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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

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Cortesia WebCount

Sons captados Quinta-feira, Dezembro 29, 2005


"A poesia Vogon é, como todos sabem, a terceira pior do universo. Em segundo lugar vem a poesia do azgodos de Kria. Durante um recital em que seu Mestre Poeta, Gruntos, o Flatulento, leu sua "Ode ao pedacinho de massa de vidraceiro verde que eu encontrei no meu sovaco numa manhã de verão", quatro pessoas na platéia morreram de hemorragia interna, e o presidente do Conselho Centro-Galático de Marmelada Artística só conseguiu sobreviver roendo uma de suas próprias pernas completamente. Consta que Gruntos ficou "decpcionado" com a reação da platéia, e já ia começar a ler sua epopéia em 12 tomos intitulada Meus Gargarejos de Banheira Favoritos quando seu próprio intestino grosso, numa tentativa desesperada de salvar a vida e a civilização, pulou pra cima, passando pelo pescoço de Gruntos, e estrangulou-lhe o cérebro..."


Lembrei deste capítulo de O Mochileiro das Galáxias quando ouvi em um táxi a (per)versão cometida pela bi-diva Ana Carolina, tendo como cúmplice o Seu Jorge, para The Blower's Daughter, a musiquinha bonitinha do Damien Rice que leva Natalie Portman em câmera lenta na abertura de Closer. Eu estrebuchava no banco de trás. Não sei bem como sobrevivi, mas passei a ver manchas negras e ouvir um zumbido estranho. Acho que foi dano cerebral. O sábio Douglas Adams diz mesmo no livro que a pior poesia do universo tinha sido feita aqui na terra, por uma inglesa, e que tinha desaparecido com a destruição do planeta. Ele não tinha ouvido essa canção(?) quando escreveu, ou certamente teria mudado o país de origem.

Eis o poema Vogon que torturou os heróis Arthur Dent e Ford Prefect:

"Ó fragúndio bugalhostro, tua micturiação é para mim
Qual manchimucos num lúrgido mastim
Frêmeo implochoro-o, ó meu perlíndromo exangue
Adrede me não apagianaste e crímidos dessartes?
Ter-te-ei rabirrotos, raio que o parte!"


Agora vejam trechos do exemplar terrestre (Não me atrevo a transcrever inteira, não quero causar malefícios aos fiéis leitores):

"É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre
...
É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores"

Eu prefiro a poesia Vogon. Muito mesmo. Para o universo só resta a esperança de que a destruição da terra não demore.





Sons captados Sábado, Dezembro 24, 2005


Morar sozinho e conhecer outras pessoas que moram sós ou longe das famílias deu outro significado ao Natal. Só o número de pessoas online no MSN no momento em que escrevo isto já diz muito. Eu tenho mais de 10 tios, e primos a granel. Na infância cada Natal era um épico de crianças descontroladas e árvore lotada de embrulhos de todos os tamanhos. Já não é mais assim, aos poucos o Natal foi virando só uma época de shopping cheio de gente com uma cara nada amistosa. Trabalhar em casa e não estudar tira ainda mais uma referência. Não tenho mais as férias típicas da época para ansiar. Só sei que é dezembro porque preciso ligar o ar-condicionado pra dormir.

Isso torna as celebrações em volta um tanto surreais. Eu não sei bem o que deveria comemorar. Pra mim a sensação piora no reveillon. Feliz ano novo? Um ano é mera conseqüência de ter conseguido permanecer aqui todos os dias, ufa, ufa. No fim de cada dia é que celebro isso, e abro os olhos pro que o próximo dia trará.

Essa estranha tristeza não prevalece quando penso neste ano. Eu só consigo lembrar das coisas maravilhosas que me aconteceram. Talvez tenham sido em menor número que as ruins, mas quem está interessado em contabilizar desgraça? Essas já foram pro ralo. Não servem de lastro ou base pra construir nada. Já as alegrias, essas têm de ficar. Então o Natal pode ser uma época de lembrar e organizar a galeria de coisas bacanas que aconteceram nas nossas cabeças. Sempre existe. Eu posso dividir com vocês uma foto singela:



Os dois Costellos reunidos. O autógrafo no meu ingresso diz "From one Costello to another, thanks". Esse psedônimo besta eu inventei quando iniciei este blog, há uns anos. Primeiro post pronto, e eu me toquei que não queria botar meu nome real. Na época eu era um executivo wannabe, achava que se soubessem que eu tinha blog, e ainda por cima um de proposta tão cretina, não iriam me oferecer emprego. Só que eu não sabia o que botar, sem pensar muito tasquei o sobrenome do meu maior ídolo nessa terra: Costello. Encontrar com o cara, falar com ele... Apenas sonhos longínquos. Que viraram realidade. Assim mesmo, do nada.

Então 2005 foi o ano em que encontrei a fé, e que se danem os que apontarem que é meio patético fazer discursos inflamados por ter visto um roqueiro das antigas. Cada um sabe de seus sonhos, e ei! Não tenha vergonha nem dos patéticos. Eles têm um poder de gerar alegria e fé que só posso definir como miraculoso. E milagres não se medem ou desprezam. Então contabilizem as alegrias. Eu tenho um blog, e tive um acontecimento especial, então posso ficar aqui batendo no peito. Você também teve. Pode ser tão simples quanto um show de Rock, e este ano nos deu alguns absolutamente sensacionais. Pode ser um momento com alguém que talvez nem esteja do seu lado, mas que sempre valerá a pena lembrar. Pode ser o seu time escapando do rebaixamento por pouco. Bolas. Este ano foi bom. Não escute quem diz que não. E neste ano você aprendeu coisas que conseguirá fazer melhor em 2006. Logo, o ano que vem será melhor. É uma questão de pura lógica, inescapável matemática. Agarrem-se nisso então os que ainda batalham com sua fé. E saibam que a fé vale muito mais a pena que as certezas matemáticas, porque nos permite viver o ilógico que tanto queremos.

Caso alguém aí ainda não esteja convencido, passo uns links que podem ainda salvar o seu fim de ano. Como presentes, memes carinhosamente escolhidos:



Feliz tudo pra todos.





Sons captados Segunda-feira, Dezembro 19, 2005


Uma olhada melhor no X-Men 3 revela mais uma coisa esdrúxula. Um dos novos mutantes (na verdade os novos desse filme serão alguns dos velhos que ainda não apareceram, como o Anjo ou Colossus), com destaque no teaser, foi o Fera. Só que debaixo daquela maquiagem pesada, está ninguém menos que o Frazier, o psiquiatra carequinha de sitcom. Estranho. É mais ou menos como se o Michael J. Fox fosse fazer o papel de Colossus. Eu li um comentário dizendo que o Patrick Stewart e Ian Mc Kellen são mega-famosos, só deram muito certo como Professor X e Magneto porque são atores de finíssima estirpe, profissionais e mestres em encarnar personagens e fazer o público acreditar neles. Isso servia como argumento contra a Ororo de Halle Berry, que parecia bem deslocada, e a favor do sensacional Wolverine do Hugh Jackman, um total desconhecido antes dos filmes. Em suma, herói é papel pra ator desconhecido, que não tenha ainda uma persona formada na cabeça do público, ou então para atores de talento realmente especial.

E quanto ao Frazier? Anos e anos em cartaz vivendo uma única persona em milhões de lares do mundo, será que ele consegue vestir um mutante inteligente, sensível, acrobático e azul? Em favor dele, várias indicações e prêmios de melhor ator. Há também o precedente do Patrick, mesmo antes sendo para muitos o Capitão Jean Luc Picard, conseguiu quebrar isso muito bem. De minha parte, acho que o esse filme afunda ou não na direção. O Brett Ratner é o autor dos dois Rush Hour, filmes bobos até para o nível normal de bobeira do Jackie Chan. Fez também Dragão Vermelho que é razoavelmente esquecível. Em seu favor, Hannibal do Ridley Scott, com muito mais nome, é bem pior. E ele foi o diretor de Um homem de Família, que dentro do esquema comédia romântica natalina é bem bacaninha. Aliás filmete bom pra rever. Grandes atuações, incluindo o Don Cheadle despontando em um pequeno papel e mostrando serviço.

Falando em Dragão Vermelho, é notório que embora seja o terceiro filme do psico Hannibal Lecter, é na verdade uma refilmagem de Manhunter, filme de 1986 dirigido por Michael Mann que eu não vi mas muita gente boa considera um filmaço. Aliás lá o Hannibal é vivido por Brian Cox, aquele general vilão de X-Men 2, e vilão também em (ugh) Tróia. Por mim ele roubou das mãos de Gary Oldman o posto de vilão mais excruciantemente odioso do cinema atual. Ô cara fácil de detestar como todo o seu coração. Ele está para a vilania como o Christopher Walken está para o horror. Agora o Mann nos brindará com nada menos que a versão tela grande de Miami Vice. A dupla de protagonistas será Jamie Foxx, repetindo a dobradinha dos dois em Colateral, e homem-sobrancelha Collin Farrel. Ainda nos créditos ninguém menos que Gong Li, musa indie do cinema chinês, no papel de... Isabella. Hein? Melhor ver o trailer, apesar da música do Linkin Park que o empestia.

Já que tou com a mão na massa, mais um. Projeto novo de Steven Sodenbergh. Projeto mesmo, porque ele não chama mais seus filmes de filmes. Este é descrito como uma "experiência". "Filme" não deve ser indie o suficiente. O nome é Bubble, o trailer incompreensível está aqui. E dá vontade de ver. Mas é o meu lado indie.

Sim, escrever indie 3 vezes em 3 linhas é fruto de algum complexo. Tou tentando resolver isso ouvindo a banda última moda da Estônia que em toda a carreira só gravou 3 músicas ao vivo num show na Finlândia cantando em sânscrito. Coisa fina.





Sons captados Sexta-feira, Dezembro 16, 2005


Filmes que não vi e um que não fez diferença ter visto. Foi Crônicas de Nárnia. Eu adoro o CS Lewis. Aqui um ilustre desconhecido, lá na gringa um respeitadíssimo autor de teologia de filosofia, considerado por muitos um dos grandes intelectuais do século XX, autor de frases desconcertantes e maravilhosas que fazem a leitura ao acaso de uma única página de qualquer livro dele uma fascinante provocação. O Tolkien era seu melhor amigo, mas não necessariamente gozava de mais prestígio. O Lewis escrevia um bocado de não-ficção. Sua autobiografia, "Surprised by Joy", é impressionante. Quando se aventurava em ficção também foi sublime. "Till we have faces" foi um dos livros mais indescritivelmente belos e perturbadores que já tive nas mãos. Os títulos expressam o que estamos perdendo, pois é quase impossível achar edições em português de sua obra. Uma das exceções é, graças ao filme, "Crônicas de Nárnia". Sete livros de fantasia que absolutamente TODA criança americana ou inglesa lê. E aqui nem tchuns.

Como fã, fui lá ver na primeira semana. E... Já esqueci. É um filme bobo. Besta. Sem nenhum senso de encantamento ou relevância. 4 irmãos acham um mundo de magia e fantasia e bichinhos falantes - até bacanas, embora animais de computação gráfica sejam sempre um pouco aterradores de uma maneira involuntária. Aí do nada rola uma grande guerra e eles lutam vestidos de cavaleiros, liderando um exército de centauros e outros monstros gregos, sabe-se lá por quê. É isso. Não dá pra empolgar hora nenhuma. Direção bastante perdida. O visual é mambembe. É menos brega que, digamos, Tróia, mas pouca coisa na vida pode ser mais brega que Tróia. E os atores são uma tragédia, desta vez não no sentido grego. Se salva a caçula das irmãs, que é fofa, a Tilda Swinton que mais ou menos convence de bruxa má (Não é surpresa, já a vimos fazendo bizarrices como o Gabriel de Constantine), e o Mr. Tumnus, um fauno vivido por James McAvoy que aparece pouco mas rouba totalmente o filme quando o faz.

O resto dos atores humanos é de dar dó. Em especial a irmã mais velha, Susana. Arrumaram uma garota com o carisma de um sorvete de xuxu com suco de melão tendo ao fundo uma música do Magic numbers. Não é questão da menina ser péssima atriz, é questão de sentir vontade de olhar pro outro lado toda vez que ela aparece. Ela ri sem convencer que está alegre, grita sem convencer que está assustada, arregala os olhos azuis sem convencer que é bonita. O tempo todo você jura que lê o pensamento dela: "O script diz que agora eu devo rir. Ok, vamos lá. Eu vou rir agora." - E sai uma coisa muito parecida com um sorriso, mas que pode também ser prisão de ventre ou vontade de estar em casa estudando matemática.

O filme custou uma fortuna, mas tem todo o jeito e gosto de um daqueles filmetes televisivos da disney que passava na década de 80 aos domingos. Sem sal, bonitinho no máximo. Distrai as crianças e tem valores morais. Nada contra. Mas não vale o ingresso.

Agora filmes que não vi:
  • O terceiro X-Men já tem o teaser. Um lance meio épico, do Magneto fazendo discursos de guerra. De alguma forma não convenceu muito. Ainda teremos que ver quais os malefícios da saída do Bryan Singer desta franquia. O Brett Ratner não tem lá um currículo muito sólido. Já foi demonstrado que filme de herói não é lugar pra diretor que acha que tem algo pra provar.

  • Pelo menos o Bryan continua envolvido com heróis, tendo virando a casaca de editoras, da Marvel para a DC, fazendo o novo Super-Homem. Teaser já no ar. No site o Bryan mantém um diário da filmagem sensacional, com design de história em quadrinhos mostrando vários filmetes sobre o andamento e detalhes da produção. Vejam aqui.



É quase natal. E tudo que eu queria de presente era isso: Charlie Brown's Pathetic Christmas Tree.





Sons captados Quarta-feira, Dezembro 14, 2005


E a vida vai louca. Isso aqui não é um diário. Mas é difícil manter a consistência quando eu mal consigo ir ao cinema, não tenho mais grana pra TV a cabo nem a mínima vontade de dar tempo pra TV, o que inclui assistir DVDs, e gasto quase o dia inteiro tentando apenas pagar contas em dia (este mês, nenhum sucesso, a única conta que paguei foi o cartão de crédito, pra DEPOIS me dar conta que havia uma despesa fraudulenta na fatura) e fazendo os milhares de trabalhos requeridos pelos Hereges. Músicas novas, material decente de divulgação, e-mails pro mundo inteiro, cópias de CDs... Ainda por cima, pouco leio blogs.

Eu sei lá porque um cara tão sem assunto ainda quer ter blog. Também não sei porque gente vem aqui ler um cara sem assunto. Pra vocês então, aleatoreamente, coisas vãs:

  • Vazou o novo dos Strokes, First Impressions of the Earth. É completamente diferente do que se esperaria. Os caras burilaram arranjos com referências a variados períodos do Pop, muito 80s, num clima retrô revisitado. Ouvir é melhor do que ler essa descrição besta. Não tem nada a ver com a afetação de The Bravery ou VHS or Beta, ou outras bandecas que limitam-se a fingir que nada aconteceu nos últimos 20 anos. Os Strokes são the real thing.

  • Vazou também o novo da Catpower, The Greatest. A Chan é meio riponga demais, porém muito gata. Ainda por cima com voz de travesseiro e musiquinhas numa sonoridade "Vem cá meu bem", merece total atenção. Dessa vez alternou as baladinhas minimalistas com uma banda com pegada de soul e outros ritmos palpitantes.

  • Eu continuo viciado em Nada Surf. O Let Go é uma obra-prima da história do Rock Pop. O Proximity Effect chega quase a isso. Coisas de gênios. O último, Weight is a Gift, com levada mais açucarada, está saindo no Brasil pela Inker, com encarte luxuoso. Lá fora foram 2 CDs, um de bônus por conta do vazamento das músicas 4 meses antes do lançamento. Aqui as titulares e faixas bônus estarão em um único CD, barateando o pacote.

  • A Slag merece parabéns por ter finalmente lançado o Funeral do Arcade Fire. Um showzaço pra ficar na memória, e um discaço pra ficar na história.



Essa história de pequenos selos lançando bandas gringas aqui é bem interessante. As grandes gravadoras movimentam milhões, reclamam da vida como nunca, e falham em lançar bandas que vêm ao Brasil fazer shows. O Elvis Costello por exemplo veio, fez 3 shows (devidamente assistidos por mim e documentados para um post eternamente adiado) e nem assim pôde-se encontrar uma mísera parcela do seu catálogo. DVD de clipes comentados por ele, lançado um mês antes da vinda dele, só via Amazon. Os shows estavam cheios. Vai dizer que não tem gente perdendo dinheiro com isso??

Tenta achar por aqui o CD do Muse, banda gigantesca lá fora. Boa sorte. E isso é só um exemplo. As gravadoras abandonaram o Rock. Apenas um punhado de bandas nacionais - e a maioria bem fraca, não dá pra entender o critério (ou "dá"?) - e muitas lacunas internacionais por ano. Os CDs que queremos não encontramos. Os que encontramos estão caros. Ou o Rock termina por falta de oferta no Brasil, ou os selos espertos vão atender o público carente. Qual é a sua aposta?







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