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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

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Cortesia WebCount

Sons captados Segunda-feira, Novembro 28, 2005


"Obrigado por ficarem pra nos ver. Nós nunca tocamos tão tarde nas nossas (godamn) vidas!" - Assim o Trent Reznor saudou o público lá pela terceira ou quarta música do Nine Inch Nails. Eram 3 da manhã e eu estava muito grato pelo adiantado da hora. Se não fosse por isso, não estaria lá.

Domingo era o dia do Claro que é Rock no Rio. Festival que estava dando mostras de não ter vendido nada bem os ingressos antecipados. Durante toda a semana pipocaram promoções em tudo quanto é lugar distribuindo entradas gratuitas, oferecendo com desconto em certas festas, só faltou camelô oferecer na rua como brinde se comprar 5 mariolas. Aliás seria bem adequado fazer promoção com camelô, porque algumas das bandas do festival simplesmente não tiveram nenhum álbum lançado no Brasil. Se quiser conhecer, só apelando pra pirataria mesmo. Impressiona como esta situação foi comum num ano em que muitas bandas de fora bacanas vieram fazer shows. As gravadoras parecem estar jogando dinheiro pela janela, ao mesmo tempo em que reclamam do mp3, da pirataria, do cachorro da vizinha.

O fato é que várias pessoas que conheço descolaram ingressos gratuitos. O meu estava garantido, felicidade pura por poder ver bandas bacanas, principalmente o poderoso Nine Inch Nails. E algo que comi no sábado me derrubou no domingo. Passando muito mal, não conseguia sair de casa. Não conseguia sair de um raio de 2 metros do sanitário mais próximo. A hora do festival se aproximava, os amigos ligando pra saber que horas eu ia, oferecendo carona... Eu entrevado esperando um milagre e bebendo água pra não morrer de desidratação.

Depois que o último carro de amigos rumou para lá após eu confirmar que não dava mesmo pra ir, resignei-me. Ia ser grátis mesmo. Se eu tivesse pago os 100 pilas teria um real motivo para ficar triste, ainda mais nessa fase de vacas esquálidas onde eu tô vendendo o almoço pra comprar a janta. Aproveitei um hiato nas cólicas para uma ocasião social nerd-blogueira, o lançamento do livro Blog de Papel com a presença ilustre do amigo turista japaraguaio Inagaki, grande camarada de conversas psico-bêbadas. Voltei pra casa. Largadão no sofá, notei que estava bem melhor. Dali a pouco o pessoal já estaria voltando do festival, feliz da vida, contando histórias.

2 da matina, liguei pra um camarada pra saber como foi. "Atrasou tudo 4 horas!! Ainda está no Sonic Youth!". A cidade do Rock, local dos shows, é longe pra cacete. Não precisam saber onde moro, a cidade do Rock é longe pra cacete de qualquer lugar do Rio. Mesmo que você more no bairro da Cidade do Rock, ainda assim estará longe pra cacete. Mas agora estava inapelavelmente assaltado pela esperança. Fiz contas. Tinha uma boa chance de conseguir. Liguei para a amiga que tinha ingressos sobrando. Ela já tinha ido embora, não ia ver o NiN, estava a caminho de casa. E mora na rua dos meus pais. Acordei meu pai pedindo o carro emprestado. O Diogo, baixista herético que não tinha mais o que fazer, foi comigo. Peguei o carro ao mesmo tempo em que a amiga chegava em casa, cheia de ingressos. Pegamos os nossos e zarpamos.

3 da manhã, largo o carro num buraco qualquer, trocando "joinhas" com os policiais que estavam em frente. Andamos contra um mar de gente indo embora cansada, ouvindo ao longe os urros do Trent. Chegamos na roleta com os ingressos, ficam os seguranças olhando com cara de quem vê dois malucos chegando num lugar longe pra cacete, 3 horas da manhã, no meio do último show. "Vocês sabem que é o último show, né?" - Pensei em responder "Não, seu guarda, somos o seu pai e sua mãe vestidos para o baile dos enxutos" mas achei que o cara poderia não ter assistido o filme do Batiman e perderia a piada genial.

Entramos para ser saudados com a frase lá de cima. O local estava quase às moscas, para usar um termo satânico adequado ao universo torturado do Trent, o que tornou a frase um pouco mais patética. Sinceramente o Nine Inch Nails merecia mais calor. E o Rio merecia ver aquele show em um horário adequado. Não acho que existam muitas bandas por aí com tanto domínio de som, luz, presença, musicalidade. Soa pop, soa dançante, soa triste, soa maligno. É Rock num nível muito acìma da mesmice, em todos os aspectos. É para não duvidar de que Rock pode ser uma arte, sem as frescurites do progressivo e heavy-malices afins. Apesar do certo bode no local, com pouca gente resistindo ao cansaço e ao frio esdrúxulo do fim de novembro (18 graus, o Rio não fica pior que isso nem no inverno), a banda fez o que pôde, foi profissional e entregou um show correto. Talvez pareça pouco, mas foi o suficiente pra me sentir lindamente recompensado pela odisséia da madruga. Um ano com Placebo, Weezer, Strokes, Raveonettes, Arcade Fire, Elvis Costello e Nine Inch Nails. Mesmo com o Depeche Mode prometido para o início de 2006, resta saber se este ano animou os produtores a trazerem mais bandas de Rock ou se as polêmicas e problemas diminuíram a sanha deles gastarem em dólares para ganhar em reais. Veremos.





Sons captados Quinta-feira, Novembro 24, 2005


Vou postar isso aqui só porque o fotolog odeia vermelho e estragou tudo:



Vamos filmar tudo e gravar o áudio em 4 canais. Se foi o suficiente pros Beatles gravarem o Sargent Pepper's...





Sons captados Terça-feira, Novembro 22, 2005


Indiezices do momento:

  • Depois do show derrubador de maxilares do Arcade Fire no Tim, me apaixonei ainda mais pelo Funeral. A Slag lançou o CD com o belo encarte, vale a pena a aquisição.

  • Magic numbers é chato demais, meu Deus.

  • Interpol (ainda) vicia

  • Alguém me dá um motivo pra eu entrar numas de ouvir Waterboys sem parar? Eu tenho conserto?

  • Fui numa festa e me chamaram de "Indie do momento".

  • Talvez influenciado por isso dancei She bangs the drums do Stone Roses como se fosse o maior clássico da minha vida

  • Single novo da Cat Power, The Greatest, rolando no site da Matador. É ótima. Cross bones style ainda me corta ao meio.

  • Hypnotyze, a outra metade do Mezmerize, do System of a Down, já por aí. Acho que o primeiro desceu melhor. Mas SOAD é uma banda a observar sempre.

  • Novo do Cardigans também rolando. Dark, pesado, gostei

  • 3 shows dos brasilienses Móveis Coloniais de Acaju no Rio, quem não foi perdeu feio. Fui nos 3. E encontrei a Xadim nos 3.

  • Um dos caras do Móveis comparou o som dos Hereges com Queens of the Stone Age. I'm not worthy...

  • Saiu Hereges na Bizz desse mês. Rock independente carioca em revista de circulação nacional, sem nem CD lançado. E eu ainda reclamo que as coisas deviam ser mais rápidas. Se continuar nesse ritmo, a humilde bandinha tem alguma chance de furar tímpanos com heresias pelo Brasil.

  • Fantômas no Claro que é Rock. Ferrou, agora ficou obrigatório MESMO.

  • Mais Hereges: Show de graça no ginásio da PUC, sexta às 17:00. Vamos filmar tudo com 3 câmeras. Vai ser O show, queridos ouvintes. Façam força pra comparecer e dar aquela força na filmagem do público...






  • Sons captados Sexta-feira, Novembro 18, 2005


    Façam o que fizerem, NÃO assistam Elizabethtown. Orlando Bloom mostra que devia mesmo voltar pras florestas da Terra Média. Não é que ele não convença no papel. Ele não convence de... humano. Eu comecei falando nele porque o filme é totalmente centrado no seu personagem, um cara mala e suicida que aparentemente tem uma lição de vida a aprender quando seu pai morre visitando parentes em sua cidade natal no interior. Escalada para ensiná-lo a garota mais chata do universo vivida pela queridinha Kirsten Dunst, em versão meio, digamos, despeitada. Fora essa história de amor que não decola porque os envolvidos não são nem um pouco interessantes, o filme tenta fazer comédia com os preparativos e funeral de um pai de família. Fantástico, não? Por que ninguém tinha pensado nisso antes? Porque não funciona, eis o porquê. Quem entende de roteiro não iria por este caminho. Mas o pessoal que fez esse filmeco não entende estes detalhes, e o filme vai afundando depressa na medida em que vem chegando o funeral.

    O ápice é uma cena onde eu fiquei com muita vergonha alheia mesmo pela Susan Sarandon. Ela já estava tendo que entregar um monólogo extremamente constrangedor, na expressão dos outros atores já notava-se a preocupação com o possível descompasso entre cachê e queimação de filme de uma estrela. Quero dizer que dava pra notar os próprios atores envergonhados na cena. Quando você já está com as duas mãos na cabeça ela ameaça sapatear. Aí você pensa "Ok, ninguém seria sem noção de escrever uma cena como essas pra Susan, e ela jamais aceitaria caso batesse o olho em algo assim num script". O próximo pensamento é que a Susan ficou míope, porque ela começa a sapatear, e a câmera e a luz são posicionadas de um modo que você percebe que era pra ser belo, tocante, mas fica apenas no limite mais baixo da humilhação de um ator e tortura de um público.

    Quando você acha que não fica pior que isso, o filme se estende. Muito mesmo. Com uma longa cena sem nenhum sentido mesmo. Que era pra ser o final feliz. E isso dá a tônica do filme. Tudo o que acontece de ruim é muito ruim mesmo, enfatizado pela incompetência geral da equipe do filme. E tudo que acontece de bom é absolutamente inverossímil. O romance começa com uma aeromoça gatinha primeiro oferecendo primeira classe pra um cara, depois sentando ao lado dele pra conversar, e finalmente fazendo questão de deixar seu telefone. Entenderam? É só o começo. Eu não sou roteirista, mas acho que para alguém fazer um filminho com lição de vida poderia pelo menos acreditar ele mesmo em lições, acreditar que pode mesmo existir algo de bom por aí, sem que se pareça com um sonho mal-escrito.

    E eu nem falei das várias cenas do ex-Legolas interagindo com uma urna funerária com as cinzas do falecido. Ótima metáfora pro relacionamento dele com o script. E para o sentimento que fica na saída do cinema. Credo.





    Sons captados Terça-feira, Novembro 15, 2005


    Filmes com bonequinhos ainda estão passando por aí. Noiva cadáver é o novo filme do Tim Burton, um cara que tem muito mais hype do que devia. Cineasta que comete coisas como o primeiro Batman, Beetlejuice, ou jesus-maria-josé-o-remake-de-Planeta-dos-Macacos não devia ter tanta adoração. Edward Scissorhands é legal, sim. Cavaleiro sem cabeça é trash divertido. Os outros filmes sempre derrapam perto dos finais, vide o remake da Fábrica de Chocolate, com uns 15 minutos finais totalmente desnecessários pra história e bestas de assistir. Em suma, o Tim é adorado, mas é inconstante demais, ao longo da carreira e ao longo dos próprios filmes, para ganhar a pecha de gênio que insistem em empurrar pra ele.

    Mesmo assim o hype de Noiva Cadáver estava gigante, fui ver em pré-estréia no equivalente paulista da maratona do Odeon. 3 filmes varando a madruga. O resultado é, para o bem ou para o mal, um Tim Burton típico. Produção de arte lindíssima. Bonecos, cenários, iluminação, tudo irretocável, o visual dando gosto. A história é interessante, mas vai perdendo o fôlego por falta de mão do diretor para ritmo. As gags e piadinhas vão segurando o filme, ao invés do roteiro. De qualquer forma, animações parecem contar com uma dose extra de boa vontade do grande público. Se coisas como Madagascar (repetição de receita de bolo já vista em trocentas animações bem mais caprichadas) geram bilheterias gigantescas e caem no gosto popular, acho que Noiva Cadáver merece ser visto com atenção, por tentar transportar o público e diverti-lo com um mundo realmente surreal (Bolas, é isso o que desenhos animados fazem de melhor) e mórbido, o que é também uma marca registrada do Tim.

    Creio que O estranho mundo de Jack (Nightmare before Christmas) é mais bem sucedido. Os personagens e seu universo são totalmente esquizóides, a mocinha que se costura é um achado de um lirismo impressionante, e a história é bem menos impregnada de lições para a família. Talvez a diferença seja o Tim Burton estar por trás da produção e idéia, mas entregar a direção a outro camarada, Henry Selick, que aliás coordenou as seqüências de efeitos debaixo d'água do Life Aquatic with Steve Zissou. O desenho é antigo, 1993, e dá pra encontrar em DVD por aí. Recomendo.

    O primeiro longa de Wallace e Gromit também é feito com bonecos e cenários reais. A semelhança pára por aí. Os personagens foram inventados pelo estúdio inglês Aardman. O que trabalha também em publicidade e clipes, incluindo o de Sledgehammer do Peter Gabriel, que marcou época na década de 80. Wallace é um inventor meio pancada e viciado em queijo que depende da fidelidade e inteligência de seu cachorro Gromit pra se livrar das maluquices causadas pelas suas invenções. Eles apareceram em alguns curtas premiados que levaram a divisão de animações da Dreamworks a fechar um acordo de 5 longas com o estúdio. O primeiro, Fuga das Galinhas, curiosamente não foi com os personagens. Por isso talvez seja mais fácil pro grande público. "Galinhas que tentam fugir do galinheiro pra não virar tortas, ha-ha, isso eu entendo". Já um inventor esquisitão e seu cachorro mudo tentando salvar os vegetais gigantes tratados como filhos pelos habitantes de uma cidadezinha da sanha de coelhos junkies... Aí entramos na seara do humor inglês. Absurdo, nonsense, rápido. É pegar ou largar. É bom perceber que tem gente que não acha que humor não se limita a fazer pastiches de outros filmes ou desenhos, ou ainda colocar bichinhos vivendo dramas da vida humana moderna, achando que isso basta como "engraçado". Na medida em que o filme vai avançando tudo vai ficando mais histérico até o final apoteótico, aliás no estilo de Fuga das Galinhas. Eu ri demais, ao mesmo tempo em que ficava boquiaberto com a riqueza da produção, principalmente nas seqüências de ação. Foram 5 anos para o filme ficar pronto, ao ritmo máximo de 2 minutos por semana. Diz o site que os diretores andam 8 quilômetros por dia mexendo nos bonecos pelos sets. O Gromit é um achado, já que normalmente o Oscar de melhor ator vai para papéis de aleijados e deficientes em geral, bem podiam dar pra ele um prêmio pela enorme expressividade para um personagem sem boca. Ele só move os olhos, e não precisa mais nada. Animação de classe não é pra qualquer um.

    Nesta semana estreiou o Chicken Little. O título em português chama-o de "galinho", numa nostálgica mas esdrúxula alusão ao Zico e ao Mengão de outros tempos. Acho que foi o mesmo fenômeno que censurou nomes ridículos de Guerra nas Estrelas, como Dooku e Sifo Dias. Pelo jeito agora cortaram o pintinho. Não é de bonequinhos, mas do seu equivalente geek, a animação 3D. Após a Pixar contratar um cara indie e por fora do esquemão Disney pra fazer seu último longa, o ultra-mega-sucesso Os Incríveis, a Disney responde com um longa turbinado por seus próprios desenhistas e computadores, sem a ajuda dos amigos do midas Steve Jobs. Se deu certo ou não veremos depois, porque as filas aqui estão assustadoras, no sentido clássico mesmo, com pais meio pálidos tentando conter milhares de crianças gritando e correndo em todas as direções. Impressões em breve por aqui.

    No meio dessa briga a existência de animações de bonequinhos em stop motion parece mostrar que é bobagem considerar que apenas o desenho em 3D terá mercado. Arte nova não necessariamente subsitui a antiga. Apenas adiciona mais uma opção de expressão, aumenta o vocabulário artístico de quem tem uma boa história pra contar. Desenhos sempre terão apelo porque são fascinantemente eficazes na tarefa de nos transportar a outros mundos. Desenhados, esculpidos ou feitos de rabiscos, o que importa é que nos tirem da rotina e valham o ingresso. É o caso das duas animações em cartaz, corram para ver.





    Sons captados Terça-feira, Novembro 01, 2005


    Como obter uma cerveja bem gelada por acidente: Primeiro você precisa ser eu. Em caso de impossibilidade, ser lesado/levemente idiota servirá. Você também precisará de uma geladeira com compartimento "Extra-frio" abaixo do congelador, como vemos na figura:



    Em seguida, convide uns amigos pra ver um DVD do Elvis Costello ou decida encher a cara brutalmente. A idéia é ter um motivo para comprar um monte de cerveja. Eu utilizei a primeira alternativa, porque a segunda me faria ir ao boteco imundo e barato aqui da esquina e acabar a noite abraçado com o cachorro que mora lá, invalidando a experiência.

    Ponha a cerveja no congelador, como de costume. Sirva algumas para seus amigos. É importante também para o experimento que os amigos não decidam pela segunda alternativa acima não deixando nenhuma cerveja sobrar, o que animaria um bocado as coisas mas não seria assunto para um post. Um cavalheiro que sabe os amigos que tem jamais comenta.

    Então se tudo correr bem você tem algumas cervejas no seu congelador. Não é boa idéia deixá-las lá porque a água possui a propriedade de aumentar seu volume quando passa ao estado sólido, ao contrário de todos os outros materiais conhecidos. Como cerveja contém água - o que é um desperdício, mas salva muitas vidas - se for congelada ela pode romper seu vasilhame, principalmente se estiver em uma garrafa. Como na geladeira ela pode ficar em temperatura inadequada para consumo em caso de necessidade de bebida após o horário de fechamento do bar imundo da esquina, passe as cervejas ao compartimento extra-frio.

    IMPORTANTE: Existem duas condições cruciais para este experimento funcionar. Primeiro seja relapso deixando seu congelador com uma grossa camada de gelo. Depois, tenha um congelador com fecho vagabundo que parece que fecha mas acaba abrindo, como na figura:



    Depois disso, viaje por uns 3 dias pelo Brasil indo atrás do Elvis Costello, ou atrás do trio elétrico, ou atrás daquela garota que te dá mole pelo Orkut mas mora longe e só é magra na foto. Na volta, cheque seu compartimento extra-frio. Se tudo correr bem, a combinação de congelador aberto e dias sem abrir a geladeira gerarão o resultado esperado, mostrado pelas figuras:





    Ou seja, todo o gelo que estava nas paredes do congelador derreteu, escorreu para o compartimento abaixo e congelou novamente, fazendo um grande bloco de gelo de vários quilos dentro da geladeira. Retirei o compartimento, na verdade uma gaveta, para observar melhor o fenômeno e também para recuperar as cervejas. Como se vê na figura abaixo, mesmo colocando a gaveta na posição vertical o blco de gelo não se solta lá de dentro. Verifiquei que isto se deve à aba superior da gaveta, que avança para dentro. Esta protuberância segura o bloco firmemente no lugar.



    Levado por grande interesse científico e falta do que fazer, decidi tentar retirar o bloco de gelo. Percebi que a gaveta é feita de material plástico bastante flexível (vagabundo), concluindo que uma alavanca aplicada sobre a aba usando o próprio gelo como ponto de apoio poderia deslocá-la o suficiente para conseguir meu intento. Para isto utilizei ferramentas especialmente desenhadas para este propósito. Ou o mais perto disso que consegui arrumar:



    Mesmo fazendo alguma força não funcionou, e achei prudente estudar novamente o problema antes que arrebentasse o compartimento ao meio. Decidi arredondar a extremidade do bloco de gelo que estava presa pela aba, a fim de facilitar sua saída. Uma tesoura serve bem:




    Após aparar bastante a extremidade do bloco tentei novamente a alavanca, tomando o cuidado de virar a gaveta de cabeça para baixo a fim de utlizar a força da gravidade a meu favor. Desta vez obtive sucesso:





    Outras visões do inusitado iceberg:




    A foto abaixo tirei pra revelar em formato grande e levar no boteco imundo, quem sabe eles não querem pendurar na parede em troca de mais cerveja:



    Botei o compartimento de volta no seu lugar.



    Aproveitei para documentar o útil efeito colateral deste método de gelar cerveja. O congelador ficou livre de todo o gelo de suas paredes. Experimentei o sorvete e atestei que não perdeu suas propriedades.



    Já aquele franguinho empanado, melhor jogar fora.

    Ainda restava um problema fundamental: Eu não conseguia pegar uma cerveja para celebrar meu sucesso.



    Abstive-me de bolar soluções que envolviam o uso de forno, porque no micro-ondas o blco não cabia, e fornos a gás tendem a ser incompatíveis com gelo derretido, ou seja, água. Decidi que o melhor a fazer seria deixar a temperatura ambiente, que pelo menos no Rio de Janeiro é bem acima do ponto de congelamento da água, atuar. A primeira solução envolveu deixar o bloco de gelo na pia, resolvendo o problema do escoamento:



    Mas a formulação de diferentes hipóteses para o desenrolar deste arranjo me levou a acreditar que não era uma boa solução. Alguns dos invólucros estavam vários centímetros acima da superfície de contato mais próxima, seja a pia, seja a bancada de mármore. Quando eles se soltassem do gelo iniciariam um movimento de queda livre, possivelmente danificando-se, ou ainda causando o efeito mais preocupante, que seria me dar um susto danado. A solução encontrada é mostrada na foto abaixo:



    Pois é, do chão não passa!

    Uma palavra sobre cuidados pessoais: A baixa temperatura do gelo irrita a pele podendo até causar queimaduras. No meu caso o único efeito causado pela manipulação do gelo foi deixar minha mão vermelha:



    Após 2 horas verifiquei o estado do bloco. Ainda estava bastante sólido:



    Após 5 horas o resultado foi melhor:




    Isto concluiu o experimento com sucesso, e deu um novo sentido ao termo "cerveja estupidamente gelada". A seguir, o estudo do efeito da cerveja liberada do bloco em um indivíduo adulto do sexo masculino.







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