O que entendo então é que esse fenômeno de bilheteria de Carandiru se dá por dois motivos principais: A enorme penetração (Por favor sem duplo sentido) popular do Dr. Dráusio por conta de suas aparições no Fantástico, que botaram de novo o livro que deu origem ao filme em evidência, e... Cidade de Deus. Explicando melhor, muita gente não viu o filme de Fernando Meireles. O tal renascimento do cinema brasileiro é lento. Porque os cineastas ainda estão reaprendendo a se aproximar do público. E o público demora a ter sua resistência vencida. Cidade de Deus desfrutou de um belo boca a boca, que pelo visto acabou finalmente arrastando as pessoas... Para ver Carandiru.

Então vamos fazer o seguinte: Se você finalmente se animou com os maravilhosos filmes nacionais, foi acometido de um sentimento patriótico e não resiste em gastar seus tostões para incentivar nossa arte como dever cívico, não seja trouxa e assista o filme que realmente merece tudo isso, que é Cidade de Deus, de um diretor praticamente estreante, atores amadores de talento e um apuro estético que deixou críticos internacionais de queixo caído. Se isso ainda não te convenceu, eu apelo para o fato do Hector Babenco ser argentino... Se quiser ver bons filmes dos hermanos, vá de Nove Rainhas ou O Filho da Noiva.

Em todo caso, não posso perdoar um filme passado em São Paulo que destrona o que se passa na Terra Média. Lanço desde já a campanha: Vamos todos em massa assitir ao filme do Hulk, já que ano passado o mais assistido foi Homem-Aranha, e tudo se normaliza. Só o gigante esmeralda pra dar conta desses presidiários.



Ainda na categoria hype, só pra não perder a chance, eu não canso de não entender os novos queridinhos que me indicam. Outro dia fui ouvir o Liam Lynch, testei a "United States of whatever", faixa do Fake Songs que estourou, e... Gente, não é possível que só eu tenha achado praticamente igual a "Florentina" do Tiririca!
Fui ouvir o velho Armed Forces do velho Costello pra meditar sobre a modernidade.




Sons captados Quarta-feira, Junho 04, 2003


É impressionante o hype que o novo CD do Los Hermanos está gerando. Parece que ninguém fala em outra coisa nas rodinhas musicais, pelo menos nas que eu frequento. Quanto tempo faz que isto não acontecia com uma banda brasileira! Sei não, mas dá a impressão que esses caras estão caminhando céleres para serem a banda mais importante do cenário brazuca, unindo público e crítica como não acontecia desde a Legião. Eu não comprei nenhum dos 2 primeiros CDs. Mas vou comprar o Ventura com certeza, os caras da minha banda já ouviram e me disseram que vou gostar, mesmo com meu gosto musical doentio. Aliás, vou comprar se encontrar, porque no findi fui em 3 lojas e nada. O Bruno do LH já recomendou que comprem na Submarino, mas deixei encomendado na Argumento do Design Center porque um amigo trabalha lá, e porque o comércio tem que se mancar e ter o álbum em estoque. Tio Costello zela pelo verdadeiro Rock nacional e para que os lojistas parem de rasgar dinheiro.

E não me falem em Kazaa. Eu vejo a compra de um CD como um ato de proximidade com o artista, e não só como um meio de ter acesso a músicas. Já falei que sou esquisito, vocês não me ouvem.




Sons captados Terça-feira, Junho 03, 2003


Câmera digital é legal porque dá pra fotografar qualquer besteira sem culpa. Só não é legal quando é vagabunda como a minha, e as fotos saem um horror. De qualquer forma, aí vai um tosco registro da viagem, com o design escandalosamente chupado do Persona non Grata e seu costumeiro bom gosto (Aliás vale a visita se quiserem ver fotos de viagem bem tiradas). Deixe o mouse sobre uma foto para ver a legenda, clique para abrir: