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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

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Cortesia WebCount

Sons captados Terça-feira, Setembro 20, 2005


O Oregon enriqueceu minha cultura pop com ainda outro episódio. Chegando em Portland ouvi falar no pub irlandês com música ao vivo. Foi a boa da noite. A primeira banda era de música escocesa, com uns camaradas tocando gaitas de fole. Eles tocaram umas 10 músicas ou 10 vezes a mesma música, porque com todo o respeito que um instumento esdrúxulo como a gaita de fole merece, é impossível distinguir uma música da outra. Aquilo deve fazer, sei lá, umas 5 notas musicais no máximo. As combinações possíveis esgotam rapidamente, pelo que dá pra perceber. Eu achava que escoceses e irlandeses deviam ser inimigos mortais por motivos que não sei precisar. Pode ser alguma mistura em minha mente da figura do Mel Gibson dando faniquitos de saiote de um lado, do IRA explodindo coisas, e de um irlandês que conheci que bebia em quantidades oceânicas. Gente agressiva e bêbada não devia conseguir ser amiga, mas o amor pelo álcool vence todas as barreiras, ao que parece.

O caso é que depois entraram uns velhinhos tocando música de pub irlandês. Coisas agradáveis e divertidas, com os frequentadores participando e cantando junto. Eu até estava de camisa verde clara, na tentativa de ser tomado por um irlandês legítimo, mas não sabia nenhuma letra. Fiquei tomando uma Guiness no balcão, até que uma menina puxou papo. O cara que estava comigo se animou, elas chamaram a gente pra sentar na mesa delas. Comportado como convém para um homem comprometido, sentei cumprimentando educadamente e continuei tomando minha cerveja, mostrando que estava curtindo a música. Não sei se foi o meu comportamento ou o papo do tal cara, mas a primeira interação mais intensa foi a garota perguntar se éramos um casal gay. A segunda foi as duas levantarem pra procurar homens que proporcionassem emoções maiores naquela noite. Pedi outra cerveja, pelo menos ficamos com a mesa. E então veio a música. O velhinho começou a cantar uma balada meio melosa. Aí veio o refrão. Primeiro eu imaginei estar ouvindo coisas, depois comecei a rir com o surrealismo da situação e ato contínuo saí cantando junto com as mãos pro alto.

Decorei um pedaço da letra e googlei. Trata-se de Those were the days, que teve várias gravações. Parece que a mais famosa foi a da Mary Hopkins, que chegou no top 10 da Billboard em 1968. Há gravações de Wanda Jackson, The Ventures, Roy Drusky, e parece que a primeira gravação foi dos Limeliters. Cavucando um pouco mais descobri o original russo, Darogoy dalyonu de Alexander Vertinsky, gravação de 1926. Isto explica a gravação que encontrei do Leningrad Cowboys com o coral do exército vermelho. Agora você deve estar imaginando que eu devo ter muita cultura musical mesmo pra citar esse povo todo e conhecer a canção a ponto de cantar junto. O fato é que não tenho a menor idéia de quem foi a maioria desse pessoal, e nunca tinha ouvido a música antes. Mas um pequeno pedaço, mais precisamente do refrão, é conhecido de toda a população brasileira. Pelo menos a parcela que assistia TV no domingo. Na falta de som neste blog, deixo com vocês a reação do meu amigo Klein ao escutar a música que passei pra ele pelo messenger:

PEDRO DE LARA LA LA LA LA LA LA LA...

Pois é. Exatamente essa música. A presentação dos jurados do Show de Calouros. Descobri de onde o Sílvio Santos tirou. Depois disso ainda encontrei uma versão dos 3 tenores ao vivo, que empresta ainda mais credibilidade à minha descoberta. O Oregon já virou um lugar que marcou minha vida. Nem preciso incluir aí o show do Steppenwolf cantando Born to be wild por 5 dólares.




Sons captados Segunda-feira, Setembro 12, 2005


Do nada fui parar no show do Los Hermanos. Carona e ingresso na moleza, boas companhias também. Vamos lá então sacar qual é a do novo repertório ao vivo. Já fui em shows dos barbudos em número suficiente pra concluir algumas coisas:
  • Eles são uma das únicas bandas que seguem consistentemente tocando todas as músicas do último álbum. A maioria toca umas 5 e olhe lá. É bom, passa a idéia de que eles realmente acreditam em cada uma.
  • O público acredita também. Cantando junto as letras das 12 músicas do álbum recém-lançado. Cantando junto as outras também. Dá gosto isso.
  • O Amarante é totalmente idêntico ao Felipe Aranha, guitarrista dos Hereges. Impressionante mesmo.
  • A implicância deles com Pierrot cheira a arrogância. Em TODOS os shows neguinho grita "Pierrot!" sem sensibilizá-los. Antes eles tentavam responder, agora só ignoram. No último show do Canecão até rolou, verdade seja dita. Mas devia ter sempre, porque o público ama essa canção e pronto. Qual é o grande problema em tocar isso? Se há, tou pensando em propor o seguinte: Os Hereges ensaiam a Pierrot até ficar perfeita, aí os Hermanos deixam o palco no fim do show, a gente sobe e toca. Eles não precisam nem ouvir, o público tem a música que ama, e os Hereges tocam. Todo mundo ganha!
  • O Marcelo toca muito bem tanto guitarra quanto baixo, mas seu canto é um tanto inconstante ainda. O Amarante é exatamente o contrário.
  • Eles tentam conseguir a equalização grave dos álbuns, mas não adianta: Todas as músicas mais pesadas continuam embolando um bocado. Só se ouve um grave bizarro, as guitarras não definem direito. Vamos lá queridos, as músicas são boas, os arranjos são brilhantes, pesquisem um pouco mais timbres que funcionem melhor. Ou troquem de técnico de som, também pode funcionar.
  • Eles não falam nada entre uma música e outra. Isso é ruim porque as trocas de instrumentos são constantes e os roadies se limitam a deixar os novos instrumentos num canto do palco ao invés de levar para eles e ajudar na troca. Então quase todas músicas são intercaladas por longos silêncios só interrompidos por um TUF! ensurdecedor quando um barbudo qualquer despluga sua guitarra.
  • Eles não falam nada entre uma música e outra. Isso é bom porque quando falam não vale nada a pena. O Amarante por exemplo chegou no microfone e falou "Uuuh!" - um gritinho agudo - o público urrou em delírio. Não saquei. Acho que público do Los Hermanos é assim mesmo, urra em delírio até de curto-circuito na mesa de som. De qualquer forma foi meio ridículo. Mas não mais que o Camelo. O Camelo, em TODOS OS SHOWS que assisti, fala rigorosamente a mesma ladainha sobre "ser bom tocar em casa - (urros de delírio)". Digno de nota também foi a seguinte tosqueira: "É bom ver vocês crescendo junto conosco! (urr... - ah, vocês já sabem)". Peralá. Ainda esse papo de crescimento e amadurecimento? Então pro Camelo passar de ska/hardcore a Rock viagem e depois chafurdar na MPB não é simplesmente mudar, mas crescer. E se o público se mantém fiel, é porque cresceu junto, certo? Marcelo, eu ia mandar você ver o pessoal crescendo lá na esquina, mas prefiro urrar com todo o carinho me unindo ao coro que você ouve do seu público tão maduro em todos os shows: "PIERROT! PIERROT!!!!"





Sons captados Quinta-feira, Setembro 08, 2005


Minha última estada em Mordor rendeu um episódio nerd-cinéfilo sensacional. Do início, e falando de trabalho, eu desenvolvi uma tecnologia para construção de multimídia aplicada a e-learning no último emprego. Coisas bonitas como geração de cursos em Flash econmizando tempo e custo com a implementação de reutlização de componentes. Os gringos ficaram de olho nisso, e tenho sido convidado pra apresentar essa parada em eventos internacionais da área. Parece glamouroso, mas gerou um pedido demissão e um momento de reavaliação profissional -- seja lá o que for isso. Só sei que tem a ver com muito tempo em casa, ir a Curitiba ver o Weezer e Raveonettes, e uma crescente vontade de comprar um Playstation.

Mas o caso é que fui palestrar num congresso numa universidade situada em Forest Grove, cidadezinha cheia de mexicanos a uma hora de Portland, no Oregon. O Oregon é tipo o Espírito Santo de Mordor. É melhor definido como o pedaço de costa que sobrar entre a California e o estado de Washington, onde fica Seattle. A última notícia que veio do Oregon foi a explosão do vulcão St. Helens, fora a fase áurea do Portland Trail Blazers. De qualquer forma, descobri que Portland é uma cidade pra lá de simpática. Fotos aparecerão no fotolog (link ao lado) em algum momento. As palestras tiveram um resultado muito bom, conheci muita gente.

Uma das pessoas bacanas que conheci foi um francês que trabalha no Canadá. O cara ofereceu carona de volta pra Portland ao fim da conferência. De quebra deu a dica da praia, a uns 70 quilômetros dali. O próximo compacto dos Hereges se chamará A Praia, estou fazendo fotos pra usar na arte. Combinamos de ir até lá. No conversível alugado por ele. Agora parece glamouroso? Queria ver aguentar o frio da serra que corta a passagem para o oceano com o raio da capota arriada. Eu congelei o sorriso, dizendo que tava bem, pra não dar uma de cucaracha. Graças a Deus pelas jaquetas de couro.

A praia se chamava Cannon Beach. Uma faixa de areia bem larga, casinhas de madeira sobre a areia, com um visual do pacífico. A atração lá são uns pedregulhos de formatos estranhos, erodidos pelo vento. Uma paisagem surreal, interessante mesmo. Fiz várias fotos, nenhuma muito sublime, mas acho que rola pro nosso humilde CD demo. Abaixo uma foto da pedra-monumento do local, a Haystack Rock, santuário de pássaros protegido por lei:



...E abaixo uma cena do início de The Goonies, filme que dispensa comentários:



Outra cena, olha a pedra lá ao fundo.



Então eu totalmente sem querer visitei uma das locações de Goonies. Como se não bastasse, o Goonie acima (o Sean Astin) virou Hobbit, o que me deixa a dois graus de separação da Terra-Média.

Agora sim, episódios como ESSE é que fazem minha vida parecer muito mais glamourosa do que é. Ou pelo menos no meu caderninho é que é motivo de orgulho genuíno, junto com o lanche que inventei na faculdade, a canja que dei com uma banda americana querida (histórias que a modéstia e algum embaraço não me permitiram postar aqui ainda), e o casamento do meu primo revelando entre um dos cunhados o Rob Schneider (Isso tem post em algum lugar dos arquivos). É uma vida quase plena, me atrevo a dizer.




Sons captados Quinta-feira, Setembro 01, 2005


Eu uso o soulseek como quem respira. E agora já posso confirmar o que as gravadoras tanto reclamam e antes não concordava. Meu ímpeto em comprar CDs está começando a frear. Digo pra mim mesmo que o problema não é tanto baixar coisas, é mais o desemprego mesmo. Será que se eu tivesse grana pagaria os 30 a 40 dinheiros que me pedem por CDs de bandas semi-desconhecidas? Ou será que eu iria simplesmente continuar baixando pra conhecer? E se gostasse, será que eu ia comprar o CD?

Por hora descobri duas coisas: As bandas que tenho em CD geram muito mais afetividade, é outro relacionamento com a música. Vai ver é por conta de ter doído no bolso, vai saber. E quanto mais mp3 eu junto no meu HD, minha relação com a música em si vai mudando completamente. Antes eu sabia que existia muita música no mundo, mas eu só ia ter acesso a um pequeno pedaço, então cabia a mim pesquisar, ficar atento, tentar expandir os horizontes, e descobrir as pequenas jóias que as rádios não iam mostrar. Mesmo assim o que me chegava era pouca coisa. Experimente limitar-se a rádio e MTV pra ver o tamanho minúsculo do seu leque musical. Tinha sempre o Lado B, um programa de rádio perdido, um amigo que vinha de fora, pra conseguir novas coisas. Caramba, há somente 20 anos quem era bem-informado tinha que ter um amigo que viajava e trazia os LPs na mala. DJ bom tinha que viajar. Agora veio a internet, e muito mais que sonhei está ao meu alcance. Bandas que lançam um único álbum ganham hype, viram estrelas. Haja visto o Arcade Fire vindo para o TIM Festival. Nunca teve mídia e já rola uma legião de seguidores. Rapidamente pode-se encher um HD com trocentas bandas maneiras. A demo da banda de matra alterantivo da Eslovênia. Bacana não?

É... Mas não sei. Algo perdeu-se nesse processo. Não rola mais quele tesão que por exemplo senti com o meu primeiro vinil do The Fall, comprado por causa do cover deles de Victoria, do Kinks. Ou o Music for the Masses do Depeche Mode, que só tocava em boate, e só Starngelove. A experiência de chegar em casa com aquilo debaixo do braço, a curiosidade queimando, botar na vitrola e ouvir lendo o encarte, olhando longamente as fotos, era muito mais intenso. Hoje você alguém falando de uma banda novíssima no Orkut, nem álbum ainda tem, só uma demo que é espetacular e vai revolucionar a música, vai lá, baixa, ouve falando com alguém no MSN, aí fulano vê que você está ouvindo aquilo e diz "Ah, isso aí já era, já enjoou. Bom mesmo é..." - e vem o nome da próxima banda do momento. Momento mesmo. Nunca a música foi tão momentânea. Isso poderia ser bom, poderia ser sinal de que a indústria está saudável, com muitas opções, com o consumidor sedento de novas coisas todo o tempo. Mas se ninguém compra, se o ciclo se fecha com ouvir o mp3 já enjoar e passar a outras coisas antes de haver a chance de financiar a banda com seus tostões, como alimentá-lo?

Dane-se isso tudo acima, porque continuo baixando como se não houvesse amanhã. E aí uma coisa me chamou a atenção nos diretórios compartilhados das pessoas. Os meus diretórios são uma zona. Eu mesmo não consigo ouvir os mp3 que baixo porque perco de vista. É que nem estacionamento de shopping lotado. O que posso fazer no meu HD é ordenar por data, aí o Windows mostra as últimas aquisições. Mas o Soulseek ordena alfabeticamente e boa sorte pra quem quiser achar algo ali. Só que fui percebendo que quase todo mundo tem seus mp3 impecavelmente organizados, com diretórios com nomes de bandas, e dentro os nomes dos álbuns. É sensacional. Você vê a listagem e pensa "Oba, esse cara tem The Pogues!" - aí clica na pastinha pra ver se rolam álbuns, bootlegs, clipes, fotos, etc. Isso faz todo o sentido, e já entendi também que as pessoas nem necessariamente têm muito trabalho pra fazer isso. Certos tocadores de mp3 pedem licença e vão organizando os diretórios automaticamente. Bacana. Só que rola uma outra tendência que não consegui desvendar. Diretórios de mp3 com um subdiretório para cada letra. Então você clica, digamos, em "mp3" e aí vê as pastinhas "#, A, B, C..." Vem cá, o que estão pensando esses caras? Que vai chegar alguém, olhar os diretórios e exclamar "Oba, esse cara tem bandas que começam com R! Muito maneiro!!!"

WTF?

PS.: Ok, é fato. Elvis Costello, Television, Strokes, Arcade Fire e Wilco na categoria atrações roqueiras internacionais do TIM Festival. Hoje foi o dia dos funcionários da TIM comprarem, um amigo estratégico de lá confirmou as atrações e já reservou meus ingressos. Lágrimas.






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