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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

A trilha sonora deste blog está na Rádio Ouvido Penico na Usina do Som. O Som Punk, New Wave e Pop dos anos 80 com algumas esquisitices extra.

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Sons captados Quinta-feira, Agosto 28, 2003


Caramba, vocês viram o VMB? Pois é, nem eu. Somos felizes, não?

Já faz um tempo que a MTV decidiu mirar numa faixa etária mais "teen" (utilizando um anglicismo perfeitamente dispensável típico de marqueteiros paulistas pra fazê-los achar que este post é sério), tacando na programação as boy bands da vida. Com isso, definitivamente virou uma péssima idéia adotar o voto dos espectadores como critério de qualquer premiação que seja. Porque o espectador da MTV é um pirralho que ainda está formando seu gosto musical, e este é um período muito confuso da vida. Basta ver o horror que é o Top 10.

Vamos combinar o seguinte: Moleques e moçoilas de 12 anos, mesmo que já tenham aprendido tudo sobre sexo com o Dr. Jairo-Cara-de-Coitado, não estão aptos para dirigir, votar pra pesidente e escolher o que é música boa. Eu não tenho nada contra ter 12 anos. Eu já tive 12 anos. E achei bem legal. Tanto é que minha idade mental parou mais ou menos por esta faixa. Mas concluí uma coisa muito triste. A MTV, ao deixar essa molecada ditar as regras do mercado (afinal um prêmio legitima um bocado a banda com seus patrões das gravadoras), está cometendo um ato de terrível crueldade. Ao contrário de mim, esta pirralhada quando crescer vai morrer de vergonha do que ouvia, tendo tristes lembranças desta idade. Não que eu esteja insinuando que tinha um gosto melhor do que o dos outros. Mas é que eu fazia o que todo garoto imberbe ainda deveria fazer: Descobrir o que o pessoal mais velho escutava, e tentar imitá-los. Isso sim é que era ser cool. Graças a isso, aos 12 anos eu ouvia Smiths, B-52's e Oingo Boingo, por exemplo. Tá, então alguns de vocês não gostam. Tudo bem, comparem com Detonautas, Charlie Brown, The Calling, CPM22, Linkin' Park... Sentiram o drama? Criança feliz sabe o seu lugar na sociedade, e acima de tudo escuta os mais velhos.




Sons captados Terça-feira, Agosto 26, 2003


Minha excessiva humildade me impedia de fazer isto, mas não consigo descansar enquanto não conseguir achar um meio de ganhar alguma coisa com os milhares de visitantes que têm pintado por aqui. Então lá vai:

CLIQUE AQUI para conhecer o pré-site dos Hereges. O que, meu amigo ou minha amiga, você ainda não conhece os Hereges?? Trata-se simplesmente da banda que irá revolucionar o Rock do Brasil em muito breve. No momento está no ar apenas um aperitivo, permitindo que você cadastre seu email para receber notícias frescas e saber de tudo antes. Temos um monte de fotos pra por no ar, fora as futuras gravações de ensaios. Vai lá, e no futuro, quando o mundo estiver curvando-se à nova música herética, você vai poder dizer que é um herege desde a época quando éramos uma pequena tribo no underground, imediatamente despertando inveja e admiração de todos.

Esqueça tudo o que pregaram antes. A nova doutrina dos Hereges vai salvar o mundo. Ah, sim, sou o cantor e um dos compositores da banda.



Uma coisa puxa a outra, já dizia Confúcio. Na verdade duvido que ele tenha dito isso, mas estou postando com uma frequência muito mais baixa que o normal, e queria um título dramático pra essa série de posts. Acabo de assistir "O Show Não Pode Parar". É um documentário contando a história de Robert Evans, legendário produtor de Hollywood, que escreveu o livro homônimo em inglês (Kid stays in the Picture). O filme em si lembra uma projeção de slides, basicamente um monte de fotos com a voz do Evans lendo trechos do livro ao fundo. Só algumas rápidas cenas de filmes produzidos por ele mais algumas músicas legais salvam o troço da monotonia total. E isso me leva à primeira digressão de muitas nessa história. Estou quebrando em vários posts, porque são vários assuntos, que podem dar pano pra manga em vários comentários, entenderam a idéia? Então podem comentar no post respectivo, pra coisa ficar organizada, e eu juro que vou lendo tudo e respondo, ok? Agora só não juro que os posts façam algum sentido.



Conhecem o Rotten Tomatoes? É um portal de críticas de filmes, pra mim um verdadeiro deleite, permitindo ter uma boa idéia do que esperar de filmes que ainda não estreiaram por aqui. Uma crítica particularmente desabonadora do filme (Que aliás teve em média críticas excelentes) diz que até o "Behind the Music" apresenta pesquisa mais aprofundada. Pra quem não está ligando o nome ao programa, é este o verdadeiro nome dos especiais de bandas que o Multishow passa à noite. Puro caça-níquel que não acrescenta um milímetro de fatos. Semana passada, por exemplo, passou um do grande Roy Orbison. Valeu apenas por uma filmagem dele bem jovem cantando Only the Lonely. Foi um barato ver o cara antes de adotar as roupas negras e óculos escuros, carinha de garoto mas já com aquela voz absolutamente inclassificável, única, arrepiante e sobrenatural. De resto, um bando de baba-ovos de autoridade questionável, como os manos Gibbs dos Bee Gees, dizendo o que todo mundo já sabe: Ele foi um artista impressionante, etc, etc. Nem um mísero fato sobre a vida do Roy é contado. Nem mesmo menção ao seu incrível cabelo. Grosso como uma carapaça, parece a peruca do Playmobil, em uma versão envernizada. Aliás, alguém por favor me avise se souber onde tem o DVD do "Black and White Night", é um histórico concerto dele com uma banda de apoio que contou com Bruce Springsteen, Elvis Costello, Tom Waits...



Falando em Springsteen e Costello (O homem, o mito, o ídolo), eles fizeram um cover de London Calling no último Grammy, pra homenagear o Joe Strummer. Participação de guitarras e vocais também de Dave Grohl e do Little Steven, guitarrista da E Street Band que acompanhava o Bruce nos áreos tempos de "Glory Days". O baixo ficou a cargo do ótimo Tony Kanal do No Doubt, pra quem aliás a Gwen escreveu a maioria das músicas do Tragic Kingdom, incluindo a baba Don't Speak. Na bateria, ninguém menos que Pete Thomas, batera dos Attractions, banda de apoio do Elvis Costello, mas isso vocês já sabem se estão lendo este blog. Vem aí o segundo capítulo da biografia dos caras, não percam! Enquanto isso, baixem já no Kazaa o vídeo deste número. É só procurar por "Grammy Tribute" ou "London Calling".




Voltando um pouco no Rotten Tomatoes, lendo as críticas dá pra concluir que Piratas no Caribe, que estréia sexta, deve ser um filme bacana, e Liga dos Cavalheiros Extraordinários, com Sean Connery e tudo, uma bomba. Uma pena, porque é um filme baseado em história do Alan Moore, e conta com personagens como o Homem Invisível, Mina Harker, Mr. Hyde, Alan Quartermain, Capitão Nemo e Dorian Gray. Todos são personagens de livros que embalaram minha infância e adolescência. Devorei praticamente todos os grandes clássicos de ficção que pude adquirir. Jules Verne, H.G.Wells, Haggard, Stevenson, Wilde, Dumas, Poe, Doyle... Todos são responsáveis por grandes momentos e grandes personagens que permanecem comigo. Aliás estes clássicos estão disponíveis para download aqui em formato PDF ou aqui em formato de Palm. Outro dia mesmo comprei O Coração das Trevas, de Joseph Conrad. Neste livro um marinheiro vai trabalhar em um rio no interior da África servindo a uma companhia de comércio de marfim, enfrentando os esperados perigos e encontrando a curiosa figura de Kurtz, o melhor caçador de marfim da empresa e idolatrado como um Deus pelos nativos. Foi legal sentir novamente o clima de ficção clássica em cenário exótico.

Este livro ainda inspirou o Apocalypse Now do Francis Ford Coppola, com o Marlon Brando no papel de Kurtz. Sobre o Coppola falaremos de novo abaixo. Como cultura inútil, o Brando apareceu pra filmar muito mais gordo que o recomendável para um personagem militar, o que fez o diretor decidir por vesti-lo de preto e filmar no escuro, deixando só sua cara de fora, em cenas que ficaram memoráveis.



Voltando mais ainda, o Robert Evans é uma figura e tanto, e o documentário me fez ter vontade de comprar o livro, que deve, ele sim, ser bom demais. A história do cara é incrível, e tem desdobramentos importantes pros meus eternos questionamentos sobre a arte. Ele decidiu que ia ser executivo de cinema, conseguiu o cargo de vice-presidente da Paramount Pictures, na época um estúdio sem muita importância. Ele resolveu investir em um diferencial para o estúdio. Então a conclusão foi que, imaginem só, um bom filme começava por um bom roteiro, então leu centenas de scripts até ser atraído por um que realmente parecia ser diferente. Para a direção, chamou Roman Polanski, um jovem polonês que tinha feito sua estréia em filmes de língua inglesa com "A Dança dos Vampiros" (Assistam! É fabuloso e de matar de rir). Com uma semana de filmagens, os executivos donos do estúdio já estavam descontentes com o andamento da coisa e queriam demitir todo mundo. Percalços como esse foram acontecendo o Evans driblando de um jeito ou de outro. Finalmente sua persistência e teimosia acabaram gerando "O Bebê de Rosemary", um dos maiores clássicos de todos os tempos. A história continua, e o cara ainda conseguiu bancar, sempre tendo que driblar as desconfianças e ameaças dos seus chefes, "Love Story", "O Poderoso Chefão", "Chinatown"... Como resultado a Paramount virou o maior estúdio de Hollywood. Mas isso não importa tanto. O que é realmente bacana é ver o legado que um profissional com amor pelo cinema pode deixar para o público. As pessoas respondem à arte feita com capricho. Quando o pessoal das gravadoras vai ver isto e passar a contratar gente do ramo?



O Evans foi o responsável pelo aparecimento do Francis Ford Coppola para o grande público ao concordar com sua escalação para O Poderoso Chefão, segundo ele justificada pelo fato de ser o primeiro filme sobre máfia dirigido por um italiano. Depois voltaram a trabalhar juntos em Cotton Club, que marcou uma briga judicial entre eles e a falência da Zoetrope, produtora do Coppola. Outro diretor que foi catapultado pelo Evans foi o já citado Polanski. Ele teve sua esposa, a atriz Sharon Tate (que esteve em A Dança dos Vampiros) assassinada aos 26 anos e grávida de 8 meses junto com outras 4 pessoas em uma mansão em Los Angeles, por membros de uma seita de malucos liderada por Charles Manson, entre outras coisas um compositor que já tinha sido gravado pelos Beach Boys. Foi desse cara que saiu o nome do travecão Marilyn Manson. Aliás é uma cretinice total o hype que rola hoje em torno do Manson original. Depois o Roman se envolveu em um escândalo sexual com uma menina de 13 anos e fugiu para a Europa. Seu retorno do ostracismo, embora ele tenha dirigido o ótimo Lua de Fel, só aconteceu recentemente, com a aclamação de O Pianista. Com isto concluímos que o tal do Evans é um pé-frio de primeira, sai pra lá!



O fato é que a Paramount já viu dias melhores, andou fazendo por exemplo, Tombraider 2. Lara Croft, minha amiga, minha amante, como você foi se meter nessa? Tantas horas passei com essa gata britânica explorando lugares incríveis e escapando das mais mortais armadilhas, sendo a pior delas o ciúme da minha esposa, e aí tenho que testemunhar tamanha decadência. Tentei ver o primeiro filme, não consegui, de tão chato que era. Fui no segundo, numa de "Não tô fazendo nada, vou pela farra". Nem assim rola. Deixa eu descrever uma cena:

Começa o filme, vemos uma festa de casamento em uma ilha grega. Todo mundo feliz, embora pra mim estivessem falando grego (ha, engraçado isso), aí começa um terremoto e caem uns pedrões de um morro. Aparece o título do filme formado pelas pedras. Sabem o que este terremoto tem a ver com o desenrolar da história? Absolutamente nada. Só rende uma explicação de "mudança de corrente marítima" que não tem a menor importância pro que vem depois, a não talvez para tentar mostrar como a Lara é mais esperta que todo mundo. A partir daí já dá pra perceber o tamanho da encrenca. Mas espere, tem mais. O diretor Jan de Bost, digo, De Bont, começa a imprimir seu estilo. O pessoal mergulha atrás de um templo perdido. Uma musiquinha de suspense... De repente e totalmente do nada aparece um tubarão de computação gráfica mal-feito pacas de boca aberta na direção da câmera, gritando! Juro que ele grita. Acho que o efeito esperado era dar um susto em todo mundo pra aumentar a emoção. Mas esse tipo de cena gratuita só dá raiva mesmo. Depois da inevitável descoberta do templo e recuperação de uma relíquia aparecem os vilões. A Lara toma uma flechada na perna. Briga vai, briga vem, e adivinhem: O templo começa a ruir. Assim como a minha esperança de ver algo que não seja um total clichê. Os vilões vão embora com os veículos disponíveis deixando a Lara a centenas de metros de profundidade, mas ela tem uma idéia: Pega a faca, e faz um corte no seu próprio braço. Mergulha, e logo o tubarão de desenho animado fareja o sangue e vem ver qual é. Aí a Lara acerta um direto de direita no focinho do bicho, que geme de dor. É, eu disse isso mesmo, o tubarão geme. Aí ela agarra a barbatana dele, que a leva a superfície. Um primor de lógica. Tantas horas vendo Animal Planet e só agora descobri que um tubarão, ao levar um cascudo, primeiro geme, e depois dá um bonde pra quem quiser até a superfície. Este maravilhoso mundo dos animais vive nos surpreendendo. Animais como os roteiristas que cometem uma cena como esta. E um diretor com o Jan de Bomba, digo, De Bont, que consegue tornar a coisa ainda mais deplorável. Ainda fica a pergunta, pra que cortar o braço se a Lara já estava ferida na perna? Deve ter algo a ver com as taras rituais que a Angelina Jolie praticava com o ex-marido e atual doidão Billy Bob Thornton.

Tem outra cena digna de nota, mostrando toda a sutileza do diretor Jan Nada de Bon, digo, Jan De Bont. Tem um pessoal andando devagarinho, em um lugar sinistro. Uma musiquinha pra dar um clima, e então: TCHAAAAN!!! E é só isso mesmo. Um barulhão bem alto. Nada acontece na tela. Acho que esta é melhor idéia deste celerado para adicionar suspense a uma cena. No próximo filme periga ele botar de vez em quando uma pessoa com uma máscara de caveira saindo de trás de uma árvora fazendo bú! para a câmera. Pelo amor de Deus, onde está o Charles Manson quando precisamos dos préstimos dele?




Sons captados Quinta-feira, Agosto 21, 2003


Eu ainda escrevo sobre cultura Pop em geral. Sei que houve shows do The Calling por exemplo, e que o Stratovarius vem aí. Mas me desculpem, só escrevo sobre música. O único clipe dos metaleiros que vi na MTV me fez rolar de rir. Um baixinho fazendo poses dramáticas com os cabelos esvoaçantes, cantando em falsete uma melodia que se não tivesse guitarra pesada atrás, seria digna de sertanejo. Música brega com cara de mau, taí um negócio que acho hilário demais. Perdão metaleiros, mas tem limite pra tudo.

The Calling... Mais uma banda que faz mais sucesso no Brasil do que lá fora. Precisa dizer mais alguma coisa? Eles estão na companhia, por exemplo, dos finados Information Society e Sigue Sigue Sputnik. Conhecem? Não percam seu tempo. Quando vi os primeiros cartazes do show da banda liderada pelo galã-alisamento, achei gozado porque só aparecia ele e o guitarrista na foto. Depois fiquei sabendo que o resto da banda... "debandou". Deixa eu entender. Uma banda finalmente faz relativo sucesso e aí 3 integrantes pulam fora? Tá ou não tá na cara que The Calling é mais uma armação de gravadora, estilo Avril, Spice Girls, etc? Fica parecendo que eram todos músicos contratados só pra apoiar o galã-chapinha...

Mas o assunto aqui é mais uma espécie de palhaçada tupiniquim. Todo mundo está comentando. Pois é, FlashMobs. Uma galera se junta do nada em algum lugar, faz uma coisa doida, e se dispersa. Quando li a primeira vez sobre o troço, achei genial. Primeiro porque mostra o poder impressionante de mobilização da internet. É mais um uso experimental da mídia que não pode ter seus resultados ignorados por quem se interessa pela área. Na base de e-mails que vão se espalhando, o pessoal fica sabendo onde e quando aparecer, e mesmo que seja para um feito ridículo e sem sentido, muitas pessoas acabam participando.

Segundo, estamos mesmo vivendo uma cultura tribal. Existe a geléia geral, e existem as tribos para onde os mais descolados tentam correr. Mas, ao contrário do que ocorria na revolução hippie dos anos 70, por exemplo, estas tribos não reivindicam mais nada. Foram absorvidas pela sociedade. Os nichos estão todos previstos e contidos. A única luta é para sobreviver nesse mundo maluco, e salve-se quem puder. Outro dia eu estava discutindo meus conceitos com um compositor e disse que acreditava na arte como missão, que queria que a música que faço pudesse fazer do mundo um lugar mais rico, que pudesse conectar as pessoas com uma realidade mais profunda. O cara me chamou de "pretensioso". Pô, já houve épocas onde qualquer artista pensaria como eu. Hoje nego quer só fazer música porque sim. Até a arte está ficando egoísta e defensiva. E aí vemos o surgimento de uma tribo que assumidamente não serve para nada, a não ser aumentar o nível de bobeira geral. Às vezes as melhores críticas são feitas antecipando a todo mundo o destino natural que iremos encontrar se algo não mudar. Quem, como um zangado articulista da Veja, ou o Xexéo do Globo, se irrita com o fenômeno, podia tentar ver a coisa por esse lado. A celebração da "burrice", como a Veja rotulou, é apenas natural neste início de século dominado por Bushes, Bin Ladens e outros jumentos.

Terceiro, tem algo bacana em sempre fazer estas performances em lugares públicos, no espaço urbano. Andar no centro da cidade do Rio chega a dar nervoso. Avenida Rio Branco por exemplo. Duas longas procissões nas calçadas, uma indo outra voltando. Todo mundo mantém a direita. Tem um camelô vendendo biscoitos. As pessoas se espremem pra passar. Alguns descem o meio-fio e vão pela rua, disputando o lugar com os carros. Sinal verde. O pessoal espera, e um bolo de gente vai formando. Sinal fechado, os mais apressadinhos arrancam na frente. Os bolos de gente se misturam, todo mundo na mesma velocidade. Atrás sempre tem um velhinho de muletas. O sinal abre, ele ainda está lá. O táxi buzina. Todo mundo está seguindo um tipo de convenção não escrita, mas que se repete dia após dia, no mesmo padrão. Estamos presos por regras invisíveis mas inexoráveis (putz, não me perguntem de onde tirei "inexoráveis"). Acho que é por isso que restaurante a quilo me dá um nervoso danado. Porque traz este comportamento para dentro do lugar também. Todo mundo de bandejinha laranja na mão. Salada primeiro. A mulher na frente fica meia hora escolhendo as folhas. A fila espera. Arroz. Feijão? Uma batata murcha. A parte de grelhados. Tem picanha? Põe o prato na balança. A mocinha dá uma fiscalizada no que você vai comer. Será que ela aprovou? Aliás ia ser legal se fosse uma nutricionista: "Não, não, tá tudo errado. Volta lá e pega mais proteína. E deixa esse ovo cozido." Aí em geral tem uma escada, você sobe equilibrando a comida e copinho de água mineral. Lá em cima um monte de gente de pé com a bandeja, o copo já virado em cima do prato, procurando lugar pra sentar. Quem chegou primeiro te olhando desconfiado e nervoso pra você não achar lugar antes deles. E todo mundo fuzilando os que já estão enrolando no cafezinho. Finalmente senta, começa a comer, toma uma cotovelada do espaçoso ao lado cortando sua carne. Termina e vai embora o mais rápido possível, pra ficar de novo em pé na fila para pagar... É tudo uma enorme prisão. Há quem chame estas coisas de progresso, mas a pressão por eficiência econômica está nos destruindo aos pouquinhos. E então aparece um bando de pessoas aparentemente comuns, nestes espaços com leis próprias, e burla descaradamente qualquer código vigente, fazendo algo sem nexo, mas inofensivo. Quem assiste se pergunta: Pra quê? Pra isso mesmo. Pra quebrar esta dança mecânica com um micro-cosmo (hoje estou demais) que segue momentaneamente outras regras.

Só que lá em cima eu chamei isso de "palhaçada". E é. Do jeito que está sendo feito aqui no Brasil, é. Dois grupos paulistas que avisaram a imprensa inteira sobre o que ia acontecer, disputando a "honra" de organizarem o "primeiro FlashMob do Brasil". Depois uns gatos pingados no Centro do Rio, todos vestidos de vermelho, também com a presença da imprensa. O organizador deu entrevistas "explicando o porquê" do vermelho, que é a cor disso e daquilo. A profissão dele? Diretor teatral. Não podia estar mais clara a intenção de auto-promoção. Nada contra, mas é ridículo a imprensa comprar esta idéia como FlashMobs. Sem a aleatoriedade, sem a aparente normalidade das pessoas, sem a súbita quebra da rotina, é só mais um bando fazendo sua manifestação. Só mais uma tribo, sem subversão. Não tem jeito. Certas idéias são feitas para não se espalharem. A coisa sempre acaba seguindo a agenda pessoal de alguém que não tem o menor compromisso com a idéia original.

Bem, se é que eu entendi a idéia original e não estou aqui só enchendo o saco com divagações. Acho que a conclusão deste post é que o que eu queria mesmo era um FlashMob dentro de um restaurante a quilo. Tá dada a idéia.




Sons captados Segunda-feira, Agosto 18, 2003


Ok, estou atrasado na agenda cinematográfica, mas tenho que falar de O Homem que Copiava. Todo mundo já elogiou pacas, então não preciso ficar aqui tecendo ainda mais loas. O mais legal deste filme é que ele prova duas coisas:

Primeiro, bom filme é praticamente sinônimo de bom roteiro. Sem um enredo bem escrito, não há diretor que dê jeito. Este é o problema universal no cinema. Há ótimos profissionais em todas as áreas técnicas, tanto aqui quanto lá fora. Mas tem cada roteirista que pelo amor de Deus. O Jorge Furtado tenta inserir uns maneirismos aqui e lá, uns cortes espertos, uns desenhinhos, mas isso irrita um pouco, porque o que dá mesmo vontade de ver é o desenvolvimento da história, bem amarrada, com personagens bacanas com interações pra lá de interessantes. Quando o diretor sai da frente fazendo o seu competente feijão com arroz e deixando a história e diálogos falarem por si, o filme brilha intensamente. Abro exceção pra cena da cortina japonesa, que é genial. Uma revelação crucial ocorre sem nenhum diálogo, pontuada por uma trilha sonora de música clássica que no início parece cômica, depois soa trágica.

Segundo, os atores são outra chave de qualquer filme. Não sei se eles garantem o sucesso final. Mas com certeza são capazes, se não juntarem o talento necessário, de afundar qualquer boa intenção. Hollywood ainda não sabe disso. Alguns brazucas embevecidos com certos artistas só viáveis em novelas, também não. Mas não é o caso aqui, o elenco é ótimo. Começando pela pior parte, achei um pouco cansativos o Pedro Cardoso e a Luana Piovani. O Pedro faz o mesmo papel de sempre, já vivido nos quadros do Fantástico, na Grande Família, etc. Não por acaso seu personagem se chama Cardoso. Porque ele é... ele mesmo. Sei lá. Pra quem gosta, pode ser uma boa. Mesmo assim não dá pra negar que ele acrescenta com competência o seu quinhão. Já a Luana... Devo dizer, para minha própria glória, que um emprego antigo me fez trabalhar com ela por um tempo. E devo dizer, para os poucos leitores masculinos deste blog desistirem daqui de vez, que não achava ela lá essas coisas. Meio grandalhona demais, meio cheio de rugas de expressão demais, meio sem sobrancelha demais. E atriz nada mais que esforçada. Lá está ela no papel de uma mulher fatal. Convence mais ou menos, exagera um pouco. Mas, santa mãe, como fotografa bem. Pela lente da câmera é uma visão das mais agradáveis...

...Mas jamais como a Leandra Leal!
Ah, esse sorriso de ladinho...
Agora sim a turma do futebol, que lê isso aqui, vai cair em cima de mim. Tá bom, os eventuais assinantes da Playboy e afins lembrarão que a menina podia fazer um regime. Ok, mas fazendo ou não, ela é uma fofura. Rostinho de boneca, um charminho assim de menina legal e lindinha que o sotaque pretensamente gaúcho só amplifica. Tem mulher que você quer casar, mulher que você quer conversar de madrugada, mulher que você quer atacar... Ela, você simplesmente quer levar pra casa. Só pra ficar ali, acessível, iluminando o lar, lembrando que a vida é bela. E precisava ser uma atriz maravilhosa?? Humilha este pobre artista amador, garota. A Leandra tem ainda uma produtora que andou organizando shows pro Cordel do Fogo Encantado. Ah, quando os Hereges tiverem demo... Vou lá entregar em mãos. E pedir autógrafo, beijo, tirar foto e tudo o mais que um tiete descabelado faz.

Resta ainda falar do Lázaro Ramos. Uma linha basta. É um ator soberbo. Além disso acho bacana ressaltar como ele consegue fazer um casal interracial, coisa pouco comum na nossa preconceituosa sociedade e inexistente na nossa dramaturgia televisiva, parecer uma coisa lógica e normal. Porque o cara é magnético mesmo. Então o filme, por ser centrado nele e ter um boa história, não tinha como dar errado. Como Cidade de Deus, não é um "filme brasileiro". É um filme de verdade. Bem escrito, bem realizado, feito para entreter. Aleluia.

P.S.: Apesar desses dois belos filmes, foi Carandiru que ficou um tempão no primeiro lugar de público neste ano. Não conheço uma alma que tenha visto e gostado desse filme, então espero que vocês entendam que estou cometendo o supremo pecado de falar mal sem ter gasto meus 12 reais de ingresso pra ter o devido embasamento. Não me pareceu um bom investimento. Mas tudo bem, como já disse o sábio não há que não possa ficar pior, e a última palhaçada do Jim Carrey é a atual campeã de público de 2003. Não há muitas esperanças desta situação reverter. Analisando os próximos blockbusters de Hollywood, vemos que Tombraider é dirigido pelo pavoroso Jan de Bont. Não consigo entender o que ainda leva um produtor a botar grana na mão desse monstro. A Liga dos Cavalheiros Extraordinários, baseada em quadrinhos escritos pelo gênio (pode acreditar em mim quem não lê quadrinhos. É gênio.) Alan Moore, com um punhado de personagens fenomenais (mais tarde comento), já foi totalmente esculachado pela crítica lá fora. A coisa só esquenta com os últimos Matrix e Senhor dos Anéis (ai, meu coração, veremos a Shelob e a batalha final), mas já não dará tempo para consolidar o público antes de acabar o ano. Que tristeza.




Sons captados Domingo, Agosto 17, 2003


Bem, continua a ilógica procissão de incautos até este blog. E continua minha total incapacidade pra postar algo decente. Então vou me apresentar, de tempos em tempos é bom fazer isso pra ver se ainda sei quem sou:

Fábio Costello, 31 anos, morador do Rio, paulista mas ninguém desconfia, nerd de computação, cantor e compositor dos Hereges, banda de Rock prestes a revolucionar a música brasileira. Ou não. Comecei este blog pra espantar o tédio do desemprego, agora acho que continuo pra espantar o tédio do emprego, mas tá faltando tempo.

A única idéia que presta neste blog é a Galeria da Fama, onde os leitores podem deixar uma foto dos seus lindos ouvidinhos. Ou melhor, orelhas. O melhor disso é que não há nenhum sentido nem pretensão, a não ser juntar fotos de orelhas. O pessoal desses FlashMobs paulistas que gosta de avisar a imprensa e levar cartazes falando de MP3 devia aprender comigo. Às vezes um pouco de falta de sentido é necessário neste mundo cheio de agendas escondidas. Quem quiser tornar sua orelhinha famosa é só mandar a foto, as regras estão lá na Galeria... Espero por vocês.




Sons captados Sexta-feira, Agosto 15, 2003


Eu ia falar de Leonard Cohen, o último filme do Woody Allen, o livro Coração das Trevas, John Doe, alguns clipes da MTV... Tá tudo anotado na minha pauta do blog, com alguns posts começados, mas a coisa não saiu disso. A transição de desempregado por 7 meses para gerente de produto com direito a expediente em escritório não é nada suave. A coisa fica pior ainda quando se é um nerd metido a músico, correndo de um lado pro outro pra agitar o design do site, figurinos pra banda, escolha de repertório, negociação de preços e horários com o estúdio... Até as composições tão congeladas.

E bem num momento como este, que poderia fazer este blog finalmente mergulhar no ostracismo de onde jamais deveria ter saído, acontece isso aqui:
Here we go again
Já foram mais de 2.000 visitas motivadas por este singelo link num cantinho minúsculo da home da globo.com. E o mais bizarro é que os mesmos blogs do dia já estão lá há 3 dias. Eu podia fazer piadinhas com fama e fortuna, mas já rolou antes. Procurem nos arquivos. Eu podia anunciar algum treco pra vender e fazer uma grana, mas tô sem tempo. No momento estou tentando ficar acordado e isso já dá trabalho demais. Além de não facilitar muito o timing pra comédia. Mas sejam bem-vindos! E ouçam Elvis Costello.




Sons captados Segunda-feira, Agosto 11, 2003


Rock Horror Reality Show - Acompanhe a saga de um nerd de uma banda underground
Começo com um momento coluna social. Desde o início deste blog tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Fábio Lima e a Karla Lopez, que têm suas orelhas na nossa galeria de leitores. Cheguei a ir no ensaio dos Paralelos, banda onde o Fábio toca guitarra. É engraçado conhecer gente assim. Meio que me legitima como blogueiro, eu que nunca na vida pensei chegar ao ponto de encontrar ao vivo com gente que simplesmente é masoquista o suficiente para ler as bobagens que escrevo. Deus do céu, eu sempre deplorei os nerds que ocupavam os computadores da faculdade cacarejando na frente dos ircs da vida. Fiquei pensando qual seria o próximo passo, ir a "encontros de blogueiros" ou coisas assim?

Foi quase isso... Fiz o programa típico de 9 entre 10 "blogueiros descolados" do Rio: Fui na Bunker. Eu, a esposa, e o Leo, batera dos Hereges. Dancei muito Rock com a esposinha e assistimos o show da Pic-Nic, cuja vocalista, Ingrid, tinha ido ao nosso show de estréia e deixou uns comentários elogiosos no guestbook. Fica aqui a dica de uma ótima banda, belas melodias, arranjos criativos tocando às vezes com 3 guitarras, presença de palco divertida, tudo nota 10. E o mais importante: Como não podia deixar de ser, a Ingrid também tem um blog. Estou cercado.

Ensaiamos no sábado, estamos agora trabalhando sério nos covers. Lembram do plano? Tocar uns covers em bares pra tentar juntar um troquinho que nos ajude a gravar o CD demo. Porque o que percebemos é que sem demo não rola nada, não tem nem como marcar show. E gravar é caro pacas. E por conta disso ficamos discutindo uma hora no estúdio, pois:

Ensaiar covers é um porre. É muito mais legal trabalharmos em nossas composições. Realmente adoramos a música que fazemos, é bem melhor do que ficar lembrando do detalhe daquela do Smashing Pumpkins, repetindo 30 segundos de música 10 vezes até ficar bom, num trabalho braçal que não envolve criatividade nenhuma.

Covers podem queimar o filme da banda. Aliás esse é o perigo de tocar em bar. Acabar ficando conhecido como "banda de bar". Seria a morte. Sabemos que o nosso forte são as composições. Achamos que a música que fazemos é relevante para quem ouve, assim como é para nós. E de repente as pessoas nos verão por aí tocando um repertório apenas de músicas dos outros. Podemos ter nossa credibilidade de artistas arranhada no processo. Mas precisamos tentar ganhar uma grana! Como solução pro impasse, decidimos algumas coisas. Primeiro, estamos tomando o maior cuidado do mundo com o repertório. Músicas pop e facilmente reconhecíveis são obrigatórias se quisermos fazer um trabalho profissional, mas pelo menos estamos fugindo de La Bamba, Wish you were here e outras coisas disponíveis num boteco horrendo perto de você. E estamos também ensaiando um bom número de músicas alternativas, como obviamente Elvis Costello, e mesmo o repertório pop envolve coisas dos anos 80 que não se escutam facilmente por aí.

Outra decisão foi não tocarmos como "Hereges". Deixemos este nome para aquilo que ele representa. Ao mesmo tempo, acho ruim não termos qualquer tipo de relação com os Hereges porque pode acontecer de termos a oportunidade de tocar uma de nossas músicas em um bar mais aberto, dependendo do público. Ou então, no meio do povo que está mais concentrado em seu chopp ou na gatinha da mesa ao lado, sempre tem um ou dois que curtem música e podem passar a nos conhecer. A melhor idéia que tive até agora é batizar este trabalho de "Covereges". Desta forma quem nos conhece sabe que somos nós, mas vai saber também que neste show vai rolar outro tipo de repertório. E aí? O que acham? Muito infame? Opinem aí.

De qualquer forma estes shows de covers têm bastante potencial de diversão, dependendo do nível de decibéis que o bar permitir. Basta dizer que vamos começar a ensaiar Toxicity... E Part-Time Lover do Stevie Wonder. Deu pra entender? Pois é.




Sons captados Sábado, Agosto 09, 2003


Minha amiga ou meu amigo, você se acha o máximo? Você se sente poderoso, bonito, inteligente, com um senso de humor incrível? Pois, é, nós já sabemos, você é mais um dos milhares de blogueiros patéticos com disfunção de ego. Mas não tema! Chegou a soluçao! Basta pegar uma foto sua, principalmente aquela onde você acha que está particularmente arrasando, e enviar ao Photosblog. Lá a sua foto será publicada, para alguns instantes de glória, e então o tratamento de choque dos especialistas iniciará. Veja o número de comentários crescendo, com todos os tipos de impropérios. Veja sua sexualidade questionada, sua aparência massacrada, sua pose ridicularizada, nenhum detalhe da foto deixará de ser cuidadosamente analisado em busca de pontos que possam ser utilizados contra você e sua hipertrofiada auto-estima. Mas espere, ainda tem mais: É totalmente gratuito!!! Veja ainda um depoimento verdadeiro de um de nossos satisfeitos usuários:

"Pois é gente, esta história de blog já estava me subindo à cabeça. Primeiro não tinha leitor nenhum, depois apareceu um que me xingou, agora já são três, depois de alardear o blog em todo canto durante quatro meses. Este inesperado sucesso me convenceu que escrevo bem. Eu deveria ter detectado que era sintoma da síndrome do ego nerd e procurado ajuda imediata, mas não. Deixei o problema se agravar. Depois de mais um pouco, comecei a me achar engraçado. Inteligente. O pior mesmo foi quando o mal chegou ao seu estágio mais letal, e fiquei plenamente convencido de que era bonito. É uma situação muito triste, estou chorando enquanto escrevo. Não quero isto para o meu pior inimigo.

A salvação deu-se graças ao lindo trabalho do Photosblog, onde os voluntários são realmente muito bem preparados para lidar com este tipo de problema. Enviei minha foto, ela foi publicada, e as ofensas vieram, sempre com muita criatividade e timing perfeito. No começo eu quis tentar, mas não fui capaz de me defender. Em dado momento, fiquei apenas encolhido em posição fetal em um canto do escritório, tapando os olhos para não ver a triste verdade. Após este período de abstinência de elogios, me recuperei rapidamente e sem traumas. Sei que sou burro, feio, trouxa, constipado e que canto mal, e me sinto ótimo!!! Obrigado Photosblog!!!!" - Costello


Se quiserem ver como funcionou este caso real e se convencerem, basta clicarem aqui. Então façam como este bravo rapaz e comecem já o tratamento!







Sons captados Quinta-feira, Agosto 07, 2003


He's back!!!Aquele amigo me convenceu de assistir T3. O que posso dizer? Longa vida ao Arnoldão! Arnoldão pra governador da Califórnia, presidente dos EUA, Papa e diretor da Bangu I! Aos 55 anos, ele ainda é o cara.

Mas vamos ao filme. A guerra entre homens e máquinas acontecerá. Boa parte do mundo será destruída. Um homem, John Connor, conseguirá liderar os humanos que restaram à vitória contra as máquinas. As máquinas, sabendo disso, mandam um robô exterminador ao passado, para matá-lo antes que ele perceba qualquer coisa. O próprio, sabendo deste plano nefasto, programa um outro exterminador que capturou para voltar ao passado e protegê-lo. O detalhe é que o exterminador enviado pelas máquinas é de um modelo de assassino muito mais avançado, podendo por exemplo se liquefazer, ou assumir a forma de outros humanos.

Enquanto isso os humanos lutam para tentar impedir os militares que inventaram a Skynet, rede de inteligência artificial que iniciaria o ataque. O exterminador mau no encalço, apenas querendo matá-los, o exterminador bom fazendo de tudo para pará-lo, e todo mundo se envolvendo em perseguições de vários veículos pesados destruindo tudo que há na frente, ou lutas com armas poderosas que garantem explosões pra todo lado.

Ok, agora que já falei do Exterminador 2, dirigido pelo James Cameron, podemos falar deste terceiro filme. Porque não é uma continuação. É um remake. A história é rigorosamente igual! Porém, é um remake de um diretor com muito menos talento. E tome as mesmas perseguições, explosões, tiros, demolições, mas alguma coisa simplesmente não funciona.

Se houver perda de energia as luzes de emergência se acenderão...Existem boas cenas de ação. Mas para sentir emoção em um filme, o básico é você gostar dos personagens. E aí estão as diferenças em relação ao segundo filme da série. A Linda Hamilton, no papel de mãe paranóica e durona do Connor, já pulou fora de cara dessa continuação. O Connor, que havia revelado o Edward Furlong num papel de pirralho marrento, aqui virou um Zé Mané que toma piaba até de uma pacata veterinária. A tal doutora é na verdade uma coleguinha em quem ele deu uns amassos antes de virar um loser, quando ainda tinha a cara do Furlong, e que será sua mulher e peça-chave da resistência. Ela é vivida pela Claire Danes, mais uma vez dando aquelas saudades do seriado "My so-called life". Sei lá o que aconteceu, minha adolescente rebelde favorita virou uma mulher nariguda e queixuda, além de atriz fraquinha. Então temos a exterminadora. É impressionante. Depois de tentarem enviar um robô massa-bruta, e um camarada sinistro e camaleônico, as máquinas botaram a inteligência artificial pra trabalhar e finalmente enviaram sua arma mais letal: Uma aeromoça. Com a maquiagem certa, paletózinho e cabelinho com coque, fiquei esperando que a qualquer momento ela começasse a mostrar ao público onde estavam as saídas de emergência. Muito estranho. Teoricamente ela também é muito mais poderosa que o T-1000 do segundo filme, mas ela faz rigorosamente as mesmas coisas, com muito menos graça. Não dá pra levar a sério.

Estas considerações nos trazem de volta ao Arnoldão. O único robô de sotaque austríaco da história continua muito, mas muito divertido mesmo. O filme é dele. Até mesmo em termos de atuação dá pra dizer que ele rouba a cena. O momento onde ele resolve se desligar é perfeito. Sei lá como, mas o Arnoldão consegue mesmo nos convencer que é um robô sem emoções apesar das expressões marrentas, e transbordar carisma a cada fotograma. Então pra quem estiver pensando se deve ver o filme, vá sabendo que não passa de um remake barulhento, bobo e ocasionalmente engraçado (obviamente nas falas do Arnoldão) do filme anterior, com cenas de ação divertidas pela destruição, e que vale cada centavo para ver o velho Arnold em ação. Em tempos de Vin Diesel, ele ainda mostra como um herói-machão-pacas realmente deve se comportar. Arnold pra secretário de segurança do Rio!!!




Sons captados Quarta-feira, Agosto 06, 2003


Elvis Costello! - Capítulo 1 - O nerd que sonhava ser cantor
Ótimo gosto para roupas e livrosAgora vamos aos fatos: Elvis Costello é o pseudônimo do senhor Declan Patrick McManus, nascido em 25 de Agosto de 1954, inglês de Londres mas com boa parte da vida passada na mesma Liverpool de Beatles (E Echo & the Bunnymen, os fãs ficam fulos se não citar). Filho único de pai trompetista e cantor de uma importante big band e mãe gerente de loja de discos, aos 20 anos saiu de casa para primeiro morar com alguns músicos com quem fundou sua primeira banda, chamada Flip City, depois com sua primeira esposa. Após um ano a banda não estava dando em nada, e ele passou a se apresentar sozinho em clubes, sob o nome DP Costello. Há quem pense que era uma homenagem ao comediante americano que fazia uma dupla famosa com Abbott, mas aparentemente Costello era o nome de solteira de sua mãe, ou o de sua avó, ou o de sua bisavó paterna, dependendo da fonte consultada.

Para pagar as contas e já com o primeiro filho, ele acabou virando um trabalhador de informática em uma fábrica. Como ficava sozinho numa sala afastada, passava uma boa parte do tempo escrevendo canções. Gravou uma demo caseira e mandou para várias gravadoras, chegando a ir pessoalmente com o violão tocar suas músicas em escritórios de produtores pra ver se arrumava um contrato mas nada acontecia. Até que em 1976 Nick Lowe, baixista, artista e produtor de um novo selo independente chamado Stiff records, ouviu a fita e o chamou na hora. Por coincidência Lowe havia tocado baixo na banda que os membros da Flip City idolatravam e tentavam imitar. Já rebatizado de Elvis Costello após o dono da gravadora, Jake Riviera, sugerir misturar seu nome com o de Elvis Presley, ao que consta, "Para irritar as pessoas", o desengonçado Declan e seus grandes óculos de aro preto conseguiram seu contrato de gravação.

Elvis em açãoPor achar que havia uma certa afinidade do Costello com a música americana, Jake chamou uma banda Californiana do seu elenco para a gravação. Já que o cantor da tal banda era desnecessário acabou ficando de fora, e o restante foi batizado de "Clover" nos créditos. Bem mais tarde esta banda, e o cantor, ficariam conhecidos no mundo como Huey Lewis and the News (Talvez o tema mais famoso seja Power of Love, da trilha de De Volta para o Futuro). Com apenas 24 horas de trabalho no estúdio e produção de Nick Lowe, nascia o álbum "My Aim Is True" em 1977. Antes de seu lançamento no mercado três compactos foram lançados para testar o mercado, entre eles "Alison", mas apesar de conseguir arrebanhar algumas críticas favoráveis as vendas não foram animadoras. O futuro era incerto, mas ainda assim os executivos da Stiff concordaram em equiparar o salário que Elvis recebia na fábrica, colocando um fim em sua carreira nerd.

O primeiro show de "Elvis Costello" foi em Maio de 77, com uma boa reação que encorajou a Stiff a botar um anúncio no Melody Maker convocando músicos para acompanhá-lo. As audições revelaram o baterista Pete Thomas, que tocava numa banda denominada Chilli Willi and the Red Hot Peppers (Nenhuma ligação com os californianos que vieram depois, mas ou é muita coincidência ou Flea e sua turma plagiaram o nome). Um pirralho de 17 anos chamado Steve Nason que estudava na Royal Academy of Music impressionou não só por tocar piano melhor que todo mundo mas por, segundo a lenda, cair no sono enquanto os outros pianistas se mostravam. Para o baixo foi escolhido Bruce Thomas (Nenhuma ligação com o batera), rejeitado previamente pela Stiff mas que chegou nas audições com todas as músicas dos compactos tiradas. Decidiu-se que o seu estilo bem melódico seria mais adequado para acompanhar a guitarra apenas rítmica do Costello, que não era capaz de grandes riffs ou solos. Estava formada a banda Elvis Costello & The Attractions.
Steve, Pete e Bruce

Os primeiros shows aconteceram e o My aim Is True foi finalmente lançado em Julho de 1977, para ser otimamente acolhido pela crítica e chegar ao Top 20 da Inglaterra. Uma faixa produzida posteriormente ao disco, Watching the Detectives, gravada com o baixista e o baterista que faziam parte da antiga banda de apoio do shows teve como adição os teclados do garoto dos Attractions, rebatizado de Steve Naïve e finalmente Steve Nieve (Com a mesma pronúncia), e foi lançada no mercado. Este single, uma espécie de ska psicodélico, com frase de guitarra imitando trilha de seriado policial e letra do ponto de vista de um diretor de filme noir, finalmente emplacou, chegando ao décimo-quarto lugar nas paradas britânicas. A versão em CD do My Aim Is True contém esta última canção.

Agora vamos ao álbum em questão, que sempre aparecerá no final de cada capítulo. Comprei os primeiros relançamentos em CD, que já continham faixas-bônus maravilhosas. E agora todos os álbuns estão sendo re-relançados em edição de luxo, com um segundo CD só de extras, então decidi publicar as informações relativas a estas versões, embora eu mesmo não possua nenhuma.

O My Aim Is True tem como grandes clássicos Alison (De onde a frase-título foi tirada), (The Angels Wanna Wear My) Red Shoes e Watching The Detectives. É o único álbum do Costello onde a guitarra aparece protagonizando, até porque o guitarrista contratado era muito bom. A sonoridade das músicas está próxima do Punk Rock, curtas e aceleradas, embora com pouca distorção e já com as múltiplas partes e mudanças mais características de toda a obra do Costello. As letras também já mostravam uma maturidade absurda, com os jogos de palavras, metáforas rebuscadas e rimas certeiras, contribuindo muito para a aclamação da crítica.

My Aim Is True
    Disco 1:
  1. Welcome To The Working Week [1:22]
  2. Miracle Man [3:31]
  3. No Dancing [2:39]
  4. Blame It On Cain [2:49]
  5. Alison [3:21] ** OP Recomenda - Esta balada tornou-se uma das favoritas de todos os tempos de muita gente boa (Embora não seja o meu caso...). Apesar do romantismo que sugere algum alvo amoroso, ele escreveu esta canção para a atendente do mercado onde ele fazia as compras. Na verdade a história é toda inventada mas o Costello tentou imaginar que tipo de mulher ela era.
  6. Sneaky Feelings [2:09]
  7. (The Angels Wanna Wear My) Red Shoes [2:47]
  8. Less Than Zero [3:15] - ** OP Recomenda
  9. Mystery Dance [1:38]
  10. Pay It Back [2:33]
  11. I'm Not Angry [2:57]
  12. Waiting For The End Of The World [3:22]
  13. Watching The Detectives [3:45] - ** OP Recomenda - A primeira vez que ouvi foi numa coletânea chamada "Three-minute Heroes", só de Punk e New Wave. Também trazia Buzzcocks, Stranglers, Joe Jackson, The Jam... Só coisa fina. O Steve Nieve dá seu cartão de visitas com um teclado esquisito completamente fora do clima da música, um timbre de tecladinho à pilha, e uma espécie de "solo coito interrompido" na saída dos refrões que só ouvindo pra entender.

    Disco 2: - Neste disco estão várias demos originais que o Costello enviou para gravadoras a fim de conseguir um contrato. Também consta No Action, que abre o álbum seguinte de sua carreira.
  1. No Action (Early Version) [2:15]
  2. Living In Paradise (Early Version) [3:00]
  3. Radio Sweetheart [2:25]
  4. Stranger In The House [3:01]
  5. I Just Don't Know What To Do With Myself (Live) (Bacharach/David) [2:28] - Elvis e Burt Bucharach têm uma história de admiração mútua que já rendeu um álbum em conjunto. O White Stripes gravou um cover ótimo desta mesma canção no Elephant.
  6. Less Than Zero ("Dallas Version") [3:55] - Esta é a mesma música, mas com uma versão da letra que só apareceu em público num show em Dallas
  7. Imagination (Is A Powerful Deceiver) [3:38]
  8. Mystery Dance (Honky Tonk Demo) [2:13]
  9. Cheap Reward (Honky Tonk Demo) [2:15]
  10. Jump Up (Honky Tonk Demo) [2:06]
  11. Wave A White Flag (Honky Tonk Demo) [1:53]
  12. Blame It On Cain (Honky Tonk Demo) [3:30]
  13. Poison Moon (Honky Tonk Demo) [1:53]


Links:






Sons captados Terça-feira, Agosto 05, 2003


Vem cá, é impressão ou eu sou o ÚNICO blogueiro roqueiro que não foi no Los Hermanos? Verdade seja dita, só não fui porque esgotou. Acho que nem os caras acreditam na moral que eles têm por aqui, e também não tinham se tocado como a noite do Rio tem poucas opções para quem curte música. Estou apostando que após duas noites com tudo vendido antecipadamente, eles vão marcar outras no primeiro buraco da agenda que aparecer.

Aí eu vou. Se não estiver com sono.




Sons captados Sábado, Agosto 02, 2003


Eu advirto: Ir ao cinema com amigos traz à tona filosofia de boteco.
Aquele amigo que não gostou de Longe do Paraíso também não achou nada demais em O Último Beijo. No úlitmo fim de semana ele foi sugerir o filme pra ver: "Que tal Panteras? Ah, tem um novo do Steve Martin..." Temos a mesma idade, então porque só eu que fiquei um chato? Estou em busca do entrenimento pela arte e questionamento, e o cara muito mais a fim de diversão simples. Morri de inveja. O tipo de gosto pra filmes e música que estou desenvolvendo praticamente fechou as portas da diversão na minha cara. Só me restou o mundo azedo das críticas que destilo aqui neste blog. Talvez vocês, cara meia-dúzia de leitores, se divirtam com meus comentários ranhetas, ou pelo menos é a única justificativa que posso imaginar para vocês, seus pervertidos, continuarem aparecendo por aqui. Mas, pensem bem, é patético.

Outro dia escrevi "Me defino pelas coisas que eu odeio". Num momento me pareceu apropriado e ousado, e agora isso tem me batido como miserável e triste. Dar risada e se divertir é uma das poucas coisas que fazem sentido nesse mundo. E de todas elas, amar alguém e algo é o que nos faz sentir mais vivos. Alimentar-se de ódio e crítica é até uma opção, já cantei a plenos pulmões "Anger is an energy!" junto com Johnny Rotten no Canecão, mas você vai se tornando amargo, e aí qual é a validade de toda a sua visão aguda e perspicácia? Se não te serve pra viver melhor, é tão fútil quanto o tal filme do Steve Martin. Ou pior, porque não te faz rir nem por um segundo (Obs.: Parto do princípio de que toda comédia tem pelo menos uma piadinha que se salva, mas não sou maluco de ir gastar um ingresso de cinema pra testar essa teoria).

Tenho lido sobre o travecão Marilyn Manson. Cara inteligente. Boas declarações, boa provocação, um artista que chega às últimas conseqüências para expor as fraquezas que ele enxerga no sistema. Acho a música do cara muito mais ou menos, ele é obviamente um fenômeno mais Pop do que musical. O negócio dele é criticar, descer o pau, ultrajar todo mundo, e mostrar como ele é independente dos valores externos. A música é apenas um veículo para tal. Um lado meu diz "É isso aí!", porque tem muita coisa errada mesmo, e precisamos de artistas críticos.

Em compensação, quem quer ser igual ao cara? É muito engraçado ver o malucão brincando de ser de qualquer sexo, qualquer religião, qualquer moral. Mas depois desligamos a TV e voltamos à nossa vida, aliviados por não sermos nada daquilo. A atração pelo cara é exatamente o repúdio que ele provoca. Até os fãs, que devem se sentir no máximo da transgressão e rebeldia, só vão seguir o cara porque ele representa aquilo que seus pais têm mais medo. Mas e depois? Se a sociedade começar a aceitar os valores que ele prega, os próprios fãs vão virar as costas pra brincar de transgressores com a banda revoltada da vez. A graça está somente na destruição de conceitos. Quando chega o momento de erigir novas coisas das ruínas dos erros passados, ninguém se interessa. Dizer que algo é odioso e deve ser varrido da face da terra é uma postura que parece esperta, mas todo mundo no íntimo entende que é impossível ser feliz assim, somente atacando, desprezando, cultivando o que é a negação do status quo. No máximo uma pessoa assim vira um palhaço para a diversão da própria sociedade, mas jamais pode ser levado a sério como modelo.

O próprio Manson sabe bem disso, ele quer mais é ser absorvido pelo sistema e faturar em cima dele. Odiar é fácil. Transgredir é simples. Transformar isso em show é natural, ainda mais depois da invenção do Rock. Duro é amar, abraçar uma causa, mostrar que existe um caminho mais feliz, dar o exemplo. Antítese não constrói nada. A oposição, se é um fim em si mesma, vira uma palhaçada. Voltando ao cinema, um filme que mostra isso brilhantemente é o American History X, com o Edward Norton em uma atuação monumental como líder de uma gangue nazi-fascista na Califórnia, aprendendo que a vida é bem mais profunda do que sair odiando por aí.

E isso me traz de volta à divagação original. Se nos enchemos de cultura, nos informamos, refletimos, vamos tendo mais discernimento, e consequentemente passamos a criticar. E as críticas vão limitando as nossas escolhas, cada vez menos coisas nos agradam, cada vez mais nos deprime e revolta. Será que antigamente, longe da era da ciência, onde um materialismo doente nos consumiu, as pessoas tinham acesso a mais coisas que enlevassem seus espíritos? E pra nós aqui, expostos a uma cultura cada vez mais rasa, ajudando a emburrecer e sempre expandir os limites para baixo, como ser feliz? Tentando pregar no deserto, falando de valores esquecidos pra quem não consegue mais ouvir porque tá ocupado ouvindo Axé? Virando um pária romântico? Pô, estou começando a ficar com inveja de quem consegue ter felicidade ouvindo KLB.




Sons captados Sexta-feira, Agosto 01, 2003


Estou me sentindo culto à beça, vi Amarcord no cinema. A'm'arcòrd é uma expressão do dialeto falado na Emilia Romagna, região onde fica Rimini, a cidade natal de Fellini, à beira do Mar Adriático. É uma espécie de corruptela de "Io mi ricordo", ou "Eu me lembro". E isso resume o filme. São memórias da infância do diretor italiano na sua cidadezinha. Mas ao invés de fazer um filme autobiográfico, ele optou por transformar a própria cidade e a toda a sua população nos protagonistas, em sketches sem muita relação temporal. Algumas vezes vemos somente a família do adolescente Titta, supostamente seu alter-ego, e seus divertidos conflitos.

Rex


Mas o filme brilha mesmo nas várias cenas das reuniões populares, como na abertura com uma festa folclórica, ou a lindíssima cena onde todos se lançam ao oceano para ver o navio Rex passar à noite. A movimentação é coreografada como um balé, te levando junto e fazendo painéis maravilhosos simplesmente com várias pessoas se movendo. Nada mais apropriado para esta dança que a música especial de Nino Rota. Não dá pra não sair cantarolando o tema pela rua.

A alternância de situações e climas, misturada com a beleza de cores e enquadramentos, na verdade deixa escapar que este filme retrata muito mais do que a memória de um homem. É na verdade uma tentativa de capturar um mundo de sonho, tão subjetivo quanto nossas memórias. Sem começo, desenvolvimento ou fim, pode desagradar a quem está acostumado com filme-novela-das-oito, com tudo bem explicadinho como ultimamente Hollywood tem nos acostumado. Mas ensina a grata lição, ao repetir o mesmo sinal dos céus da cena inicial e na final. Não importa onde termine, o importante na vida é o caminho.






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