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Sons captados Segunda-feira, Janeiro 31, 2005
Pela primeira vez na vida, e acho que última, fui num cinema com lugar marcado. É assim que funciona: A bilheteria abre uns 15 minutos antes do filme começar. Aí você está a umas 20 pessoas do início da fila. Você percebe que está demorando um bocado de tempo por cada pessoa. Aí você vê um daqueles mapinhas em cima da bilheteria mostrando os lugares da saleta, e mostrando também que não era nada grande. E você se toca que as pessoas ficam olhando pro tal mapinha e travando longuíssimos diálogos com o bilheteiro, concluindo então que estão tentando escolher um lugar. Finalmente as pessoas ficam satisfeitas, pegam um papel gigante e entram direto na sala. E os próximos chegam, ficam olhando pro mapinha, que não tem nenhuma indicação de onde já está ocupado, e iniciam outro diálogo. Como resultado eu que tinha chegado antes da bilheteria abrir já estava ouvindo os trailers lá dentro (eu AMO trailers) e ainda não tinha conseguido comprar o ingresso. Finalmente chegou a minha vez, tentei um discurso desesperado (ouvindo a voz do Darth Vader vindo da sala): "Me dá qualquer lugar!" - O rapaz não pareceu muito animado com a amplidão de possibilidades que aquilo representava e ficou me olhando mudo. Aí lembrei da escolha do cara que estava na minha frente e chutei "Fileira E tem?"- Tinha. 4 lugares. Quais eu queria? "E3 e 4, rápido!" Aí ele começou a imprimir o troço, eu paguei e saí correndo pra sala, para ser parado pelo lanterninha: "Qual o seu lugar, senhor?" Mostrei e ele apontou com desprezo com o facho da lanterna: "É ali". Exatamente os 2 lugares vazios mais óbvios do cinema, bem na frente das filas que já estavam ocupadas. Sentei, e 5 minutos depois, com o filme começando, chega o pessoal que estava atrás de mim na fila de compra, sentando nos lugares vazios ao meu lado.
Em suma, eu e eles teríamos sentado exatamente ali mesmo se não fosse lugar marcado, com a diferença de ter conseguido comprar a tempo de curtir a sessão toda. Os últimos coitados que chegaram cedo na fila, ainda com a bilheteria fechada, perderam o início do filme. Alguém me explica? Pra comprar para uma sessão em outro dia até pode ser, mas pra comprar e sentar não faz nenhum sentido, né não?
Ainda rolou um agravante: Na fila para comprar chegou aquele famoso pessoal atrasado, eram uns 4, que conhecia o camarada que estava logo à minha frente. Obviamente furaram na fila sem a menor cerimônia. O que eu ia dizer? Mesmo que eu desse um toque neles para irem pro final da fila, bastava o amigão da frente pra escolher os lugares pra todo mundo que tinha acabado de chegar, eu ia ter que me contentar com o que restasse. Cheguei a ver com minha mente eu reclamando com eles, eles fingindo cidadania e sainda da fila, apenas para o amigo deles comprar os melhores lugares de todo o cinema para eles, que ao invés de entrar ficariam na porta me esperando só para verem minha cara ao sentar no cantinho atrás da pilastra que tinha sobrado, com sutis sorrisinhos irônicos. Sabiamente calei a boca e deixei pra lá, com a percepção de que oficializaram o fura-fila com esse sistema super-de-primeiro-mundo.
O filme foi Zatoichi, sobre um massagista cego que na verdade é um espadachim sinistraço e sai fazendo justiça num vilarejo japonês em algum lugar do passado. Algo como um bangue-bangue passado no Japão, adaptado à cultura de lá. Sangue pra todo lado, personagens interessantes, especialmente um cara que virou gueixa devido a... como dizer, questões de infância, boa atuação e direção do Takeshi Kitano. Só não pesquei o conceito do elenco inteiro sapateando num palco no final.
Hoje ouvindo o crássico Smells like teen spirits é que me toquei de uma coisa: Aquele finalzinho parece MUITO que o Kurt tá gritando "Edinalva! Edinalva!" sem parar.
E quarta-feira tem festa glam na Matriz. Grab a brush and put a little make-up...
Escrito por Costello
Sons captados Terça-feira, Janeiro 25, 2005
Com a banda gravando direto nestas últimas semanas ficou difícil fazer qualquer coisa. Pouco cinema. Pouca música. Nenhuma TV, porque ainda não consegui me animar pra ligar a que está dentro da caixa aqui em casa. Mas agora tenho guarda-roupa, e ar-condicionado. Quase um homenzinho.
Pelo menos deu pra ver filminhos bonitinhos em 2005.
O Grito é um título imbecil para The Grudge. Só faltava essa, os tradutores de títulos usarem semelhança fonética com o original mesmo que não faça nenhum sentido. O filme em si também é uma tradução. O original (Ju-On) feito há alguns anos é japonês. O grande Sam Raimi assistiu, se impressionou (citou este como o terceiro de sua lista de 10 filmes de terror de todos os tempos na Uncut), deu uma grana e um punhado de atores yankees para o mesmo diretor nipônico fazer uma versão óliúde. E ele confiou no seu taco e fez, quase que a rigor, o mesmo filme.
Que é um dos filmes de terror mais divertidos que já vi na vida. É assim: Alguém entra numa casa, vê um garotinho que não devia estar lá, e morre. Você não vê nunca a pessoa morrendo. Só o que ela vê antes, que normalmente é a mãe do menino, não muito feliz com seu próprio assassinato brutal. Isso rola de 10 em 10 minutos. Quem investiga morre. Quem entra na casa nem que seja pra dar um alô, morre. Quem, como os americanos que passam a ser os novos moradores, só querem um lar naquela casa dos infernos, não tem a menor chance e morre. Não há descanso, o suspense não termina nunca, a história não dá nenhum motivo pra acreditar que aquilo pode ter um fim. E a graça é relaxar e se deixar levar pelas cenas absolutamente brilhantes. É tudo milimetricamente arquitetado para você sacar que a pessoa querendo entender o que está fazendo barulho dentro daquele armário vai se dar mal, mas ela vai abrir, e você vai ter que ver o que está lá dentro junto com ela. E só isso é o suficiente pra estabelecer a tensão da cena. Não é um filme de sustos, embora na versão americana eles estejam lá, pra agradar a ocidentais sem tempo a perder. É um filme de timings perfeitos. O diretor Takashi Shimizu é um artesão, e seu filme uma jóia, com imagens que ficam com você muito tempo depois de sair do cinema. Esqueça os filmes de terror que você conhece e vá conhecer o triste Toshio e sua mãe enfezada.
O sucesso lá fora, com o faturamento de US$ 39 milhões no primeiro fim de semana, garantiu que a continuação do original também ganhará sua nova versão com vitaminas americanas. Já está em pré-produção. E descobri que não é só por aqui que a intenção original (Grudge quer dizer ressentimento, como se o próprio sentimento ficasse impresso um lugar pelas tintas de uma morte violenta, e continuasse causando sofrimento ali para sempre) se perde nas traduções latinas. Em espanhol ficou um nada animador "La maldición". E não contentes com isso, os hermanos europeus ainda mudaram "sutilmente" o pôster, pintando o olho da nossa amiguinha com um resultado que parece de uma criança de 10 anos brincando de hidrocor. Ó que meda.
E ainda numa nota triste para quem jogou a clássica série Alone in the Dark, saiu o trailer do filme. New Metal e metralhadoras prometendo uma bomba ridícula tendo como promissora fonte jogos inspirados no universo do H.P.Lovecraft. Vamos aprender com os japoneses?
Escrito por Costello
Sons captados Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
É, não tenho postado muito. É que tenho pensado demais na morte do Bezerra.
Ahn? Ahn?
Isso é só um teste pra saber se consigo perder todos os leitores de vez. Aos incautos insistentes, volto daqui a pouco. Cheio de amor pra dar.
Escrito por Costello
Sons captados Domingo, Janeiro 09, 2005
Letra de música em blog é loser, é falta de assunto, picaretagem. E o que vocês esperam desse blog vagabundo? Taí minha mensagem emprestada de Mr. Cohen desejando um feliz ano ou coisa parecida:
Give me back my broken night my mirrored room,
my secret life it's lonely here,
there's no one left to torture
Give me absolute control over every living soul
And lie beside me, baby, that's an order!
Give me crack and anal sex
Take the only tree that's left and stuff it up
the hole in your culture
Give me back the Berlin wall give me Stalin and St Paul
I've seen the future, brother: it is murder.
Things are going to slide, slide in all directions
Won't be nothing Nothing you can measure anymore
The blizzard, the blizzard of the world has crossed
the threshold and it has overturned the order of the soul
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant ¿..
and the white man dancin'Give me back the Berlin wall
Give me Stalin and St Paul
Give me Christ or give me Hiroshima
Destroy another fetus now We don't like children anyhow
I've seen the future, baby: it is murder
Escrito por Costello
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