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Sons captados Segunda-feira, Setembro 29, 2003
Todo mundo diz que cirurgia de miopia é a coisa mais tranquila do mundo. Todo mundo mentiu. A maior galera ficava me fazendo propaganda da operação. Tenho 8 graus de miopia com mais 2 de astigmatismo, sendo, para efeito prático, cegueta. Como trabalhva na área de computação os óculos sempre deram um respeitável efeito nerd. Só a minha cara de maluco já me fazia ganhar qualquer argumentação técnica. Porém, não trabalho mais com isso, não tenho me dado muito bem com as lentes que uso para ir pro palco e bater uma bola, e, como expliquei anteriormente, do nada fiquei totalmente farto de me ver de óculos. Percebi que estava até correndo o risco da minha esposinha esquecer de como eu sou naturalmente bonito. Então tomei a grande decisão.
Só faltava encontrar um cirurgião. O oftalmologista que me atendia tinha uma cara não tão confiável. É aquele típico médico de plano, você vai porque é perto e é de graça, mas não compraria um carro usado do cara, nem namoraria a filha... O que não dizer de deixá-lo queimar camadas do seu olho. Então começam as recomendações. Todo mundo conhece o "melhor da cidade". E cada um cita um nome diferente. Fui em um desses. A clínica é enorme, gigantesca. Uma sala de espera com senha automatizada, um monte de gente esperando. E milhares de recepcionistas. Tá bom, não deveriam ser milhares, mas a impressão era essa. A sala tinha portas em todas as paredes. E de cinco em cinco segundos eu juro que abria uma porta, passava uma mulher de uniforme azul, atravessava a sala e saía por outra porta. Aí era outra porta que abria, aparecia outra com o mesmo uniforme, e saía por outro lugar. Aí o elevador fazia "Plim!" e saía a mesma mulher que você tinha visto primeiro, pingava um colírio em alguém e sumia por uma porta que você nem tinha visto antes. Ou era outra mulher? Sei lá, uma coisa confusa, todas muito apressadas. Chamei-as de Oompa-Loompas. Era divertido. Só não mais divertido do que o maluco. O maluco chegou gritando: "Aqui é o segundo andar? Aqui é o segundo andar?" Já era uma pergunta meio sui generis pra quem tinha subido um lance de escadas saindo do primeiro andar. Ele queria o quê? Primeiro andar e meio, estilo "Quero ser John Malkovich"? Pensei em dizer uma coisa nerd como: "Não, aqui é o oitavo, da fábrica de chocolate. Você deveria ter evitado o portal dimensional à esquerda do corrimão" mas resisti. Ninguém ia entender a genialidade disso. Ok, além de não ter a menor graça. Após confirmação de altitude correta, o cara ficou puxando papo, ainda aos berros, com a recepcionista: "Eu quero um atendimento no mínimo fan-tás-ti-co!!!! Você sabe se esta instituição está entre as 10 melhores do Brasil? Diz pro doutor que eu vou fazer a lente mais cara que existe, então eu quero saber qual é o desconto que ele vai me dar!" Era bastante curioso. O cara parecia estar um tanto alterado, fiquei ali meditando sobre a possibilidade dele se tornar violento, já estudando rotas de fuga. Aí me chamaram para a consulta.
O doutor sabia que era paciente de plano. Sabem como é, aquele leve desprezo no olhar. As oompa-loompas toda hora entravam para dar status do maluco na recepção. Como novo fato, parecia que tinham visto alguém com uma arma debaixo da camisa. A situação ficava tensa. Fiz um monte de exames botando a cara em um monte de máquinas que faziam "Vrrr" enquanto todo tipo de luz piscava. Maior viagem. Enquanto isso tocava o celular do doutor a cada cinco minutos, ele combinando alguma coisa, acho que era um vôlei com os amigos. Ao final dos exames, ele mandou ir em outra sala para marcar a cirurgia. Como assim? Sem mais nem menos? Ele então disse que eu podia perguntar o que eu quisesse, e ficou me olhando com cara de monolito da sabedoria. Foi um momento constrangedor. Não tinha a menor idéia, não entendo de olho o suficiente nem para ter alguma dúvida. Achava que ele é que fosse explicar o que fosse necessário. Pensei em dividir com ele minhas dúvidas sobre o sentido da vida, mas algo em seus olhos me dizia que não haveria tempo para uma discussão mais profunda. Acabei saindo para a tal da outra sala, já que não estava com muita pressa para voltar à recepção, pois fazia um tempo que nenhuma ajudante dava notícias sobre os frequentadores mais perigosos. Talvez o maluco já tivesse feito alguém de refém. "Fulaninha já vem te atender". Sentei num sofá. Logo aquilo ficou chato. Perguntei de novo: "Ah, é que ela está no almoço..." Sei. E eu ia ficar esperando. Me mandei, em boa hora, porque a recepção estava na maior paz, nem sinal de fascínoras no local, fora eu mesmo.
Resolvi tentar outro médico. Mesmo esquema, clínica grande, um monte de gente te pingando uns colírios enquanto você espera, mas pouquíssimo tempo de espera, o cara bem mais atencioso, e uma tremenda cara de nerd, que é algo que sempre ganha pontos comigo, por algum estranho motivo. Os mesmos exames, explicações sobre o que eu podia esperar, no caso, deixar de depender dos óculos, que era mesmo a idéia. O preço ainda era um pouco mais baixo. Negócio fechado. Pra aproveitar a última vez que poderia usar lentes de contato, fiz um balaio de gols de todos os tipos na pelada. Nada de novo aí, mas é sempre bom.
Chegado o grande dia, saí do trabalho e fui pro centro cirúrgico. Lá tive que ficar sozinho numa salinha. Me botaram aquele avental, touquinha e sapatinho de pano. Abre uma porta, sai um camarada meio trôpego, cheio de esparadrapo na cara. Comecei a desconfiar que a coisa não era tão simples assim. A espera foi bem comprida. E enervante. Finalmente chegou minha vez. Quatro cirugiões de máscara e o caramba. Deu aquele frio na barriga. Deitei na maca. Cobriram o meu rosto, só o olho esquerdo de fora. "Não importa o que aconteça, olhe para luz" foi a indicação meio espiritual que recebi. Tinha mesmo uma luzinha simpática lá. Botaram um troço em cima do meu olho. Ouvi uns barulhos. Senti que estavam abrindo meu olho além de qualquer limite físico cabível com uns arames. Aquilo doía. Outra coisa em cima do olho. Ficou tudo preto. Entro em pânico agora? Melhor esperar. Começo a ver tudo embaçado. Ao invés de luzinha, uma bola gigante. E aí? Olho para que parte dela? Escolho o centro, mas é difícil dizer cadê. Uns bipes, deve ser o laser. "Não mexe! Não mexe!" Putz, será que eu mexi? Será que vou ficar cego? Bem, de repente é um bom marketing pra banda. Tento relaxar, os bipes param. "Já estamos terminando, só mais um pouco de soro..." -"AAAAAhhhhh!!!" - O jatinho de soro doeu pacas - "Anestésico..." - Pingam umas gotinhas. -"Só falta colar..." - Eu resolvo intervir: "Cola isso direitinho pelamordedeus!". Risadas gerais desanuviam o ambiente. Mas espero que não façam a mão do cara tremer justo nessa hora. Resolvo ficar quieto. Eu volto a enxergar a luzinha mais definida, para total alívio. Finalmente consigo respirar e parar de cravar as unhas dos dedos nas palmas das mãos. Retiram o tal abridor de pálpebras, em outro processo dolorido e aliviante. Prendem um plástico na frente do olho com uns esparadrapos. Me dão uns comprimidos, com umas instruções que esqueci em dois segundos. Já posso ir embora. Saio, enquanto tiro o avental os próximos da fila me olham com nervosismo. Evito olhar pra eles para que não vejam minha cara meio assustada. Com o troço de plástico na frente não consigo enxergar nada. Pelo que outros me disseram, eu achava que ia sair da clínica dando pulinhos pela rua, dando boa-noite pra as estrelas, para as montanhas, para o relógio da rua lá longe... Mas estou zonzo, mais pelo stress do desconforto e da responsabilidade de não mover o olho enquanto o pessoal perfurava minha córnea. E o rosto dói, provavelmente do aparelho que mantém o olho aberto. Isto foi há 3 dias. Hoje qualquer coisa luminosa causa um halo enorme em volta. Ontem fui ao cinema, e quase não li as legendas. Para usar o computador é dureza. É um efeito normal até a cicatrização. Pode demorar mais de uma semana para normalizar. Só posso dormir com um tampão preso na cara. Dois colírios de 3 em 3 horas. Jogar bola de novo, só Deus sabe quando.
E tudo isso com direito a bis: Quinta que vem faço o olho direito. Ebaaaaaa.
Enquanto este dia tão feliz não chega, me diverti com sites bem interessantes sobre o assunto. Todas as propagandas de cirurgia a Laser mostram uns desenhinhos simpáticos de um feixe luminoso em um olho, tudo bem asséptico e simples. Mas o que acontece mesmo é isso aqui:
Esta figura saiu de um site com um nome bem sugestivo: "I Know Why Refractive Surgeons Wear Glasses" ou "Eu sei porque o cirurgiões de olhos usam óculos". Lá estão listados todos os detalhes da cirurgia com os possíveis problemas já documentados, além de questões ainda não resolvidas a respeito da segurança do procedimento. Aprendi que os halos são gerados pela refração da luz nas cicatrizes do corte, e são notados à noite por conta da dilatação da pupila. Preciso confiar em meus poderes curativos à la Wolverine para não acontecer nenhuma desgraça na cicatrização. As infecções são outro problema sério, podendo causar até cegueira. Para ir esquentando, pude me exercitar um pouco com um simulador de desastres em operados. Lá você pode simular os vários efeitos colaterais de cirurgias mal-sucedidas. Fiz essa figurinha bacana abaixo, clique nela para tentar também:
Boa diversão!!! E orem por mim, por favor...
Escrito por Costello 02:11
Sons captados Sábado, Setembro 27, 2003
Minhas buscas por quem anda linkando o Ouvido Penico me levaram ao Velho Deitado, blog do Eric, que escreve o seguinte:Eu me amarro em ver a impressão que as pessoas tem de mim pelo blog. Bem-humorado já é bastante discutível, mas entender do que falo? Cara, eu não entendo nem o que penso. E não sei escrever. Mas agradeço mesmo assim, sentindo-me totalmente lisonjeado. Pessoal, vamos todos visitar o Eric. Beijo no coração.
Aliás, se você andou falando deste blog, avisa aí que eu volta e meia posto sobre isto. E se quiser fazer melhor ainda, que tal ter um link para o seu blog aqui? Basta enviar uma foto da sua orelha, ou pelo menos alguma foto de onde eu possa destacar a orelha, que será publicada na extraordinária Galeria dos Leitores com o seu link. Maiores detalhes na própria galeria. Por enquanto apenas 6 loucos enviaram seus detalhes anatômicos. Embora eu desconfie que o número total de leitores daqui seja 6 mesmo, não perco as esperanças de reunir mais fotos de orelhas lá. É uma idéia cretina demais para ser desperdiçada, mais ou menos como os FlashMobs. Tenho fé que, todos juntos, poderemos construir a galeria mais absurda e ridícula da web.
Escrito por Costello 00:27
Sons captados Sexta-feira, Setembro 26, 2003
Mais uma edição do plantão de fofocas inúteis:
Os músicos do Soulfly, de Max Cavalera, acabam de deixar a banda. Pediram demissão. Pularam do barco. Ou, vendo por outro ângulo, deram um pé em Max e sua empresária-esposa. Impressionante como a história se repete. No Sepultura a briga foi feia também, porque envolveu outra parte da família, o Igor, irmão do Max, que vociferou um bocado contra a esposa do cara. O nosso bravo Max perde as bandas mas não perde a esposa. Mesmo se tudo indicar que ela seja uma tremenda de uma mala. O amor é lindo... Credo.
Bruce Dickinson andou mandando recados ao arroz-de-festa Fred Durst do hahaha Limp Bizkit. O veterano do Metal mandou seu colega de boné ao contrário prestar atenção em quem diz que ele é um lixo, e que o último single de sua banda é horroroso. Bem, eu já disse aqui antes que devemos ouvir os mais velhos.
Mais uma nota no capítulo "Processos patéticos", o bonecão Marilyn Manson ganhou um processo movido contra ele por um segurança de um de seus shows. O camarada reclamava que o travecão feioso esfregou o... ahn... púbis em sua cabeça durante a performance. Pedia 47 mil libras esterlinas por danos morais. Não quero nem imaginar, deve realmente ser uma experiência das mais estressantes. Como pode o juiz não dar ganho de causa? Gente mais insensível.
No blog da Marília li faz tempo um post que não vi repercutir muito, então repito aqui: Parece que Elijah Wood e Dominic Monaghan, respectivamente nosso heróico amiguinho hobbit Frodo e seu companheiro Merry do Senhor dos Anéis, estão morando juntinhos. Não sou exatamente fiscal de homossexualidade (Já tem um cara do meu futebol dominical perito neste papel) mas achei gozado. A surpresa não é se o Frodinho for gay. A surpresa é alguém achar que ele é homem. Carinha de frutinha, vozinha de frutinha, sorrisinho de frutinha... Um dossiê sobre o moço pode ser encontrado aqui.
A última notícia palpitante é que o famosíssimo cantor dos Hereges acaba de ser submetido a uma cirurgia de correção da vista. Por enquanto só o olho esquerdo. No momento ele está em casa, com um olho meio embaçado em cicatrização e outro com 10 graus entre miopia e astigmatismo, alternando entre um e outro, para conseguir botar seu blog, outrora um veículo dos mais prestigiados, em dia.
Escrito por Costello 15:07
Sons captados Segunda-feira, Setembro 22, 2003
E o Creed, hein? Foi processado por 4 fãs insatisfeitos com um show em Chicago ano passado. Parece que o cantor Scott Stapp não conseguiu cantar uma letra inteira, nem ficar em pé no palco, que aliás abandonou várias vezes. Aí um advogado que estava assistindo o show com a esposa, totalmente decepcionado com a performance, resolveu entrar com a ação com mais um casal de amigos pedindo de volta o preço do ingresso, estacionamento e demais despesas... Para todos os 15.000 presentes no estádio. A conta dava 2 milhões. O argumento principal era que se alguém compra o ingresso para um show, ganha o direito de ver todas as facetas das músicas que gosta, incluindo os vocais, sem o que o show deveria ser cancelado. Bem, faz sentido...
Isso já é engraçado, mas sempre pode ficar melhor: A resposta dos empresários da banda foi um pedido de desculpas "Se o nível do show não esteve no patamar altíssimo dos nosso demais shows em Chicago. Esperamos que seja de algum consolo o fato de que vocês definitivamente presenciaram o mais único de todos os shows do Creed e talvez venham a fazer parte do mundo incomum da história do Rock'n'Roll!" Hein?!
O juiz não deu ganho de causa, acatando a argumentação da defesa que dizia que não se pode processar uma banda por ela ser muito ruim. Isto é maravilhoso. Tá certo o juiz, concordando com a defesa. Afinal, nada poderia ser melhor que o próprio advogado da banda dizendo, em outras palavras: "Os caras foram ver um show do Creed, o que diabos eles esperavam??"
Escrito por Costello 20:32
Tem umas coisas que queria escrever, tipo livro, filme e som, mas...
...Nada é mais importante que a volta de The Osbournes hoje na MTV. ROCK'N'ROLL!!!!
Escrito por Costello 00:00
Sons captados Terça-feira, Setembro 16, 2003
Uau, Deep Purple e Helloween aqui no Rio hoje. Não tenho a menor dúvida do que escolher: Mortos-vivos por mortos-vivos, ótima noite pra ficar em casa assistindo Buffy feliz da vida.
Escrito por Costello 11:45
Sons captados Sábado, Setembro 13, 2003
O assunto segue inesgotável. Conversando mais com a Karla acabei sabendo que semeei a discórdia entre DJs com minhas sugestões, cada um disputando para si a primazia de tocar Right Between the Eyes. Muito me orgulha esta demonstração de integração cósmica ao espírito trash, agora auditada por profissionais do ramo. Pois bem, depois de postar a listinha me lembrei de outra no mesmo espírito, I've Been Thinking About You do Londonbeat, e aí surgiu a necessidade de postar sobre isto. Não sobre a música em si, pois muito mais relevante que o vocalzinho de falsete com a guitarrinha mequetrefe em ritmo dançante, é o álbum que a contém. Mais especificamente a capa do álbum:
Vejamos, temos um branquelo e três manos da cor num galpão. O brother do meio tem um cabelinho raspadinho dos lados e com gel em cima, estilo jogador de futebol/pagodeiro. Ele está numa pose super-cool com sua jaqueta, contrastando com os seus companheiros de um lado e do outro, que estão fazendo cara de mau e posição que pode ser um kung-fu horrendo, ou ainda chiliquinho histérico, ou quem sabe prisão de ventre. Em primeiro plano, o loirão, com calvície proeminente, óculos torto e camiseta mamãe-sou-forte está simplesmente apertando o gatilho de um extintor de incêndio e apontando a fumaça para os seus coleguinhas, no melhor estilo "brincadeiras legais de oitava série". Ah, que maravilhosa sensação abrir o extintor matando todo mundo de susto com o barulhão que o troço fazia e sair correndo. Só que constato que adultos não curtem isso tanto assim, a julgar pela reação dos camaradinhas. Ainda por cima a foto está mal centralizada, cortando o penacho do loiro. Na parte de cima, título que usa efeitos impressionantes de perspectiva de Corel Draw, mas veja que ficou meio torto nas letras finais.
Tudo bem que a última capa do Iron Maiden é patética, mas ainda acho que concedo ao Londonbeat a honraria de capa mais ridícula que já vi na minha triste vida.
Escrito por Costello 01:03
Sons captados Quinta-feira, Setembro 11, 2003
Rock Horror Reality Show
Parece que até os Hereges entraram em modo trash. Nosso essencial tecladista Ricardo quebrou o dedão (da mão) jogando bola. É a segunda vez este ano! Some-se à nossa cota de desastres naturais o braço quebrado do Léo no início do ano andando de bicicleta e concluímos que é impressionante como conseguimos ensaiar o suficiente para fazer um show mesmo assim. E também concluímos que o pessoal da banda é atolado demais pra dar uma de atleta. Participar do MTV Rock Gol nem pensar. No ensaio de domingo, já desfalcados do Ricardo, chega o André (Guitarra) meio verde, passando mal por conta de um tal strogonoff de lagosta. Acabamos não tocando, só aproveitamos o tempo batendo papo.
Na segunda à noite, reunião na casa do Leo (Batera) para definição do site. Papo vai, papo vem, dou um pulinho no banheiro, quando vou abrir a porta a tranca simplesmente não vira. Fiquei lá tentando virar na base da força, o André, Leo e a irmã dele do lado de fora tentando arrumar um telefone de algum chaveiro. Ficar preso no banheiro é muito trash, realmente teve tudo a ver com o meu momento de vida. Pelo menos rolava uma janelinha que dava pra área de serviço, por onde o pessoal me passou umas chaves de fenda. Usei todo o meu conhecimento garantido pelo diploma de engenheiro para desaparafusar a tranca, o que não ajudou nada. Enquanto isso o Leo finalmente achou um chaveiro que poderia ir lá me libertar, mas o cara falou que custava 40 reais e o Leo resolveu dispensar, ainda me dizendo que era mais barato se eu passasse a morar no banheiro e ele me jogava comida por baixo da porta. Faltou pouco pra eu arrebentar a porta a pontapés e esganá-lo. Quer dizer, faltou muito. Duvido que eu tivesse força suficiente. Vocês me conhecem, eu realmente vejo filmes demais. Finalmente o André consegue astuciosamente usar uma chave de fenda de alavanca e rodar a tranca pelo buraco da porta, abrindo-a, quando eu já estava de pé no bidê tentando desaparafusar o raio da janelinha em um plano não muito genial de fuga. Tentamos continuar a reunião, na prática e eu o André acertamos todas as cenas do site enquanto o Leo dormiu de tênis na cama, começando a roncar alto. No fim ele acordou, nos olhou, e nos expulsou.
Pelo menos nem tudo foi esquisito, estamos nos notabilizando por não nos deixar abater pelas agruras da vida. O storyboard do site está terminado. Pra quem não sabe, no projeto de um site primeiro fazemos o projeto de navegação pela informação. Depois veio o projeto gráfico mais genérico, só para aquela página de cadastro que está no ar. Agora completamos a concepção total do site, e como será todo em animação, teve que rolar um storyboard, que nada mais é que uma "história em quadrinhos" do que acontece cada vez que se clica em algum dos links. Estou passando a limpo, se rolar tempo quem sabe não posto por aqui. De qualquer forma, o site é uma criação dos Hereges, e tem o conceito artístico e objetivo de divertir enquanto passa a informação relevante, como tudo o mais que fazemos.
E já que nosso tecladista está fora de combate, decidimos começar no domingo a gravar as trilhas de bateria de nossas músicas, já como início da demo. Vamos passar 4 horas, veremos quantas o Leo vai conseguir gravar. O objetivo mínimo é: Alice, A Praia, 3 Homens Cegos e Santa Heresia. Ainda não me arrisco a gravar a voz porque estou há 3 semanas com professora de canto nova, ela está ensinando um milhão de coisas novas, estou perdendo alguns grilos que tinha em certas regiões vocais, e minha voz está ficando completamente diferente, pelo que percebo, para melhor. Ainda não estou seguro para vôos muito altos, mas daqui a pouco já estou tinindo. Ainda tenho aquele microfone para estreiar.
Escrito por Costello 22:54
Esse negócio trash é contagioso. Hoje no ônibus onde passo 2 horas indo pro trabalho uma senhora cheia de sacolas sentou-se do meu lado. Aliás porque toda senhora no ônibus está sempre cheia de sacolas? Até aí tudo normal, segui lendo o meu livro. De repente ela tira um objeto da sacola e começa a fazer uns gestos que me chamaram a atenção. Olhei com o rabo do olho. Ela estava segurando uma embalagem de Catupiry, aquela redondinha de papelão, com a tampa semi-aberta. Na sua outra mão, um garfinho de plático. Na embalagem, nada menos que uma fatia gigante de torta de morango com chantilly. Hein? Tive que olhar mais umas vezes pra ter certeza. 9 da manhã e a senhora comendo torta de morango de garfinho dentro do ônibus. Ela terminou e guardou tudo em outra sacola. Eu já estava pensando "Trash! trash!", um tempo depois ela tira um embrulhinho de papel toalha e começa a comer uns biscotinhos. Quase perguntei o que ela achava de Men Without Hats.
Escrito por Costello 22:51
Sons captados Quarta-feira, Setembro 10, 2003
Ainda em modo Trash, estive falando da Festa de mesmo nome que rola em Sampa com a Karla, frequentadora assídua. Resolvi então brincar de fazer uma mini-lista de músicas para animar uma festa do gênero. Bem divertido. Adotei como critério fugir de coisas mais óbvias, como músicas de grupinhos infantis ou de cantores românticos bregas de quaisquer épocas. Também listei apenas músicas que gosto, senão a coisa ia ficar infinita. Então taí minha lista de músicas vexaminosas que fariam minha alegria numa festinha:
Set Dançante:- Rasputin - Boney M. - Picaretagem alemã na esteira do Gêngis Khan original (Por lá, Dschinghis Khan)
- We built this City - Starship
- The Safety Dance - Men Without Hats
- Severina - The Mission - Isso lá é refrão que se faça? Severiiiiinaaaaa...
- Runaway - Del shannon - Vale pelo Uah-uah-uah-uah agudinho no refrão
- Mirror Man - Human League - Uma dos primeiros hits que me lembro na vida, quando comecei a ouvir músicas na rádio com uns 11 ou 12 anos. O Ah-ah-ah-ah do começo é um espetáculo
- That Perfect Feeling - Bronski Beat - Mais uma technoboiolice antigaça
- Let's Talk About Me - Alan Parson Project
- Right Between the Eyes - Wax
- Time out for fun - Devo - Ok, isto é um clássico e não quero faltar com o respeito, mas o começo é uma tremenda tosqueira que justifica a inclusão aqui.
Set trilhas sonoras:- Neverending Story - Limahl - Conhece o Limahl? Nem eu.
- The Good, the Bad and the Ugly - Enio Morricone - A famosa musiquinha dos anúncios do Camel Trophy. O arranjo original é maravilhoso. Ainda por cima o DVD recebeu 100% no Rotten Tomatoes. Consta que será relançado nos cinemas. É obra-prima e vale correr atrás.
- Goonies are good enough - Cindy Lauper
- Ghostbusters - Ray Parker Jr.
Set Nacionais:
- Sônia - Léo Jaime
- Menina Veneno - Ritchie - Clichê, mas eu adoro e tinha que botar.
- Homem com H - Ney Matogrosso
Nacionais lentinhas ou "Desgraça pouca é bobagem", ou ainda "Alegria de Videokê":
- Vôo de Ícaro - Biafra - De onde veio e para onde foi o Biafra???
- Muito estranho - Dalto - Esse aí, consta que é cardiologista em Niterói
Divirtam-se no Kazaa... Sugestões?
Escrito por Costello 02:24
Sons captados Domingo, Setembro 07, 2003
Entrei inadvertidamente em modo trash. Deve ter sido culpa dos shows do Ballroom na sexta. Ninguém assiste o Glamourama impunemente. Já eram umas 3 da matina, eu zureta de sono, mas como já tinha visto os caras passeando no meio do pessoal de delineador e roupinhas fru-fru, sabia que não podia perder aquele show de jeito nenhum. Santa decisão. Abriu a cortina, e lá estão os caras com uma tremenda pose, imitando tudo quanto é trejeito de glam rock. O som é bem mais rápido e pesado que a aparência frágil dos moços poderia sugerir. Bons instrumentistas, bom cantor, tudo muito bem executado, com ares de banda profissional. Mas nada disso importa. O mais fascinante é espetacular cara-de-pau dos 5 integrantes.
Era só um festival independente no Ballroom, mesmo que bem cheinho, mas a banda se comportava como se fosse headliner de um mega-show no Maracanã lotado. Sei lá se eles são os ídolos de alguém (embora suspeito que estejam virando meus se o modo trash não passar), mas com certeza eles agem como se fossem. É um tal de olhares lânguidos, camisas se abrindo, beijinho entre os caras, se fosse sério ia ser só uma tremenda boiolagem, mas a brincadeira é óbvia: "Vamos fingir que somos uma super-banda andrógina e vocês são os fãs histéricos sedentos por nós". E todo mundo, desde a primeira música, embarca. Teve gente jogando flor no palco, que o vocalista rapidamente botou atrás da orelha, se transformando em uma mistura de Paul Stanley do Kiss com Sidney Magal. Teve integrante tocando no meio do público, que se esforçava pra tocar e tirar uma casquinha. Teve espectador no palco felizão cantando a música no microfone enquanto isso. Até mosh rolou, o pessoal escorando o cantor, não exatamente um cara pequeno. Em suma: Divertido demais. Show do Glamourama é pra ir e dar muita risada.
E ainda devem rolar uns efeitos colaterais, porque ontem assisti Shaolin Soccer. É um filme chinês que foi feito na época da Copa do Mundo da Ásia, mas o governo da China proibiu a exibição porque ele "ridicularizava o esporte", bem no ano em que a China participaria do campeonato. Nem sei se já liberaram por lá ou não, mas por aqui dá pra achar. É a tocante história de um astro do futebol que aceita uma propina, tem a perna quebrada pelo público revoltado e está na rua da amargura. Então ele topa na rua com um mendigo, ou "estudante pós-graduado em uma missão" de espalhar o Kung-Fu Shaolin, que estava ficando esquecido pelas novas gerações. Depois de algumas idas e vindas, eles fundam um time de futebol com praticantes de Kung-Fu para jogar o campeonato nacional. O filme tem um jeitão de anime filmado, as partidas de futebol na verdade são lutas cheias de poderes especiais de cada jogador, só que tudo levado ao total absurdo com o intuito de divertir mesmo. É um barato. Só as aparições do goleiro do time, idêntico ao Bruce Lee, já valem o filme.
E teve mais. À noite rolou Creature from the Black Lagoon. Crássico fime de monstro de 1954, com um extremamente assustador camarada numa roupa de borracha nadando todo torto e horrorizando uma expedição de incautos cientistas do "Instituto de Biologia Marítima" da Amazônia! O grande destaque é a mão da criatura, que aparece o tempo todo naquelas típicas cenas saindo da água e quase agarrando a perna de alguém.
Trash é vida.
Escrito por Costello 15:46
Sons captados Terça-feira, Setembro 02, 2003
O mais incrível de Piratas do Caribe é no fim do filme, quando você olha o relógio e percebe que entrou na sala do cinema duas horas e meia antes. Quando a diversão é boa, o tempo voa. E dá vontade de fazer rima rica.
Depois das habituais produções caras e ruins do verão americano, aportou aqui mais esta com a nada promissora origem em um brinquedo da Disneylândia. Como eu e as milhões de crianças brasileiras que inundavam Orlando (a cidade, não o Bloom) em épocas de dólar menos escorchante sabemos, Pirates of the Caribbean é um passeiozinho simpático onde você fica num barquinho vendo uns bonecos-robôs legais, mostrando várias cenas de uma invasão de piratas a um vilarejo caribenho. Esta atração, projeto do próprio Walt Disney para o parque original, em Los Angeles, é uma das mais lembradas e populares desde sua abertura em 1967, um mês após a morte de seu criador (Sim, pesquisei isto, sou maluco mas não a ponto de saber de cabeça algo assim).
E então, qual foi o louco que achou que um brinquedo de parque pode dar origem a um filme decente? E pior ainda, filme de Piratas é um gênero que só deve ter feito sucesso na época do saltitante Erroll Flynn, ídolo andrógino de nossas avós, porque nas últimas décadas só me lembro de Piratas do Polanski, um mega-fracasso de 86, e A Ilha da Garganta Cortada, estrelando a Geena Davis dirigida por seu maridão, levando a Carolco Pictures a naufragar nas profundezas da falência. Pelo jeito, existe mesmo uma maldição dos piratas, e só gente muito destemida para desafiá-la.
Gente como, por exemplo, Johnny Depp. O cara já mostrou coragem de sobra ao longo da carreira. Embora já tivesse debutado no cinema em A Hora do Pesadelo como isca de Freddy Krueger, foi revelado mesmo pela série televisiva Anjos da Lei, como membro de uma força policial de adolescentes infiltrados em gangues e outros perigos, sendo eleito o galãzinho da vez. Apesar de toda a expectativa em torno de sua carreira cinematográfica, que pela lógica teria alguma comédia romântica feita para catapultá-lo como bonitão, ele surpreendou todo mundo pela escolha de protagonizar uma releitura do monstro de Frankenstein em Edward Mãos de Tesoura (deixe-me fazer justiça ao Tim Burton, eu adoro esse filme, que já valeria só pela participação do Vincent Price). A partir daí, ele colecionou todos os tipos de personagens esquisitos, desajustados e malucos. Ficou nítido o seu total desprezo por papéis que exigiam mais um rosto do que habilidade de atuar. A fama de bad boy pegou, mesmo em entrevistas ele sempre se recusou a fazer o jogo do "Astro de Hollywood", apresentando-se desgrenhado, respondendo com monossílabos, deixando claro que showbizz não é a sua praia. Em compensação, de pouco em pouco sua reputação de ótimo ator só fez crescer, abrindo o caminho para a aparição de Jack Sparrow, o pirata doidão. O filme é dele. O filme é ele. Não há como imaginar o que teria sido de Piratas do Caribe se não fosse o Depp o escolhido para o papel. Seu sotaque incompreensível, o andar de bêbado, o modo como faz as coisas mais inteligentes com a expressão de pateta, enfim, é um trabalho brilhante o que faz de Jack Sparrow um dos personagens mais divertidos do cinema em muito tempo (e dói dizer isso, mas acho que barrou o Noturno de X-Men 2). E isso é responsável direto pelo filme ser igualmente divertido.
Claro que ter Geoffrey Rush como o outro pirata principal do filme não atrapalha em nada. Ele parece estar curtindo um bocado cada momento em que aterroriza a pobre mocinha. Aliás, que mocinha. A inglesinha Keira Knightley, com seu nome esdrúxulo e um arsenal de carinhas zangadas que faz qualquer um virar um cafajeste e querer dizer na cara dela a infame frase: "Sabia que você fica uma gracinha quando está bravinha?" E trocadilhos sofisticados como "Keira ou não Keira, eu vou..." completando com sua ameaça romântica predileta. Pena que seus dois pretendentes sejam gentis cavalheiros, os manés. Um é vivido pelo Orlando Bloom, o nosso bravo Legolas, que mesmo sem sua chapinha loira continua com cara de mulher. E de mulher feia. O outro é Jack Davenport, também inglês, ele fez por exemplo o delicado namorado do Matt Damon em O Talentoso Ripley. Mas ao longo do filme achei que o mais importante é a incrível semelhança do cara com o Brian Ferry, grande papa do Rock purpurina britânico. Não achei fotos boas o suficiente para provar isto, deixo essa pra vocês como sugestão para noites insones.
Ainda temos o problema do "filme-baseado-em-brinquedinho" para resolver. Piratas do Caribe, o brinquedo, não é exatamente uma atração infantil, mas é Disney. Como conseguir fazer um filme minimamente sério se é necessário fazer conexões com bonequinhos animados que cantam alegres? Pois bem, logo na primeira cena ouvimos uma menininha cantar a música-tema do brinquedo no meio de uma neblina, fazendo a conexão com o parquinho feliz, mas com uma atmosfera um tanto ameaçadora. À medida em que o filme avança, o medo de acabar asistindo a um filme de piratas bonzinhos e amiguinhos da garotada começa a virar medo dos piratas mesmo. Os caras são maus, feios, nojentos, repugnantes, cruéis, e ainda por cima, zumbis. O que mais se pode pedir? Uma das gags mais engraçadas, a dos presos tentando seduzir um cachorro carcereiro, também está lá, igualzinha, mas totalmente dentro da história, sem forçar a barra. É tudo bem divertido e um pouco sinistro na medida certa, exatamente como um passeio de parque de diversões. Méritos totais para o diretor Gore Verbinski, que depois de começar sua carreira não muito bem, com aquele filme de um ratinho fugindo de bandidos e o bobalhão A Mexicana, nos brindou com O Chamado (filme que quase me fez me borrar todo no cinema, aí indiquei pra todos os amigos fãs de terror, e TODOS odiaram e gozam de mim até hoje. Justo eu que passei a adolescência assistindo um filme de terror por dia, até acabar com todos da locadora), e agora mostra um domínio perfeito de como dar o clima certo a um filme comprido pacas, adicionando uma personalidade própria às obrigatórias cenas feitas para engrossar as filas da Disneylândia e fazer você esquecer da vida. Só então você se toca de como filme de piratas é legal, com lutas heróicas, cenários paradisíacos, navios bacanas, heróis valentes e vilões realmente detestáveis. Parece que a maldição finalmente foi quebrada.
Escrito por Costello 23:22
Que Coldplay que nada. A 60 pilas a pista e sem ser lá muito fã, não dá. Ouvido Penico dá alternativas aos cariocas que querem curtir um bom show nesta semana: Na sexta-feira rola a festa de 5 anos da London Burning, projeto de Luciano Vianna que agita a Bunker com shows de Rock. Desta vez a London vai acontecer em duas casas simultâneas, cabendo a nós a cruel escolha de onde ir.
No Ballroom, teremos: Pitty, Autoramas, Narjara, Glamourama, Pelvs e E.S.S. (de Curitiba). Em suma, tirando a nossa Avril baiana que já está no mainstream (e tenho curiosidade de ver ao vivo), é o que o underground carioca tem de melhor a oferecer no momento. O ingresso está a 15 reais, mas tem um e-flyer no site que dá 20% de desconto. Como aqui sempre entregamos o serviço completo, fiz a gentileza de executar este difícil cálculo, dá 12 reais, equivalente a exatamente 20% do ingresso do Coldplay pra ver 6 bandas. Negócio da China ou não é?
Mas espere, ainda tem mais. Na mesma noite, na Bunker, teremos: Noção de Nada, Hill Valleys, MacFly, Supertrumpho e Super SaiaJeans, onde o Ricardo, tecladista dos Hereges, toca batera. Com o e-flyer do site, apenas 10 reais. Nem 17% do preço do show dos ingleses. Quer mais? Beleza, as primeiras 50 mulheres que entrarem com este e-flyer não pagam nada. Desconto maior não dá.
Nesta semana só não vai em show bom aqui no Rio quem não quiser.
Escrito por Costello 03:48
Sons captados Segunda-feira, Setembro 01, 2003
Rock Horror Reality Show - As aventuras de uma banda underground do Rio
Como vocês já sabem, o bom do primeiro e último show dos Hereges foi que a receptividade foi bem acima do que esperávamos, e agora tem um monte de gente nos perguntando quando será o próximo. O ruim é que não temos nem repertório nem gravação decente para nos inscrevermos por aí em casas ou festivais. Pra dar um jeito nisso, fechamos um pacote mensal de horas com o estúdio. Pagamos 20 horas mensais adiantado, e ganhamos um descontinho, fora a segurança de ganharmos nosso próprio horário cativo.
Então domingo de 17 às 20 rola o ensaio de músicas próprias. Estamos trabalhando no momento 3 músicas novas. Uma já está quase no fim. O apelido dela, na falta de título, é "Balada Triste". Porque é a nossa primeira balada. E é triste. Normalmente a última coisa que escrevo em uma música é o título, então enquanto estamos trabalhando nelas eu vou dando apelidos inteligentes como esse.
A exceção nos meus rascunhos de letras é um título solto, "A Vingança dos Oompa-Loompas". Acho que vale a explicação sobre a frase bizarra. Lembrei das criaturinhas de "A Fantástica Fábrica de chocolate", e aliás aprendi que não se chamavam "Lumpa-Lumpas", em um post antigo da Persona Non Grata Flávia. Eu morria de medo dos anõezinhos laranjas de cabelo verde da fábrica do Willy Wonka, ainda mais quando eles cantavam aquela musiquinha sinistra "Oompa, Loompa, Doompa-dee-doo". Sempre morria um molequinho no filme nessas horas. Intrigado pela lembrança do post, saí pesquisando e deparei-me com esta página maluca, denunciando a triste história deste povo e os maus tratos a que os tampinhas eram submetidos por parte do terrível Sr. Wonka. O tal título me veio imediatamente à cabeça. Não tenho a menor idéia se pode dar algum fruto musical, mas que é um tremendo começo, não tenho a menor dúvida.
Pois bem, hoje demos o formato final pra tal Balada Triste. Ainda resta algo da letra pra escrever, mas posso adiantar o refrão: Espera na porta alguém para confessar Sussurra em línguas mortas sem perceber Ninguém se importa, ninguém quer ver... Pois é, meio pretensioso, mas sou assim mesmo. Hoje também acertamos uns 80% da "Balada Psicodélica". Esta música é outra balada. E é psicodélica. Bem, acho que vocês já entenderam meu sofisticado código de apelidos de música. Fiz uma melodia meio doidona, sugerindo mil reviravoltas, aí a banda se esbaldou no estúdio, eram tantas idéias que cada um ia dando que a gente começou a não se entender mais e acabou virando a maior discussão. Quando calamos a boca e tentamos tocar, o resultado foi... Bem, imaginem balada com piano, depois Heavy, depois Rock bem anos 80, depois marcha, depois um troço funkeado... Pensando bem, não imaginem. Deixa que a gente já fez isso, vocês serão os juízes se funciona ou não no nosso próximo show. Também já fiz a estrutura final de "As Coisas". É um Rock alegrão. No próximo ensaio a gente deve atacar.
Então o repertório está crescendo rápido. O dos Covereges também. Selecionamos quase 40 músicas, e veremos se vamos conseguir o sonho de tocar em bares que paguem couvert para que a gente consiga financiar o CD demo herético. Em um post futuro, nosso repertório de covers. Mas agora...
...Não resisto, voltemos aos Oompa Loompas. Primeiro de tudo, se você apertar "Play" abaixo, poderá ouvir o canto de morte dos anões malignos.
Quem assiste o Jackass pode ter visto um episódio onde o anão da turma, Wee Man, está vestido de Oompa-Loompa e fica imitando a coreografia do filme ao som desta música. É engraçado pra caramba.
Outros links de páginas estúpidas sobre os pequeninos:Notícias semi-confiáveis dão conta de que a Warner conseguiu a aceitação da família do Roald Dahl, autor do livro no qual o filme de 1971 se baseou, Charlie and the Chocolate Factory, para uma refilmagem. O filme original é um clássico dos clássicos, o que faz desta idéia, como a maioria das refilmagens, um enorme erro. Então, para ter certeza de que será mesmo um erro, a Warner chamou para direção um especialista em refilmagens ridículas: Tim Burton. Seu último filme foi uma das piores coisas que assisti na vida, o remake de Planeta dos Macacos. Não é necessário nem comparar com o original, o filme é ruim de doer por seus próprios méritos. Roteiro patético, clichês risíveis, buracos gigantes na lógica da coisa, a macaca-Michael-Jackson... Argh.
O papel de Willy Wonka foi oferecido a Johnny Depp, que já trabalhou com o Burton em Ed Wood, Edward Mãos de Tesoura e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça. Após o sucesso gigante lá fora de Piratas do Caribe, o cachê vai ser algo de espetacular. Pelo menos o cara é muito bom. O filme está agendado para 2005. Não estou ansioso.
Escrito por Costello 03:34
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