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Sons captados Quarta-feira, Julho 30, 2003
Ainda resta uma importante questão a ser respondida pelos caros ouvintes. Quem ainda não leu, por favor faça uma força e analise o post gigantesco abaixo. E então responda:
Na falta de vibração, inteligência, benefício e à beira da inexistência, o que você acha que a sigla V.I.B.E. (Título do último CD da banda que não ouso mais falar o nome, senão começo a rir outra vez) deveria na verdade significar?
Escrito por Costello 02:21
Ahahahah! Deu no ahaha globo de ahahah segunda:
"Briga entre músicos do LS Jack e do Art Popular no Santos Dumont deixa 3 feridos
As pessoas que passavam no início da tarde de ontem pelo Aeroporto Santos Dumont assistiram, de graça, a um show da banda de pop-rock LS Jack e do grupo de pagode Art Popular. Mas, em vez de acordes de guitarra e batuque, o que elas presenciaram foram socos, pontapés e até pandeiradas. No fim do espetáculo, três músicos acabaram no Hospital Souza Aguiar: Vitor Queiroz e Luís Eduardo, o Bicudo, do LS Jack, e Douglas dos Santos, o Tcharlinho, do grupo de pagode..."
As versões ahahaha para o estopim da ahaha (Desculpe) briga divergiram, mas a reportagem deixa claro que quem foi às vias de fato e iniciou a pancadaria foi o produtor do ahahaha LS Jack, aparentemente levado por uma ahahaha fofoca da empresária da banda acusando os ahahah pagodeiros de terem falado mal da ahahah banda por trás. (Peraí, tive um acesso de riso, não entendo o porquê. Tomando ar...)
Minhas observações:
- Segundo os últimos números do Ibope tem mais mulheres que homens lendo este blog, então odeio revelar meu insuspeito lado machista latino. Mas não dá pra não comentar: Viram a causa da briga? Uma fofoquinha da empresária da banda. Mas que coisinha de mulherzinha, ir correndo contar que ouviu aqueles homens feios falarem pi-pi-pi, pá-pá-pá, pó-pó-pó.
- E que coisa de mariquinha ir lá tirar satisfações baseado em fofoquinha, imagino a cena típica de novelinha global, o produtor falando: "O quêêêê? Eles falaram isso?" e a leva-e-traz: "Foi sim! Eu ouvi com esses olhos que a terra há de comer!" (Tá, não resisto a uma piada infame com scripts óbvios). -"Ah" - Fazendo pose de macho indignado - "Eles vão ver só" -"Isso mesmo, você nãovai pode deixar isso barato. Onde já se viu??" E lá vai o bestalhão começar uma briga no meio do aeroporto. Claro que jamais vou usar termos aqui que ofendam colegas músicos, mas estou falando do LS Jack, então, por favor, tem que ser muito mongol pra fazer uma cena dessas.
- Porém, o tal produtor pode ter uma desculpa redentora. Seu nome é Gustavo Menna. O nome do cantor do ahahah (Putz, desculpem, parei) LS Jack é Marcus Menna. Parentes, provavelmente irmãos. Que tipo de parente vira produtor de banda? Aquele cara que sempre quis ser da banda mas não tem o mínimo talento necessário, e ganha um posto periférico como consolação. Então, como queríamos demonstrar, o tal cara tem fortes chances de ser nada menos que o irmão menos talentoso do... ahah - chega - vocalista do LS Jack. Podemos esperar algo deste rapaz? Chega a ser maldade eu levantar este fato em público.
- Um engraxate do aeroporto teve a sua caixa quebrada na confusão, e depôs na delegacia. Segundo ele o nosso bravo Marcus ofereceu dez caixas novas para que ele não testemunhasse, reforçando como argumento se ele "sabia bem onde estava se metendo". Putz, analisando direitinho, não é que ele tem razão? LS Jack, é pra ter medo mesmo.
- Os testemunhos descritos no jornal contam que a discussão envolveu insultos racistas aos sambistas, revidados com acusações de "usuários de drogas". Usar menção à raça como "ofensa" é crime. Já o lance de drogas, no caso dos responsáveis por pérolas como "Carla", é mera constatação de fato, sem previsão de pena no código penal. Ou a música deles não é uma droga?
- Consta também que o Netinho, aquele mesmo, estava no aeroporto, e tentou sem sucesso conter os brigões. Louvo a atitude do boa-praça, mas lamento o fato do pessoal ter perdido esta chance pra aproveitar a zona e dar um cascudo nele, só pra ele ficar esperto.
- Já na delegacia Leandro Lehart demonstrava indignação maior com o racismo demonstrado, enquanto Ahah (Lá vou eu de novo)... Marcus dava sua própria versão: "Não houve comentário racista, só pancadaria." Essa é espetacular, está descoberto o fenômeno sociológico da geração espontânea da luta braçal. Imagina só que perigo, você está lá tranquilão num ponto de ônibus, por exemplo, e sem mais nem menos sai brigando com um cara que nunca viu na vida. Acho que o ahahaha Marcus andou assistindo Clube da Luta muitas vezes ultimamente.
- O Site oficial da ahahah banda mostra o ahahaha bem bolado e descolado título do último ahahah CD: "V.I.B.E. - Vibrações inteligentes beneficiando a existência." - E logo depois aparecem as palavras paz, amor, equilíbrio e alegria. O que mais posso dizer? AHAHAHAHAHA... Ai, assim fica difícil me controlar. Mas é isso mesmo. Sabe aquela postura revoltadinha "Roquenrôu, yéé!!!" das bandas pseudo-pesadinhas que nos assolam? É falsa. Sabe o papo "Paz e Amor" das bandicas pop-florzinha? É falso. Música é apenas um negócio pra 99% da turma. Não existe o menor compromisso com uma postura. O que for preciso dizer pra ganhar dinheiro, vai ser dito. Danem-se coisas menores como coerência, por exemplo.
- O ahahah (Pô, isso está cansando, juro que agora parei) CD anterior se chamava Olho por olho, gente por gente. Bem mais apropriado, não é não?
- A banda ainda ganhou o prêmio "Austregésilo de Athayde de melhor banda de rock de 2002", concedido pela Academia Brasileira de Letras. É o que dá os velhinhos imortais meterem suas colheres em algum lugar fora de seus chazinhos vespertinos. Rock? ROCK? Mas o Globo dá a explicação: "O guitarrista Morel é neto do imortal Evaristo de Moraes Filho." Aaaah bom. Assim até eu. O escritório da minha empresa fica bem em frente à ABL, acho que na hora do almoço vou fazer umas visitas por lá. Quem sabe não fico amigo de um acadêmico e eles também resolvem dar um prêmio pros Hereges? Mas só aceito se for "Prêmio Sidney Magal de melhor grupo de Bolero de todos os tempos." Faz tanto sentido quanto.
- O assunto é deveras empolgante e fui pesquisar mais pela internet, esticando este post a um tamanho inimaginável. Duvido alguém chegar no fim. Pois bem, encontrei uma maravilhosa entrevista no site da Somlivre. Vejam o que eles têm a dizer sobre o prêmio, e reparem no Marcus trazendo o assunto à baila como se fosse só coincidência:
Morel - Foi uma honra muito grande a gente ser homenageado pela Academia Brasileira de Letras...
Bicudo - Foi bacana porque é um prêmio que envolve não só música, mas vários aspectos da cultura - Gloria Perez foi homenageada, um monte de gente recebeu prêmio. Para nós foi um prazer!
Morel - E é um prêmio muito tradicional. A nossa foi a 15ª edição se não me engano...
Marcus - Morel, o seu avô faz parte, né?
Morel - O meu avô faz parte, Evaristo de Moraes Filho... Ah, a Glória Perez ganhou também. Agora sim acredito no prêmio.
- TENHO que citar esta pérola na mesma entrevista:
"...tentamos levantar a bandeira da paz e do amor. Quando escrevo as minhas letras não tenho a intenção de falar para o cérebro das pessoas, mas de falar para a alma, sacou? Tento falar sobre o coração, sobre amor, sobre coisas desse tipo de sentimento." Poxa, cara, aí, tipo assim, desculpa mas não deu: Ahahahahahahahah!!!!!!
- Justiça seja feita, a reportagem da Folha diz que o empresário da banda na verdade se chama Marcelo Faria. O site oficial mostra o nome da tal Bebel. Sei lá. Sempre ouvi dizer que filho feio não tem pai. Sempre existem as exceções.
- A Folha especifica um dos insultos dos caras: "Paulista". Putz, covardia. Isso é mesmo ofensa da braba.
- Ok, para terminar este post infame, deixo-os com uma frase encontrada numa entrevista ao Terra: "Só o tempo vai dizer se merecemos ou não estar no cenário musical brasileiro". Amém, queridos. Amém.
Escrito por Costello 02:14
Sons captados Domingo, Julho 27, 2003
Vejam aí mais umas fotos seletas do show, enquanto não organizo a galeria lá no quase-site dos Hereges:
Escrito por Costello 20:59
Serviço de Utilidade Nerd
Teve uma leitora que perguntou nos comentários como se faz aquele esquema que uso aqui de botar apenas um pedaço da foto que ao ser clicado abre uma nova janela com a foto inteira. É um trabalho em duas etapas. Primeiro, o seguinte código deve estar no seu template, de preferência logo antes da linha que começa com <body... Os comentários, linhas iniciadas por "//", são para ajudar a entender o que este código faz. <script>
// AbreFoto por Costello, Maio de 2003, http://www.ouvidopenico.blogger.com.br
// win_foto é a variável que controla se já existe uma janela aberta
var win_foto;
function AbreFoto(nomearq, w, h) {
// folga_h e folga_w representam o quão maior que a foto
// a janela deverá ser, em altura e largura respectivamente
var folga_h = 20;
var folga_w = 20;
w += folga_w;
h += folga_h;
// Se já existe uma janela aberta por este script, fecha-a
// e abre uma nova. Assim não tumultua, e a nova foto
// sempre abre por cima da janela atual
if (win_foto != null) {
if (!(win_foto.closed)) {
win_foto.close();
}
}
// Abre a janela com a foto
win_foto = open(nomearq, "Foto", "width="+w+",height="+h+",status=no,scrollbars=no,resizable=no");
return false;
}
</script> Agora para abrir uma nova janela, basta colocar um link no seu post no seguinte formato:<a href="#" onclick="return AbreFoto('minha_foto.jpg',640,480)">Abrir a foto</a>Onde 640 e 480 podem ser quaisquer números, correspondentes a largura e altura da figura que vai abrir, respectivamente. No lugar do texto "Abrir a foto", pode haver qualquer coisa, por exemplo uma imagem menor, como eu uso por aqui. Como exemplo, vejam o post acima!
Escrito por Costello 11:58
Sons captados Sábado, Julho 26, 2003
O mundo está mais triste porque não se pode mais ouvir a Rádio Ouvido Penico. O Usina do Som acaba de encerrar seus serviços gratuitos e quer começar a cobrar um preço que considero absurdo: 5 reais por mês. Não consigo entender por que diabos vou começar a pagar para escutar música em uma qualidade baixa, se posso pagar mais ou menos o mesmo pra baixar MP3 em outros serviços legalizados, sem contar com as possibilidades, digamos, alternativas.
Esses caras foram responsáveis por um canal de marketing inestimável para as gravadoras, permitindo aos usuários criarem rádios de webcast com uma escolha livre de repertório em uma gama vastíssima de artista e álbuns. O pessoal foi então desenterrando músicas interessantes com o potencial de aquecer vendas de CDs pouco cotados, aumentando a propagação de vários estilos de música. Embora tenha menos alcance, isto é um canal muito mais interessante que as rádios, que têm uma programação engessada e desinteressante para o consumidor fiel de música. Se as gravadoras que enterram milhões (Podem acreditar, são milhões) em suborno para as rádios tocarem seus artistas tivessem conversado com a turma da Usina e vice-versa, poderiam chegar a um acordo de investir apenas milhares pra viabilizar o link de internet e a banda necessária pras rádios online, com a certeza da boa promoção de artistas que ninguém quer ouvir.
Mas paciência, os marqueteiros de um lado e de outro demonstram a mesma visão e criatividade da turma que entrava na Usina do Som... Para poder escutar Jota Quest, Linkin Park e outras coisas que correspondiam exatamente ao que já estava tocando em qualquer rádio por aí. Total falta de compreensão do veículo que têm nas mãos, e total desinteresse por música.
Alguém aí sabe onde posso montar a rádio Ouvido Penico? Milhões de pessoas infelizes estão necessitadas disso.
Escrito por Costello 22:37
Rock Horror Reality Show - Acompanhe as mazelas de um maluco querendo ter banda
Bem, a repercussão do show foi jóia e ficamos discutindo o que fazer agora que já botamos a cara no mundo. Decidimos várias coisas. Uma delas é gravar o CD demo, que vai nos custar uma bela grana. Então a segunda coisa é investir num repertório de covers para tocar em bares que pagam couvert artístico, pra ajudar a financiar o esforço. Pode não parecer muito digno pra alguém que se diz compositor, mas pelo menos vamos tentar escolher direitinho o repertório pra diferenciar um pouco a banda. Mas para isso teremos que aumentar o número de horas semanais em estúdio, de 3 para 5. Já sabendo disso dá pra negociar um preço mais camarada com o dono. Então aguardem que daqui a pouco Hereges estarão num barzinho perto de você, tudo pelo CD demo.
Também estamos discutindo muito o que fazer em termos de show. Temos que desenvolver mais presença de palco, normalmente músicos são tímidos, eu mesmo sou bastante, e dançar ou pular ou fazer alguma movimentação é uma coisa que você tem que se lembrar de fazer. Mas se não fizer, o show não fica tão bacana. E gostaríamos de ter algum figurino legal, que desse mais coesão pra banda. Sugestões?
Agora, o que importa mesmo é que com o meu primeiro salário em meses comprei um Shure SM58, o microfone de 9 entre 10 estúdios e palcos do mundo. Confiável e robusto. Comprei também um pedestal, cabo, e de quebra um encordoamento com tensão alta pro violão. Deixa meus dedos sem pele, mas estou muito a fim de fazer uma sonzeira. Tenho que fazer uma reorganização no HD, mas aguardem para breve umas gravações caseiras impressionantes. Sou um músico nerd feliz.
Ah, revelamos um monte de fotos do show, tem várias muito boas mesmo, estou organizando pra publicar no pré-site dos Hereges. Vamos encerrar com mais um momento parabéns pra nós, vejam o que o Mário, batera da Jardins de Inverno e mentor do evento do Ballroom, escreveu em seu blog, Ruídos e Enxaqueca:Deixa eu avisar aos leitores do blog que o Mário é amigo, já tocamos juntos uma cacetada de vezes, e ele está exagerando um bocado. E Mário, para de deixar a gente sem graça! Temos é que marcar de tocar outras vezes, sem essa de "abrir". Nosso repertório ainda é pequeno, mas estamos trabalhando rápido. Temos 5 músicas novas no forno. Ando inspirado.
Escrito por Costello 12:56
Numa nota mais pessoal, de repente cansei da minha cara. Decidi atender aos milhares de apelos de amigos e familiares e verificar a possibilidade da cirurgia para miopia. As múltiplas alergias atrapalham o uso regular de lentes de contato, pois um dos sintomas dependendo da poeira de um lugar é uma coceira violenta nos olhos, que fica bem pior com a lente. Então ontem fui fazer os exames que o cirurgião pediu. Pra variar, estava com a barba por fazer. Foi tirar os óculos e a moça dos exames começar a rir: "Ha ha ha, sabia que você parece aquele ator..."
Bem, isso já é uma constante na minha vida e não é mais assunto pra cá, mas me lembrei de outra coisa. O ator do Sopapo, o Dan Stulbach, é judeu. Já acharam que eu tinha cara de judeu outras vezes. E um furo lindo que cometi me veio à mente. Foi num emprego novo. Eu tive que ir, vejam que triste, dar um curso em Natal. Antes disso eu estava em Belém ministrando o mesmo curso, teria um dia livre entre entre um e outro, que foi gasto na praia da Ponta Negra, uma espécie de Barra da Tijuca de Natal. Entre um suquinho de bacuri e um camarãozinho, despachava pelo celular. Quando voltei ao escritório, estava na minha peculiar cor de camarão típica de paulista não portador de muita melanina. Ficou a maior fofoca, afinal eu havia viajado a trabalho. Um dos diretores chega pra mim na hora do almoço com aquela típica verve ácida: "Tá queimado, hein? Tem certeza de que foi trabalhar?" - E lá vou eu querendo fazer uma piada espertinha, citando sem pensar o que um amigo o que um amigo branquela e meio revoltado adorava repetir: "Só saí no sol por um tempinho, mas sabe como é, raça ariana..."
Algo na expressão do cara me assustou de verdade. O sorriso dele continuou, mas os olhos mostraram o brilho de muitos antepassados clamando pela minha cabeça infiel. "Raça ariana, né...", ele repetiu, com a expressão enigmática. Vocês já adivinharam que ele era judeu. Mas não sabem que a empresa inteira era de judeus, presidência e escalões de diretoria. "Ih, essa música é bem legal!" - Foi minha melhor idéia pra matar o silêncio no hall dos elevadores.
Escrito por Costello 12:30
Sons captados Sexta-feira, Julho 25, 2003
Só pra avisar que já assisti faz um tempo Extermínio, último filme do Danny Boyle que parece que estréia hoje. O nome em inglês é muito mais legal, 28 days later, mas acho que ficaram com medo do pessoal achar que era continuação de filme da Sandra Argh! Bullock.
É um filme de zumbis sem zumbi, afinal os monstros estão vivos da silva. Em compensação, nada daquele passinho manco com os braços estendidos, eles vêm turbinados, correndo pra dedéu e com uma força fora do comum. Os olhos injetados de sangue e os vômitos escuros também ajudam a tornar a coisa mais interessante. O filme assusta e diverte, e as cenas em vídeo digital têm uma estética diferente.
A introdução é ótima, com uns eco-chatos quebrando a cara e liberando um vírus horrendo sem querer, o desenvolvimento, com um cara acordando do nada num hospital deserto e tentando entender o que aconteceu com todo mundo também é um barato. Do meio em diante tem a famosa virada na história, o foco sai dos infectados e fica mais na perversidade humana, provavelmente discutindo quem exatamente nós deveríamos temer, e o ritmo cai um pouco, mas mesmo assim continua algo emocionante. Pra quem se diverte com o gênero, acho que tá valendo o ingresso, sem expectativas de obra-prima.
Dois detalhes sobre o filme: Tem uma cena de Londres deserta onde dá pra ver uns carrinhos passando lá atrás. E na verdade uma epidemia só cruza fronteiras quando o vírus demora para se manifestar, permitindo viagens e multiplicação das infecções sem a desconfiança de ninguém, como foi o caso da AIDS. Se a pessoa fica imediatamente doente, pode em tese ser isolada a tempo, furando a premissa do filme. Ouvido Penico também é epidemologia.
Escrito por Costello 03:20
Fui assistir Longe do Paraíso com um amigo e ele odiou. O cara está passando por um período meio pra baixo da vida, de indefinições e golpes do destino. Pra mim isso só prova o quanto o filme realiza bem o intuito de demonstrar conflitos difíceis de resolver na vida de pessoas comuns, e faz o espectador colocar-se no lugar dos protagonistas. Mas obviamente gostei do filme e posso estar distorcendo tudo.
E como não gostar de um filme que tem toda a estética de um drama da década de 50? Com isso não quis dizer que é um filme de época. Quis dizer que o estilo de direção, ritmo, luz, trilha sonora marcante, diálogos, tudo remete a um filme feito antigamente. Isso já é muito bacana. E a coisa fica ainda mais legal pela presença da Julianne Moore ancorando o filme inteiro. Não dá pra cansar de olhar para a cara dela, e olha que 90% do filme mostra a cara dela. É uma atriz incrível, fazendo um trabalho incrível, mais uma vez. E a história é um caso à parte.
Hollywood nos brinda com muitos dramas de final feliz, mas que tal este filme com... Um começo feliz? Tudo são rosas na vida de um casal exemplar. À medida em que o filme se desenrola, vamos conhecendo-os em maiores detalhes. E vamos entendendo como as coisas podem ser complicadas. Não há grandes acontecimentos que causem reviravoltas. As surpresas são causadas apenas pelo foco crescente na intimidade de cada um.
E tudo gira em torno de preconceito. O filme entra fundo em problemas que não gostaríamos de admitir em famílias perfeitas. E nas opções que cada parte do casal tem para lidar com as conseqüências de suas complicações. E no decorrer da história temos que meditar sobre preconceito racial, preconceito sexual, tanto com homossexualidade quanto com a abissal diferença entre o tratamento dispensado a homens e mulheres. Mesmo com uma condução elegante e sem cenas lacrimosas ou chocantes vamos entrando no redemoinho de pequenos desastres, tentando imaginar qual seria a saída, nos horrorizando com a incapacidade da sociedade em gerar um ambiente propício à verdadeira felicidade.
Em suma, um drama bacana, que faz pensar e é uma delícia de assistir, seja pelos fatores já mencionados acima ou pela perfeita direção do Todd Haynes.
Na seção de referências pop, o filme anterior dele, Velvet Goldmine, é um dos meus prediletos, contando a história da geração que participava do fenômeno musical Glitter na Inglaterra. É demais e tem uma trilha sonora que merece um post alguma hora.
O galã de Longe do Paraíso é o mega-canastrão Dennis Quaid, que até que está bem no papel. O irmão mais velho dele é muito mais bacana, o absurdo Randy Quaid, que com sua cara de Popeye praticamente só fez papel de xerife e de maluco em toda a carreira. É ele por exemplo o bizarro herói aviador bêbado de Independence Day. E principalmente é ele o vilão de um terrir classe Z chamado "Freaked", onde ele transforma garotos em aberrações para o seu show de horrores. Este filme já passou na Band e tem participações de Brooke Shields, Keanu Reeves como Ortiz o garoto canino, e o grande Mr. T, como, acreditem, a mulher-barbada. É fantástico! No IMDB tem um recado do Tom Stern, roterisita e diretor, fazendo campanha para que lancem o filme em DVD, pedindo que enviem email com este requerimento para foxmovies@fox.com. Tá dado o recado.
Pois é, isso não é modo de acabar um post sobre um drama. Depois uns e outros ficam reclamando que o que eles dizem na TV sobre o jovem não é sério, o jovem no Brasil nunca é levado a sério, etc. Assumo que parte da culpa é minha. Por outro lado já nem sou tão jovem assim, então mudemos de assunto.
Escrito por Costello 03:18
Sons captados Quinta-feira, Julho 24, 2003
Elvis Costello! Sim! (Introdução) - O homem, o mito, o ídolo!
Primeiro a parte subjetiva, totalmente distorcida pelo meu fanatismo doentio por esse cara: Um dos maiores compositores da história da música. Uma fábrica de melodias fáceis que tiram o fôlego do ouvinte de tão pegajosas e expressivas. Um gênio artesão de palavras. Junto com os Attractions, formou uma das mais versáteis, perfeitas e maravilhosas bandas da história do Rock.
E aí você se pergunta: Se é tão bom, por que eu não conheço e você conhece? É porque é um cara brilhantemente informado e está em sintonia com toda a boa música venha de onde vier? A resposta é um sonoro "Claro que não, foi o destino mesmo". Deixe-me contar como conheci o homem, o mito, o ídolo:
Durante a tenra pré-adolescência assistia o maravlihoso BBVideoclip com o Eladio Sandoval e o Contra-regra maluco, quem lembra? Pois é, El Chaco del Pepino, Pizza de Mamão e o Grande Sinal. Era o único (Primeiro?) programa de clipes da TV. E foi lá que soube da existência do Elvis Costello, em clipes como o de Accidents Will Happen. Achava interessante, gostava daquela figura desengonçada de óculos, mas ninguém conhecia e esqueci o assunto.
Tudo veio à tona com uma namorada argentina. Minha esposa lê o blog e não curte muito que eu fique falando nela, afinal foi a namorada que tive antes de começarmos nossa linda história de amor, mas paciência. Não sei se você sabe, mas argentinos acham nomes compostos o máximo. Então essa menina tinha Veronica como nome do meio. Quando soube disso achei brega demais, mas depois me lembrei que tinha visto por aí um clipe do último CD do Costello, a canção se chamava exatamente "Veronica". Fui na loja e comprei o CD só pra mandar a faixa pra muchacha num K7. Apostava que ela nunca ia imaginar que existia uma música com o nome dela, e ia me achar o cara mais culto do mundo, me admirando e amando para sempre.
Bem, o que aconteceu mesmo é que descobri que Buenos Aires era realmente longe pacas e até telefonema custava uma fortuna. Acabamos um pouco depois e nunca mais vi a menina. Fiquei mesmo perdidamente apaixonado foi pelo CD. Comprei mais um pra ver se gostava, adorei também. E por aí foi indo, até ter hoje toda a obra do homem, menos algumas coletâneas que não me acrescentariam muito e os álbuns proscritos que mencionarei no futuro.
Bem, isto foi só uma introdução que julguei necessária, embora totalmente irrelevante, mas o meu propósito neste blog é falar irrelevâncias misturadas com uns poucos fatos, e ver se alguém tem coragem de continuar lendo. Parabéns, você que chegou até aqui. O próximo post começará a biografia do homem, o mito, o ídolo.
Fique sintonizado para aprender mais sobre um dos capítulos mais importantes e com as frases mais bem escritas da história do Rock. Elvis Costello? É no Ouvido Penico! Ou na Mofo, já que o Rubens cumpriu sua promessa é já publicou sua coluna sobre ele. Lá vocês poderão ler uma biografia mais detalhada que a minha, além de uma ótima tradução das notas incluídas no relançamento do My Aim Is True, escritas pelo mito em pessoa. Leiam já.
Escrito por Costello 04:21
Sons captados Quarta-feira, Julho 23, 2003
Momento "eu hein, que meda". O Globo de hoje noticiou a morte do guitarrista do Catedral num acidente verdadeiramente bizarro na linha vermelha. A roda de um carro que vinha em sentido contrário se desprendeu, quicou atravessando a mureta que divide as pistas, e entrou para-brisa adentro do carro do músico atingindo-o. A mulher e os filhos que estavam no carro com ele nada sofreram.
Eu já toquei e cantei em muita igreja por aí, tanto como músico naqueles times de louvor como com banda de Rock, que graças à amizade com o pessoal recebia alguns convites para eventos de denominações mais moderninhas. Acompanhei o movimento de "Rock Gospel" ou seja lá qual for o nome, vendo várias bandas interessantes se desenvolverem no underground religioso, por assim dizer. Só lamentava que as bandas sempre ficavam no ambiente mais protegido da igreja, sem se abrir e se deixar influenciar pela música de fora, gerando uma certa defasagem musical e lírica. Por melhor que fosse a banda, acabava soando como cópia mal-feita de alguém "do mundo", como a turma gostava de dizer.
O Catedral foi um expoente deste conflito. Banda do subúrbio do Rio formada por 3 irmãos e um amigo (Ou era primo, sei lá), com dois excelentes músicos, o guitarrista e o baixista. Eram virtuoses mesmo, gerando um Rock com um instrumental muito seguro apesar do batera que só marcava e um cantor que insistia em cantar forçando um timbre gutural muito esquisitinho. Exatamente por causa do cantor a banda acabou ficando famosa como uma espécie de "Legião Urbana" do Senhor. Gravaram uma penca de CDs e chegaram a fazer show no ATL Hall.
Pouco depois disso os caras assinaram com uma gravadora de fora da igreja, terminando sua carreira voltada ao mercado religioso e gerando uma tremenda gritaria dos fãs e artigos polêmicos em revistas, acusando-os de renegar sua fé. Eu achei com alívio que fosse um passo em direção à quebra da falsa separação entre Rock "gospel" e "secular", pois nos dois lados existem os picaretas que só estão nessa pela grana (E mulheres e drogas, podem ter certeza), assim como os que realmente te fazem sentir-se mais vivo ao escutar a música que fazem. Só via como problema o fato de que o Catedral, cognominado Chatedral por alguns, tinha composições muito assim-assim, soando apenas como imitação tola de Legião. Talvez exatamente por nunca ter se aberto pra vastidão do mundo musical antes, eram músicos capazes mas não juntavam um grande repertório.
E aí vieram as entrevistas. Foi realmente estranho. Os caras de repente começaram a dar declarações mostrando um certo convencimento excessivo com a qualidade da banda, se achando mesmo. E era nítido em todas as entrevistas que assisti que eles não respondiam mais perguntas sobre a sua fé, mostrando quase que um repúdio à igreja em cima da qual construíram toda a sua carreira. Juro que me soou algo como "Estamos mudando de mercado, queremos ser cool com o pessoal que não é da igreja, então vamos fingir que também não somos". Achei uma postura oportunista e desonesta, bolas, os caras do U2 falam abertamente sobre a sua fé, o Bob Dylan teve um época absolutamente gospel, o Sixpence None the Richer faz sucesso misturando letras pop com temas mais religiosos, o bonecão Marilyn Manson aproveita o sucesso pra ficar pregando suas crenças ao vento. Nenhum artista que se preze fica com medo do público, muito pelo contrário, acho que cabe a ele provocar reflexão e gerar mudanças com sua arte e discurso. Daí em diante me desinteressei da banda.
E agora morre um dos pilares, um dos irmãos, um dos dois virtuoses. Fica aqui o meu apoio à família que está passando um perrengue. Mas fica aqui também a pulga atrás da minha orelha. Uma banda metida com coisas religiosas, que tenta mudar os seus rumos às custas de uma brutal mudança de imagem, evitando falar de sua fé, tem sua carreira interrompida por um acidente muito, muito estranho, pra dizer o mínimo. Sei não. Por via das dúvidas, meninos, vamos todos retomar nossas orações antes de dormir. Vai que alguém lá em cima tem andado de olho... Amém, irmãos?
Escrito por Costello 15:27
Sons captados Segunda-feira, Julho 21, 2003
Ufa, ufa. Post rápido explicando algumas coisas. Tem uns posts no forno, mas simplesmente não tive tempo de finalizar. Estou começando a fortalecer o ritmo no trabalho, daqui a mais um pouco já não estarei mais trabalhando em casa. O tempo está cada vez mais escasso. Mas tenho posts sobre:- Elvis Costello, o primeiro post da série está praticamente pronto.
- Mais resoluções da banda, o show representou uma virada, explico mais tarde.
- Longe do paraíso, último filme do Todd Haynes
- Os últimos CDs que comprei, um dos quais será o som em questão: The Essential Leonard Cohen, Elephant do White Strpes e Concert - The Cure Live
Ainda no capítulo consumismo feliz, minha cada vez mais amada esposa me presenteou com um DVD do The Who. Aliás estou caçando o Isle of Wight e o Tommy.
Numa nota um pouco mais dentro de algo que se pareça com um assunto, tenho tentado comprar mais CDs de bandas que não conheço, lendo blogs e zines diversos por aí vejo que há muito, muito mesmo que ainda ignoro. O Leo, batera dos Hereges, baixa álbuns inteiros no eMule de zilhões de bandas de todos os tipos. Neste momento ele tem descoberto as preciosidades de Bob Marley & The Wailers. Eu já prefiro usar a rede pra provar bandas novas. Os velhos medalhões eu considero obrigatórios, e gosto de ter documentado em CD, com o encarte, letras, fotos, o feeling do original. E aí reside o problema. Como escolher o álbum certo? Quando alguém me pergunta sobre o que comprar do Elvis Costello, eu tenho que entrevistar a pessoa pra entender suas expectativas e recomendar direito. A escolha do álbum pode decretar o ódio ou o amor pelo artista, principalmente um cara de carreira tão eclética quanto o velho Costello. E o pior é que mesmo um gênio como ele tem um ou dois álbuns reconhecidamente odiosos, que nem eu mesmo me animei a comprar. E aí? Como escolher algo de alguma banda que já sei que é ótima? E se eu der azar e comprar justo aquele trabalho mais infeliz?
Pra mim a solução vem na forma de antologias, e em menor grau, shows ao vivo. A última antologia por exemplo foi essa do Leonard Cohen, um cara que sempre quis conhecer melhor. Aí posso ter uma bela pincelada do que se trata a carreira deste artista. O Leo já discorda, achando que o álbum é importante para obter-se o contexto. Eu até tendo a concordar, mas como vou arrumar grana pra comprar vários álbuns ao invés da coletânea?
E aí, o que vocês, leitores do Ouvido Penico, podem me dizer? O que é melhor, comprar umas antologias e talvez perder o contexto do álbum ou correr atrás de informação a fim de obter os álbuns obrigatórios de cada banda?
P.S.: Vi uma coletânea do Love na Saraiva, fui todo feliz passar na maquininha que dá o preço, para ver a cifra de 97,90. Foi humilhante. Acho que vou jogar a toalha e pedir pro Leo procurar uns álbuns do Love no eMule. Recomendações?
P.S.2: O "site" dos Hereges não é ainda um site. É só para fazer cadastro dos interessados em notícias da banda, quando eu colocar as coisas no ar. Só isso. Vai ser, do verbo "Não é ainda mas temos várias idéias", um site. No futuro. Próximo, espero. Por favor, não fiquem frustrados! Aliás o que acharam do visual até agora? Podem falar que aquela igrejinha parece mais um foguete.
Escrito por Costello 22:24
Sons captados Sexta-feira, Julho 18, 2003
A californiana Pulley, banda de hardcore com show marcado aqui no Rio domingo, tocou no Gordo. Não consegui ver nenhuma diferença entre eles e as milhares de bandas underground cariocas citadas em um post mais abaixo. Uma atração internacional sempre ajuda a animar a cena, deve lotar o Ballroom, levando público também pras locais Ack e Carbona, mais a Dead fish. Mas não sei não, achei a Pulley muito da chulé. Os mesmos quatro acordes de sempre, a mesma batida de sempre, o mesmo vocal monótono de sempre. Se esses caras são influentes na cena hardcore, acho que esta cena vai entrar em extinção. Não recrimino quem gosta, eu gosto de muita coisa desabonadora também, mas a história já mostrou que nenhum estilo sobrevive sem alguém que tenha criatividade para empurrá-lo a novos limites. E acho muito esquisito quando percebo que a nossa cena musical tem um passado muito mais criativo do que o presente. É coisa pra se pensar.
Alguém pode lmbrar que a cena do Metal tradicional continua cheia de rapazes agitando as cabeleiras ao som dos mesmos riffs complicados de guitarra e gritinhos histéricos de vocalistas com a calça muito apertada, há mais de 20 anos. É verdade. Mas eu comparo esta turma mais ou menos com o pessoal que freqüenta convenção de Star Trek. Eles apreciam uma coisa, para eles, bem feita e interessante, e dedicam-se a não deixar este legado morrer. E quem vê de fora acha que são só um bando de malucos com roupas duvidosas querendo parar no tempo. Por isso mesmo o roqueiro clássico de antigamente curtia metal, agora a coisa fica restrita a tribos de fanáticos. Nada contra ser fanático. Eu sou fanático por Costello. Mas o fanático deve saber que não é ele que define o caminho da música. Ele é apenas a exceção da regra.
...E faltou dizer uma coisa, então eu vou dizer e sair correndo: Se for abstrair totalmente quem canta, e analisando construção, variação, letra, efeito chiclete, ritmo, etc... Não consigo deixar de achar Sk8er boy muito mais bacana do que 99% das músicas de bandas de hardcore que tenho ouvido. Se fosse uma banda mais séria que tivesse gravado, ia ter neguinho por aí considerando um hino. Punk-de-boutique por Punk-de-boutique, fico com o mais bem produzido. Aliás não fico com nenhum, mesmo. De volta ao Elvis Costello...
Escrito por Costello 12:46
Sons captados Quinta-feira, Julho 17, 2003
Mais um comentário absurdamente simpático sobre nossa estréia, dessa vez no blog do André Ômega, cantor, guitarrista e figuraça da Jardins de Inverno, que se apresentou após a gente e organizou o evento:
Um elogio desses partindo de alguém de uma banda com muito mais tempo de estrada e experiência, com direito a fã-clube e tudo, é demais pro meu frágil coração. Que me resta senão esperar que façamos mesmo outros shows juntos??
Estou publicando aqui esses comentários porque fico realmente feliz e como reconhecimento público dessa turma que se dignou a postar linhas sobre o nosso humilde esforço no mundo da música. Ainda não tenho idéia de porque diabos fico desesperado, tentando conciliar trabalho e a vida em família com horas a fio de ensaios, composições frustradas, telefonemas, icq e emails infinitos pra conciliar horários com o resto da banda, debates intermináveis sobre os caminhos da música... Às vezes parece maluquice, principalmente quando ouço rádio ou vejo os clipes que o pessoal mais gosta. Pouca gente hoje em dia parece dar alguma bola pra música. Tenho a impressão que qualquer coisa que fizer "sucesso", ou seja, aparecer no rádio e TV, vai conseguir uma legião de seguidores, independente de qualquer outro fator. O comprometimento desse pessoal com a arte é nenhum, o business é entrenimento puro e simples.
Mas para ser entertainer é preciso ser profissional. Não me vejo como animador de auditório. Não é essa a carreira que escolhi. Apenas desejo me expressar, ou melhor, algo dentro de mim de vez em quando precisa botar a cara pra fora, senão morre. E eu morro um pouco junto. Vivendo la vida loca de suar atrás da grana e estar sempre sincronizando a vida com a mulher que escolhi (E vice-versa), sonho em conseguir, no meu parco tempo livre, fazer músicas que façam as pessoas viajarem. Não dançar. Não pular. Não agitar os bracinhos. As manifestações que me interessam estão na alma, não no corpo. Ei, alguém aí está interessado nesse papo hippie?
Pelo menos essas manifestações de carinho pós-show me devolvem o fiozinho de esperança no qual me penduro pra continuar subindo rumo ao desconhecido. Hoje percebi que preciso compor mais. Estou terminando uma ou duas letras. Talvez alguém precise disso agora mesmo. Talvez os Hereges tenham algo a fazer aqui pela terra.
Hmmm... Tem algo mais patético do que se levar a sério demais? Eu, hein. Podem esculachar nos comentários, acho que estou precisando.
Escrito por Costello 16:56
Sons captados Quarta-feira, Julho 16, 2003
Eu sabia que não devia voltar a olhar a MTV. Pego um clipe no meio, tá lá um cara muito tosco. Vamos ver: Piercings na cara: ok. Carinha de mau forçada: ok. Pelos faciais esdrúxulos: ok. Adereço de cabeça: ok. Casaco Adidas: ok. Flexões da coluna lombar para cima e para baixo: ok. Cenas com camiseta sem manga pra mostrar as tattoos: ok. Rap mal-feito: ok. Refrão com gritaria "Mamãe sou carente": ok. Guitarras que só ficam distorcidas no refrão: ok. Poses agachado, agitando os braços como se fosse levantar vôo: ok. Final da música com som de DJ: ok. Eco na música inteira, parecendo que os caras gravaram no banheiro: ok.
Meu Deus do céu, eles fizeram isso. Já vimos bandas, em busca da definição do seu som, tentando imitar o Led Zeppelin, por exemplo. Muitas bandas ruins da atualidade tentam imitar o Pearl Jam e outras coisas grunge. Os grandes mitos punks desde os anos 70 têm hoje um trilhão de bandinhas que soam iguais umas às outras, na tentativa de capturar o estilo. O underground do Rio tá cheio. Aliás, queridos, façam um favor a vocês mesmos e ao seu público. Ao invés de fazer punk bobo com letras bobas, ao estilo de bandas americanas atuais, e chamar de Emocore, por favor ouçam mais Bad Religion, que é o pai desse som, e infinitamente superior, e tentem copiar deles, que o nível vai melhorar. O que adianta fazer sucesso e soar como o CPM22 ou os Detonautas? Nada, eu respondo. Nada. Mais tarde você terá vergonha, tendo uma velhice amarga, e na hora de sua morte, quando sua vida passar inteira diante dos seus olhos, você terá que escutar todas aquelas músicas de novo. Isso, meu amigo, é que é o inferno. Aliás, eu sempre escrevo cheio de "aliás" e parêntesis, porque um assunto puxa o outro. Mas não temam, eu sempre volto pro tema em questão:
E o assunto é: O QUE, MEU DEUS, leva uma banda imitar descaradamente o... Limp Biskit????????????? Qual é o próximo passo? A mídia tentar lançar como nova revelação da MPB um imitador de Sidney Magal? Pelo amor de Deus, eu sei que é difícil entender, mas deixa eu explicar a gravidade da coisa: Este Zé Mané aí ao lado, quando crescer, quer ser igual ao Fred Durst!!! E a mídia deixa um cara desse gravar CD, fazer clipe e invadir a sua casa. Conseguiu visualizar o horror disso? Deixa eu fazer o serviço completo, o bando responsável por este crime ambiental de poluição visual e sonora se chama (Hed) Planet Earth, ou (Hed) PE, para os íntimos. Viram, parêntesis e abreviaturas, porque eles são mudeeernos demais. Rapazes, sinto desapontá-los, mas o Prince já fez bem melhor quando trocou seu nome por um símbolo. Foi mais legal ainda porque ele fez isso pra ferrar com a gravadora, e não pra parecer moderninho.
Como já disse o sábio, não há nada que não possa ficar pior. Fui no site dos figuras pra pegar a foto do vocalista-propaganda da Adidas, e aí deparo com a foto aí à direta, pra explodir em gargalhadas. Até integrante pintado e com cara de macaco eles também têm! Pelo amor de Deus, parece convenção de Backstreet Boys cover, os meninos com suas roupinhas se esforçando pra imitar as coreografias e dizendo "Eu sou o Nick!". "Ah, não, eu quero ser o Nock!". "Vocês não sabem de nada, o mais fofo é o Neck!" - Ou seja lá qual for o nome dos caras.
Em suma, depois de cantores de bar ruins terem milhares de CDs vendidos aqui no Brasil, a próxima aposta das gravadoras é um N'Sync, digo, Limp Biskit cover gravando CD. Essas gravadoras não aprendem. MP3 nelas, até se tocarem que o que queremos consumir é boa música, e não o resto do lixo cultural da humanidade.
Nem tudo é tristeza na vida, os notívagos têm hoje o Lado B, que resiste bravamente na MTV e passa clipes de bandas independentes brasileiras. É de 1:30 às 2:30 da madruga.
Escrito por Costello 17:03
Um momento esperado por muitos. Não, não é o primeiro post sobre o Costello verdadeiro. Mas é uma foto minha, capturada no histórico show de segunda-feira. Antes disso, em um momento auto-congratulatório, deixa eu mostrar aqui, pros que não foram, o que dois blogueiros tiveram a comentar sobre o show:
Fala o Dudus, do Blog do Dudus:
Fala o Fábio Lima, do Refresco de Tamarindo:
Só me resta agradecer, e em nome da verdade dizer a todos os leitores fiéis do Ouvido Penico, com quem já estabeleci uma bonita relação de confiança: A não ser pelos elogios ao Wolverine e ao Flavius, que realmente são merecidos, esses caras estão completamente malucos.
Bem, agora o grande momento, e possivelmente o post, entre todos, que vai me fazer perder mais leitores. Esta foto foi tirada pela Andréa, que é cantora e guitarrista da Pólen, banda que compartilha o baterista Leo com a gente. Esperamos poder abrir algum show deles em breve. Ela capturou este momento onde eu estava vociferando "3 Homens Cegos". Cliquem para ver a foto num tamanho maior, e finalmente ponham um rosto nas asneiras que vocês lêem por aqui:
Ah, o cara ali no fundo é o André, nosso guitarrista. Para ficar sabendo de mais fotos, assim como mp3 de ensaios, letras de músicas, datas de shows e demais materiais dos Hereges, por favor cadastrem-se deixando o email lá no nosso quase-site www.hereges.com.br. A idéia é não desviar demais o Ouvido Penico com estas coisas, a não ser, é claro, que acabemos virando um fenômeno Pop... No site da banda, quando estiver pronto, vai rolar o blog próprio pra isso, todos os posts do "Rock Horror Reality Show" vão pra lá. Ou não? E aí, o que vocês acham? Continuo falando da banda por aqui ou crio um blog específico?
Escrito por Costello 05:56
Sons captados Terça-feira, Julho 15, 2003
Rock Horror Reality Show - Acompanhe a saga real de uma banda do underground carioca
Ok, Rolou o grande (Ou nem tanto) show e finalmente posso voltar a me dedicar às besteiras de sempre. Perdoem-me pela recente falta de assunto, mas serve para vocês saberem que os preparativos para um show impedem totalmente um cidadão de assistir TV, ler ou ir ao cinema, e também sair com a esposa, ter amigos, dormir...
Valeu muito a pena, porque o público foi surpreendente. Segundo cálculos da PM, pode ter chegado a umas 100 pessoas. O Ballroom é grande e isso não parece grande coisa, mas seria lotação esgotada em praticamente qualquer barzinho do Rio onde exista um palco. Obviamente o público era o das 4 bandas, de qualquer forma sempre achei que a melhor solução para fazer shows interessantes para o público é juntar uma turma no palco.
Muitos amigos foram, inlcusive um que levou a mãe, que aparentemente gostou. Deixa eu fazer aqui uma menção honrosa a leitores do Ouvido Penico que deram o ar da graça: In Hiding, que melhorou do seu mal-estar e assim pudemos nos conhecer pessoalmente e o Fábio Lima, que já conhecia, e disse que não ia. As orelhas dos dois estão na galeria da fama aqui do blog, a do Fábio é aquela meio carcomida. O Fábio é guitarrista dos Paralelos, e está na nossa pauta conseguir reunir estas bandas em um evento de pura celebração dos blogs. O homem também tem um vasto arsenal de CDs e MP3, a cultura musical dele não é brincadeira. Se duvidam, dêem um pulo no blog dele e sintam a setlist que ele preparou para uma festa junina. Alô Fábio, alô In Hiding, foi muito, muito bacana mesmo tê-los por lá. Blog pode ser coisa de nerd egocêntrico, mas sei que vale quando por causa dessas mal-traçadas linhas acabo conhecendo gente legal. Outra figura foi o Dudus, blogueiro amigo do Ricardo, que veio dar um alô. Ele ficou fazendo o mesmo que eu faço, depreciando o próprio blog, mas eu fui lá e achei engraçado. Ainda revelo aqui que lá vocês poderão ver uma foto do Ricardo Wolverine, grande pianista dos Hereges, que o Dudus chama de "Dinhu". Visitem já.
Conseguimos botar o pré-site no ar, mesmo faltando acertar alguns detalhes. Confiram em www.hereges.com.br. Lá só tem o espaço para cadastrar os emails de gente interessada em notícias heréticas. A tendência é tirar o Rock Horror Reality Show daqui e passar pra lá, assim só quem está interessado nos Hereges lerá sobre nós, deixando de contaminar a alta literatura do Ouvido Penico com essas coisas menores.
O show em si foi melhor do que eu esperava em termos de resposta de público. Os amigos palhaços ficavam gritando que nem tietes, mas fiquei de olho na turma que eu não conhecia. Achei a receptividade boa. Tinha mesmo um pessoal dançando, o que é raro. Os covers This Charming Man, Aerials e Quem Sabe ajudam a animar, são músicas maravilhosas. Fiquei muito feliz com a aprovação que senti nas nossas composições. Santa Heresia, Alice, A Praia, 3 Homens Cegos, Popular, todas tiveram resposta por parte da turma. Ainda na minha saga para tentar definir nosso som, fiz umas enquetes, para ouvir respostas do tipo: "Vocês jogaram muita coisa no liquidificador" ou "Não é barulhento, mas tem muita agressividade" (Gostei disso). O Gustavo, batera da outra banda do André (Guitarrista) e que nos fez o imenso favor de fotografar o show, deu a melhor definição em uma frase: "É um Pop estranho". Gostei disso ainda mais. Acho que é por aí mesmo. Pop, mas estranho. Estranho, mas Pop. Me parece um belo caminho musical, garoto dos anos 80 que sou.
De resto, nosso pianista Ricardo Wolverine veio me contar que o comentário geral foi... Que eu sou mesmo a cara do Marcos "sopapo" da novela. Com licença, que estou indo fazer a barba.
Escrito por Costello 10:34
Sons captados Segunda-feira, Julho 14, 2003
Rock Horror Reality Show - Acompanhe a saga real de uma banda do underground carioca
Só pra não perder o hábito, prometo que hoje é o último dia: 
No Rio não para de chover, o que em geral atrapalha a presença de público, mas estamos apostando que apreciadores de boa música não se deixam desencorajar pelo medo de água. Para quem ainda não tem certeza se vai ou não, fiquem sabendo que:- Para poder tocar, o nosso guitarrista André adiou uma passagem aérea para Recife comprada faz tempo, ficando com o prejú da remarcação, perdendo férias na praia e ainda por cima a namorada por uns dias, já que ela foi na frente, sozinha.
- Estou correndo atrás que nem maluco há 3 dias pra gente ter algum tipo de site no ar. No sábado à noite bolamos um design simples o mais rápido possível, esperamos não passar vergonha. Registrei domínio, achei provedor, falta pagar, receber a senha, fazer upload do arquivo Flash e do script de cadastro, além de ainda ter que descolar um guestbook. Tudo na segunda. Ufa.
- Com tudo isto no ar, ainda falta bolar o cartãozinho com o endereço para distribuir, gerar o arquivo com vários e ir num bureau para imprimir. Ufa, ufa.
- Fora a grana de provedor e cartões, terei que comprar o filme para um amigo poder fotografar o show.
- Fiquei sem cortar o cabelo e fazer a barba, para ficar bem bunito, desagradando a esposinha, mais chegada na minha versão asseada.
- Já o Ricardo Wolverine tá de cabelo cortadinho, mais galã do que nunca.
- Neste fim de semana ensaiamos durante 6 horas, incluindo sexta à noite, quando estava com febre.
- Estou me enchendo de remédios para a garganta e nariz pra ver se me desentupo porque outra gripe me pegou de jeito. Nem fui jogar bola hoje pra não piorar minha condição, desfalcando meu time de seu melhor artilheiro. Não sei se serei perdoado pelos companheiros de pelada.
Viram? Tudo isso por vocês!
Ensaiamos pela última vez antes de nossa grandiosa estréia. Fizemos uma simulação da set list, pareceu funcionar bem e está dentro do horário previsto. Leitor do Ouvido Penico sabe de tudo antes, então os covers serão (tchan-tchan-tchan-tchaaaan):This Charming Man, Aerials e Quem Sabe. Obrigadão aos que votaram nos ajudando a escolher. O resto inclui Popular e Alice, que é a música que deu origem à banda, mas deixa eu falar de A Praia. Vai ser a terceira música na seqüência. Tem um refrãozinho gostoso de cantar, então deixa eu postar aqui a letra pra quem for no show poder ter este enorme prazer (Acho que estou me excedendo aqui, mas deve ser a adrenalina de véspera de show). É moleza decorar, e desopila pra caramba cantar isso bem alto:
Deixe-se levar
Pro fundo do mar
Pra não escutar mais nenhum som
Vamos festejar
A areia vai enterrar
Nossa ilusão de um mundo bom
Até o show!
Escrito por Costello 00:35
Sons captados Sábado, Julho 12, 2003
Rock Horror Reality Show - Acompanhe a saga real de uma banda do underground cariocaO ensaio de ontem foi um dos melhores da história da banda. A empolgação pra estréia no Ballroom está muito alta, todo mundo esmerilhando, tocamos alto, se tem uma coisa boa de assistir é a performance de uma banda quando está feliz. Se bem que um outro fator ajudou muito: Teve um ensaio no estúdio antes do nosso, uma banda só de garotas. Chegamos lá, montamos tudo, e elas lá. Algumas me reconheceram de outros lugares que cantei por aí. Cheguei a cantar um cover do Korn com a guitarrista em um showcase da escola de música. Eles quiseram ver o ensaio enquanto o táxi não chegava.
Elas eram roqueiras, tocamos Aerials. Chegava a ser engraçado, eu e o guitarrista, comprometidos, tentando ficar blasé, mas o resto da banda dando muito mais gás que o normal. Eu nunca tinha visto o Leo fazer tanta firula na batera. Acabou a música, elas aplaudiram... Ganhamos a noite. Convidamos pro show, elas foram embora, deixando suspiros de alguns da banda. Comentei com o Leo que queria ver se ele ia tocar bem assim no show se elas não fossem, pra ter que ouvir a resposta: "Tocar bem, não há dúvidas, eu sempre toco bem, o que pode mudar é o número de viradas e o quanto eu vou querer me mostrar..." Músico consciente e confiante é isso aí. Quem for no show, que seja o fiscal do Leo. Se ele não deixar todo mundo boquiaberto (Técnica pra isso ele tem), podem subir lá no palco e dar um cascudo.
Set List quase definida, agradeço os palpites, mais tarde posto por aqui. Por hora posso dizer que decidimos por um show mais pesado.
Escrito por Costello 15:42
Passam os anos e o MTV Rock Gol continua sendo um dos programas mais bacanas da TV. O Bonfá e o Bianchi são realmente engraçados, com uma capacidade inesgotável de improvisar piadas espinafrando os patéticos jogos de futebol mostrados. Bom demais, e ainda acho interessante ver os músicos fora do ambiente normal de entrevistas agendadas, dá pra sacar bem melhor como eles são.
Dá até pra classificar em categorias, como "Os sem-noção deslumbrados que se acham roqueiros à beça", caso de Sideral, que mesmo com um cabelo moicano e sinalzinho de Heavy Metal pra comemorar gol, continua sendo apenas o irmão menos talentoso do Rogério do Jota Quest (Se é que isso é possível). Segundo o nosso tecladista Ricardo Wolverine, um dos Detonautas (Pra mim eles são todos iguais) também se encaixa perfeitamente acrescentando os inevitáveis gritinhos de "Rock'n'Roll" e a língua de fora.
Tem "Os Doidões", os integrantes são óbvios demais, não seria correto eu fazer troça dos rapazes pois o vício é um problema pessoal muito duro, que afeta as famílias brasileiras e preocupa deveras nosso governo e o pessoal do Fantástico. Só me resta desejar que eles perseverem em suas lutas.
Tem também uma categoria especial, "Os Tony Garrido". São aqueles caras que nas entrevistas são sempre simpáticos, vaselina, acham tudo lindo, em suma, não são Michael Jackson mas são os amiguinhos da garotada. Porém, nos campos de futebol, se transformam em pessoas totalmente diferentes: Metidos, dados a ataques de estrelismo, sempre com algum acessório ou cabelo bizarro para chamar a tenção da torcida. Quando o jogo começa, fazem uma pose de lorde, falam o tempo todo, apontam o jogo, se auto-elegem os líderes do time e do jogo, pois reclamam com o juiz o tempo todo, ai dele se não marcar o que o que só o onisciente vê. Se jogam no chão sozinhos de modo espalhafatoso e ficam reclamando de falta, como se não pudessem acreditar que alguém possa tomar a bola deles. Um lance do último jogo que vi foi particularmente revelador. O deus tenta um drible, erra, o adversário sai com a bola, o deus sai correndo atrás e acerta um bico no cara, derrubando-o e possivelmente machucando-o, para obviamente, magnânimo como é, pedir desculpas, fazendo um carinho no rosto do agredido. Em peladas normais isso é sinal de mau-caratismo, e seria revidada com um soco na cara. Quer parar a jogada então segura pela camisa, se agredir é porque quer levar de volta. Os músicos são pacatos demais. Bem, como estou fazendo uma corrosiva e dura crítica a esta categoria, correndo o risco de ser processado por uma indenização que não posso pagar, jamais revelarei quem acho que é o... Opa, quer dizer, são os integrantes. Infelizmente terei que deixá-los neste suspense, sem dar nenhuma dica a respeito de quem é... Digo, são.
De qualquer forma, o mais impressionante do Rock Gol acontece nos intervalos: O mesmo molequinho bocudo aparece em praticamente todas as propagandas! Só muda a roupa e cabelo. Parece que estamos assistindo à versão publicitária de "O Mistério de Irma Vap". Fiquei com preguiça de anotar, mas de cabeça sei que ele protagoniza os anúncios de Coca-Cola, MSN e Halls. Ou ele é uma revelação de ator genial muito acima de todos os outros, eclipsando todos os demais nos castings de agências, ou é filho de alguém importante. Ou amante, vai saber.
Escrito por Costello 15:22
A decadência, mais uma vez. O Ouvido Penico não está mais na home do blogger. Vai ser divertido ver quantos dos milhares que pintaram aqui vão continuar voltando pra terem seus ouvidos feitos de penico, e o quanto as visitas diárias vão diminuir. Este blog é um documento vivo sobre a efemeridade da fama. Só me resta agradecer aos poucos que estão por aqui, e torcer para que seja a diminuição do blogueiro para a ascensão do Rock Star.
Escrito por Costello 15:21
Sons captados Sexta-feira, Julho 11, 2003
Nem acredito
É isso aí, este que vos escreve finalmente vai botar a cara nas ruas e a voz nas praças. Os Hereges pregarão pela primeira vez. A revolução vai começar.
O lugar é bom, o preço é só 10 pilas que você terá o direto de gastar integralmente no bar, o que não deixa de ser um benefício. As outras bandas são ótimas, com quem os Hereges não são dignos de dividir o palco, mas cometeremos também esta infâmia, pois estamos aqui para isso mesmo. Não estamos falando de um acanhado evento underground, estamos falando da música carioca de estirpe, meus irmãos! E aí, quem vai?
Hoje temos reunião, postarei a Set List aqui. Que tal uma coleta de comentários? Estamos selecionando ainda os covers, então escolha 1 (Se quiser ouvir mais música nossa) ou 2 dentre os covers:- Aerials - System of a Down
- Quem Sabe - Los Hermanos
- This Charming Man - The Smiths
- #41 - Dave Matthews Band
- Tonight - Smashing Pumpkins
- Mmm Bop - Hanson
- Egüinha Pocotó - MC Serginho
- Quando o sol se for, meu amor, linda eu vou te levar, sei lá o quê, lá lá lá - Detonautas
...Pensando bem, acho que não tocamos essas todas não. Sei lá, escolham aí.
Escrito por Costello 16:18
HEREGES - A Primeira Blasfêmia.
Pessoal que curte um Rock, está confirmadíssimo o show que marcará a estréia dos Hereges em palcos cariocas. Segunda-Feira, dia 14 de Julho de 2003, isso mesmo, é essa segunda agora, às 20h no Ballroom. Participação também de Jardins de Inverno, Go! e mim. Maiores detalhes, como a entrada gratuita(!!) em um post futuro. Quem sabe posto a Set List também.
Eu diria qual é o nosso estilo, se eu soubesse. Gostaria que vocês fossem lá pra me dizer. Já ouvi comparações do tipo de som com Los Hermanos e Ira. Formação de guitarra, baixo, batera e piano, com 3 vozes.
Escrito por Costello 02:18
Sons captados Quinta-feira, Julho 10, 2003
Veja o filme, leia o livro, abra a mente. O Stupid White Men do Michael Moore consegue ser ainda mais ácido que Tiros em Columbine. É o mesmo estilo, misturando fatos (Embora alguns críticos contestem a veracidade de coisa ou outra) e espinafrando as peças do poder americano. Este livro está para a política como o Princípio Dilbert do Scott Adams está para as teorias de administração, onde a maneira escolhida para criticar e sugerir soluções sérias a problemas difíceis gerados pela imbecilidade de nossos tempos é fazer o leitor rir, se informar e se indignar ao mesmo tempo.
Transcrevo aqui uma parte do capítulo "Matem os Branquelas" que dispensa maiores comentários:
"Também somos muito adeptos de aprender - e furtar - a cultura negra. Nós a cooptamos, fazemos com que passe por um liquidificador branco, e a tornamos nossa. Benny Goodman fez isso, Elvis fez isso, Lenny Bruce fez isso. A Motown criou um som completamente novo e depois foi seduzida a mudar-se para Los Angeles, onde retirou-se e abriu caminho para os grandes astros pop brancos. Eminem admite que deve muito ao Dr. Dre, Tupac e Public Enemy. Os Backstreet Boys e o N'Sync estão em dívida com Smokey Robinson e The Miracles, The Temptations e Jackson Five. Os negros inventam, nós nos apropriamos."
Leia aqui um trecho de um dos capítulos mais fortes, "Caro George".
Escrito por Costello 02:11
O GNT está passando uma série de programas sobre trilhas sonoras de filmes. Primeiro um rápido comentário: Posso não ter Cinemax e HBO, mas não abro mão da NET só por causa do GNT, que me recompensa regiamente com seus documentários de primeiríssima.
De volta às trilhas, os programas, separados por temas, são prato cheio para quem se interessa pelo assunto. Assisti outro dia ao programa dedicado à comédia, comecei a ver exatamente quando estavam falando da trilha imortal e genial do Henry Mancini para a Pantera Cor-de-Rosa. O que chamou minha atenção a partir daí nem foi tanto a música, mas sim a seleção monumental de jóias do riso: O já citado filme do Inspetor Peter Sellers, Young Frankenstein do Mel Brooks, Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (O primeiro), Vida de Brian do Monty Python, o dark mas não menos querido Brazil, o Filme... É de ficar de joelhos.
Hoje em dia só me pagando alto alguém me arrasta pra ver "comédias" atuais no cinema, acabo saindo com o humor pior do que quando entrei. Foi bom relembrar estas pérolas. Fica a dica a quem consegue gargalhar com "Quem Vai Ficar com Mary": Se quiser ter a grata experiência de saber que rir muito mesmo e estimular o cérebro ao mesmo tempo é possível, experimente alguns, ou todos estes filmes. Deixo-os com a transcrição de uma das cenas de A Vida de Brian, que peguei aqui.
 CROWD OF WOMEN: [yelling]
JEWISH OFFICIAL: Matthias, son of Deuteronomy of Gath.
MATTHIAS: Do I say 'yes'?
STONE HELPER #1: Yes.
MATTHIAS: Yes.
OFFICIAL: You have been found guilty by the elders of the town of uttering the name of our Lord, and so, as a blasphemer,...
CROWD: Ooooh!
OFFICIAL: ...you are to be stoned to death.
CROWD: Ahh!
MATTHIAS: Look. I-- I'd had a lovely supper, and all I said to my wife was, 'That piece of halibut was good enough for Jehovah.'
CROWD: Oooooh!
OFFICIAL: Blasphemy! He's said it again!
CROWD: Yes! Yes, he did! He did!...
OFFICIAL: Did you hear him?!
CROWD: Yes! Yes, we did! We did!...
WOMAN #1: Really!
[silence]
OFFICIAL: Are there any women here today?
CROWD: No. No. No. No...
OFFICIAL: Very well. By virtue of the authority vested in me--
[CULPRIT WOMAN stones MATTHIAS]
MATTHIAS: Oww! Lay off! We haven't started yet!
OFFICIAL: Come on! Who threw that? Who threw that stone? Come on.
CROWD: She did! She did! He did! He! He. He. Him. Him. Him. Him. He did.
CULPRIT WOMAN: Sorry. I thought we'd started.
OFFICIAL: Go to the back.
CULPRIT WOMAN: Oh, dear.
OFFICIAL: Always one, isn't there? Now, where were we?
MATTHIAS: Look. I don't think it ought to be blasphemy, just saying 'Jehovah'.
CROWD: Oooh! He said it again! Oooh!...
OFFICIAL: You're only making it worse for yourself!
MATTHIAS: Making it worse?! How could it be worse?! Jehovah! Jehovah! Jehovah!
CROWD: Oooooh!...
OFFICIAL: I'm warning you. If you say 'Jehovah' once more--
[MRS. A. stones OFFICIAL]
Right. Who threw that? [silence] Come on. Who threw that?
CROWD: She did! It was her! He! He. Him. Him. Him. Him. Him. Him.
OFFICIAL: Was it you?
MRS. A.: Yes.
OFFICIAL: Right!
MRS. A.: Well, you did say 'Jehovah'.
CROWD: Ah! Ooooh!...
[CROWD stones MRS. A.]
OFFICIAL: Stop! Stop, will you?! Stop that! Stop it! Now, look! No one is to stone anyone until I blow this whistle! Do you understand?! Even, and I want to make this absolutely clear, even if they do say 'Jehovah'.
CROWD: Ooooooh!...
[CROWD stones OFFICIAL]
WOMAN #1: Good shot!
[clap clap clap]
Escrito por Costello 00:05
Sons captados Quarta-feira, Julho 09, 2003
Parem as máquinas, que pintou uma nova notícia urgente que vai mudar o mundo como você o conhece.
Os Hereges, essencial e seminal banda deste que vos escreve, vai finalmente ter seu show de estréia!
A noite histórica será nesta segunda, 13/7 14/7 - O pessoal que me enviou o convite pra tocar errou a data! - no Ballroom. Vou fornecendo maiores detalhes aos poucos, mas enquanto isso podem ir separando a data e organizando suas caravanas. Ia ser demais nos conhecermos pessoalmente nesta data querida, muitas felicidades, muito anos de vida. E aí, espero vocês lá?
Escrito por Costello 18:41
Andei lendo por aí que kit.net não pode ser acessado de fora do Brasil. Por incrível que pareça, minhas verificações rotineiras nos IPs revelam que esse blog tem leitores estrangeiros, incluindo um do Japão que acessa quase todo dia. Como não quero contribuir para a exclusão digital, mudei a galeria de orelhas para outro provedor. Confira esta idéia que está revolucionando a web.
...Aliás já mandou sua orelhinha? A fama te espera! Basta enviar uma foto da sua orelha em formato JPG, de preferência em 150x150 pixels para . Ou então envie uma foto qualquer onde sua orelha esteja visível que eu mesmo edito, o que ainda me dá a oportunidade de ir conhecendo a cara dos nobres leitores.
Escrito por Costello 05:04
Rock Horror Reality Show
Surpresinha pra vocês, bravos leitores do Ouvido Penico. Em primeira mão, o som dos Hereges, e minha não muito maviosa voz de rinite alérgica. Tirei dois pedaços de covers que gravamos no último ensaio, assim vocês poderão ouvir e ficar me xingando aqui nos comentários (Para baixar pode ser melhor clicar no link com o botão direito e escolher "Salvar" ou coisa que o valha):Essas devem ser as primeiras de uma série. Ganhei meu primeiro salário depois de 7 meses de penúria, vou comprar o microfone pra fazer umas gravações caseiras. Isto é uma ameaça.
Escrito por Costello 05:02
Falando em trabalho, um amigo mandou essa tirinha:Com certeza ele enviou pra mim porque sabe que comigo essa piadinha foi verídica. Eu tava insatisfeito, procurando alguma coisa num caderno de empregos, e achei... A minha própria vaga anunciada! Os caras tentaram disfarçar um pouco o anúncio, mas não teve como não sacar. E ainda por cima pediam umas qualificações que eu não tinha. Acho que foi porque eles não tinham a menor idéia do que eu fazia na empresa. Se quiserem mais, saibam que isto aconteceu no meu primeiro dia de férias.
Não pude nem reclamar, porque não acho que exista jeito mais engraçado de saber que você será demitido.
Escrito por Costello 05:02
Segundo o site Whiplash, 9 de julho é um dia histórico. Por exemplo, em 1964, The Animals chegou com sua House of the Rising Sun ao topo das paradas britânicas. Em 1971 Jim Morrison era enterrado em Paris, para se tornar uma lenda. Paul McCartney começou em 72 sua primeira turnê com os Wings após o fim dos Beatles. Em 95 o Jerry Garcia fez o seu último show com o Grateful Dead, morrendo um mês depois. Se não me engano nesta época eles só perdiam pro grande Charles Schulz (Que desenhava o Peanuts) em faturamento com entrenimento.
Mas o fato mais bacana deste dia, que o torna histórico, foi mesmo esse aqui:
É ou não é um sonho? Quem me dera. Já até trabalhei em empresa de cosméticos... A única coisa que me consola é saber que o Costello era (E é) um gênio, um monstro da música com um talento assustador, de quem não sou digno de arrumar os óculos.
Quem visitar o Whiplash ainda vê uma ótima biografia do ídolo de sempre Roy Orbison.
Escrito por Costello 04:59
Sons captados Segunda-feira, Julho 07, 2003
Passou especial da MTV com o Audioslave, com direito a imagens de um show em cima da marquise do teatro do Late Show do David Letterman (Que aliás semana passada teve ilustre presença de Nick Cave & the Bad Seeds) e uma entrevista feita pela VJ Sara.
Parecia bacana, mas:- O áudio do show estava completamente remixado, remasterizado, quem sabe até regravado. Só sei o que não era: Áudio de show ao vivo. Ficou parecendo mais um videoclipe do que um show. A MTV está de brincadeira se acha uma boa idéia movimentar toda a infra pra um show desses e aí insultar o espectador com um som totalmente mexido em estúdio. Ou será que eles já tem a comprovação de que o espectador médio da MTV nem nota a diferença?
A Sara deve ser legal pra entrevistar o N'Sync e cantar toda felizinha as músicas do Jota Quest nos Luaus, mas aquele jeitinho deslumbradinho de fã adolescente não cabe pra bandas mais sérias. Os caras estavam nitidamente constrangidos e de saco cheio das perguntas e comentários bobinhos.
- Aliás, falando nela, vou dar aqui o caminho das pedras aos míopes marqueteiros de cursos de inglês. Peguem aquela bolsa que vocês vivem oferecendo em telefonemas inconvenientes para a minha casa e dêem já para a Sara. Quem sabe não rola até anúncio na MTV em troca. A menina está realmente necessitada. Assim todo mundo fica feliz.
- O baixista Tim Commerford, num momento de empolgação, disse que o segundo álbum deles será o mais importante da história do Rock. Hã??? De qualquer forma ele tem umas tatuagens muito impressionantes, com mais umas duas ele concluirá o processo de transformação inversa à do Michael Jackson, se tornando oficialmente o primeiro caucasiano que conseguiu obter a pele negra.
- Um amigo meu, fã da banda, já definiu: O guitarrista Tom Morello, com aquelas camisas de gola e o chapéu, parece um trocador de ônibus. E não é que é mesmo?
- E o bigodinho de cantor de bolero do Chris Cornell? E a largura da face do batera Brad Wilk? Isso aqui não é revista feminina e vou parar de tirar sarro da aparência dos caras, mas eles é que pedem, afinal essas coisas são bem mais marcantes que a música retrô-setentista que eles fazem.
Escrito por Costello 22:34
Imaginem alguém te convidar para um filme com o seguinte enredo: Uma mãe e todos os seus filhos, menos um, morrem. O viúvo tenta a duras penas criar este único filho, que nasceu aleijado. O pai tem uma relação de super-proteção com o menino, ensinando que o mundo é perigoso, não o deixando viver sua vida. Num ato de rebeldia, o filho resolve desrespeitar os limites impostos, para ser raptado e condenado à morte em uma semana, se algum milagre não acontecer...
RÁ, RÁ, RÁ! Já está rindo? É uma comédia engraçadona, ou vão jurar isso, se ao menos você engolir essa história mais adequada a uma subtrama de Carrossel. Pra quem não ligou o enredo ao filme, estou falando simplesmente de Procurando Nemo, a última animação em computação gráfica dos magos da Pixar. Meu Deus, acho que vamos precisar de novos roteiristas.
Vamos deixar uma coisa clara: Nerds amam animações. Computação gráfica então nem se fala. Eu ainda lembro com carinho de um trabalho de faculdade, programando a álgebra linear em C que gerou a figura de duas esferas espelhadas refletindo uma foto, com 2 focos de luz. Só faltava falar. Quer dizer, se esferas espelhadas falassem. Mas estou digredindo. O que eu ia mesmo frisar é que idolatrei Toy Story, com personagens que transbordavam carisma. Me esborrachei de rir com Vida de Inseto, e suas gags impagáveis. Achei Monstros S.A. um dos melhores roteiros já escritos na história da animação, embora já fosse um pouquinho mais infantil. E não estou citando todos os curtas que já assisti em festivais. Eu não perco uma animação da Pixar, que se tornou rapidamente sinônimo do que há de melhor no mundo dos desenhos.
Não foi com outra expectativa que assisti Procurando Nemo. Começa o filme, e é tudo inacreditavelmente bonito. O aspecto da água, as luzes difusas, a movimentação dos peixes, e as cores, principalmente as cores. Os corais, anênomas, algas, animais, tudo é de um colorido tão bonito que se o Joãosinho Trinta estiver esperto já tem a cola pra o desfile campeão do Carnaval 2004. Várias cenas são maravilhosas, humilhando minhas esferas e me lembrando que foi bom eu ter desistido da computação gráfica enquanto ainda era cedo. Como de costume, muitas piadinhas rápidas e interessantes, e alguns personagens ótimos, como o trio de tubarões "em recuperação" do hábito de comer peixes, embora eles sejam representação ou de vegetarianos radicais ou, como uma determinada cena evidencia, de dependentes químicos, o que mais uma vez não deveria ser motivo de piada.
Mas a história... O primeiro parágrafo desta resenha entrega somente os 10 minutos iniciais do filme, obviamente substituindo as pessoas por peixes, mas espere, ainda há mais: O pai em sua luta desesperada para achar o filho une-se a uma "peixa" com problemas mentais. A cada 15 minutos mais ou menos eles vão morrer... Não, algo acontece e eles se salvam no último segundo. Vez após vez, perseguição em alta velocidade, e então uma liçãozinha de amizade e superação. Enquanto isso o filho, Nemo, contempla desesperado o destino mortal que o espera, preso num aquário com uns peixinhos histéricos. O único realmente engraçado é um camarão francês, que por uma nada sutil ironia xenófoba se dedica a limpar os outros.
Talvez eu é que tenha perdido a capacidade de achar adequado um desenho animado com um roteiro pautado em clichês de dramalhões mexicanos, calcando quase toda a comédia no tipo de piada que ironiza doentes ou estrangeiros. Creio que a fusão da Disney com a Pixar esteja finalmente surtindo efeito. A Pixar não tinha somente os melhores recursos de computação gráfica. Tinha também roteiristas de primeiríssima linha e diretores extremamente hábeis em transformar roteiros em imagens em movimento, incríveis e divertidíssimas. Quando a Disney comprou a empresa, pensei que seria interessante, já que a Pixar estava conseguindo um nível de competência que a Disney já tinha perdido há muito, e a união de forças poderia contribuir para melhorar os trabalhos dos dois estúdios. Mas agora vejo que aconteceu o contrário. A Disney só queria mesmo o filão de imagens em 3D aberto pela Pixar. E os mesmos roteiros mão-pesada, frouxos e preconceituosos que já assolavam suas animações tradicionais agora encontraram um novo meio, bonito à beça, para nos atingir. Capacidade de computação pura e simples pode ser facilmente copiada. O que vale ouro mesmo é um bom roteiro, o que Shrek e seu Oscar provaram. Mas a Pixar ainda tem suas qualidades, e fez o possível para embrulhar a coisa em imagens lindas e diálogos engraçadinhos com o intuito de te fazer acreditar que ainda está vendo a velha mágica ausente nesta produção.
Aliás, no site da Pixar já está no ar um teaser de The Incredibles, o próximo filme, mostrando um super-herói gordão tentando sem sucesso botar o cinto de sua fantasia. É engraçado e parece promissor, mas agora estou com o pé atrás, imaginando o quanto podem neste momento estar estragando esta boa idéia também. Parece que teremos que esperar a próxima animação da Dreamworks para assitir algo interessante. Ou nem tanto, A Viagem de Chihiro, com sua sutileza e história intrigante que faturaram o Oscar, estréia já, já.
Escrito por Costello 01:14
Sons captados Sexta-feira, Julho 04, 2003
Na falta de assunto melhor, andei lembrando de baladas bregas. Eu me amarro. Cheguei a fazer um songbook só disso pra tocar com os vagabundos no quiosque em frente à faculdade nos velhos tempos. Estou falando de coisas como Total Eclipse of the Heart da Bonnie Tyler, Out of Nothing at All do Air Supply, True do Spandau Ballet, até On my Own da Nika Costa (Quem lembra?) rolava. Em suma, brega internacional com muita classe.
Algumas eu tocava só pela farra, mas outras realmente fazem minha cabeça. Farei o que ninguém em sã consciência deveria fazer e confessar umas poucas baladinhas ridículas que eu adoro, na ordem em que me vêm à mente: - Save a Prayer - Duran Duran - Todo grupo tem uma música especial, onde tudo dá certo, a letra é boa, o arranjo é bom, o clima é perfeito. É aquela música destinada a ser melhor do que todas as outras da banda, não interessando quanto tempo mais eles fiquem juntos ou o que façam. O Duran Duran deu sua contribuição à humanidade com Save a Prayer. O solo de sopros sintetizados do começo é nada menos que histórico. Ô música irritante de tão perfeita.
- Don't Speak - No Doubt - Pois é. Antes de tentar se transformar em Aguillera cover a Gwen nos deixou esta pérola. Tolinha, mas eu não consegui cansar de ouvir. Embora tenha tentado com todas as forças, não consigo detestar a melodia legal, o jeito da Gwen cantar, os climas se alternando, o solinho de violão de nylon, o final desesperado. Hush, hush darling... Arrgh! O baixista Tony devia ganhar um prêmio especial por conseguir continuar tocando direito sabendo que ela fez e cantava a música pra ele.
- The Winner Takes It All - Abba - Tinha que ter Abba nessa lista. Quando o pianinho infamemente triste começa eu já viajo. Os oooh-ooh-ooh no fundo então... A balada foi feita pra "celebrar" o divórcio da Agnetha e Björn, é impressionante como eles transformaram até isso em mega-hit.
Tem outras, mas dou a deixa pra vocês engrossarem este rol da vergonha. Quem se habilita a confessar as suas?
Escrito por Costello 02:22
Sons captados Quinta-feira, Julho 03, 2003
Rock Horror Reality Show - Acompanhe a dura vida de uma banda de Rock em formação.
Gravamos o último ensaio. A idéia é transformar em CD demo, mas ainda precisamos ver se dá pra aproveitar. Nos ensaios normais, tocamos lindamente, nos achamos a melhor banda da história. Mas basta um camarada apertar Play-Rec que a gente começa a viajar na maionese. Uma vez o Leo errou totalmente uma batida, justo ele que é a maquininha rítmica da banda. No cover dos Smiths o André se embananou inteiro com o riff da guitarra que ele toca normalmente com o pé nas costas. O mais ridículo fui eu esquecendo como começava a letra de uma música que eu mesmo tinha composto. Precisou o pessoal da banda me dizer.
O que ouvi até agora não pareceu grande coisa. Pra quem não sabe, normalmente o volume normal de ensaio para um cantor é muito alto, principalmente se a sala do estúdio não for muito grande. Em suma, é necessário gritar um pouco no microfone pra banda inteira conseguir te ouvir. E foi exatamente isso que ficou registrado, um cantor histérico abafando os instrumentos, que ficaram lá atrás. Muito esquisito, e algumas notas mais difíceis saíram desafinadas, ou na versão chique de quem é metido a músico, eu "semitonei" várias vezes. Sei não. De qualquer forma acho que ficou um belo registro do pessoal improvisando na #41 do Dave Matthews Band. Eu não gostei da minha interpretação, mas a parte instrumental ficou tão bacana que eu não ia ser o estraga-prazer de mandar gravar de novo.
Sábado nos reunimos para ouvir juntos a gravação e decidirmos o que fazer. Se valer, botamos em CD e começamos a correr atrás de shows, onde aliás espero conhecer vários de vocês, senão, semana que vem vamos gravar de novo. É fogo esse negócio de ficar meses num estúdio sem botar a cara pra fora. Ter banda é tocar em público, e às vezes parece que nunca vamos conseguir. Paciência, paciência, é o que fico repetindo pra mim mesmo. Também vamos encontrar um cara que quer ser nosso produtor. Quando ouviu nossas músicas pela primeira vez, vaticinou: "Parece Los Hermanos!". Como compus totalmente baseado em outras referências, a maioria do Rock inglês dos anos 80, me parece que alguma coisa estamos fazendo certo. Se ele falasse que parecíamos Detonautas ou CPM 22 eu acho que desistia da música pra sempre.
Sexta vou dar um gás no nosso site. Inventamos um design rápido e não muito complexo. Vamos ver se funciona.
Escrito por Costello 01:22
Sons captados Terça-feira, Julho 01, 2003
Seja você também uma estrela! O Ouvido Penico agora proporciona aos seus leitores uma fantástica oportunidade de mostrar ao mundo como você o escuta. Não é sorteio, não é concurso, todo mundo ganha! Já está no ar a nossa incrível Galeria de Leitores, com lindas fotos de suas orelhas, e não é só isso - Você ainda terá um link direto de sua orelha à sua voz na web, ou seja, o seu blog. Desta forma você usufruirá também em seu site da incrível popularidade deste veículo sem igual que é o Ouvido Penico.
Visite já a Galeria para se informar como participar. Não perca esta chance!
...Eu sei o que vocês estão pensando. Falta do que fazer é um barato!
Escrito por Costello 23:18
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