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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

A trilha sonora deste blog está na Rádio Ouvido Penico na Usina do Som. O Som Punk, New Wave e Pop dos anos 80 com algumas esquisitices extra.

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Sons captados Sexta-feira, Outubro 31, 2003


Estou trabalhando dia E noite. No meio dessa bagunça, cada vez a banda fica mais séria e com mais projetos pra tocar. Disso, e do show que já está marcado para daqui a 2 semanas eu falo em breve. Porque a falta de tempo propicia notinhas curtas:

O show do Los Hermanos ontem. Um absurdo. Total comoção, neguinho pogando em música lenta, todo mundo pulando, cantando, gritando, beijando. É simplesmente uma banda preocupada em fazer boa música. E é um alívio ver na prática aquilo que sempre acreditei mas às vezes duvido: Música boa toca a alma, e faz ser feliz. Sempre existirá um público pra isso. Sempre.

E quanto a mim, os caras tocaram Último Romance e eu cantei junto, chorando discretamente. Músicas assim me fazem agradecer por estar vivo.

(Enquanto isso escuto o cover de Hurt do Johnny Cash. É um pequeno milagre.)




Sons captados Quarta-feira, Outubro 29, 2003


Ok, no meio de tanto debate sobre o 2 ser pior que o 1, se a filosofia é inteligível ou não, se as cenas de luta foram monótonas ou não, se valeu o hype ou não...

Só quero dizer o seguinte: O trailer de Matrix Revolutions deu vontade de tacar todo o meu senso crítico pro alto e assistir de joelhos na primeira sessão. Cinemão bem-feito ainda é uma raridade, e é uma das coisas da vida que traz felicidade e gozo total.

Meu Deus, mais um pouco e teremos o Retorno do Rei... O que mais um nerd precisa pra ter um fim de ano feliz?




Sons captados Segunda-feira, Outubro 27, 2003


Para o horror dos nacionalistas eu admiro pacas boa parte da cultura que me chega lá de fora, e cometo a heresia (sim!) de comparar e considerar muito melhor do que muito do que é produzido em nossas playas. Por exemplo, pra variar fui hoje no cinema e tinha uma fila gigante. Graças a Deus não era para o filme que eu ia ver, que aliás estava vazio, afinal quem mesmo são os irmãos Coen? Acho que de Coen o pessoal que estava na fila só conhecia o tal do Alex. Porque todo mundo se comprimia pra assistir Os Normais. Isso mesmo. Aquele negocinho que você assistia de graça na TV. Aquele que estava ficando cada vez mais cansado. Agora paga-se ingresso pra ver. E todo mundo vai, e vai dizer pros amigos que foi o mááááááximo. Nem vão perceber que linguagem de TV é uma, e de cinema é outra, e um diretor de TV não necessariamente consegue dar fôlego a 90 minutos de alguma coisa pensada para muito menos tempo, com cenas mais curtas. Mas estou falando sem ter assistido, e nem vou assitir porque sinceramente a coisa não me atrai.

Todo mundo festeja pra caramba os roteiristas de Os Normais como se tivessem descoberto a pólvora. Depois de uma temporada bem-sucedida, lançam a segunda, recebida com alguma decepção por quem assistia. Aí rolam as entrevistas dos gênios dizendo que não conseguiam mais criar novas situações, e iam acabar com a série. Surge um filme, do mesmo diretor da TV. Se faltava idéia, pra que o filme? Caça-níqueis e só.

Agora vejamos. Os Normais é uma série baseada naqueles enlatados tipo Friends. Sabe, aqueles feitos por roteiristas que são verdadeiros craques, que enquanto a série é considerada lucrativa pela emissora, conseguem se desdobrar para fazer histórias interessantes e piadas fresquinhas. No caso de Friends, por 10 anos. No caso da minha queridíssima Buffy, uma historinha mequetrefe de uma caça-vampiros patricinha e seus amigos nerds foi esticada com honras, reviravoltas e muitos capítulos inesquecíveis por 7 anos. O mentor da coisa, Joss Whedon, ainda aproveitou o sucesso para criar uma série filhote com alguns dos personagens, Angel, que continua no ar. E os redatores do David Letterman, que conseguem renovar o hilário estoque de piadas e gozações há 10 anos? Será que dá pra começar a comparar com o brasileiro gordinho que tenta imitá-lo descaradamente, com um programete perdido na madrugada que às vezes chega a ser constrangedor?

Às vezes nossa inteligentzia é uma droga de deslumbramento. Eu só bato palmas pra quem é profissional e demonstra talento com coerência. Tô fora de queridinhos da mídia que mesmo dando mostras de total amadorismo continuam na crista da onda com status de estrelas. O fenômeno obviamente não afeta só pseudo-escritores, mas vários atores medíocres considerados monstros sagrados em novelas, diretores que só dominam o diálogo em close, e, como não podemos deixar de perceber, incontáveis bandinhas de "Rock" que nos assolam.

...Os Hereges vêm aí.




Sons captados Domingo, Outubro 26, 2003


Rock Horror Reality Show - Acompanhe a dramática vida de uma banda underground carioca
Finalmente conseguimos. Após adiar algumas vezes por um monte de motivos, fizemos o nosso retiro musical neste fim de semana. Todo mundo combinou de tirar a sexta-feira livre, então viajamos na quinta à noite para uma casa de praia, com todo o equipamento, e ficamos enfurnados lá até domingo à noite. Em uma palavra, foi intenso.

Primeiro, as horas de planejamento. Só eu e o André pudemos ir de carro, e como foram 3 groupies (na verdade minha esposa, uma amiga e a namorada do André, mas deixem-me sonhar) as tralhas nem começariam a caber. Descolei uma pick-up para fazer o frete, e acumulamos amps, instrumentos (o teclado do Ricardo é descomunal e não entra em quase nenhum porta-malas) e bateria na casa do Leo, para que na quinta antes de sair ele ajudasse a carregar tudo na caçamba. Essa parte funcionou bem. O André nunca tinha viajado pela estrada em que iríamos, então descolei também dois walkie-talkies, relembrando uma das alegrias da infância. Dessa forma eu ia avisando na frente, pelo radinho, o caminho a ser feito e onde tinha radar, fora as inevitáveis bobagens e piadinhas infames. Essa parte também funcionou bem. Insisti no trabalho pela dispensa na sexta, e consegui sem maiores traumas. Mais uma coisa que nos ajudou.

Então obviamente, algo não funcionou nada bem. Pois quinta-feira estava lá eu feliz no escritório (aliás um muquifo, é uma sala de reunião onde se comprimem 6 pessoas e 4 computadores), na expectativa da viagem, e começo a me sentir não muito bem. O corpo doendo, cabeça rodando, um frio danado. Febre. Como não ia trabalhar no dia seguinte, tive que ficar lá acabando o que quer que fosse. No fim do dia eu teria uma reunião fora. Saí para a reunião, após 20 minutos no ponto de ônibus senti que não aguentava mais ficar em pé. O táxi ia sair caro, mas foi o jeito. O taxista viu meu estado e ficou perguntando se não era melhor parar numa farmácia. Enquanto isso eu ia ligando pros caras da banda pra ver se tudo estava ok. Minha casa ficava no caminho, e fui direto pra lá. Nessas horas a esposa médica é tudo na vida. Dá remédios, não cobra a consulta, e ainda faz um carinho. Dormi uma meia hora e fui pra tal reunião. De lá encontrei o pessoal e fomos pra estrada.

2 horas de viagem, chegamos, abrimos a casa, nos instalamos, explramos o lugar, ficamos batendo papo. Tava um ventinho frio. Batata, no dia seguinte, mais febre, com o bônus da dor de garganta. Mandei tudo pras favas, vesti um casaco, tomei lá uns remédios e ensaiamos o dia inteiro. De noite, tentei dormir e não consegui. Um mal-estar sinistro, o estômago todo embrulhado. Estava doendo. Rolava na cama e tentava ignorar. Queria ver quem era mais teimoso, eu ou a dor. Numa derrota humilhante, às 4 da manhã eu tava dobrado de dor, urrando na cama. Dessa vez foi minha mulher que tentou ignorar, mas lá pelas tantas viu que não era frescura e se convenceu de me levar prum hospital. Levantei, fui pegar o tênis, tudo ficou preto. Sentei. Senti que ia desmaiar, resolvi eu mesmo deitar no chão porque pelo menos dali eu não passava. Foi fechar o olho e tomar uma colherada cheia de sal na boca. Saí tossindo sal na casa toda, mas aquilo me reanimou. Sempre a esposa, que não perde uma chance de dar uma torturada.

Fomos pra cidade procurar um hospital. Achamos um pronto-socorro público. Entramos, e a única pessoa que tinha lá dentro era um camarada aleatório que parecia ter entrado pra assistir uma televisão que havia na sala de espera. Ele se assustou com minha aparência pálida e porque não gótica, mas médico mesmo, ninguém sabia. Lá pelas tantas aparece uma enfermeira arrastando o pé, que me levou à sala de emergência, biombos separando macas com um monte de caras arrebentados. Obviamente tinha uns dois bêbados na glicose. Um deles ficava gritando "Nós vamos morrer!". Era animador. Tomei plasil, ranitidina e outros troços na veia, e depois tive que ficar no soro. O troço ia pingando devagarzinho, minha esposa aumentou a velocidade pra ver se a gente caía fora logo. Meia hora depois, aguentando os papos de bêbado e gemidos em geral, o soro acabou e avisamos a enfremeira todos contentes. Eu já estava melhor e só queria ir embora dali. Qual não foi a decepção quando a moça (nem tão moça assim) volta com outra garrafinha de soro, cheinha. "A doutora falou que são dois". E dessa vez ela não furou o frasco, o que deixa o fluxo mais lento. Cansado de ficar contando as gotinhas que caíam na minha corrente sanguínea, acabei virando pro lado e finalmente tirando um cochilo. Acordei com minha esposa procurando a enfermeira, pois já tinha acabado o soro há um tempo. Ela falou que era preciso esperar a médica. Uma hora depois, nada tinha acontecido. Decidimos fugir. Minha mulherzinha, usando sua experiência em emergência, me tirou a agulha da mão e praticamente saímos correndo dali. Só demos um tchauzinho pra uma recepcionista que estava na porta (já era dia), que retribuiu alegremente.

Me livrei da roupa que estava usando, pensando na possibilidade de tacar fogo em tudo pra descontaminação, mas do casaco eu gostava bastante. Dormi umas 4 horas. Acabamos tirando o dia pra bater papo, fazer planos, discutir muita música, mas não tocamos. Juro que achei sal na minha orelha.

No domingo, eu já estava sem voz nenhuma. Ainda assim ensaiamos pacas, conseguindo finalizar "As coisas", "Nem eu nem você", e as cognominadas "Balada Triste", "Música do Ricardo" e a ex-"Balada Psicodélica", que devido às variações absurdas de arranjos que criamos acabou tornando-se "O Everest da música", com o possível subtítulo "Quero ver alguém fazer cover DISSO". Temos então 10 músicas prontas. Um show de uma hora, sem contar com covers.

Antes de ir embora ainda deu tempo para momentos de lazer, cujo ápice deu-se com 3 hereges cujos nomes é melhor não citar juntos em uma jacuzzi cheia de espuma. Coisa mimosa. Só na hora de voltar o pessoal entendeu que eu não estava brinacando quando disse que só tinha arrumado o frete pra ir, e não sabia o que íamos fazer pra levar o equipamento de volta. Escapei com vida porque meus pais estavam por lá e concordaram em levar a bateria. Tudo sempre dá certo no final. Fora gripe, que me tirou a voz a semana inteira e ainda me deixou de cama um dia e meio.

Agora o negócio é sair arrumando shows. Estamos sendo mais agressivos nos contatos, falando com todo mundo, mesmo sem uma demo decente pra mostrar. Tudo correndo bem, já em novembro, os Hereges vão voltar a falar, para não mais se calarem. Falando em demo, eu fiquei de jogar uns mp3 aqui. Tou com vergonha. Porque no meio da ruindade geral do som, o pior foi a voz. Cheia de eco, parece que estou cantando no banheiro, e com vários desafinos ridículos, quando eu simplesmente perdia a paciência pra ficar regravando. Acho que vou botar voz tudo de novo, aí ponho aqui algum mp3. Não quero que vocês saibam o quanto realmente sou ruim.

Em compensação, tenho fotos. E mais novidades da banda. Próximo post.




Sons captados Terça-feira, Outubro 21, 2003


O Metallica não vem mais. Eles eram os caras que fizeram One, Enter Sandman, Unforgiven. Mas faz tempo que viraram apenas os cretinos que desempenharam o papel de artistas indignados para que as gravadoras destruíssem o Napster na justiça. E ainda me fazem esse álbum vagabundo, que só conheço dos clipes (ruins por sinal).

Alegaram cansaço. Li em algum outro lugar da web, mas tive preguiça de conferir, que o último show deles foi em Agosto. Verdade ou não, esse negócio de cansaço que eu saiba não rola se o show é lá fora. Querem saber, o Rio está muito mais bem servido, pois o show dos Los Hermanos no TIM Festival é no mesmíssimo dia do show cancelado. Não troquem uma banda de verdade por um pálido arremedo de celebridades cansadas fingindo que não tocam só pela grana.

E falando no festival, troco o Som em Questão para o Elephant do White Stripes. Gostei mais do que esperava. E vocês?



Mais um momento palmas pra mim que eu não mereço. O blog da Bêbada e e do Equilibrista tem uma popularidade imensa. O que me deixou ainda mais embasbacado quando li este post que reproduzo na íntegra:


A única explicação que tenho para isso é que às 3:57 da matina as pessoas podem delirar um pouco. Equilibrista, meu filho, essas nights na loucura total estão te fazendo mal...

...E ainda me pegou sem um discurso de agradecimento pronto, que gafe. Só me resta indicar a visita ao blog dele (Clique no post acima) e dos outros "indicados", 100 Sal e Valha-me Deus!




Sons captados Quarta-feira, Outubro 15, 2003


Uma nota totalmente pessoal, seus pervertidos
Domingo, dia 12 de Outubro de 2003. Dia da padroeira do Brasil mas eu não acredito nessas coisas. Dias das crianças, nas quais também não acredito. Um dos dias mais memoráveis do ano para mim. O dia que consolidou este blog na minha vida.

Neste dia eu cruzei com uma pessoa no icq. Leitora eventual deste blog. Autora ela mesma de um blog do qual era fã ardoroso. Às vezes a gente batia longos papos por icq ou e-mail. Descobrimos que estudamos na mesma universidade na mesma época, morávamos a algumas quadras um do outro, conhecíamos gente em comum. Idades parecidas, crises parecidas. Uma afinidade legal.

Quem acompanhou este blog desde o início sabe que fiz isso aqui meio de zoeira, por estar desempregado, após ler centenas de blogs horrendos e decidir pagar o mico de ter um só pra ver o que rolava. De repente fui conhecendo gente, pelos comentários ou e-mail. Não sou um adepto de papos virtuais, tentei algumas vezes por vários meios. Eu esperava que só houvessem desocupados, como eu, mas cheguei à conclusão de que só há tarados, malucos e carentes em geral. Tô fora e acho que se gasta muito tempo trocando bilhetinho. Melhor sair pra bater um papo. Sendo casado, não tenho toda essa liberdade de tempo ou mesmo de intimidade, mas mesmo assim alguns leitores eu acabei conhecendo pessoalmente.

Menos esta pessoa, com quem eu batia papos como quem estava trocando uma idéia, sem compromisso, com um amigo. Até propus alguma coisa, pra quem trabalha no centro do Rio é tranquilo se encontrar pra almoçar, mas aí senti que ela ficou ressabiada. Acho que por outras circunstâncias, tomou um sumiço temporário. E no domingo nos topamos por icq. Achei legal. Mas não achei o papo legal. Por algum motivo achei que ela estava realmente me cortando direto. Fiquei ofendido. Primeiro porque já tinha decidido bobamente que aquela era uma amiga, e não uma pessoa com suas próprias restrições de intimidade. Depois porque quando uma menina começa a cortar, fica a nítida impressão que ela acha que você está, por assim dizer, fazendo uma investida, por isso sente a necessidade de marcar distância. Como um cara casado, e que mesmo na época de solteiro era reconhecidamente respeitador e amigo segundo eu mesmo, ou devagar e peganínguem segundo alguns, me senti ofendido. De verdade. Escrevi um e-mail furioso. Botei banca. Dei liçãozinha de moral. Acertei algum nervo lá do outro lado. Não esparava resposta, mas veio com raiva no mínimo equivalente. Era pra ser adeus. Mas do alto de meu orgulho ainda achei que dava pra ser um adeus menos negativo. Escrevi mais algumas coisas mostrando o porquê de eu ter ficado ofendido, e reiterei a admiração, dizendo que não ia mais escrever mas ia continuar torcendo pela felicidade dela e lendo o seu blog.

Domingo, dia 12 de Outubro de 2003. Uma discussão idiota como qualquer outra. Mas foi neste dia também que ela simplesmente tirou o blog do ar. Acho que não foi só por causa disso, mas temo que possa ter sido a gota d'água pra essa decisão. Este domingo ensina que blogueiros como eu podem ser apenas patéticos egomaníacos, mostrando falsa simpatia em posts cuidadosos, mas na verdade sem a menor consideração pelos outros, e sem nenhuma responsabilidade em suas interações virtuais.

Mas eu disse que conheci outras pessoas. Tem outra menina. Também com blog. Também desempregada, quando começamos a nos falar. Arrumei meu empreguinho. Descobri que ela era interessada na mesma área. Lá pelas tantas descobri que a empresa pensava, para um projeto futuro, em alguém cujo perfil se encaixava. Descolei a entrevista em um fim de semana que ela iria passar aqui no Rio. O pessoal (E eu) teve a melhor das impressões. Méritos totais pra ela. Aí saiu o projeto. É gigantesco, frisei que iríamos precisar de toda a ajuda que pudéssemos arrumar. Sondei a menina de novo. Se pintasse uma proposta legal, ela se mudaria pro Rio o quanto antes? A resposta foi sim. A proposta pintou.

Domingo, dia 12 de Outubro de 2003. Chegou na cidade a mais nova paulista moradora do Rio de Janeiro, como eu. Chegou a mais nova integrante da minha equipe de trabalho. Este domingo ensina que blogueiros como eu podem ter oportunidades genuínas de tentar ajudar as pessoas legais que existem aos montes neste meio. E como blogs podem ser tão mais do que mero veículo para vaidades, transformando-se em meios de interações bacanas, aproximando gente que de outro modo jamais se conheceria e partilharia momentos tão especiais.

Um dia dolorido demais, porque não terei mais a chance de consertar algo que estraguei, nem de voltar atrás com alguém que acho que magoei. Um dia feliz demais, porque coroou um pequeno esforço para ser relevante na vida de alguém. Um dia inesquecível que tive que compartilhar com vocês, porque são parte inseparável disso aqui.

Update: E não é que o blog da primeira moça voltou pro ar? Graças a Deus.




Sons captados Sábado, Outubro 11, 2003


Quem é esse cara?Séries de TV - Parte 2: Se eu fosse muito curioso, ia ficar com ódio. No começo do ano a Fox perturbou com o anúncio de uma nova série, puxada pela pergunta: "Quem é John Doe?". Em maio a coisa estreiou, assistia de vez em quando. A premissa era a seguinte: Um cara de jaqueta de couro e um carango maneiríssimo sofria de profunda amnésia, não sabendo quem ele era nem reconhecendo ninguém. A polícia o acolheu após encontrarem-no no mar gélido da costa de Seattle, e ele foi batizado de John Doe (em português seria algo como "Fulano de Tal", muitas piadinhas da série rolavam em torno da reação das pessoas ao ouvirem o nome dele, se você não tinha entendido, agora já sabe porque. É, eu sei, esse blog é cultural demais). Logo a polícia descobriu mais duas coisas sobre o desmemoriado: Ele via tudo tudo em preto e branco, exceto algumas coisas que possivelmente tinham algo a ver com o seu passado. E o mais importante, ele sabia absolutamente tudo. Tudo sobre tudo. A quantidade de carros azuis de Seattle em 1993. A composição da Coca-Cola. Porque os kamikazes usavam capacete. Quem matou Odete Roitman. Uma espécie de MacGyver-remix, sem o mullet, e com uma grande variações de combinações de testa franzida e olhos arregalados para demonstrar emoções. A primeira coisa que ele fez com suas habilidades foi ir para a bolsa de valores ficar milionário. Cara bacana.

A partir daí acompanhamos as aventuras do cara, junto com seus amigos Karen, uma estudante de artes que cuidava da casa e funcionava como uma baby-sitter dele, Digger, o dono do bar no térreo de seu prédio, o indipensável policial negão e uma policial meio baranga, que sei lá os nomes. O policial, sempre meio irritado quando John Doe começava a desfilar cultura inútil, e metido em crises pessoais, era bem engraçado. Mas a grande estrela era o Digger, que com sua cara de Marcelo Madureira do Casseta e passado nebuloso de ex-agente do governo, era o cara cool em pessoa. Pois bem, os episódios giravam em torno de mistérios insolúveis, tipo assassinatos estranhos, que John Doe ajudava a polícia a resolver, enquanto recolhia pistas sobre a sua origem. O clima era meio Arquivo X, tinha bastante suspense, algum sangue, organizações secretas, um cetro que estaria guardado pelo Vaticano... E aí acabou a série sem ninguém explicar porcaria nenhuma. Acabou mesmo, pra sempre. A Fox não vai fazer uma segunda temporada. Jamais saberemos quem é John Doe.

Se bem que com uma história dessas, qualquer explicação corria o risco ser cretina. Em uma entrevista coletiva após o cancelamento, uma executiva da Fox explicou que Doe não era nem um gênio, nem experiência científica, alien ou robô, só um cara normal que passou pela morte. Porque quando você morre, você recebe todo o conhecimento do universo. E por algum motivo o Doe voltou da morte. Ah bom! Talvez tenha sido melhor ter acabado mesmo. Nesta página, os resumos de todos os episódios.

Deixa eu avisar logo que Firefly também já está cancelada, caso alguém tenha tido a idéia de acompanhar.




Sons captados Sexta-feira, Outubro 10, 2003


Eu gosto de filme de grandes golpes. Mesmo quando é bobo, é divertido. Por isso, e pela boa recepção lá fora, fui ver a pré de "Uma Saída de Mestre", tradução idiota para "The Italian Job" tentando associar o filme a "Um Golpe de Mestre", crássico com Newman-Redford e aquela musiquinha infame. O elenco é bacana, embora o nosso amigo Mark Wahlberg, pra mim, continue sendo eternamente o saudoso Marky Mark que nos assolou malhando com halteres de cimento ao som de "Good Vibrations", ou mesmo o irmão do não menos saudoso Donnie do New Kids on the Block. Canastrão pacas e sem um pingo de carisma, mas a companhia do Donald Sutherland e Edward Norton salvam bastante. Obviamente, a Charlize Theron jamais atrapalha, tirante um cabelo alisadão-platinado que estava mais adequado pras minhas vizinhas da Barra do que para musa do cinema. Fiquei pensando se alguém anotou a placa do cabelereiro. Aliás, antes que alguém pense que eu sou muito boiola por conta desta preocupação com cabelos que demonstrei, aviso que tal atenção vem de um trabalho anterior onde me familiarizei com produtos capilares e fiz cursos de tinturas e afins. Cheguei a colorir os cabelos de uma menina que serviu de cobaia, ela era loira, saiu ruiva. Fiquei muito orgulhoso do resultado. Pronto, agora que todo mundo vai ter certeza absoluta de que sou muito boiola, não preciso mais me preocupar. Problema de vocês, seus recalcados.

Mas onde eu estava mesmo? Ah é, o filme. Tem um roubo legal seguido de uma perseguição de lanchas pelos canais de Veneza. Rolam outras perseguições bem legais, com uns mini-carrinhos turbinados. Dá vontade de comprar um. Rolam piadinhas legais também. Em suma, vruuuuum, hahahaha, ih-olha-o-Marky-Mark. Divertido, não considerei perda de ingresso. Já é muito pra um filme de ação. Não precisa ir pro "Filme em questão". Deixa o "Bem-me-quer..." por lá. E vai terminar o festival do Rio sem eu ter visto absolutamente nenhum filme. Não digam que eu não aviso que vocês estão lendo o blog de um total desinformado. E que chama os poucos leitores de recalcados.




Sons captados Quarta-feira, Outubro 08, 2003


Séries de TV - Parte I: Como assim?
Alguém me explica o final de The Osbournes, que foi pro ar ontem, por favor??




Sons captados Sexta-feira, Outubro 03, 2003


Festival do Rio é o escambau. Cheio de filmes armadilha-pra-trouxa. Ou pra quem se acha cineasta, sei lá. Obviamente alguns parecem bem promissores... Aqueles que passam num horário fora de mão em cinemas longe e de qualquer forma já esgotaram os ingressos faz tempo.

Eu tava muito a fim de ver, por exemplo, o novo da Sofia Coppola. Assisti uma vez, meio sem querer, o primeiro dela, "As Virgens Suicidas". Um filme contemplativo e muito bem filmado, mas daquele gênero, ao qual pertence "As Horas", onde os acontecimentos em si não importam tanto. O que importa é o sentimento dos protagonistas. Acho que esse tipo é "Ame ou odeie", porque ou você se identifica com os sentimentos e chora junto, ri junto, e vai numa viagem inesquecível, ou tenta ficar só seguindo a história, em busca de um sentido pra tudo aquilo no final, que obviamente nunca vem. A vida não é assim? Se ficar esperando o fim pra entender alguma coisa, já perdeu totalmente o que deveria ser entendido. Então alguns filmes assim eu amo. Me fazem sentir vivo. E Virgens Suicidas foi um desses que mexeu comigo de verdade, eu que sempre me identifico com amores adolescentes desesperadamente platônicos. Pra variar, todo mundo que conheço detestou.

De qualquer forma, queria ver Encontros e Desencontros, também dirigdo, e escrito, pela Coppola filha. Lá fora já andam falando em indicação ao Oscar para o Bill Murray. Só pelo inusitado disso acho que o filme já valeria. E cadê o ingresso? Melhor esperar a estréia. Aos Treze está causando um certo furor nas terras de Bush. Boa bilheteria, boa crítica. No tickets. Uma hora dessas estréia também, fico no aguardo. Elephant também acho que está garantido. American Splendor? Bem, talvez role mais tarde também, pra que correria?

O Rio tem andando com boa oferta de estrangeiros não-Hollywood, com ou sem festival. Como "Bem me quer, mal me quer", por exemplo. Estreiou há 3 semanas, meio sumidinho no meio de tanta farra cinéfila, nego pode achar que é só mais um romance blá-blá-blá francês. Depois do sucesso de Amelie Poulan, ter a Audrey Tatou é um trunfo, mas uma atriz simpática não garante que o filme seja grande coisa. Mas um roteiro bacana e uma direção esperta garantem, sim. E é isso que se vê neste filme.

A primeira metade é uma história de amor entre nossa heroína e um cara casado, que fica naquele clássico larga-não-larga, para a crescente angústia da mocinha. Até aí, nada demais. Mas de repente, o filme volta ao ponto inicial. A primeira cena começa outra vez, mas a câmera segue outro personagem. A partir de então, a mesmíssima história se repete, mas do ponto de vista de outra pessoa. Em suma, é um daqueles filmes onde a narrativa em si é parte integral da história. Como em Amnésia ou Sexto Sentido, você começa a perceber que o que vê é apenas o que é mostrado, e não a verdade completa. Outro princípio básico da vida, muito bem explorado aqui. A coisa não se resume só nisso, o modo como as versões se entrelaçam e as conclusões sobre a realidade da história são cada vez mais interessantes e surpreendentes.

Em resumo, não vai mudar a vida de ninguém, mas é ótimo passatempo. Basta dizer que arrastei um pessoal que estava pensando em ver Bad Boys II, e eles gostaram. Acho que vale a dica.




Sons captados Quinta-feira, Outubro 02, 2003


Rock Horror Reality Show - A dura vida de uma banda underground carioca
A semana passada foi uma loucura total. Não há outra forma de descrever. A inscrição pro Kaiser Music acabava no fim da semana, e a idéia era conseguir fazer o kit de inscrição em 5 dias. Com a suspeita, graças a Deus não confirmada, de fratura no dedão do nosso pianista e dublê de Wolverine Ricardo, já tínhamos marcado uma sessão de 4 horas de gravação de bateria no estúdio no lugar de ensaio. A logística foi algo complicada, tivemos que ir em 2 carros para a casa do Leo buscar a bateria, porque nosso batera investiu no seu instrumento e não se satisfaz com bateria de estúdio. Até o tapete especial dele, de borracha, e pesado pra burro, tivemos que levar. Foi uma hora inteira para montar e microfonar tudo.

A partir daí nós ficávamos em outra sala, o "aquário" do técnico de som, onde fica o computador de gravação, primeiro decidindo qual seria a velocidade de cada música, para o computador gerar o "clique" no tempo certo. Depois, o Leo ouvia pelo headphone, tanto o clique quanto nós tocando os instrumentos e cantando lá da outra sala para que ele pudesse se guiar. Qualquer variação de velocidade e tínhamos que começar tudo de novo. Saímos com 5 baterias gravadas.

Na segunda-feira, todo mundo na casa do Ricardo para gravar as suas partes. Fui lá direto do escritório, já com a guitarra e o baixo no computador. Como estou com uma nova professora de canto, recém-comecei um trabalho de timbragem que envolve mudar totalmente o meu jeito de respirar e jogar a voz. Estou em plena transição, meio barro meio tijolo, joguei uma mistura das técnicas velhas com as novas, mesmo. Pro pessoal que acha que cantar é mais simples que tocar um instrumento, pense de novo. É impressionante a quantidade de coisas que pode-se fazer errado ao cantar. Primeiro, o básico, tentar não desafinar em nenhuma nota, das centenas que fazem a música. Pegou menos ar que o suficiente, babau, dança aquela notinha aguda do refrão. Então, acerta a respiração. Depois de treinar bastante, tá tudo indo bem, você concentrado em nas notas, aí erra a letra. Tudo de novo. Aí uma frasezinha atrasou um pouco em relação à bateria, e ficou feio. De novo. Aí parece que acertou tudo. Ouve: A interpretação não ficou boa. Aquele pedaço mais raivoso você cantou suave demais. O pedaço suave você cantou "duro" demais, provavelmente pela preocupação porque já tinha errado ali umas quinhentas vezes. Repetir o processo inteiro ad infinitum. Desistir quando ainda está ruim, mas ninguém aguenta mais. Quem sabe o dia em que você for profissional a produtividade melhora.

Aliás ter estudado canto até aqui teve uma grande utilidade: Eu sei com alguma exatidão quando e o que está ruim. Só não sei ainda como fazer melhor... Eu chego lá um dia, eu acho. Voz acho que não rola, mas teimosia e cara-de-pau sobram. Acabo de passar para 2 aulas por semana com a nova professora. Coitada.

Na quarta, já com todas as trilhas (Cada peça da bateria, instrumentos, takes de voz e pianos) em um CD, madrugada na casa do tio do André (Guitarra), produtor musical, para a mixagem. Seriam só 3 músicas, ele garantiu que dava tempo... Até ouvir o som de bateria. A caixa parecia uma lata de manteiga. O bumbo não tinha grave. Os pratos vazavam em todos os microfones. O surdo parecia que estava furado. Droga, como não tínhamos percebido isso no estúdio? Horas para deixar tudo ao menos audível. Chego 6 da manhã em casa, bem a tempo de sair para o trabalho.

Enquanto isso o Leo fez o arquivo com a capa do CD, uma montagem com nossas fotos e um papel timbrado para que eu escrevesse a biografia, o que fiz na madrugada seguinte. Ridiculamente pretensiosa e auto-elogiosa como todas as biografias de bandas que há por aí. Pura preguiça mental. Publicar aqui seria vergonhoso. Manhã seguinte o André me entrega a fita de vídeo editada com "Popular" ao vivo no Ballroom, e eu encontro o Flávio no Centro para ele imprimir tudo numa copiadora e botar no correio.

Ufa ufa. Uma trabalheira insana, mas em compensação... Não passamos no Kaiser Music. Não duvido por um segundo do nosso potencial, mas eu ia ficar surpreso se passássemos. A gravação foi numa correria louca, todos podemos caprichar muito mais. Eu regravaria praticamente toda a voz para uma demo mais séria. Umas notinhas fora aqui e ali, algumas consoantes cariocas soando fortes demais, pouca emoção em alguns lugares cruciais. Ao vivo é tremendamente mais simples. Em CD cada falha fica aumentada ao extremo.

Querem comprovar? Não percam daqui a pouco os toscos mp3 da sessão de gravação mais rápida do oeste. Aguardem só um pouco que eu vou ali operar o outro olho e já volto. Trôpego mas volto.






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