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Sons captados Quinta-feira, Agosto 26, 2004
Eu ainda não contei aqui minhas divinas peregrinações musicais nestas últimas três semanas. Ludov com Autoramas em Sampa, os lançamentos de Demos de Pic-Nic e Radiophonia, o lançamento de clip do Lasciva Lula, Kyf na Constituição e dois shows do Besouro Zorah. No meio disso, arrumei um show para a Regra Zero num barzinho aqui perto de casa. No dia seguinte, o pessoal chegou pedindo mais uma banda. Tentei alguns contatos, não rolou. Aí o produtor musical da casa lançou a idéia de ele mesmo tocar e cantar, me convidando pra dar uma força na voz e violão. Valeria uma graninha de couvert. O público do bar seria de motoqueiros, já que lá funciona de dia uma oficina de Harley Davidson. O repertório, Rock'n'Roll. Escolhemos juntos umas músicas anos 70 e sortidas do R.E.M., Midnight Oil e outras bandas guitarreiras, "ensaiamos" no dia umas 3 horas, imprimimos aquele monte de letras, pegamos umas daquelas revistinhas "Toque violão" que vende em banca por via das dúvidas e fomos lá.
Primeiro, nada de som. Tinha um PA montado, mas só saía um som baixo e mastigado. Pedimos pro cara do som aparecer e vem um moleque de uns 16 anos. "É que o som é ali do vizinho, eles trabalham com isso e arrumamos baratinho". Passa-se uma hora, aparece um monte de gente, acho que eram os outros vizinhos, iluminam com lanterna, tira fio e põe fio. Enquanto isso a gente improvisava um pedestal de microfone com um suporte de extintor de incêndio e muita fita crepe, porque o bar não tinha. Vem um camarada com cara de quem foi o maior Easy Rider nos anos 70: "Pô, vai começando aí". Como assim, sem som?? A gente ficou ali sorrindo e nem se mexeu. Vem o gerente da casa todo arregalado: "É bom vocês mandarem muito bem senão não sei o que vai acontecer. Esses caras me dão medo." Poxa, uma turma legal de senhores com pose de mau, durante a semana devia ser todo mundo investidor da bolsa ou gerente de empresa. Mas ficou dado o recado. O negócio estava virando vida ou morte. Depois de mais um tempão, e gente já indo embora sem pagar o couvert, eis que o som funciona.
Começamos imediatamente com Hurricane, pra ver se apaziguávamos o clima. Depois Aerosmith emendando com coisas do baú. No Proud Mary uma galera até aplaudiu. Pensei que tudo ia terminar bem afinal, e então estoura no pátio onde estávamos um saco plástico com um líquido arremessado pelo prédio vizinho. Acho que acharam o som meio alto para o horário. Crianças jogando sacos d'água, pensei, com um nostálgico sorriso de quem se divertiu um bocado na adolescência mirando nos pirralhos que andavam de bicicleta debaixo da minha janela. Só que o gerente não devia ter lembranças tão calorosas, porque chegou ali na mesa de som e praticamente zerou o volume. Eu não ouvia mais chongas. Toquei mais forte no violão e estava mais gritando que cantando, e nada. Aí o set já estava meio perto do fim, acabamos encerrando mesmo. Só então reparei que um garçom estava esfregando o pátio com tudo quanto era produto de limpeza havia um tempão. Parece que não era água no tal saquinho. Isto me provocou então um insight nostálgico de como ia ver os jogos do Flamengo na arquibancada do Maracanã. Mas o que me deixou feliz mesmo foi a tal criança ter péssima mira e não ter conseguido acertar seu alvo, que eram os cretinos dos músicos.
Sem dúvidas uma noite para ficar na memória. Eu nunca tinha feito esse lance de tocar em bar porque achava meio loser, mas agora, montando vida nova em um monte de sentidos, estou aproveitando qualquer chance de ficar em contato com música. Então bares agora são legais, mesmo eu tendo que tocar coisas de que não gosto tanto. E aí cavei mais uma oportunidade de fazer ouvidos incautos de penico, e marquei de tocar no tal bar, desta vez com uma estrutura mais bacana, nesta sexta e sábado. Agora é com vocês. Que tal me dar umas idéias de repertório? Tem que agradar o público, então não adianta muito inventar moda ou botar coisas indies. Isto fica para um outro trabalho acústico que estou desenvolvendo. O negócio é juntar oldies but goodies do roquenrou, músicas pra alegrar o papo do pessoal e servir de fundo pro chopp gelado e os petiscos legais que eles servem. Quem me ajuda?? Vale quantas sugestões quiserem.
Escrito por Costello
Sons captados Domingo, Agosto 22, 2004
O que acham de Dave Matthews Band, Pearl Jam, R.E.M. e ninguém menos que o american boy Bruce Springsteen organizando a Vote for Change tour, que tem o objetivo declarado de bicar o nefasto Jorge Moita do poder arrebanhando votos para o Kerry? Interessante ver que o Michael Moore não é mais o único alvo da extrema direita americana, a oposição da classe artística continua a crescer e dividir a fúria dos republicanos. Uma candidata ao senado lançou um anúncio de 30 segundos com o seguinte texto:
"Bruce Springsteen está fazendo uma turnê de shows para descartar o Presidente Bush. Qual é a novidade? Springsteen criticou o Reagan, esculachou a polícia de New York e disse que o Bush deveria sofrer o impeachment. Ele acha que ganhar milhões com uma performance de música e dança permite que ele diga a você como votar. Aqui está o meu voto: Boicote o Boss. Se você não compra a sua política, não compre sua música."
Não é bacana? Quando eu crescer quero ser artista assim, ganhando até um anúncio de TV feito especialmente pra mim com a grana dos inimigos ideológicos. Sem dúvida o pessoal conservador acusou o golpe. O Springsteen é a epítome (Sei lá o que quer dizer isso, mas achei que soava bem) do American Boy, do americano galã e trabalhador, do morador de subúrbio que não desiste de sonhar. Sua música e imagem está totalmente amalgamada (não me perguntem) à cultura pop americana. Não é uma reivindicação qualquer quando ele vem a público pedir que o Jorge Moita se lasque com o vozeirão rouco, e os políticos babaquaras sabem muito bem disso. Vejam só o que ele tem a dizer sobre sua participação no festival:
"Esta é uma eleições mais críticas da minha vida. Com certeza desde que eu era jovem. Eu construí vinte e cinco anos de credibilidade, espero, com o meu público. Isto é algo que tento fazer bom uso quando posso. E também é algo que não gasto sem um bom motivo."
E enquanto isso na república tupiniquim, mais uma banda "do róque clube" faz anúncio de refrigerante sabor cola. Cada um fala do que tem na cabeça, né? Depois me dizem, entre um comentário do resultado do pentatlo e uma descrição do golpe fatal da luta greco-romana, que há esperança pra nós.
Escrito por Costello
Sons captados Quinta-feira, Agosto 19, 2004
Direto do meu loft com paredes e nenhuma mobília, me toquei que estou há mais de 3 meses sem assistir televisão. E a compra de uma está lá no fim da lista de prioridades. Aí no escritório escuto aqueles papos: "Nossa, você viu a pontuação da Daiane? 9,23536738! É realmente muito boa, apesar dela não ter equilibrado bem o duplo carpado..." e "Aí o cara estava com um Koka contra, e a 30 segundos do fim acabou dando um Wasari!!!". Pô, agora vão me enganar que todo mundo virou especialista em ginástica, judô, esgrima, iatismo e outros troços. Só porque começou esse negócio de Olimpíadas nego se sente na obrigação em dar uma de entendido em esportes sem carisma, e todo mundo acha isso muito cool. Pior que isso só o "Ganhamos um medalha!" Ganhamos? Quem ganhou foi lá o morto de fome que treinou sem nenhum apoio do país e foi competir com Burundi e outros países sem carisma. E de quebra ainda levou umas férias na Grécia. Eu não ganhei bulhufas. Nem você, senão não estava nessa perda de tempo que é este blog. Que pelo menos tem carisma.
Pensando bem acho que vou agilizar a TV, porque estou ficando meio desacostumado com cretinice. Nada que uma novela ou programinha policial não cure.
Escrito por Costello
Sons captados Quinta-feira, Agosto 12, 2004
Sim, estou postando pouco mas isso vai melhorar, eu acho. Estou aqui testando a chiquérrima internet predial do novo apê. No momento estou meio acampado. Uma cama, uma garrafa de água mineral e muito pó de construção em toda parte (PS.: No momento da publicação deste post já passei uma noite aspirando e passando esfregão e pano em tudo). Me sinto como se tivesse invadido algum prédio vizinho ao World Trade Center após a queda. Aliás acho que o Bin Laden tinha mais conforto naquela caverna. Mas não temam, daqui a pouco, após uma bela limpeza e a compra de uma mesa e uma cadeira, meu fabuloso PC oficial estará de volta e mais uma vez meu tempo livre será dedicado à tecno-inutilidades. Além de um bocado de gravações que quero fazer. O duro é equilibrar orçamento entre mobília, eletrodomésticos e equipamento de música. Já comprei uma guitarra usada, agora preciso do amplificador, uma mesa de som, pedais de efeitos e fone. A conseqüência é nem pensar em ter um carro por enquanto. Mas em termos de Ouvido Penico, o que importa é que nem tenho ido ao cinema ou corrido atrás de música com a intensidade habitual. Deu pra assistir Homem-Aranha 2 vezes, Fahrenheit, Brilho de uma mente... e esboçar mais uma crítica totalmente irrelevante e desatualizada sobre Tróia. Livros aos montes também.
Mas enquanto isso vamos nos divertir com algo que li em um destes sites de direcionamento profissional, comentando as vantagens da mulheridade:
Pouca gente percebe, mas a maioria das mulheres têm visão de sucesso diferente da dos homens. Para os homens, sucesso é ganhar muito dinheiro, um carrão na garagem, beber uísque cuja idade é o dobro da de suas namoradas. E isso tudo tem de acontecer antes dos 40 anos. O que há em volta disso, pouco importa. Mulheres têm uma visão muito mais ampla, que inclui o indefinível 'ser feliz'.
O que posso dizer? Eu CONCORDO TOTALMENTE com as três primeiras palavras. Pouca gente percebe, mesmo. Até porque tem mais o que fazer, como pensar a respeito da diferença entre uma empada e um quiche. Eu juro que debati isto durante um almoço. E cheguei à brilhante conclusão de que quiche nada mais é que uma empada sem tampa.
Escrito por Costello
Sons captados Quarta-feira, Agosto 11, 2004
Eu não sabia o quanto era dependente de internet. Estou ainda correndo atrás de ter conexão novamente. Isto será o paraíso. Porque semana passada eu achei que paraíso era finalmente ter um teto e uma cama minha para dormir. Uns dias depois concluí que paraíso era encontrar o tampo certo para a privada. Mas ontem eu fui dormir com a convicção de que paraíso mesmo é o aspirador de pó.
Sim, aspirador, do verbo aspirar, sugar, sumir da sua vista. E pó, do antigo revestimento do meu apartamento.
Eu não lembrava mais como era andar pela casa sem deixar pegadas, até que ficava simpático.
...Ok, vão ver AGORA Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Vocês podem até não gostar, mas é uma obra-prima obrigatória. São filmes assim que me lembram o quanto cinema pode ser mágico, e porque diabos eu continuo deixando meus 15 reais em tantas bilheterias.
Escrito por Costello
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