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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

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Sons captados Quarta-feira, Maio 26, 2004


E não é que o Fahrenheit 9/11 ganhou a palma de ouro? Os jurados de Cannes concederam a honraria máxima a um documentário, quase 50 anos após a premiação de The Silent World de Jacques Costeau. A estréia teve um aplauso de pé de 20 minutos, e críticas pela web vaticinam este filme como o melhor do Moore. Para quem gosta, uma obra-prima vem por aí. Para quem não gosta...

Bem, leio por aí as críticas de quem não gosta. A maioria gira em torno da "vontade de aparecer" do Mike. Eu entendo, afinal não existe mesmo nenhum cidadão brasileiro que consiga aguentar mais um comediante gordo que goste de aparecer, já basta o nosso imitador patético de Dave Letterman nos assolando. Só que ao contrário do tupiniquim que não sabe entrevistar, não sabe fazer rir, e, principalmente, não sabe tocar aquela porcaria de trompete, o Moore é extremamente talentoso. Você pode não gostar do cara. Mas ele sabe fazer filmes. Ele sabe fazer rir. E ele tem idéias na cabeça, e as expõe claramente para a reflexão do público. Ninguém é obrigado a concordar com as tais idéias. Mas vamos combinar que gente assim faz muita falta. Inteligência e talento é uma combinação cada vez mais rara no mundo das artes. Lembrem-se que vivemos tempos em que a música de protesto por excelência, o Rock, está nas mãos de gente como Limpa Biscoito, Linkin Park, Detonautas, Charlie Brown, e até - meu santo Deus - do hahaha LS Jack.

Eu não gosto em geral da música e idéias do outro MM contestador americano, Marilyn Manson, mas caras espertos e provocadores têm sempre o meu respeito.




Sons captados Terça-feira, Maio 18, 2004


Mais um pouco sobre o Moore, descobri mais duas páginas legais navegando lá pelo site dele. Uma responde às acusações que surgiram na época do Bowling for Columbine, por exemplo que a abertura do filme mostrando o banco que dava uma arma de brinde ao abrir uma conta foi encenada. É um texto longo mas bem interessante pra quem quiser mais pontos de vista. Lá por exemplo eu descobri que o desenho animado hilário com a balinha contando a história dos Estados Unidos foi escrito pelo próprio Moore. Também rola um texto imperdível sobre homofobia escrito por um malucão detrator do filme. Para ler tudo é só clicar aqui.

A outra dica é um site sensacional, Bush in 30 seconds. O site sediou um concurso de curtas de 30 segundos protestando contra o governo Bush. Autores de vários lugares mandaram seus filmes, a qualidade é de cair o queixo. Deixa no chinelo qualquer propaganda política que vemos no nosso paupérrimo horário eleitoral. Vale a pena olhar os 26 finalistas, e depois se divertir com todo o resto. E pensar que o pessoal fez tudo de graça, só pra participar. Com talento (ok, e alguma grana ou equipamentos adequados) dá pra fazer as pessoas pensarem. Visite já clicando aqui.




Sons captados Segunda-feira, Maio 17, 2004


Desde a comoção gerada pelo Bowling for Columbine o Michael Moore tem se mantido bem ativo, com o lançamento de mais um livro, Dude Where's my country? e da finalização do aguardadíssimo novo documentário, Fahrenheit 9/11. O assunto é uma potencial bomba política, investigando as ligações de Osama Bin Laden e a família Bush, tentando entender como se chegou ao fatídico atentado do World Trade Center.

O filme já está na seleção oficial de Cannes, então daqui a pouco teremos as impressões do pessoal que assistirá lá. Eu lembro bem que Bowling for Columbine (Cara, eu realmente não decido se escrevo os títulos de filmes em inglês ou português por aqui. É tão bom não ser jornalista e não ter nenhum compromisso com coerência.) causou choque e aclamação geral, me mostrando que era obrigatório correr atrás por aqui. Agora que o Moore já não é nenhuma surpresa, será que ele conseguirá outra obra-prima?

O duro é que a pergunta pode ficar sem resposta pra quem pegar não seu cartão de crédito e ir pra Paris/Cannes hoje, porque a distribuição do filme está comprometida. É que a Miramax assinou a produção e distribuição em abril de 2003 por 6 milhões de dólares. Mas a Miramax é a divisão de filmes mais artísticos do grupo Disney. E o grupo Disney tem a maior parte de suas instalações e lucros na Flórida. Obviamente tem um montão de incentivos fiscais do estado. E o governador da Flórida se chama Jeb. Me seguiram até aqui? Ok, o nome completo é Jeb Bush. Sim, irmão do megavilão presidente Jorge Moita (agora quis escrever em português - Não é que ficou legal?).

E aí a Disney roeu a corda e proibiu a distribuição do filme. Sem assistir, segundo o Mike - que ele me manda e-mail e assina assim. Ok, ele manda o mesmo e-mail para centenas de milhares de pessoas no mundo inteiro, mas mesmo assim eu fico achando que já somos amigos. Resolvi então traduzir aqui (longe de ser ao pé da letra) a última mensagem dele falando sobre o assunto:

A Disney Bloqueou a Distribuição do Meu Novo Filme... por Michael Moore

Amigos,

Nesta altura do campeonato eu já tinha esperanças de conseguir mostrar meu trabalho ao público sem ter que enfrentar os obstáculos de profunda censura que pareço sempre encontrar.

Ontem me disseram que a Disney, o estúdio que é dono da Miramax, decidiu oficialmente proibir nossa produtora, Miramax, de distribuir meu novo filme, "Fahrenheit 9/11." A razão? De acordo com o New York Times de hoje (5 de maio), isto "poria em risco" milhões de dólares em incentivos fiscais que a Disney recebe do estado da Flórida porque o filme irá "zangar" o Governador da Florida, Jeb Bush. A matéria está na primeira página do Times e vocês podem ler aqui (Artigo "Disney Forbidding Distribution of Film That Criticizes Bush").

Toda a história por trás desta (e de outras) tentativas de matar o nosso filme será contada em maiores detalhes com o passar dos dias e semanas. Por quase um ano esta luta tem sido uma aula de como é difícil neste país criar uma obra de arte que tem a possibilidade de aborrecer os que estão no comando (bem, OK, desculpem -- ela VAI aborrecê-los... Muito mesmo. Já mencionei que é uma comédia?). O que posso dizer é: Graças a Deus por Harvey Weinstein e a Miramax, que têm lutado por mim durante toda a produção deste filme.

Há muito mais o que contar, mas agora estou no laboratório revelando o filme para levar para Cannes semana que vem (fomos escolhidos como um dos 18 filmes da competição). O que direi é o seguinte: Algumas pessoas devem estar com medo deste filme por causa do que ele vai mostrar. Mas não há nada que eles possam fazer porque ele está feito, é ótimo, e se eu tiver algo a dizer sobre ele é que vocês o assitirão neste verão -- porque, afinal de contas, este é um país livre.

Abraço,

Michael Moore
mmflint@aol.com
www.michaelmoore.com



...O pior é que a coisa parece que é infecciosa, não é que até o Lula sucumbiu à tentação de não gostar muito de imprensa livre? Medo destes tempos. Vamos fazer Rock'n'Roll, por favor?




Sons captados Segunda-feira, Maio 10, 2004


HEY! - Pois é, os Pixies tocaram minha favorita deles, e eu saí pulando que nem doido apesar da música ser lentinha. Ninguém estranhou porque estavam todos muito preocupados chorando, gritando, rasgando as roupas e entrando em estados de comoção em geral por realizar o sonho de ver esta banda tão crucial ao vivo. 24 horas de carro em um fim de semana, e valeu cada minuto/centavo. Barraram a câmera na entrada, então não tenho grandes documentos do que rolou. O que posso dizer aqui é:
  • Putz grila, que lugar bonito que é a Pedreira Paulo Leminski.
  • Putz grila, porque todo astro de Rock engorda que nem um porco depois de parar com sua banda?
  • Putz grila, desisto de tentar gostar de Teenage Fanclub, que consegue ser uma banda do Reino Unido que soa como bandinha de rock americano genérico. Sim, isso pra mim é demérito.
  • Putz grila, COMO as gravadoras, rádios e mídia em geral não percebem que Rock tem público e pode dar muito dinheiro sem precisar inflar artificialmente um som pasteurizado "de massa"? O pessoal que estava lá foi por curtir música alternativa, cantou junto com várias das bandas brazucas (Nenhuma do mainstream), se divertiu à beça e gastou dinheiro. Porque tão poucos eventos para este público tão fiel?
  • Putz grila, qual é o lance de tatuagem de estrela, camiseta de estrela, munhequeira de estrela, boné de estrela? Modinha mais besta. Às vezes acho que o pessoal acha que Indie é o mesmo que índio.
  • Putz grila, QUE SHOW do Wander Wildner com o Frank Jorge. Tem mais Wander na próxima Loud! aqui no Rio. Se for minimamente parecido com o que rolou em Curitiba, imperdível.
  • Putz Grila, se o nome da cidade é Curitiba porque diabos o nome do time de futebol é Coritiba?





Sons captados Quarta-feira, Maio 05, 2004


Este blog está devidamente em pausa por motivos de Pixies em Curitiba, que é longe pacas. Enquanto isso, por favor vejam:
  • Kill Bill - Não esperem um grande filme, e terão um graaaande filme para ver. Se não entenderam esta frase, deixem pra lá.
  • Anti-herói Americano - Harvey Pekar. Um figuraça que vale a pena conhecer, ainda mais encarnado pelo Paul Giamatti, que sempre achei um cara com carisma demais pros papéis pequenos que pegava. Um filme muito bacana mesmo, em formato de pseudo-documentário. Vocês eu não sei, mas me identifiquei à beça com o nerd que gostava de jujuba.
  • Um tiro no Escuro - Pelo amor de Deus, quem gosta de comédia vá correndo. Peter Sellers era um GÊNIO que tornou o Inspetor Clouseau uma figura imortal que influenciou muitos outros comediantes por aí. Talvez a cópia mais idêntica seja o nosso querido Chapolin Colorado. Confiram lá e me digam se não...


Ok, agora é pé na estrada.







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