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Sons captados Sexta-feira, Abril 23, 2004
What's your favorite color, babe? É o seguinte: O blog continua mas a vida está em suspensão até segunda ordem. E tudo que eu precisava era um bom show de Rock pra saber que a vida vale a pena. Rock de verdade, não essas bobeiras adolescentes sem nenhum tipo de emoção. Infelizmente isto é artigo raro hoje em dia, em tempos de rádios "Rock" que botam pra tocar o refugo do lixo do som feito pra vender empurrados por milhões das gravadoras. Afinal, as próprias sabem que com a qualidade patética das bandas que elas contratam, só pagando mesmo pra alguém tocar. Tão certas.
Por isso não rola muito Living Colour nestas rádios. Se a molecada sedenta por Rock ouvisse um minuto que fosse, e conseguisse vencer a atrofia de seus ouvidinhos causada por covers hilariantes de The Who (Quem? Tá, não vou começar de novo), o mercado ia ruir de vez. Porque uma vez que você ouve Rock feito com sangue, com fé, com arte e acima de tudo com um talento extraordinário, não consegue mais se contentar com boy bands de guitarras.
Disso sei eu e mais a turma que estava no show ontem, no Canecão. Para o nosso delírio e deleite, o Living Colour voltou à ativa, com a mesma formação final, com o Doug Wimbish comandando os (muitos, contei pelo menos 4) baixos. Que os caras tocam muito todo mundo já sabe. Que o Corey Glover tem uma voz sobre-humana também - Aliás rolou uma música a capella pra garantir que isso não ia passar despercebido. Agora isso os cabeludinhos esvoaçantes dos (segurem o riso) metaleiros melódicos também falam dos seus (segurem o riso um pouco mais) ídolos com nomes épicos em norueguês. O que diferencia o Living Colour é que os caras têm MÚSICA nas veias. Suíngue, peso, técnica, doçura, pegada, doideira, o cardápio inteiro foi servido no Canecão. Longe ser uma banda com aquele clima de quem volta pra reerguer a conta bancária, eles voltaram pra revigorar a música.
Teve música solo do baixista Doug, tocando o baixo hiperdistorcido como se fosse guitarra, incluindo tocar os dentes como o Jimi Hendrix, aos gritos de "George Bush is terrorism!" - que o pessoal acompanhou alegremente. Teve solo de bateria do Will Calhoun junto com uma base eletrônica, e teve uma mistura de eletrônico com os instrumentos que faria corar de vergonha os ícones do nü metal e seus DJs no palco que só servem pra mostrar o patrocinador do headphone. Teve cover de AC/DC e de nada menos que Seven Nation Army do White Stripes, "uma das bandas atuais que mais gostamos". Tiveram dois bis, com o Corey perguntando "Moooore???" ao que a galera respondia "YEEEEAAHHHH!!" - E aí os caras atacaram de uma versão escalafobética de Should I stay or should I go. Teve Glamour Boys com um monte de mulheres do público rebolando no palco (Aí subiram uns caras, sob xingamentos gerais, que os seguranças rapidamente tacaram de volta na platéia). Teve solos do Vernon Reid com a público do gargarejo fazendo salamaleques de adoração. Teve guitarra espatifando a corda, o Corey perguntando se estava tudo bem começar de novo, todo mundo concordando feliz, como se fosse jam session entre amigos. Teve várias baquetas voando pro alto no meio de músicas, só do que percebi o Will troca as baquetas a cada 4 ou 5 músicas. Teve a espetacular Elvis is Dead com o Corey cantando Can't Help Falling in Love with You, a cada verso sendo interrompido pela banda tocando um hardcore brutal.
E Elvis is Dead resume a história. O lembrete de que Elvis morreu, não era um ícone ou um rei, mas o branco que conseguiu levar uma versão meio country do Rock - invenção de alguns negros geniais - à juventude americana, e desde então os negros não viram esta música como expressão legítima de sua cultura. Infelizmente ao longo da história eles se encontraram musicalmente no Hip Hop, vinda dos guetos, uma música politicamente forte, mas segregacional, com o sentimento de tribo. O Rock, muito mais universal com uma batida e guitarras que mexem com qualquer um, com um cunho culturalmente mais abrangente, versando basicamente sobre diversão, também é invenção deles, e vendo um show destes caras não resta dúvidas de que quando eles perdem os próprios preconceitos e resolvem clamar para si o Rock de volta, ninguém duvida de que eles têm direito ao cetro.
Quando os ídolos branquelos atuais cantam com o boné pra trás fazendo gestos com os braços, eles estão de alguma forma reconhecendo isto. Não confundam entender as diferenças entre brancos e negros como preconceito, por favor. O que sei é que o Living Colour ao vivo dá a sensação de que Rock é muito mais do que empurram por aí. Eles parecem falar uma língua já esquecida, mas que permite dizer muito mais. Aprendamos.
Escrito por Costello
Sons captados Quinta-feira, Abril 15, 2004
Então o tempo passou e a polêmica sobre o filme do Jesus Gibson não foi nada demais. Apenas algumas revistas decadentes aproveitaram para estampar reportagens de capas com perguntas palpitantes como "Quem matou Jesus?" e tentar faturar uns trocados. É o evangelho segundo Gilberto Braga.
De qualquer modo, já que eu antes postava sempre críticas quentinhas de filmes que acabavam de entrar em cartaz e agora não consigo tempo para escrever direito, optei pelo oposto, que é escrever um mês depois. Assim vocês continuarão tendo um motivo para lembrar do Ouvido Penico, que ficaria como o blog onde vocês sempre podem achar as críticas mais fora de moda e sem nenhum interesse de toda a web. Sim, sou ambicioso.
Eu vi o tal filminho sanguinolento. E, numa boa, não saquei o porquê de tanto horror. Não que o filme seja bom, mas vamos à análise: É tudo em-câ-me-ra-len-ta. Acho que se passasse em velocidade normal, daria só uns 15 minutos da vida de Jesus. Ou então é o evangelho segundo Rafa da MTV. Isso fica meio piegas lá pelas tantas. Depois, o lance de utilizar idiomas como aramaico e latim para dar maior autenticidade. Alguns atores como o Caviezel se viram bem, e não vêem na língua estrangeira nenhum obstáculo para atuar com paixão. Mas para a maioria apenas pronunciar as palavras do jeito certo já concentra todo o esforço de atuação, não sobrando nada para maiores sutilezas como expressões ou entonação. Fica algo como o evangelho segundo os dubladores de desenhos japoneses. E tem uma cena que incomodou demais, quando vem a guarda do templo e os fariseus levando Jesus a Poncio Pilatos. Eu jurava que a qualquer momento iam aparecer a Britney, Beyoncé e a Pink dançando Rava Naguila. Mas o filme tem seus méritos. O principal é a atuação do cara que faz o Poncio Pilatos, cujo nome minha preguiça me impede de pesquisar. Muito bom mesmo, segura o filme todas as vezes em que aparece. O lance do sangue em excesso simplesmente não é tão grave. É claro que os crucifixos limpinhos nas igrejas não retratam nada bem o que o camarada passou durante a morte. Acho que a gritaria veio mais deste contraste, porque não achei a coisa assim tão chocante.
O que achei chocante foi a maior parte das resenhas que li por aí do filme. Sei lá por que os fabulosos críticos de cinema, principalmente de grandes veículos, não resistiram em falar rapidinho do filme e preencher o resto do espaço com suas teses pessoais sobre Jesus. Desde a inexistente polêmica do "anti-semitismo" de afirmar que quem matou o Cristo foram os judeus (A história se passa em Jerusalém, e TODO MUNDO, vilões, heróis, simpatizantes, transeuntes, moleques malabaristas de sinal, era judeu! Qual é a polêmica? Jesus, que é considerado por muita gente boa por aí o Salvador da humanidade, era - olha só - Judeu. Então o cristão é por natureza um pró-semita, independente de quem ele acha que matou Cristo. Ok, havia um punhado de romanos por ali, mas que com certeza não passaram por cima da vontade de vários judeus quando executaram a pena de morte.) até a "não-confirmação" histórica acerca do fato de Jesus ter mesmo existido, todo mundo de repente virou historiador e teólogo. Meu Deus, perdoe-os, pois não sabem o que fazem.
Eu tenho que falar de uma coisa por aqui, e esta é a única vez que falarei a respeito neste blog, já que é um veículo muito sem credibilidade para um assunto tão sério. Neste Brasil o normal é termos tido aulinhas de catecismo. Ou então crescido vendo autoridades da igreja católica se pronunciarem como donos de Deus. E aí vem a oportuna revolta da adolescência e nos encantamos com a idéia de que a igreja é uma idiotice, os padres são patetas com sotaque espanhol e fazemos de tudo para burlar cada uma das coisas proibidas pela igreja. Aí vem também atrelada a isto tudo uma noção de que a bíblia é um livro retrógrado e indigno de qualquer confiança, afinal a igreja foi fundada baseada naquelas páginas.
Isto é um erro. Boa parte da Bíblia são narrativas de caras contando o que viram e o que os impressionou em dado momento. Se a igreja primitiva, ao longo dos primeiros séculos, achou que aquilo era útil para seus interesses, isto é uma coisa. Outra coisa totalmente diferente é dizer que por isto mesmo os relatos não podem ser confiáveis. Ou então que a ciência não comprova a veracidade dos fatos, então não se pode crer neles, devem ter sido inventados.
A ciência também não prova que um de vocês comeu repolho roxo com ovo cozido ontem antes de dormir, mas isto não vai deixar de ser verdade (na verdade espero pelo bem das famílias dos leitores que não seja). Ciência tem certas ferramentas para analisar certos fenômenos, que precisam repetir sempre os mesmos resultados sob as mesmas condições. Como cada homem não repete o mesmo dia de sua vida nenhuma vez (exceto o Bill Murray naquele filme famoso) isto obviamente não se aplica à história da humanidade. Não dá pra provar "cientificamente" se algo aconteceu com alguém no passado baseado no que sabemos hoje. Para isto temos outros tipos de ferramentas, que fazem parte do método de análise histórica. A principal destas ferramentas é o relato documentado de testemunhas dos fatos em análise. Quanto mais próximo dos fatos, maior credibilidade tem a testemunha. João, por exemplo, era o apóstolo mais chegado a Jesus. O único a ficar em Jerusalém para asistir pessoalmente à sua morte. Mais tarde ele escreveu o que viu e ouviu em um livro precioso, fantástico, e que revela um bocado sobre a vida deste personagem intrigante da história. Qualquer historiador sério se baseia nele para pesquisar. Só que o título é Evangelho segundo João, e como foi escolhido séculos depois para ser parte da Bíblia, tem maluco que acha razoável decidir que não serve para nada. Tem também os livros de Mateus, que foi outro cara que conheceu Jesus pessoalmente. Marcos, um cara que cresceu vendo reuniões de apóstolos em sua casa após a morte de Jesus. Lucas, considerado até hoje como um grande historiador, preocupado com detalhes e datas, e não com teologia vazia.
Agora, é fato que esses caras descreveram coisas incríveis como milagres, cura de doenças, ressurreição de mortos. De novo, evoca-se a ciência para tingir estas descrições de mentira ou sandice. Mas a ciência pode apenas dizer que não existem muitos fatos comprovados da mesma natureza, logo não pode afirmar que aconteceram em nenhuma época. A diferença entre "não pode afirmar que aconteceram" e "afirmar que não podem ter acontecido" é brutal. A ciência não prova a não-existência do que não é observado, mas só a existência do que dá pra ver (seja por olhos, microscópios, telescópios ou modelos matemáticos). Ela não está do lado dos ateus, embora eles gostem de pensar que sim.
Sei disso porque já fui ateu. Lia livros de religião para rir um pouco e passar o tempo. De tudo um pouco, até só sobrar a famigerada Bíblia. Aí, com toda a crítica e preconceito do mundo, abri as páginas e me transformei para sempre. Juntei uma boa coleção de livros de arqueologia e história. Quis refutar de qualquer modo o que tinha lido, mas quanto mais pesquisava mais me convencia de que a verdade está muito além de críticas ignorantes. Hoje sou cristão, podem apedrejar. Não gosto de igrejas, podem aplaudir ou apedrejar mais ainda. O processo foi lento, algo doloroso para o orgulho, mas o resultado é maravilhoso. Por isso não consigo não me exasperar quando vejo gentinhas simplificando as coisas com argumentos que leram em alguma revista. Caramba, se não gostam de Jesus ou não acreditam, eu morro pelo direito de vocês a esta opinião. Mas se tentam dar uma de cientistas, por favor estudem um pouco mais antes de escrever, porque a ciência não ajuda tanto quanto vocês gostariam. Não se escondam atrás desta barreira amorfa, apenas assumam suas posições pessoais, e a vida vai ficar muito mais simples e clara para todos. E os jornais e revistas bem mais honestos.
Para os que leram até aqui, vale ressaltar o conhecimento que mais me enriqueceu ao ver o filme: Aprendi como se fala "Idiota" em latim: É idiota, mesmo. Não é que eu xingava em latim e não sabia? Acho que isso me empresta mais credibilidade. Já podemos falar dos artistas do Top 10 MTV sem perder a classe.
Obs.: A foto da Monica Belucci está aqui para compensar o fato de eu escrever um post tão comprido sobre um filme onde ela trabalha e nem citar esta maravilha da natureza. Podem gastar o latim para o autor deste blog, todos comigo: Idiota.
Escrito por Costello
Sons captados Sexta-feira, Abril 09, 2004
Show imperdível que por milagre vem pro Rio: Living Colour!! Sim, Corey Glover, Vernon Reid, Will Calhoun e o mesmo baixista que tocou por aqui no Hollywood Rock em 93 vêm mostrar de novo porque 99% do Rock americano que presta foi feito por negros. Eu estava neste show deles de uma década atrás, assisti tudo no gargarejo da Praça da Apoteose, com as mãos no palco e a boca sangrando por um motivo que permanecerá misterioso. Foi espetacular.
Vai ser dia 22 no Canecão, quem perder é indie. Ótimo aquecimento pros Pixies em Curitiba...
Escrito por Costello
Sons captados Quinta-feira, Abril 08, 2004
É hoje. Faz um ano que do alto de um pedestal de tédio e egocentrismo resolvi sair escrevendo opiniões impertinentes sobre assuntos sobre os quais tenho visão de curioso e nenhum conhecimento. Sim, o Ouvido Penico está fazendo seu primeiro aniversário.
O que mudou? Eu estava desempregado, agora trabalho feito uma mula. Eu estava começando os ensaios da banda, agora já temos várias músicas, fazemos shows com alguma frequência e estamos gravando nosso EP demo. O que não mudou? Continuo casado, amém, e continuo adorando escrever idiotices.
O que eu ganhei? Esta é a pergunta mais importante. Gosto de fazer rescaldos. Olhar pro terreno percorrido, separar o que há de valor, juntar tesouros insuspeitos. E por incrível que pareça, acho que ganhei coisas por conta da cara-de-pau de fazer um blog. O ano de vadiagem na web não merece ser celebrado, mas algumas pessoas que conheci por aqui, sim. Pessoas no plural, olha que privilégio. Embora o lado nerd disso me assuste, não tem como não ficar feliz, e lembrar o que para mim é um dos momentos mais significativos do primeiro ano OP, por representar todo o potencial que há em um simples blog para transformar vidas. Sem maiores explicações, agradeço a todos os leitores que gostam disso aqui e os que vêm para esculachar, e para o próximo ano só posso pedir que tenha mais momentos como este:
PS:"Homogeinização"? Credo.
PS2: Kay, feliz aniversário! Sei lá se aniversariar junto de um blog é motivo de orgulho, mas seja feliz assim mesmo.
Escrito por Costello
Sons captados Quarta-feira, Abril 07, 2004
Estou postando pouco porque sou uma besta, que não contente com o trabalho normal, tenho botado bastante energia na banda. Por exemplo no sábado devemos gravar, e nos dois domingos passados fizemos shows. Já é brabeira conciliar, mas do nada ainda passei a atuar mais ou menos como produtor/organizador de evento. Mais sarna pra me coçar enquanto tento dar o meu quinhão para a criação de um point de Rock alternativo no Rio de Janeiro. Bolar textos, fazer contatos com bandas, criar planos de patrocínio, trocar milhares de mensagens com o pessoal que idealizou a coisa e conta com a pouca ajuda que eu tente dar... Dureza. Mas como eu gosto de estar envolvido com estas coisas. Sonho com um espaço maior para a música autoral, com formação de público, nada melhor que ver na prática o que dá e o que não dá certo.
Mas juro que tenho ido ao cinema, lido, e ouvido música como nunca. Mas dá trabalho trocar as figurinhas aí ao lado, sabem como é. Então rapidamente digo que a Letras e Expressões do Leblon, além de ficar aberta 24 horas propiciando papos notívagos com os amigos do peito igualmente insones, está com uma estante de CDs a 13 pilas que valem a visita. Catei por lá um da Beta Band, espécie de "trip-country", responsável por uma das cenas mais maravilhosas de Alta Fidelidade, o último do Super Furry Animals que não consegui ouvir e uma antologia de Don McLean.
E aquele filminho Paycheck (O Pagamento, né?) foi maravilhoso por me fazer chegar a várias conclusões:- O Ben Affleck, definitivamente, não dá.
- Confirmei minhas suspeitas de que filme bom do John Woo é uma moderna lenda urbana. Todo mundo diz que viu mas eu não acho em lugar nenhum. Ô chinês mala.
- Os livros do Phillip K. Dick devem ser interessantes pacas, vou catar.
E vão ver logo Tiro no Escuro enquanto está em cartaz, depois escrevo melhor sobre isso.
Escrito por Costello
Sons captados Quinta-feira, Abril 01, 2004
Tentando achar música na MTV entre um Dismissed patético e um Viva la Bam retardado, acabei vendo um trecho na nova música do Capital Inicial. Lá vem mais um cover dos rapazes, o que faz sentido, uma vez que eles têm feito a mesma música faz alguns anos. Ultimamente tenho a impressão que toda música do Capital Inicial parece cover do Capital Inicial. Mal tocado. Mas desviei do assunto.
O fato é que vi o novo clipe, que são cenas de shows lotados de gente que gosta de cover de Capital Inicial. A música se chama "Sem cansar", e o refrão entregou que é um cover de "C'ést comme ça" (notaram como a pronúncia é parecida? Ah, esses compositores e sua inesgotável genialidade), do Les Rita Mitsouko, banda francesa dos anos 80 com um som meio New Wave, que aliás descobri que continua na ativa. Como o original é uma espécie de pop cínico e exagerado bem interessante, e a versão do Capital Inicial é insossa como... bem, como um cover do Capital Inicial, o motivo do post não é bem esse.
O que realmente me impressionou é que o refrão da música é algo como "C'ést comme ça, la la la la la" - que virou "Sem cansar, la la la la...". Agora analisemos o último cover internacional do Capital Inicial lançado como música de trabalho, que foi a versão de "Passenger" do Iggy Pop. Perceberam a semelhança? Pois é, acaba com "La la la la". Então aplicando lógica básica concluímos que o Capital Inicial só gosta de fazer versões das músicas internacionais que oferecerem a chance do Dinho cantar um "La la la la". Sabendo disto eu iniciei um exercício para facilitar o trabalho do Capital Inicial e listar sugestões para os seus próximos covers. Sem gastar mais do que 5 minutos, que tem sido a regra dos últimos posts aqui desta joça, cheguei ao seguinte resultado:- "La la dee la la la" - Gipsy Woman - Chrystal Waters
- "Lai la lai, lai la la la la la la la lai la lai..." - The Boxer - Simon & Garfunkel, na versão em português da Sula Miranda (O que é vantagem, não precisa fazer outra letra)
- "La la la, la la la la la, la la la la la" - The Element Within Her - O homem, o ídolo, o mito Elvis Costello (Não conhecem? Então baixem)
E se eles ficarem com vontade de variar:- "Pam pam pam pam pam pam param" - Lovecats - The Cure
- "Piiii po po po rou pou" - Scatman, qualquer música.
Mais sugestões?
*Obs.: Se formos muito rigorosos podemos lembrar que o Capital Inicial lançou um cover depois de "Passenger", que foi o "A sua maneira" - versão de "Musica Ligera" do argentino Soda Stereo. Mas estou ignorando por vários motivos. Primeiro, a Argentina não é outro país, é subúrbio. Depois, o Paralamas já tinha feito a sua própria versão, chamada "Música Ligeira". Então "A (ou seria À?) sua maneira" é uma versão de uma versão. Um feito impressionante, mesmo para uma banda cujos originais parecem covers. Cover de cover não vale. E ainda por cima eles podiam ter ficado com a letra do Herbert e nos poupado de frases como "Perdendo o meu tempo a noite inteira". Como incentivo para eles não fazerem mais isso, prefiro ignorar esta musiquinha cover para todo o sempre.
Escrito por Costello
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