Clique para ver os últimos posts



Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

Veja os ouvidos e orelhas mais chiques e famosos da web na nossa extraordinária
Galeria da Fama!

Nosso endereço

Hereges (Minha banda)
Elvis Costello!

Blogs legais

Hereges
Na Cova do Leão
Refresco de Tamarindo
Fósforo Verde
Um Caipira na Paulista
Vivo Andando

Maio 2004
Abril 2004
Março 2004
Fevereiro 2004
Janeiro 2004
Dezembro 2003
Novembro 2003
Outubro 2003
Setembro 2003
Agosto 2003
Julho 2003
Junho 2003
Maio 2003
Abril 2003

Desde 8/4/03 você é o ouvinte número
Cortesia WebCount

Sons captados Quarta-feira, Setembro 29, 2004


E o troféu "Parabéns, Idiota" vai para... Seguindo a saga do Festival do Rio, uma das mostras que está rolando é "Isto é Bollywood", com um punhado de produções indianas. A Índia tem a maior produção de filmes do mundo, constituindo o maior entretenimento da população das cidades, com o preço baixo da entrada de cinema. Bem, quem faz tanto filme assim não pode fazer muito mal feito, acho eu, e fiquei curioso para curtir algum exemplo desta mostra. Ontem à noite tinha um perto aqui de casa. Só que outra característica peculiar é a longa duração dos filmes, em torno de três horas. Como segunda-feira já estou cansado do trabalho (Na verdade no escritório apelidei carinhosamente segunda-feira de "sábado menos 5", terça de "sábado menos 4", e assim por diante até sexta às 17:30, que é "sábado"), optei por conferir um documentário mesmo, já que gosto do gênero e é sempre bem mais curto."

E lá fui eu pra Memórias da Chuva, que conta, através de entrevistas, a história de uma mulher branca e um homem negro que foram ativistas da ANC na África do Sul. A ANC era um grupo ativista que militava contra o apartheid. Ou coisa assim. Porque:
  • Não entendi o que a ANC realmente fazia
  • Não entendi se a ANC tinha alguma ligação com o Mandela
  • Não entendi se teve algum papel na democratização da África do Sul
  • Não entendi o que a mulher, protagonista mais frequente, tanto fazia lá
A lista continua, o que é bastante indicativo da minha falta de inteligência ou do excesso de indigência do que assisti. Um monte de entrevistas, uma após a outra dizendo as mesmas coisas, a mulher então era uma mala sem alça, explicando seguidamente o quanto tudo foi difícil, o quanto ela sofreu, e o quanto tudo foi difícil, e o quanto ela sofreu também. O fato dela estranhamente ir exibindo vários tipos de cabelo, curto: comprido, poodle, gambá morto na cabeça, etc. ao longo da parada também não me ajudou muito a manter o foco. A grande quantidade de imagens dela em várias épocas foi explicada pelo fato da diretora ser amiga da moça. Pelo menos apareciam outros camaradas, e aprendi que os africanos tem nomes bacanas de pronunciar, como por exemplo Sifiso Kunéne.

Mas o lance da diretora foi mesmo fazer um filme sobre sua amiguinha chata e seu sofrimento por ter se aliado à tal ANC e mergulhado na clandestinidade. Isso em inglês é underground, e fiquei me perguntando se ter uma banda de Rock independente também vai me sofrer tanto. Uma boa reflexão pra quando estiver bêbado e sem cachorro pra chutar. Lá pela trigésima entrevista, o público começou a ficar meio chateado com a coisa, gente começou a levantar, outros optaram por dormir ressonando alto como bebês, e outros começaram a rir toda vez que aparecia mais um camarada falando. Fiquei pra ver o que acontecia (nada), e só no final da parada me dei conta do quanto durou aquela maçaroca: Duas horas e meia.

Então não aprendi chongas sobre a história do apartheid, perdi um tempo ridículo com uma chatice sem fim, e perdi também a chance de conhecer a estética do cinema popularesco indiano, que no mínimo umas risadas deveria render, e isto tudo porque malandramente verifiquei previamente a duração de um filme pra descartá-lo, e não verifiquei a do documentário cretino que acabei assitindo. Por tudo, eu mereço o troféu, e agradeço à minha família todo o apoio dispensado, mesmo sabendo que sou uma anta.




Sons captados Segunda-feira, Setembro 27, 2004


O filme Nathalie X traz à mente uma grande e profunda pergunta: Como diabos uma diretora tão ruim conseguiu reunir Fanny Ardant, Emanuelle Beart e Gerard Depardieu? Ela deve ter conseguido muita grana mesmo, porque duvido que eles tivessem embarcado nessa furada por "acreditar na visão da diretora". E isto nos leva à outra pergunta, que é quem seria o maluco que botou muita grana mesmo na mão de uma pessoa que não faz a mínima idéia de como contar uma história? Que o cinema francês às vezes peca pelo blá-blá-blá, até que eu já sabia. Mas tem horas que a coisa é tão sem imaginação, os diálogos são tão pobres, e a quantidade de cenas sem nenhum sentido de avanço da história é tão grande, que só metido a intelectual sem noção pode sair do cinema dizendo que o filme é bom. Sabem como é, é chique dizer que filme francês é bom. Mas blogs por definição não são chiques, e eu humildemente faço uso do meu direito à tosqueira e ignorância pra dizer que com seu elenco estelar Nathalie X é desde já uma das grandes bombas deste festival. Os atores até que tentam, embora a normalmente linda Emanuelle no papel de prostituta tenha ficado parecendo a Cláudia Abreu com anorexia. Mas não há como salvar um filme do desastre quando ele é tão mal montado e filmado. Ângulos de novela, cenas bobas que não adicionam nada à trama, diálogos mal escritos, cortes com um fade irritante, e uma total ausência de emoção, seja suspense, seja empatia, ou algo que não seja vontade de ir tomar um café, de preferência bem longe do cinema. Até a tradutora do filme deve ter se irritado, porque a quantidade de erros de ortografia nas legendas foi hilária. Então é isso, não vou gastar tempo resenhando esse lixo, melhor vocês gastarem o de vocês com filmes que tenham sido realizados por gente mais competente. Esse aqui nem passou perto.




Sons captados Domingo, Setembro 26, 2004


Festival do Rio é o hype de nerd cinéfilo. Rápido e rasteiro, assisti:
  • Código 46 - Com Tim Robbins e a Samantha Morton, conta uma história passada em um futuro de humanos gerados por clonagem, e um rígido controle de quem poderia, ahn... conceber com quem. E isso, junto com o idioma que o pessoal fala, cheio de palavras em italiano, espanhol e francês junto com inglês, é o bacana do filme. O resto, uma historinha muito sem surpresas, filmada de um jeito meio óbvio e linear demais. E ainda com a insalubridade de uma cena de sexo com um close na cara da Samantha Morton, que é uma coisa muito bizarra mesmo, digo, a cara dela, não a cena. Ela é toda torta, dizem que é boa atriz, mas acho que em qualquer cena ela parece estar fazendo uma força danada pra conseguir aquela expressão, seja qual for. Um efeito meio Jim Carrey, se vocês me entendem.


  • Festival Express - Imaginem um produtor de shows de Rock marcar um festival itinerante pelo Canadá, mas ao invés de deslocar as bandas via avião, aluga um trem e põe os caras lá dentro com comida e bebida à vontade, além de instrumentos e som montados pro pessoal fazer as jams que quisessem. A bordo, Buddy Guy, Janis Joplin, Grateful Dead, The Band e um bando de outros doidões. O documentário conta esta história maravilhosa com muitas imagens dos chapadões tocando juntos no trem, números dos shows do festival, e entrevistas com alguns dos sobreviventes (em vários sentidos). Tem Buddy Guy mandando uma versão escandalosa de Money, The Band mostrando não só uma energia impressionante ao vivo como a semelhança absurda do cantor com o Amarante do Los Hermanos, e duas canções da Janis que o cinema inteiro aplaudiu junto com o público do filme. A menina não negava absolutamente nada, dava tudo o que tinha em cada nota, é uma experiência e tanto constatar a força dela em tela grande. E ficou a conclusão de que aqueles caras eram na verdade um bando de nerds. O cultuadérrimo Jerry Garcia então, era um típico gordinho de óculos ridículos que devia apanhar um bocado na escola. Bacana.


  • Nascidos nos Bordéis - Documentário sobre as crianças filhas de prostituas em Calcutá, e do esforço que uma fotógrafa americana passou a fazer para ensinar-lhes fotografia e conseguir alguma oportunidade de mudança de vida a quem não tem nenhum outro caminho a não ser se prostituir ainda na adolescência para conseguir sobreviver. É soberbo. Dá vontade de adotar algumas daquelas crianças na saída do cinema. E dá vontade de chorar com a própria impotência de mudar qualquer coisa que seja no mundo. E dá vontade de continuar tentando.





Sons captados Quarta-feira, Setembro 22, 2004


Falando um pouco que seja de cinema (e seguindo minha tendência de críticas totalmente desatualizadas), o Michael Mann mostra que é um baita diretor em Colateral. Não é mole fazer um filme que prenda tanto a atenção, e gere tensão genuína, com um roteiro que tem seus momentos mas não é assim nada que já não tenha sido feito em termos de filme de ação/policial. Aliás fazia muito tempo que eu não ia torcia pelo mocinho. Ainda mais pra um cara que mente pra mãe doente e é um loser sonhador. Ponto pro Jamie Foxx, em atuação simplesmente soberba. Coisa rara em um filme de ação, valendo o ingresso. Não por acaso ele será a estrela do filme que a Universal está rodando sobre a vida do Ray Charles (Meio estranha essa rapidez. Duvido que o roteiro, provavelmente finalizado às pressas post-mortem, preste). E não sei se devo dizer isso, mas ponto também pro nosso amiguinho Tom Cruise-Credo. Não é que ele, apesar do cabelo estranho (ou por causa dele), conseguiu fazer um bom vilão asqueroso, imprevisível e meio bichoso?

...E aliás está começando o festival de cinema do Rio. Uns trocentos filmes de tudo quanto é tipo, a maioria provavelmente não vale o ingresso, mas vai rolar um documentário sobre os Ramones. Estou lá, feliz da vida.




Sons captados Segunda-feira, Setembro 20, 2004


Vocês sabiam que eu tinha um fotolog? Pois é, eu tenho um fotolog. Faz tempo. Só tinha vergonha de publicar aqui, que esse blog era meio popular demais quando eu atualizava com freqüência. Lá vocês poderão acompanhar minha saga nas terras de Jorge Moita.




Sons captados Sexta-feira, Setembro 17, 2004


Mais um Ramone que se vai. Eu tenho uma modesta tese sobre os Ramones: Eles foram gênios na mesma medida de Mozart ou Da Vinci. A lógica é simples. Os caras inventaram uma forma de tocar que ninguém tinha sacado antes. Todo mundo imitou depois, e até hoje, 2004, vemos bandas de punk/hardcore surgindo, com a mesma levada de guitarra. Afinal, o som deles era infinitamente mais simples de fazer e identificar, não precisando de qualquer domínio técnico mais apurado dos instrumentos. E mesmo parecendo fácil, mesmo com 30 anos de bandas tentando fazer a mesma coisa, NINGUÉM conseguiu soar tão coeso, selvagem e divertido quanto eles. Quando alguém faz algo que parece simples, e ninguém consegue imitar, é gênio. Ponto.

Como exercício de provocação e reverência ao Punk Rock, ponha a mão no coração e pense em dois exemplos do oposto, que são os caras que fazem coisas extremamente complicadas, mas que um punhado de aulas de música permite imitar com perfeição. Sim, são o oposto de gênios: Os idiotas pretensiosos.

É o terceiro Ramone que nos deixa em 2 anos. O Johnny foi talvez o principal responsável pelo som da banda. Segundo ele, "Queria inventar algo que fosse inteiramente novo, então parei de escutar tudo". Mentira. Ele pode não ter se alimentado de música, mas escutou o ritmo da alma do mundo que o cercava. O cara captou com sua guitarra simples e suja um sentimento que até hoje enfeitiça roqueiros de qualquer época. E até hoje faz os "músicos de verdade" torcerem o nariz, e às vezes, quando ninguém está olhando, tentar fazer igual, e cair de joelhos diante da genialidade que pode haver em palhetadas para baixo no beat da música. Vamos hoje ouvir Ramones, qualquer coisa deles, que não me atrevo a escolher algo em uma obra tão bacana, em homenagem ao cara que mudou a história do Rock.




Sons captados Domingo, Setembro 12, 2004


Porque tenho inveja de americano: Porque aqui você entra numa lojinha de shopping e compra os últimos de The Cure, The Killers, The Libertines, Scissor Sisters, Snow Patrol e de quebra uma coletânea dos Stranglers. Ainda por cima algumas destas bandas estarão fazendo shows em algum lugar por perto. Pena que os turistas não conseguirão sincronizar as datas e perderão tudo. Pelo menos levam os CDs pro Brasil, o que já é alguma coisa.

E o Tom Capone, produtor dos meus sonhos pros Hereges, morreu a pouquíssimas quadras do meu hotel em Los Angeles. Estou postando isto do hotspot da Universal, não muito longe. Sei lá se algum dia volto, a California é longe e cara, mas creio que aqui vai ser sempre um lugar triste para mim.




Sons captados Quarta-feira, Setembro 08, 2004


Diretamente da terra do Jorge Moita fico sabendo que ele lidera as pesquisas de voto por 7 pontos. Isso ocorreu por conta de suas declarações sobre como os americanos precisam temer o inimigo, e como precisam combatê-lo, etc. O Kerry não entra nessa e acaba não conquistando o voto dos imbecis. Aí nota-se o que todo mundo já sabia: em qualquer lugar do mundo, os imbecis são maioria. Acho bobagem quando dizem isso só dos americanos.

Ontem por exemplo estava jantando no House of Blues de Las Vegas. É, eu sei, mas o chefe gosta de lugares de griffe. Estava rolando um show do Ministry, e dava pra ouvir do banheiro. Descobri isso quando fui lá lavar a mão, e acabei ficando 20 minutos por lá deixando o chefe pendurado sem entender onde eu estava. Numa das músicas, um discurso do Bush. Vaias, e começou a maior pauleira. O nome do show dos caras é "Evil Doer Tour", com uma foto do Moita. Os gringos sabem das coisas, sim. O duro é eles irem votar pra tirar essa anta do poder. Veremos.




Sons captados Quarta-feira, Setembro 01, 2004


Pois bem, eu sabia que minha cara-de-pau ainda ia virar um meio de vida. Fim de semana passado, eu e o Pablo da Radiophonia, escalado pra segurar as pontas com sua guitarra, um repertório maluco e um bando de camaradas meio bêbados. Sucesso total. Na sexta encerramos nosso set e o pessoal ficava numa de Bis! Bis! A gente foi tocando qualquer coisa que vinha na cabeça, com o detalhe de eu não saber letra de música nenhuma e ir inventando uma coisa parecida com inglês. O Pablo tacava uns improvisos de guitarra pra disfarçar a tosqueira, aí a gente acabava rápido, se despedia, e os caras: Bis! Bis! Na terceira eu pedi pra garçonete suspender o chopp deles. O resultado foi quase uma hora de bis, tendo rolado até um princípio de Wando, e uma histórica Smoke in the Water sem nenhuma letra, só com a gente acompanhando o pessoal cantado o riff: "Pam, pam, pam! Pam, pam, pam-pam! Pam, pam, pam, pam, paaaaammmm!" Ficou em algum ponto entre sublime e patético, mas pelo menos rendeu um troquinho honesto de couvert artístico. Quinta agora tem mais...

Na sexta viajo pros States a trabalho, só volto na outra semana. Acho que vai dar pra pegar um showzinho do Violent Femmes.

Enquanto isso, assisti O Retorno e Colateral. O primeiro é russo, faturou um monte de prêmios e é bem filmado, mas não diz nada. O segundo é Tom Cruise, mas vale a pena. De repente explico melhor em outros posts. E sexta estréia o novo Shyamalan. Sou fã. E isso rimou, tã-nã-nã. Vou ali comemorar com um suco de maçã.






Leia também todos os artigos publicados em:




This page is powered by Blogger.