Leonard é um mito. Um homem que entrou para o mundo da música com mais de 30 anos. Era um poeta renomado no Canadá e com sua visão singular e peculiar do mundo e da vida, deixou uma marca pessoal com seu disco de estréia. Leonard é uma pessoa reclusa, que evita ser badalado e lança poucos discos. Mesmo assim, influenciou barbaramente artistas de alto calibre. Em 1991, um tributo chamado 'I'm Your Fan' (um trocadilho com o seu disco de 1988, 'I'm Your Man') reuniu algum de seus admiradores: John Cale, Ian McCulloch, Pixies, Nick Cave, Peter Astor (ex-Weather Prophets), House of Love, R.E.M., Lloyd Cole, James, entre outros.

O homem que foi comparado a James Joyce pelos críticos norte-americanos é uma dessas sumidades pouco comentadas, mas sempre reverenciadas. E 'Songs...'um dos mais bonitos, delicados e espetaculares álbuns de estréia que conheço.
'O que é um santo? Um santo é alguém que conseguiu realizar uma remota possibilidade humana. É impossível dizer qual é essa possibilidade. Eu acho que tem algo a ver com a energia do amor. O contato com essa energia resulta no exercício de um tipo de balanço dentro do caos de nossa existência. Um santo não resolve esse caos; se pudesse o mundo teria mudado há muito tempo.
Não acredito que um santo dissolva o caos nem para si mesmo, pois há algo arrogante e tipicamente guerreiro na concepção de um homem colocando ordem no universo. Sua gloria é um tipo de equilíbrio. Ele desliza à deriva como um ski solto. Seu curso é a carícia do morro. Sua marca é o acúmulo de neve naquele momento específico, arranjado pelo vento e a pedra. Algo no seu interior ama o mundo de tal maneira que ele se entrega para as leis da gravidade e o acaso. Longe de voar com os anjos, ele traça com a fidelidade de uma agulha de um sismógrafo, o estado da sólida paisagem. Seu lar é perigoso e finito, mas ele esta à vontade no mundo. Ele consegue amar as formas das coisas humanas, as formas finas e tortas do coração. É bom ter entre nós tais homens, tais monstros equilibradores do amor.
Leonard Cohen, 'Beautiful Losers' (1966)
É aquela velha história. Gênios são gênios não importam a idade que começam uma nova carreira ou tentam novos vôos. Quem imaginaria que um poeta tímido, que tinha vergonha de aparecer em públicos, com uma reputação sólida construída como poeta fosse entrar no então chamado mundo 'decadente' do rock com mais de 30 anos e tornar-se uma referência obrigatória para quem viesse depois dele? Bem, Leonard Cohen foi uma dessas exceções, e talvez, a mais brilhante e fulgurante de todas.

E seu valor foi mais do que reconhecido, tanto que no ano passado recebeu do governo canadense a mais alta honraria que um civil pode almejar, a 'Companion of the Order of Canada', em reconhecimento aos seus inestimáveis e brilhantes trabalhos em várias setores da cultura e da arte. Leonard estava acompanhado na entrega do diretor Norman Jewison, do pianista Oscar Peterson (talvez a última grande lenda do jazz da primeira metade da década de 50), do ator Christopher Plummer e dos ex-primeiros ministros Joe Clark e Brian Mulroney. Definitivamente, esse senhor, adepto ao budismo e que passa boa parte de sua vida hoje meditando e estudando, merece tantos prêmios.
Nascido Leonard Norman Cohen, no dia 21 de Setembro de 1934, em Montreal, Leonard perdeu o pai, um engenheiro, ainda aos nove anos. Com 17 anos foi para a Universidade McGill e formou um trio de country chamado Buckskin McGill (nessa época, 1951, 1952, o rock and roll não era ainda nem um bebê). Além da música, começou a se interessar por poesia e, como não poderia deixar de ser, integrou a cena local que era considera cheia de 'intenções subversivas' como mandava o clichê da época.
Apesar da proximidade com os Estados Unidos, o canadense Cohen amava mesmo a cultura européia. Seus maiores ídolos eram o espanhol Lorca, os franceses Albert Camus e Maupassant, os russos Dostoiévski e Tchekov e seus cantores favoritos, Pireu, Brassens, Brel e Ferré. Em 1956, lança seu primeira obra chamada 'Let Us Compare Mythologies', enquanto ainda estudava. Cinco anos depois, 'The Spice Box of Earth', levou o jovem canadense ao estrelato internacional. Após uma rápida passagem pela prestigiosa Universidade de Columbia, em Nova York, consegue algum dinheiro e começa uma peregrinação pela Europa. Acaba se apaixonado pela Grécia e começa a viver na ilha de Hydra, com Marianne e seu filho Axel. Permanece por lá durante sete anos e em 1964 lança sua obra mais polêmica, 'Flowers for Hitler', além de dois belos romances, 'The Favorite Game', em 1963, que conta a história de um jovem artista judeu em Montreal e 'Beautiful Losers', em 1966, que fez o o jornal 'Boston Globe' afirmar que 'James Joyce está vivo e mora em Montreal'. Cada livro vendeu mais de 800 mil exemplares, um absurdo naqueles tempos.
Mesmo com tanto sucesso, e feliz com sua vida em Hydra, Leonard resolveu largar tudo para tentar a sorte no mundo da música. Apesar da vida confortável e cheio de regalias, estava decidido a explorar um outro campo. Ou nas palavras dele próprio: 'Quando você está escrevendo um romance é necessário ter um local estável, um porto seguro. Você precisa de uma mulher que possa organizar sua vida, ter crianças brincando ao seu redor e saber que terá comida e carinho todo dia. É ótimo ter uma casa limpa e em ordem. Eu tinha tudo isso, mas mesmo assim decidir me tornar um compositor.'

Tomado pelo impulso, acabou voltando para a América e se instalou perto de Nashville para começar uma nova vida. Acabou conhecendo Judy Collins, que gravou duas canções do desconhecido compositor em seu disco 'In My Life', de 1966: 'Suzanne' e 'Dress Rehearsal Rag'. No ano seguinte, arriscou a sorte no tradicional festival Folk de Newport e acabou chamando a atenção do lendário John Hammond, responsável pelas primeiras gravações de Billie Holiday e Bob Dylan para a Columbia Records. Hammond ficou fascinado com a aparência frágil, voz vacilante e letras de um lirismo incomum. No Natal do mesmo ano é lançado então 'Songs of Leonard Cohen'.
'Venha olhar pela janela minha querida/Eu adoraria ser capaz de ler a palma de sua mão/Eu sempre achei que seria um desses garotos ciganos/Até você me dar um lar/Adeus Marianne, está na hora de nós começarmos/A chorar e rir sobre tudo isso novamente/Você sabe que eu amei viver contigo/Mas você me fez esquecer de muitas coisas/Eu esqueci de rezar para os anjos/E os anjos então esqueceram de nós em suas orações'. Uma homenagem linda sincera, despojada e crua de seu relacionamento com o primeiro grande amor de sua vida ('So Long, Marianne'), mostra toda a exuberância dos versos de Leonard. O som pode ser definido com um Dylan mais calmo. A voz lembra a de Bob por ser meio anasalada, o instrumental de forte acento folk e country também parece com Dylan, mas suas letras e interpretações são mais contidas, pessoais. Não é exagero algum considerá-lo um dos melhores poetas (na verdadeira acepção da palavra) que a música tenha produzido.
Leonard ainda guarda bem vivas as lembranças de como a música entrou em sua vida: 'O primeiro violão que eu comprei era usado e foi uma loja na Craig Street em Montreal. Paguei 12 dólares e era um instrumento estranho e eu não sabia nada sobre ele, com exceção de que queria tocar um. Eu não sabia a diferença entre uma corda de náilon e uma de aço, não havia muito material escrito sobre isso, não existia música pop, não existia cultura de massa, televisão e estas descobertas eram feitas sozinhas. Para piorar, existia uma idéia de que apenas os comunistas eram guitarristas! Com o passar do tempo, eu fui conhecendo mais sobre o violão, de maneira cautelosa e comecei a me aprofundar sobre as cordas de náilon, no violão flamenco. Me apaixonei pelo flamenco quando vi um jovem espanhol tocando para uma garota. Ele tinha cabelos pretos, era bonito, e tocava de uma maneira muito sensual e pedi para que me ensinasse a tocar daquela maneira. Acabou me ensinando rudimentos do estilo, até que um dia ele estava atrasado para me dar a aula, seria a quarta. Fui procurá-lo e descobri que tinha cometido suicídio. Eu nunca soube de onde veio ou o motivo de ter se matado, mas sou até hoje extremamente grato por tudo que me ensinou, pois virou a base de minhas composições. Eu não quero parecer pedante ou bancar o grande músico, mas muitas pessoas falaram durante anos que eu só conhecia três acordes, quando na verdade eu aprendi cinco.'
Leonard comenta que John Hammond foi extremamente importante em sua formação: 'John era um extremamente generoso em estúdio. Ele ficava lendo um jornal sem parar enquanto eu ficava lutando com a guitarra no estúdio. Muitas pessoas achavam que isso era um desrespeito da parte dele, mas na verdade o que ele queria era mostrar que eu teria todo tempo para elaborar a melodia sem ser interrompido a todo instante. Aquele jornal era tão velho que parecia ser do tempo em que ele produzira a Billie Holiday e eu adorava a atmosfera que ele criava, porque sabia que poderia errar, começar novamente, gravar um take diferente e que nada o afetaria. Isso era notável, de uma generosidade imensa e muito divertido, porque dava a impressão para as pessoas que lá estavam que ninguém sabia que diabos estava acontecendo lá dentro. Eu não sabia como usar o microfone, pois nunca tinha usado um antes. Em casa eu tocava em frente ao espelho, porque me sentia mais confortável dessa maneira. Era uma necessidade meio narcisista de minha parte para criar um clima favorável. John então providenciou um espelho imenso para que eu ficasse confortável. Era um cavalheiro.'

Para Cohen, a única maneira de compor uma canção é através de um profundo auto-conhecimento e despojamento: 'Muitas pessoas me questionam se há alguma mística em escrever. Eu acho que a única receita é entrar em contato com o você mesmo ou interessar-se em se conhecer. Muitas pessoas não estão interessados nisso, mas o material que utilizo são meus pensamentos e as paisagens e pinturas que elas podem me fornecer.'
Ele gosta de explicar porque três de suas melhores canções de seu álbum de estréia estão relacionadas ao universo feminino. Abaixo, Leonard explica a origem de cada uma delas.
SO LONG, MARIANNE: 'Marianne me deu um incrível senso de order na minha vida. Foi uma benção viver com uma pessoa como ela, que veio da Noruega, onde vivia no campo. Ela punha flores na minha mesa pela manhã, especialmente gardênias, me trazia sanduíches enquanto eu trabalhava para sustentar nossa família. Eu não percebia que ela era a musa que todo poeta tinha pedido. Ela me nutria de várias formas'.
SUZANNE: 'O nome apareceu enquanto eu dedilhava uns acordes. Pelo que me lembro, a canção era sobre Montreal que era um porto e onde os marainheiros iam até a igreja de lá, chamada de Notre Dame de Bom Secour. Eu sabia que lá havia a Nossa Senhora do Porto, que era uma virgem na igreja com os braços estendidos. Você podia subir a torre e ver o rio, e a canção veio da idéia dessa visão. Um dia encontrei Suzanne, que era esposa de um amigo meu e ela era uma mulher deslumbrante, assim como seu marido. Todos homens se apaixonavam pela formas delas, assim como as mulheres por seu marido, Armand. A idéia de qualquer um de nós flertamos com ela era impossível. Mas um dia eu a encontrei e ela me convidou gentilmente para ir ao seu estúdio e ela me serviu um chá, com pequenas rodelas de laranja e mentalmente eu toquei seu corpo perfeito em minha mente, porque não teria como ser de outra maneira. E assim nasceu o nome e a simbologia para a canção.
SISTERS OF MERCY: 'Ela foi inspirada em duas moças que eu conheci durante uma nevasca em Edmonton. Eu estava fazendo uma pequena turnê, cantando em escolas públicas por minha conta e estávamos no mesmo local. Elas não tinham um quarto no hotel e eu as convidei para dividir o quarto comigo. Elas adormeceram na cama de casal, enquanto fiquei na cadeira. Elas dormiam de uma maneira tão delicada juntas. Eu vivia lutando contra a solidão nesse período e sempre desejava encontrar mulheres durante as viagens. Então peguei uma caneta, um pedaço de papel e reparei que o luar brilhava em cima da camada de gelo que havia se formado sobre o rio e eu imaginei que poderia ser tão belo como imaginava'.
Para encerrar, deixo a letra de 'Suzanne', 'So Long, Marianne' e a relação dos artistas que gravaram 'I'm Your Fan', um dos inúmeros tributos que Leonard Cohen recebeu ao longo da carreira. Além disso, há a discografia completa e todos os livros que escreveu ao longo de sua vida. Até mais!
Suzanne
Suzanne takes you down to her place near the river
You can hear the boats go by
You can spend the night beside her
And you know that she's half crazy
But that's why you want to be there
And she feeds you tea and oranges
That come all the way from China
And just when you mean to tell her
That you have no love to give her
Then she gets you on her wavelength
And she lets the river answer
That you've always been her lover
And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that she will trust you
For you've touched her perfect body with your mind.
And Jesus was a sailor
When he walked upon the water
And he spent a long time watching
From his lonely wooden tower
And when he knew for certain
Only drowning men could see him
He said "All men will be sailors then
Until the sea shall free them"
But he himself was broken
Long before the sky would open
Forsaken, almost human
He sank beneath your wisdom like a stone
And you want to travel with him
And you want to travel blind
And you think maybe you'll trust him
For he's touched your perfect body with his mind.
Now Suzanne takes your hand
And she leads you to the river
She is wearing rags and feathers
From Salvation Army counters
And the sun pours down like honey
On our lady of the harbour
And she shows you where to look
Among the garbage and the flowers
There are heroes in the seaweed
There are children in the morning
They are leaning out for love
And they will lean that way forever
While Suzanne holds the mirror
And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that you can trust her
For she's touched your perfect body with her mind
So Long, Marianne
Come over to the window, my little darling,
I'd like to try to read your palm.
I used to think I was some kind of Gypsy boy
before I let you take me home.
Now so long, Marianne, it's time that we began
to laugh and cry and cry and laugh about it all again.
Well you know that I love to live with you,
but you make me forget so very much.
I forget to pray for the angels
and then the angels forget to pray for us.
Now so long, Marianne, it's time that we began ...
We met when we were almost young
deep in the green lilac park.
You held on to me like I was a crucifix,
as we went kneeling through the dark.
Oh so long, Marianne, it's time that we began ...
Your letters they all say that you're beside me now.
Then why do I feel alone?
I'm standing on a ledge and your fine spider web
is fastening my ankle to a stone.
Now so long, Marianne, it's time that we began ...
For now I need your hidden love.
I'm cold as a new razor blade.
You left when I told you I was curious,
I never said that I was brave.
Oh so long, Marianne, it's time that we began ...
Oh, you are really such a pretty one.
I see you've gone and changed your name again.
And just when I climbed this whole mountainside,
to wash my eyelids in the rain!
Oh so long, Marianne, it's time that we began ...
Quem participa do tributo
I'm Your Fan de 1991
1. The House of Love: Who by fire
2. Ian McCulloch: Hey, that's no way to say goodbye
3. Pixies: I can't forget
4. That Petrol Emotions: Stories of the street
5. The Lilac Time: Bird on the wire
6. Geoffrey Oryema: Suzanne
7. James: So long Marianne
8. Jean-Louis Murat: Avalanche IV
9. David McComb & Adam Peters: Don't go home with your hard-on
10. R.E.M.: First we take Manhattan
11. Lloyd Cole: Chelsea hotel
12. Robert Foster: Tower of song
13. Peter Astor: Take this longing
14. Dead Famous People: True love leaves no traces
15. Bill Pritchard: I'm your man
16. Fatima Mansions: A singer must die
17. Nick Cave and the Bad Seeds: Tower of song
18. John Cale: Hallelujah
Discografia
Songs of Leonard Cohen (1967)
Songs From a Room (1969)
Songs Of Love And Hate (1971)
Live Songs (1973)
New Skin For The Old Ceremony (1974)
The Best Of (1975)
Death Of A Ladies' Man (1977)
Recent Songs (1979)
Various Positions (1985)
I'm Your Man (1988)
The Future (1992)
Cohen Live (1994)
More Best Of (1997)
Field Commander Cohen - Tour of 1979 (2001)
Ten New Songs (2001)
The Essential Leonard Cohen (2002)
Livros que escreveu
Let Us Compare Mythologies (1956)
The Spice Box of Earth (1961)
The Favorite Game (1963)
Flowers for Hitler (1964)
Beautiful Losers (1966)
Parasites of Heaven (1966)
Selected Poems 1956-1968 (1968)
The Energy of Slaves (1972)
Death's of a Lady Man (1978)
Books of Mercy (1984)
Credo (1985)
Stranger Music (1993)
Dance Me To The End of Love (1996)
God is Alive, Magic Is Afoot (2000)
Gostaria de agradecer a Jarkko Artjatasalo, responsável pelo excepcional site
www.leonardcohenfiles.com e com quem troquei alguns e-mails. Thank you so much Jarkko!
Escrito por Costello
Sons captados Quinta-feira, Março 25, 2004
La la la la Desculpa alguma coisa
Não, infelizmente não tenho nenhum sobrando...
É isso mesmo, no meio de tanta polêmica e reclamação, chegaram pelo correio meus ingressos pros Pixies. Eu não estava nem pensando em ir, de repente por uma série de coincidências e sob a pilha implacável do Leo, o grande batera dos Hereges, acabei entrando no site exatamente na já famosa janela de 4 horas de vendas antes de esgotar tudo. Constatando que eram somente 3.000 ingressos ainda deu tempo de botar uma pilha na Karla (Na foto comigo) aqui no escritório, argumentando que ou ela decidia ir naquele segundo ou não mais decidir nada, porque era óbvio que ia acabar tudo muito rápido.
Agora, vem cá, 3.000 ingressos pra ver Pixies no primeiro e talvez único show deles no Brasil???? Eu confesso, talvez para a raiva de alguns sem-ingresso, que não sou um fã ardoroso de Pixies. Mas não há como não se ajoelhar diante de uma das bandas mais influentes do Rock, a banda que fez a transição do Rock pop dos anos 80 à sujeira que viria nos anos 90. Uma banda liderada por um monstro chamado Black Francis, ou Frank Black ou outros nomes que ele invente, um camarada gordinho com um jeitão nerd, cara de bom moço, e uma verdadeira usina de idéias criativas, dono de uma concepção musical totalmente própria. É um daqueles raros caras que enxergava a arte de uma forma diferente de todo mundo que o cerca, acreditou na sua visão e acabou conquistando o sucesso contra toda a probabilidade. Aí algum leitor pode estar se perguntando porque então nunca ouviu Pixies. Não me perguntem, apenas liguem para sua rádio "Rock" preferida, que eles devem saber o porquê.
O que eu sei é que 10 anos depois da separação, gerada por uma briga entre Black e Kim Deal, a baixista/vocalista que formaria o Breeders com a sua irmã gêmea (Vieram aqui pro Curitiba Festival ano passado), eles se reuniram. Por grana, talvez. Não interessa. A história do Rock passa por um bando de Californianos tímidos e à margem do mainstream. E eles vão tocar ao vivo aqui no Brasil. E é uma chance de entender do que são feitas as revoluções culturais. Obrigatório pra quem realmente ama o Rock.
Em todo caso acho que empresários musicais brasileiros em geral não entenderam isso, porque 3 mil ingressos não daria nem pros fãs de Curitiba. E Curitiba não é tão longe assim de São Paulo, que tem muito mais fãs ainda. Por isso sou um cara de muita sorte mesmo, vou despencar daqui do Rio pra lá sem ligar pro cansaço e um dos dias mais felizes do ano foi anteontem, quando chegou o envelope do Sedex com o conteúdo da foto. Quer dizer, só os ingressos, que a Karla chegou de ônibus, em outro dia, e outra história.
Escrito por Costello
Sons captados Quarta-feira, Março 24, 2004
Sim, caros ouvintes, eu não tenho mais falado muito da banda por aqui já que o blog dos Hereges está no ar a pleno vapor. Mas não dá pra não anunciar mais um showzinho básico, ainda mais em ótima companhia de um leitor assíduo e blogueiro Fábio Lima, que estará lá com a sua banda Os Paralelos. Também rola a presença de Kyf, com parentesco blogueiro que dá um pouco mais de trabalho pra explicar: Namorado-de-uma-menina-que-escreve-em-um-blog-onde-uma-leitora-que-virou-companheira-de-trabalho-que-virou-amiga-muito-querida-mesmo-Klô-também-escreve.
O melhor do show é que é em um barzinho aberto, totalmente de graça, no meio do Open Mall, centro comercial a céu aberto que fica do ladinho do Rio Design Barra. Neste domingão, 19 horas. E aí, vão ficar em casa vendo Faustão/Fantástico?
Então vamos direto ao assunto, como o clima do show é mais intimista, por favor escolham quais covers preferem entre:
- Aerials - System of a Down
- Quem Sabe - Los Hermanos
- Tenha Dó - Los Hermanos
- No One Knows - Queens of the Stone Age
- This Charming Man - The Smiths
- #41 - Dave Matthews Band
- People are Strange - The Doors, na versão do Echo & the Bunnymen
- Tonight, Tonight - Smashing Pumpkins
Escrito por Costello
Sons captados Terça-feira, Março 23, 2004
Nem bem se pôde chegar à alguma conclusão sobre o tal anti-semitismo do filme do Jesus Gibson e lá vem mais polêmica. Depois do Jim Caviezel, o exército de Israel acaba de assassinar o mago Saruman. Milhares de nerds e uruk-hais inconformados saíram às ruas de Isengard para protestar.

Escrito por Costello
Sons captados Segunda-feira, Março 22, 2004
Interrompemos a inércia para um boletim especial de última hora: Behind Blue Eyes é uma música do THE WHO. Isso mesmo, THE WHO, ouviram bem blogueiros adolescentes (Nada contra, sou da mesma laia) em geral que gostam de postar a letra da música creditando a um certo Limpa Biscoito? Tá certo que a referida boy band destroçou música e letra limando o pedaço mais bacana pra ficar com uma cara de balada pop-brega-açucarada mais coerente com sua proposta, mas a música continua sendo do THE WHO. Quem? THE WHO. Quem? THE WHO. Quem? Hahaha, eu podia fazer isto por horas, pena que é tão infame. E sem graça. E ainda por cima o assunto é repetido.
Pelo menos quebrou a monotonia, vai. Ok, de volta ao trabalho.
Escrito por Costello
Sons captados Domingo, Março 21, 2004
Entrei numas de falar/escrever menos e agir mais. Ao invés de ficar reclamando aqui e no ouvido das pessoas sair por aí e fazer programas bizarros. Então eu acabei atendendo aos apelos do Leo, baterista dos Hereges, e indo ao show do Jethro Tull. Ou quase. Ou fui. Na verdade aconteceu isso aqui:
1 - Cara, cadê meu carro.
Eu tinha parado o carro de manhã no famoso estacionamento subterrâneo do rabicho, na Tijuca, e ido de metrô para o trabalho. De noite fui à aula de canto, que é estrategicamente perto do estacionamento, e lá encontrei o Leo. Foi a primeira vez que parei no estacionamento do rabicho, e aprendi muitas coisas interessantes:
- O estacionamento era na verdade um túnel do metrô que cimentaram e pintaram umas vagas no chão. Com isso, o formato dele é bizarro, estreito, com o teto baixo, e muito, muito comprido mesmo. Por curiosidade fui andando com o carro pra ver onde dava, depois de um belo tempo sem achar o fim voltei e parei perto de onde tinham alguns carros. Afinal ali devia ter alguma saída por perto.
- Depois percebi que existiam várias saídas, escadinhas com cheiro de banheiro público que ficam em buracos meio escuros ao longo do estacionamento.
- De qualquer jeito subi por uma rampa de acesso de carros mesmo, percebendo então que estava a umas 4 quadras do lugar onde entrei. Que troço comprido, rapaz.
- Andei tudo de volta até o metrô, identificando as escadas de acesso pela avenida Conde de Bonfim.
- A rampa por onde subi ficava a uma quadra da minha aula de canto. Beleza.
- Só que a tal rampa fecha de noite, como descobri depois que andei com o Leo até lá. Não-beleza.
- Fomos até uma escadinha, só pra descobrir que as portas ficam trancadas. Nada nada beleza.
- Pelo menos a rampa principal fica aberta, como descobri após andar as 4 quadras.
- Mas então o carro estava 4 quadras mais acima, e andamos tudo de novo por dentro do estacionamento quente e escuro.
- Com a minha natural curiosidade testei uma das portas e descobri que elas só abrem por dentro. Com certeza para evitar que mendigos entrem para dormir por ali, e por isso eles têm que fazer as necessidades do lado de fora mesmo.
- Não éramos os únicos manés, tinha um outro cara andando tudo aquilo um pouco adiante de nós. Só que quando finalmente eu cheguei no carro, o cara estava olhando em volta pensativo, e aí começou a andar tudo de volta na outra direção.
- Sei disso porque tive que voltar tudo em direção à única rampa aberta, quase ofereci carona pro coitado que estava lá no meio caminho, mas o sadismo falou mais alto.
Quase meia hora nesta odisséia. Não ia dar tempo de passar em casa e fomos direto pro Claro Hall.
2 - É para comprar ou para entrar?
Chegando lá, fomos para a fila. Ou as filas. Na verdade era um bolo de gente, um atrás do outro em várias direções ao mesmo tempo. Fizemos a fatídica pergunta, um dizia que era pra comprar, outro pra entrar. Ninguém entendia nada, os seguranças das bilheterias ignoraram nossos apelos para saber onde diabos era o fim da fila. e resolvi dar uma de engenheiro: Tinham umas 400 ou 500 pessoas ali. Se cada demorasse 10 segundos para comprar o ingresso, o que é pouco, já ia demorar mais de uma hora. Aí com a minha habitual malandragem convenci o Leo a conter sua ansiedade juvenil, subir e comer calmamente um sanduíche. Depois desceríamos com a fila bem menor, a única diferença é que teríamos esperado sentados e forrando o estômago.
3 - Os progressivos
Cara, COMO eu queria que não tivesse acabado a pilha da câmera. Aquilo parecia uma formatura de engenharia, ou um congresso de Star Trek. O nerd mais engraçado é sem dúvidas o metido a roqueiro. Os caras usavam cabelos grandes com os mais variados formatos, aquelas camisetas pretas toscas com figuras míticas e nomes de suas bandas progressivas prediletas, e muitos, muitos óculos mesmo. Fora os sobretudos e outros acessórios de filmes de ficção fora de moda. Estava rindo à beça, aí me lembrei que sou um nerd metido a roqueiro e tive muito medo de mim mesmo. Que Deus abençoe a minha esposinha que vê isso todo dia.
4 - Procissão dos otários
Mal sentamos num restaurante, e toca o celular do Leo com um amigo avisando que estava lá embaixo na fila, que a fila estava andando, que o show ia começar, sei lá mais o quê, e todo o meu trabalho psicológico cai por terra. O Leo fica desesperado dizendo que vamos perder o show, cancelamos tudo e descemos. Lá embaixo, a fila tinha acabado. Maior moleza. E muitos boatos sobre o início do show, e uma certa confusão para entrar. O Leo foi comprar a sua meia-entrada, e eu fui procurar por onde se entrava para ver o que estava acontecendo. Lá fora, na rampa principal, uma fila gigantesca, impressionante. Andando devagarzinho. Será que o show já tinha começado? Pela hora, já. O Ian Anderson é maluco, mas é britânico.
5 - O Negociador
Então examinei minha carteira e percebi que simplesmente não tinha grana para comprar a entrada mais barata, ou menos absurda, que era 70 pratas. Cheguei num cambista e lancei o desafio "Vai por 60?" Ele estranhamente começou a me xingar. Não me dei por vencido, andei até outro ponto, e lancei a mesma oferta. Afinal, eu não tinha grana mesmo, e como a bilheteria não tinha esgotado e o show começado, os cambistas corriam o risco de morrer com os ingressos nas mãos. Conheça o seu inimigo, já dizia Sun Tzu. Ou Confúncio. Ou o Kitaro, sei lá, tenho certeza que algum chinês tem que ter dito isso em algum momento. O cara aceitou, me deu um ingresso todo amarrotado. Aí fomos pro fim da fila. Quando chegamos lá, percebemos que ela era muito maior do que dava pra ver. Estava dobrando a esquina e fazendo a volta no shopping. Até onde eu podia enxergar, um mar de progressivos com a cara deprimida numa fila que não andava. Aí desisti. Aquela fila tinha cara de que ia demorar. E dá muita revolta saber que uma casa abre para um show de algumas milhares de pessoas, mas não organiza nem bilheterias e nem a entrada para recebê-las. Não dá pra pagar 60 pilas pra tanto perrengue. Larguei o Leo, voltei pra entrada do shopping e comecei a tentar vender o ingresso de volta pros amigos cambistas. Por 65 reais, naturalmente. Pelo menos financiava o estacionamento. Um ofereceu 40, passei batido, ele gritou 50, disse que não ia morrer em 20 para nem assistir o show, ele chegou mais perto e fez outra oferta: Por 10 reais ele dava um jeito de me botar pra dentro. Disse que era eu e um amigo, ele fez um ok confiante, pediu para eu esperar e sumiu. Eu não sou muito adepto de ilegalidades, mas aquilo já estava ficando engraçado demais pra eu não ver onde ia dar. Ainda estava esperando o maluco voltar quando a fila começou a andar mais rápido e o Leo passou por mim. Me juntei a ele e conseguimos entar em uns 10 minutos.
6 - A melhor casa de shows do Rio de Janeiro, que beleza.
O show realmente já tinha começado. O lugar estava lotado. como estávamos com ingresso de pista, fomos procurando a rampa de acesso para descermos no meio da confusão. Só que a confusão estava em cima mesmo, um monte de gente comprimida longe à beça. Não consegui entender porque, mas o som estava muito baixo, saímos nos metendo entre as pessoas e descendo... Por uns 10 metros. Aí empacou tudo. Utilizei minha estatura privilegiada para perscrutar o caminho adiante, e não tinha como passar. Muito esquisito, afinal os ingressos não haviam esgotado. E eu não conseguia enxergar muita gente lá perto do palco. E então me dei conta do porquê. A casa montou AS MESAS na frente do palco. Ao pessoal que pagou "pista", só restava ficar em pé, lá atrás, em volta da enorme área reservada às mesas. Em muitos anos de Rock foi a primeira vez que vi isso. Um show sem pista de verdade, sem gargarejo, sem ter como chegar e ver os caras tocando. Nos lugares com um mínimo de proximidade, apenas uma mauriçada sentada placidamente em mesas com toalhas brancas, consumindo seu uísque. E o som? Lá de trás, impossível de ouvir. A bateria e o baixo, quase inexistentes. A voz do Anderson, que já não é essas coisas, totalmente abafada. A única coisa que dava pra escutar em alto e bom som foi a flautinha. Alto até demais, quando ele dava os agudos doía nos tímpanos. Em suma, o Claro Hall é uma casa de shows com um espaço enorme, mas apenas um PA lá no palco. Nenhum sistema de som auxiliar para quem estiver atrás. Sem falar no palco em si, com uns holofotes que perdiam em muito para os do Espaço Marun, onde fizemos nosso último show. Uma fileirinha de spots coloridos no teto, parecia luz de peça de teatro. Coisa triste. Pelo menos gostei mais do show do que acreditava a princípio. As músicas do Jethro funcionam bem ao vivo. 40 minutinhos depois de entrarmos, acabou. Devemos ter chegado no meio do show.
7 - O milagre
Já que estávamos lá atrás, usei mais de minha malandragem e sugeri sairmos correndo para não pegarmos o trânsito de todos os carros saindo ao mesmo tempo. Fomos ultrapassando a multidão com agilidade invejável, até que, já no estacionamento, fomos alcançados por um progressivo gordinho, desesperado. Ele estava correndo atrás da gente e nos chamando já há algum tempo. Em sua mão, o meu telefone celular. Tinha caído do meu bolso lá atrás. É oficial, Deus existe, ok?
Eu devo estar ficando demente, porque já comprei entrada pros Pixies em Curitiba. Tudo de novo, mas com 24 horas de viagem de carro para ir e voltar, iupiiii!
Escrito por Costello
Sons captados Segunda-feira, Março 15, 2004
Enquanto ando armando uma bela novidade para este blog nos bastidores tenho tido pouquíssimo tempo pra escrever coisas que prestam. Então continuo escrevendo coisas que não prestam mesmo, que é bem mais natural para mim. A MTV tem passado um show do Offspring. Assisti duas vezes. E constatei que é realmente impressionante como o cantor não consegue cantar nenhuma música no tom certo, e pior ainda, o ritmo também está sempre errado, sem sincronia com a batida. Mesmo quem é leigo em música pode reparar. Pode ser sinal de cansaço, e dizem que abusar de drogas faz isso também. Ou eu posso estar acusando o rapaz injustamente. Afinal, o problema pode ser falta de talento mesmo, e eu aqui imaginando coisas.
Mas que droga, eu que acho algumas músicas do Offspring tão legais. Melhor esquecer este ao vivo e ficar com as versões de estúdio.
Escrito por Costello
Sons captados Quinta-feira, Março 11, 2004
Sigamos ainda o plano
Leiamos a lei toda à risca
Bem sabes que passa um ano
Nos momentos em que me piscas
E me torno ainda menos humano
E te pergunto das minhas conquistas
Sem ouro, nem glória, nem panos
Sem princesas, nem odaliscas
Ainda assim me cri soberano
Apesar de que destes mil dicas
De que nada há mais insano
Que gritar de alegria nas missas
E celebrar quando morre um fulano
Homem bom, coração sem cobiça
Pois sei que se houvesse justiça
Nos seria infligido o pior dano
Então sigamos ainda o plano
A derrota se mostra omissa
Poupando o algoz, salvando o tirano
Enquanto tortura a pobre noviça
O plano é bom, só contar
Um, dois, prende o ar
Não pense mais
Não lembre
Olha em volta
Não ouça o povo
Três, quatro, solta
Começa tudo de novo
Escrito por Costello
Sons captados Quinta-feira, Março 04, 2004
Só uma extensão do post abaixo, tem outros pontos de vista sobre os astros de óliúde no Oscar no Flocgel e no Persona Non Grata. Nada como o mulheril carioca.
Escrito por Costello
Sons captados Terça-feira, Março 02, 2004
Continuando o magnífico Boletim do Oscar, continuei meditando sobre a existência da categoria "Melhor canção" e sua futilidade. Também é um mistério a diferença entre Edição de Som e Mixagem de Som. São categorias muito estranhas. Então eu resolvi sugerir aqui categorias muito mais úteis e que fariam mais justiça ao talento inestimável das figuras que estavam na premiação de ontem. Fotos © Reuters, Associated Press ou algo assim, ficam aqui até alguém me processar. Vejam os prêmios:
Categoria: Vai ser esquisito assim na Nova Zelândia
O casal Jackson bateu todos os concorrentes, que incluíam Orcs, Trolls, e o Russel Crowe de cabelinho loiro. |
Categoria: Maquiagem de duração mais longa
Ok, como todos já sabem a lindinha Charlize Theron teve que usar uma maquiagem pesada em Monster, ficando incrivelmente feia para ganhar o seu Oscar. O que ninguém esperava é que a coitada não conseguisse arrancar mais aquela porcaria da cara, tendo que se apresentar na festa do Oscar com esta aparência assustadora. |
Categoria: Inclusão social
A Renée Zelwgsdfkhryx prova que os deficientes também podem produzir, e apesar de ser desprovida de olhos, ter uma batata na boca e a face totalmente assimétrica, conseguiu papéis de destaque em vários filmes recentes. Um verdadeiro exemplo para a sociedade. |
Categoria: Fernanda Lima Traveco
Sandrão Bullock levou e não tinha pra ninguém. |
Categoria: Partidão
Nem tudo foi ruim em termos de mulher, vejam aqui Sofia Coppola chegando no teatro Kodak acompanhada do seu próprio irmão! Quer dizer que ela entende a solidão das pessoas, escreve um roteiro maravilhoso pro Bill Murray, gosta de atrizes como Scarlett Johansson e Kirsten Dunst, saca tudo da night do Japão e ainda por cima está sem namorado? Não precisa nem falar dos papos maneiros que devem rolar com o sogrão, a Sofia já levou o prêmio. Bônus por ter um irmão com cara de mané bobalhão, que vai te achar super legal e emprestar a cama quando você for visitar a família. |
Categoria: Ahahaha! ou Você precisa botar um espelho na outra parede também
Eu não entendi até agora como a Liv Tyler conseguiu ficar com um lado do cabelo reco e o outro cheio de melenas ondulantes, lembrando o palhaço Bozo quando deita de lado. |
Categoria: Melhor motivo pro meu casamento dar certo
Porque a Scarlett Johansson mora longe pacas, merece o prêmio. |
Categoria: Tu é gay que eu sei
Impressionante, resultado inédito na história do Oscar. O júri não conseguiu tomar esta dificílima decisão e todos os hobbits indicados terão que dividir a pemiação. A foto foi batida no momento em que este resultado foi anunciado. |
Categoria: Transformação para fazer um personagem
A maquiagem da Charlize foi mole. Quero ver é alguém conseguir superar o feito dos atores hobbits, que efetivamente diminuíram de tamanho para dar maior autenticidade ao filme, conforme comprovado na foto. Pelo maravilhoso profissionalismo levam mais um prêmio conjunto. |
Categoria: Vai pra casa Michael Douglas
Catherine Zeta-Jones. Ah, a Catherine Zeta-Jones. |
Categoria: Pensamento lascivo
Tim Robbins levou por conseguir fazer com que todos lessem o seu pensamento quando recebeu o Oscar, que foi, textualmente: "Será que ela vem de brinde?"
Mas não podemos deixar de dar uma menção honrosa a este flagrante, mostrando a Scarlett Johansson e Nicole Kidman (Ainda caracterizada como o fantasma de Os Outros com a adição de botox extra na testa) sendo achacadas pelo Sir Sean Connery, este velho saliente. Mas não se pode censurá-lo por pensar bobagem nesta posição.
...Ok, essa foi fraca, eu admito que só queria mesmo um pretexto pra botar outra foto da Scarlett aqui. Desta vez com uma carinha compenetrada (Sem trocadilho baixo por favor), no melhor estilo menina perdida no Japão, ai ai. |
Escrito por Costello
Sons captados Segunda-feira, Março 01, 2004
O Magnífico BOLETIM DO OSCAR
Pois é, Senhor dos Anéis dominou a parada e levou todos os 11 prêmios a que concorria. Isso foi o mais perto de alguma surpresa da noite, de resto ganhou todo mundo que tinha cara de ganhar. Comentários:
- É no mínimo esquisito que Retorno do Rei tenha se entupido de Oscars em categorias técnicas que os dois primeiros filmes não conseguiram faturar. Fora os cenários, que no primeiro da série não eram tão espetaculares, é tudo igual, mesma equipe, mesmos figurinos, fotografia, som, etc. Ficou na cara que o que ganhou os prêmios foi a trilogia inteira. O pessoal da academia se curvou ao empreendimento mais monumental da história do cinema. Aliás, como normalmente acontece. Com Titanic foi assim também.
- De qualquer forma, acho merecido. Mesmo quem não gosta de criaturinhas fantásticas em guerras épicas há de reconhecer que a produção é de cair o queixo. É tudo bonito, ambicioso e grandioso demais. Foram sete anos da vida do Peter Jackson, que além de dirigir bancou a produção do filme e escreveu o roteiro, o que por si só já é um feito que fez muita gente boa sucumbir, desde que os livros foram escritos. Aliás tudo funciona porque o texto do Tolkien é simplesmente fenomenal, embora às vezes fique difícil se tocar disso no meio de tanta ação.
- Duro foi, na única categoria em que Cidade de Deus não concorria com os Hobbits, perder justo em fotografia pra um filme passado inteiro no oceano. De qualquer forma as indicações já tornam Cidade de Deus um filme histórico com seus próprios méritos.
- O prêmio de roteiro original serviu como uma luva pra não deixar a Coppola de mãos abanando.
- E a Scarlett Johansson não ter sido nem indicada foi de partir o coração. Fruto da burrice dos produtores que se acovardaram e tentaram encaixá-la em "atriz coadjuvante", quando ela é claramente "leading role". Aí entrou uma pirralha de 13 anos como azarona.
- Aliás, pirralha por pirralha, a Evan Rachel Wood, de Aos Treze, merecia a indicação mais que a Holly Hunter. Foi uma atuação de arrepiar.
- De qualquer forma a Charlize Theron levaria. É simplesmente uma lei da Academia premiar o ator ou atriz mais espalhafatoso. É assim: Quer ganhar um Oscar? Então basta fazer papel de doente, débil, deformado, maluco, de preferência com uso de maquiagem pesada e próteses. Não vi Monster, e duvido muito que moça esteja mal no filme, já que ganhou outros prêmios. Mas é tiro e queda, a atuação mais óbvia sempre leva, em detrimento da sutileza. Uma exceção imerecida foi o Day-Lewis não levar por seu vilão espetacular de Gangues de New York ano passado.
- Quem também percebeu isso deve ter sido o Bill Murray, ao ver Sean Penn levar o de melhor ator por seu mafioso algo exagerado de Sobre Meninos e Lobos.
- Mas como o Clint Eastwood é o cara, o filme dele tinha que ganhar alguma coisa.
- Curioso ver que Senhor dos Anéis não emplacou nem indicação para nenhum dos atores. Achei justo, mas o Ian McKellen e o Andy Serkis (Gollum) contribuíram um bocado pra diversão.
- Pra que serve a categoria "Melhor canção"? Acho que isso só fazia sentido na era dos musicais, hoje é só pretexto para momentos embaraçosos, como Sting fazendo segunda voz para uma música horrenda. De qualquer forma, o homem, o ídolo, o mito Elvis Costello tocou seu violãozinho por lá. Alguém aí vai comprar algum CD por causa da música da Annie Lennox para os créditos de O Retorno do Rei??
Escrito por Costello