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Cortesia WebCount

Sons captados Quarta-feira, Janeiro 25, 2006


Eu finalmente entendi melhor a sensação horrível que o Orkut me dá. Eu uso muito esse site pra conhecer o pessoal ligado à música, sacar quem é quem no mercado, combinar de entregar material. Também rola a indefectível comunidade da banda com os avisos de shows e troca de informações com os curiosos. Para ficar sabendo das coisas que estão rolando por aí preciso ver comunidades e scraps, surfando muitas vezes de modo aleatório. Vou clicando movido pela curiosidade. O problema é que algumas vezes vou parar onde não quero, ou a curiosidade está num dia mórbido e me leva a clicar onde sei que não devo. E aí, é o horror, o horror.

Comunidades do tipo "Eu odeio..." seguida de coisas que qualquer ser humano odeia, tipo "engarrafamento". Profiles com fotos de caras bombados sem camisa. Fotos nitidamente cortadas, estilo "A única foto onde eu pareço ser bonito é do lado da ex-namorada baranga, então vamos cortar a cabeça dela que ninguém vai perceber". Gente que demonstra estar "rindo" ao escrever "kkkkk" ou "bwahawhawhaw" (Pois é não sei que mal tem isso, mas que dá nos nervos, dá). Erros de português, muitos mesmo, e não tou falando do uso correto da crase, que não é lá tão difícil mas se alguém errar é passável. É não saber conjugar verbos. Cometer dois ou mais erros de ortografia numa única palavra.

E uma vez que finalmente entende-se as palavras, é necessário deparar-se com as idéias expostas. Ou com a falta delas? Tópicos e mais tópicos, scraps e mais scraps, comunidades inteiras de total irrelevância, falta de senso de humor, declarações de amizade vazias, informações que só um imbecil que nunca estudou na vida (minoria da internet, convenhamos) poderia dar... Não por acaso boa parte é animada pelos tais "jogos", mais ou menos como as brincadeiras de salão que surgem quando ninguém tem nada de interessante pra dizer em alguma festinha. E que tal os milhares de perfis com fotos de nus (com todos os closes que justificam a sábia e misericordiosa invenção da roupa) e comunidades dedicadas à "discussão" de sexo e afins? Precisa algum estômago e muito tédio pra justificar a visita, e não muitos cliques depois o anjinho no seu ombro manda fechar o browser e ir ler um bom livro. Mesmo que também tenha sexo, vai ser possivelmente bem melhor e mais divertido.

Eu exponho aqui esse raciocínio pois antes não tinha coragem, por certo horror de mostrar o que muitos de vocês podem estar pensando: Será que sou tão reacionário assim? Tão de direita, careta, intolerante e ranzinza? E agora, qual o próximo passo, fazer campanha pro Bush? Fiquei me debatendo com isso um bom tempo. Acabei pacificando minha torturante auto-crítica com uma constatação que faz muito mais sentido.

Eu continuo não assistindo TV, mas não virei um alienado. Fiquei sabendo da estréia do novo Big Brother, por exemplo, e não fiquei com nenhuma vontade de ver. Na época do BBB2 eu tinha feito uma cirurgia. Ficava em casa sem poder me mexer muito. Foi a clássica largação no sofá com o controle remoto na mão. Só mexia o dedo e nisso se resumia meu dia. Assisti o BBB inteiro, acompanhei tudo (depois da recuperação tive que continuar assistindo), torci até. Quando estreiou o 3, eu quis ver. Já tinha toda uma ligação sentimental com o programa... Mas, como descobri na primeira semana, não com aquelas múmias que lá estavam. Não sei se já era assim mas preso no sofá e entediado ao extremo eu não percebi, ou se realmente a Globo foi piorando o seu casting. O fato é que pensei que simplesmente não havia motivo pra eu ficar olhando pra aquele povo. Eles eram simplesmente desinteressantes.

E precisei disso tudo pra entender o problema e chegar à uma conclusão meio besta, mas que na minha cabeça dá assunto pra um post. O problema não sou eu. O problema também não são os outros. O problema é a própria janela que a internet abriu para lados dos outros que jamais se mostram por interações sociais ditas normais etá então. Tal e qual uma câmera na casa de um bando de Zé Mané, o orkut mostra as pessoas de uma forma que possivelmente não se mostrariam em blogs. Simplesmente porque uma comunidade, ou os tais mil amigos (Lotado! - fazem questão de frisar em suas fotos sem camisa), dá um senso de turma, de tribo, de pertencer, que encoraja a expressão e interação com muito menos barreiras sociais. As pessoas acabam acostumando-se a se expor, e criam rapidamente uma ousadia em expor suas intimidades. Passaram a agir em público como agiriam somente nos seus sacrossantos (ou nem tanto) lares, com os seus mais íntimos e próximos, e talvez nem com eles.

O Orkut é o Big Brother em grande escala. Scraps e posts e convites de novos amigos e novas comunidades para expor novas preferências ou idéias com cada vez mais detalhes acontecendo a cada minuto. As pessoas não nos bares, festas ou cinema. Mas em casa, protegidos, com bafo, de pijama (ou sem), sem banho, sem vergonha. Eu entendi porque ainda me choco. É que a onisciência e característica para deuses, para meros homens não passa de uma terrível maldição. O interior da cabeça das pessoas não é lugar para... pessoas. Não por acaso só um laço de muito amor, muito compreensão e repeito mútuo torna possível uma real intimidade. Esse laço chama-se matrimônio, com ou sem o sentido de casamento, e mesmo assim é frágil e pode se desfazer quando a frustração com o outra impede a maior intimidade. Acreditando vocês ou não nesse tipo de valor, o ponto aqui é que certas coisas só se mostram pra uma única pessoa de cada vez, mesmo assim aquela com quem se compartilha de um amor único, e mesmo assim nem ela talvez aguente.

Quanto mais "revelamos" nossos gostos ou taras em comunidades, em busca da afinidade com estranhos, mais afastamos os diferentes. Mais nos fechamos em torno do umbigo, não importa quantos milhares de umbigos. Só servem enquanto servem em nós mesmos. Milhares de egos buscando legitimidade quando deveriam estar buscando outra coisa. Não somos bacanas. Não somos perfeitos. Se tivermos aprovação, é falsa, pois jamais a mereceremos. O que merecemos é misericórdia, e ela só é servida numa bandeja de amor. Aliás os 494.911 membros da comunidade "Eu quero um amor pra vida toda" parecem saber disso. Mas os vários "jogos" e tópicos como "CADÊ OS SOLTEIRO LINDOS DESSE LUGAR??????" (sic) ou "VEJA SE SEU PENIS É PEQUENO PELA NOSSA TABELA!!!!!" me fazem pensar se estão buscando no lugar certo.

Eu prefiro me recolher às interações normais, não perceber desconhecidos, acenar para rostos levemente familiares, bater papos leves com quem gosta da banda e fica conhecida por tabela, sair com amigos com tempo suficiente pra falar muita bobagem e também saber direito da vida deles, e dar o mais profundo de mim, o melhor e o pior, para uma única pessoa que escolhi e que também me escolheu para esta troca, maravilhosamente íntima, secreta e lenta.

Interações por MSN caem também na armadilha da falta total de profundidade e capacidade para estabelecer um laço que signifique algo na vida real. Uma das provas mais divertidas está na história do francês que conheceu uma gata online, falou com ela virtualmente por 6 meses, eles se apaixonaram, fizeram sexo virtual, finalmente decidiram que havia chegado o momento do encontro, numa praia deserta do mediterrâneo. Chegando lá ele finalmente descobriu que estava namorando a própria mãe. E os dois ainda foram presos por estarem numa área proibida à noite para transeuntes. A polícia chegou porque ouviu a discussão. De tão atarantados ele acabaram contando toda a história na delegacia, e por isso vazou para a web. É só ler aqui.

Detalhe? A reação do marido da mulher, por acaso virtualmente corneado pelo próprio filho. Pano rápido.





Sons captados Sábado, Janeiro 21, 2006


Pingüim francês é outro nível. Pelo menos é que o locução de A Marcha dos Pingüins demonstra. Não sei muito bem porque esse documentário está nos cinemas quando qualquer outro no mesmo esquema "a vida dos animais" vai direto pra TV a cabo, mas recomendo. É bonito pacas. Fotografia da Antártida, com imagens que realmente valem ver na tela grande. As mulheres especialmente devem gostar, porque em vários momentos pude ouvir um "oooouuuuummm" feminino no cinema onde eu estava. O roteiro descreve quase um ano da vida dos pingüins imperadores, com a complicadíssima logística que eles implementam pra conseguir acasalar, botar um ovo, chocá-lo num frio abaixo de zero, proteger o filhote do frio e alimentá-lo, tudo isso enquanto os pais tentam não morrer eles mesmos de fome e frio. Isso é conseguido por um revezamento de quem vai andar 20 dias até o oceano comer algo e voltar pro local de encontro. É a tal marcha. Na verdade várias.

Seria no mesmo nível bacana de um documentário da National Geographic, mas aí entra o grande detalhe: A locução francesa. Onde, digamos, a voz do Michael Caine diria "20 dias depois...", os franceses - um homem e uma mulher falando em primeira pessoa como se fossem as aves - dizem "Nós andamos 10 dias. E depois... Mais 10 dias". No lugar de "Os pingüins estão chegando nas montanhas onde passarão o inverno", o francês "Sente o cântico magnético da Terra nesta imensidão, seguindo a cartografia eterna impressa nas estrelas e astros", e por aí vai. Nem queiram saber no acasalamento o que rola, eu fiquei esperando o casal a qualquer momento começar a discutir a relação. Francês fala demais, não é não? Acho que o pessoal em Paris devia de vez em quando sentar e tomar um chopp, ficar fazendo psiu pra qualquer mulher que passar e achar a maior graça. Essa história de ficar em boulangerie às margens do Sena lendo livros pelo jeito formou uma nação de filósofos. E de pessoas muito malas mesmo. Não à toa a versão americana do filme substituiu toda a locução original por outro texto, narrado pelo Morgan Freeman. Uma voz com a credibilidade de afro-americano malandro que não tem tempo a perder com frescura.

Como a que está em cartaz por aqui é a original, podemos curtir os pingüins filósofos em suas ruminações existenciais. Acaba sendo engraçado. E me lembra porque prefiro não arriscar assistir filmes franceses sem fortes recomendações. Há no entanto um fruto interessante dessa profundidade polar. O tema do filme é o amor, e o sacrifício parar formar uma família. Isso pula da tela e gera os gemidinhos das mulheres, que com certeza seguraram mais forte a mão dos namorados, que por sua vez devem ter afrouxado a gola da camisa e enxugado o suor da testa, provavelmente vendo uma metáfora nunca antes percebida no tradicional letreiro "Saída de Emergência" da sala de cinema.

Vale citar a trilha sonora, porque vocês vão odiar. Ou amar. É oito ou oitenta. Uma espécie de Bjork/Beth Gibbons/Cat Power embora não pareça muito com nenhuma delas, musiquinhas com arranjos eletrônicos e letrinhas indie-fofas. O nome da moça é Emilie Simon, gostei de The Frozen World - a primeira música - e All is White, a última. Dá pra baixar. Como curiosidade, achei um vídeo que uns animadores bizarros fizeram pra uma música do primeiro álbum dela. A canção chama-se Flowers e o clipe bacana num clima Tim Burton tá aqui.





Sons captados Sábado, Janeiro 14, 2006


Eu falei dos grandes elencos que o picareta do Uwe Boll junta pros seus filmes. No trailer do BloodRayne uma certa pessoa não pôde passar despercebida do meu radar de besteiras. Vejam só que sensacional:


Sim, é o Meat Loaf, o esquisitão que fez o papel de Eddie no Rocky Horror Show, versões teatral e cinematográfica, e de lá catapultou-se para o megaestrelato com o álbum Bat out of Hell em 1977, com estimadas 34 milhões de cópias vendidas colocando-o na lista dos 5 álbuns mais vendidos em toda a história. Consta que ainda vende 200 mil cópias todo ano. O mais legal dessa foto é que em qualquer um de seus breguérrimos vídeos o Meat Loaf fazia o mesmo trejeito abrindo os braços. Mas faltava a peruca. Como é bom vermos o Meat Loaf ainda em forma alegrando o mundo.





Sons captados Segunda-feira, Janeiro 09, 2006


Não vi ainda The Producers então ainda não posso comparar, mas seria uma pena se Primavera para Hitler, que estreiou ao mesmo tempo em pequeno circuito, passasse fora dos radares dos caros ouvintes. Trata-se do filme original feito em 1968. Foi o primeiro longa de Mel Brooks, então conhecido por ser o criador de Maxwell Smart, o Agente 86. Também foi o primeiro papel de protagonista de Gene Wilder, que antes participava de peças sérias na Broadway e só tinha feito um pequeno papel em Bonnie & Clyde, do ano anterior. Foi o Mel que descobriu o talento do Gene para comediante, encarnando Leo Bloom, um contador neurótico que acaba descobrindo uma falha no sistema de financiamento de produções teatrais que possibilita aos produtores de uma peça fracassada ficarem ricos, contanto que captem muito mais dinheiro do que o declarado. Se a peça não dá lucro, então não haveria nada para devolver aos investidores. Ele acaba convencido pelo ex-produtor pé-rapado Max Bialystock a tentar fazer a peça mais pavorosa possível e botar o plano em prática. Mesmo sendo obviamente judeu, ou até por causa disso, Max escolhe de uma pilha de scripts um musical que exalta a vida de Hitler. Isso é um bocado politicamente incorreto. Se pensarmos que a guerra tinha acabado menos de 25 anos antes, ou seja, um bocado de ex-soldados americanos e judeus fugidos da Europa estavam ali vivos e ativos nos Estados Unidos, fica mais incorreto ainda. Mas não para por aí, essa é só a premissa do roteiro, que segue esculhambando assuntos espinhosos e fazendo você pensar como diabos o Mel conseguiu convencer alguém a dar dinheiro pra produzir isso baseado no roteiro. O escritor da peça, que eles vão conhecer, usa um capacete militar nazista e fica cantando hinos alemães, que os protagonistas tentam acompanhar fingindo alegria. O dinheiro é levantado com o Max seduzindo velhinhas ricas. Não quero dizer seduzindo-jogando-charminho-e-fingindo-interesse não, estamos falando aqui de seduzindo-agarrando-deitando-no-sofá-e-falando-de-fantasias-sexuais mesmo. Aliás talvez já tenhamos aí uma pista de como o Mel arrumou a grana da produção. Mais fácil acreditar nisso do que pensar que os produtores - eminentemente judeus - de Hollywood realmente perceberam ao ler o roteiro que aquilo seria brilhante. Na verdade consta que o filme estaria mofando até hoje se o Peter Sellers não tivesse visto numa sessão privada, adorado e insistido com o estúdio que valia a pena distribuir. As velhinhas taradonas aparecem logo nos créditos de abertura, é de rolar de rir e já dão o clima do absurdo cinismo que se segue no filme. Mesmo assim o filme não só agradou os americanos como o Mel ainda faturou o Oscar de melhor roteiro original, com o Gene Wilder ainda sendo indicado a melhor ator coadjuvante.

Há poucos anos o David Geffen, conhecido como o dono da Virgin, como o G da Dreamworks SKG, ou ainda como o suposto marido de Keanu Reeves, pilhou o Mel para pegar o mesmo roteiro do filme, e - eureca - fazer um musical de verdade na Broadway. Coube ao Mel escrever as canções, chamar Matthew Broderick para o papel de Leo Bloom, e o resultado foi... A peça mais premiada de todos os tempos, faturando 12 das 15 indicações ao Tony em 2001, superando o recorde anterior de 10 prêmios de Hello Dolly, de 1964. Aproveitando o sucesso estrondoso, resolveu-se trazer mais uma vez a história para a tela grande, daí o aparecimento de The Producers, com o elenco original da peça. Só que a direção ficou a cargo de Susan Stroman, coreógrafa da peça, e dizem que o filme não ficou lá essas coisas. De qualquer forma, definitivamente o Mel é o contrário do Max. Soube ganhar dinheiro como ninguém, em cima de um dos roteiros mais ultrajantes já escritos na história.

O ingresso para ver o original já valeria só pela aparição do personagem Carmen Ghia, uma bichona - sim o filme faz piadas com gays também - com uma caracterização tão ridícula que é olhar e cair na gargalhada. Coisa de gênio. Como curiosidade, no elenco atual da peça esse personagem é vivdo por ninguém menos que Jai Rodriguez, mais conhecido como o consultor cultural do Fab Five (Sabem, né? Queer Eye for the Straight Guy, programa genial copiado e recopiado até o talo).

Isto tudo não teria nada a ver com as estréias de filmes de terror neste início do ano lá na ianquelândia. De Hostel, que estreiou em primeiro lugar desbancando Narnia e King Kong, falarei no próximo post. É mais interessante no momento repararmos em BloodRayne, mais uma adaptação cinematográfica de um videogame. No trailer logo de cara aparece em letras ameaçadoras "Boll KG productions presents... An Uwe Boll film". Trata-se do mesmo alemão que produziu e dirigiu o que se reconhece por aí como as duas piores adaptações de games da história do cinema, House of the Dead e Alone in the Dark. Na verdade, é consenso que tratam-se de dois dos piores filmes já feitos em qualquer gênero. Foram dois fracassos retumbantes de bilheteria que deixaram os fãs dos games originais espumando de ódio. E aí o que acontece? Lá vem ele com mais uma licença de game e distribuição conseguida sabe-se lá como, e pelas críticas lá fora, mais um filme absolutamente pavoroso, abaixo de qualquer crítica consistente. Eu disse um? Desculpe: Consta que já estão em produção pelos estúdios Boll, os filmes dos seguintes games: Dungeon Siege (Que vai virar dois filmes), Postal, Far Cry, Fear Effect e Hunter.

Difícil entender? Então o que me dizem do elenco de BloodRayne: Ben Kingsley, Billy Zane, Michael Madsen, Kristanna Loken, Michelle Rodriguez. Ainda consta nos créditos Michael Parré, o eterno herói do mega-cult Ruas de Fogo. Ou seja, o cara tem no currículo dois filmes que foram massacrados pela crítica e deram prejuízo. Existe até um abaixo-assinado online para que ele pare de fazer filmes pra sempre. Para ver e assinar, é só clicar aqui. Mesmo assim não só ele consegue ainda mais grana pra fazer filmes como vai conseguindo elencos cada vez melhores. Ray Liotta e Lelee Sobieski estarão em Dungeon Siege (que aliás foi um jogo chatinho demais). Sim, podemos concluir que esse pessoal devia procurar novos agentes. Mas também podemos concluir que deve ter *muito* dinheiro na mesa pra esse pessoal aceitar filmar coisas que com toda a probabilidade serão bombas patéticas. E aí a história ganha novos contornos. De onde vem essa grana? Porque só filmes de games?

Em poucas palavras, segundo a reportagem de Steward Wood do Cinema Blend, existe um furo na lei contábil alemã. Um filme pode ser produzido com dinheiro alemão, em qualquer lugar do mundo, com qualquer elenco, com direito a deduzir 100% dos custos de produção de seus impostos. A produção só pagaria impostos sobre os seus lucros. Então, como já nos ensinou Max Bialystock, um fracasso transforma-se em dinheiro dedutível e não tributável. Ou seja, para quem capta o dinheiro e produz o filme, com investimentos inteligentes, significa lucro. Muito lucro. Lucro o suficiente para o Boll transformar-se numa usina de produção de filmes. Quanto mais fracassos, mais dinheiro. E de onde vem esse dinheiro? Empréstimos. Quem vai emprestar dinheiro pra um diretor horroroso? Alguém que acredite que o filme possa ser um sucesso. Talvez um bom argumento em favor disso possa ser um grande elenco (Garantido simplesmente incluindo os cachês milionários nos custos do próprio empréstimo), e um grande público-alvo garantido. Que tal milhões de fãs de videogames famosos? Faça um filme para eles, e é sucesso garantido. Quem não gostaria de botar dinheiro e ter uma fatia disso? A não ser que esse não seja realmente o objetivo...

A coisa fica ainda mais estranha ao constatarmos que a empresa de distribuição americana de BloodRayne tem como um dos sócios o Billy Zane, que atua no filme e cuja carreira afundou junto com o Titanic. Será ele um dos infelizes investidores? Ou será que ele arrumou um jeito de faturar com o esquema também?

O governo alemão percebeu o que estava acontecendo e mudou a lei. Só que como qualquer outra mudança de lei, ela não pode ser retroativa. O Dr. (Ele se denomina doutor mesmo) Uwe Boll, sabendo que a farra ia acabar, e sabendo que a nova lei não poderia reger produções já iniciadas, declarou o início da produção dos 5 filmes supra-citados. Ele vai terminar todos ainda sob a lei antiga. Fracassarão? Se depender do talento do Uwe, claro que sim.

Parece mesmo que o tal do Uwe assistiu Primavera para Hitler, e soube fazer o dever de casa. Ainda mais admiráveis o talento, inteligência e visão do Mel Brooks. Ele não devia conhecer a lei alemã de produção de filmes. Mas conhecia muito bem a ganância e cara-de-pau dos escroques que se dedicam a ganhar dinheiro na indústria do entretenimento.





Sons captados Segunda-feira, Janeiro 02, 2006


O ano novo nem bem chegou e já tive a oportunidade de aprender coisas novas que muito contribuirão para clarear meus caminhos no futuro. Em plena noite quente de reveillon, já contando com o vinhozinho rosé que ganhei de presente e guardei na geladeira, descobri que não tinha saca-rolhas em casa. Isto pode acontecer com qualquer um de vocês, ou pelo menos a parte que tem mais afinidade comigo, que é minha definição bonita para "levemente retardado". Em todo caso, compartilho aqui em mais um magnífico foto-tutorial a solução encontrada para o problema: Como abrir uma garrafa de vinho sem saca-rolhas.

Eis o vinho em questão, um rosé português.

Apesar de certos preconceitos contra esse vinho de coloração GLS, é uma boa pra tomar gelado em noites cariocas escaldantes. Para a solução descrita não é obrigatório que você tenha este mesmo vinho, o problema acontece com qualquer vinho cujo lacre seja com rolha (Antes que alguém pense "Duh!", existe vinho com tampa de rosca. Pelo menos um dos especialistas do Fab Five disse isso na única vez em que assisti TV no ano de 2005. Guardei esse fato para impressionar alguém. Como não consegui, uso neste post vagabundo mesmo). A lava lamp com a cera solidificada num formato esdrúxulo é opcional. No entanto, recomendo pra dar um clima enquanto você tenta solucionar problemas cretinos na cozinha.

A primeira lição é resistir ao impulso de tentar assassinar a rolha a facadas, conforme exemplificado na foto seguinte.
depois de um certo tempo tentando concluí que, além de não obter grande progresso, não seria muito agradável tomar o vinho misturado com toda a poeira de cortiça gerada pelo ato. Uma conferência com outro engenheiro mais experiente levou à obtenção de ferramentas adequadas, mostradas abaixo.
Use o maior parafuso possível. No meu caso não era lá muito grande. O ideal seria um mais comprido do que a rolha. Use a chave de fenda para fixar o parafuso na rolha. É necessário o emprego de alguma força. Na foto eu inseri o parafuso no buraco causado pela faca, o que acabou ajudando na penetração (aham).

Enfie o parafuso bastante fundo, deixando apenas um pouco para fora, alguns milímetros são suficientes.

Então coloque um alicate entra a cabeça do parafuso e a rolha, prendendo firmemente.

Puxar a rolha não é nada simples, experimentei duas técnicas distintas. para iniciar o processo, usei a própria borda da garrafa de ponto de apoio para uma alavanca, conforme mostrado:

Depois que já saiu um pouco, inverti o movimento, fazendo um movimento de rotação do parafuso, puxando-o para cima e para o lado. Puxar simplesmente para cima não surte o mesmo porque torna-se difícil segurar a garrafa no lugar. E é perigoso fazer força para baixo na garrafa, quando a rolha sair um acidente feio pode ocorrer, envolvendo garrafas voando desgovernadas pela cozinha botando os entes queridos em grande perigo.


Veja a posição correta das mãos durante o movimento:

E veja que toda a técnica não deu muito certo:

O parafuso acabou escapando. Isto deve-se ao seu tamanho reduzido, insuficiente para varar a rolha e portanto tendo pouco apoio, deslizando com a força aplicada e destruindo a cortiça. Neste ponto descobri que não adianta tentar puxar o que sobrou da rolha com o alicate, aliás aí é que ela despedaça mesmo. Cortiça é um bravo material, essencial na preservação de nobres bebidas, mas é frágil pacas.

Caso você tenha problemas semelhantes, não se deixe abalar. Com toda a fleugma de quem finge que sabe o que está fazendo rosqueie mais uma vez o parafuso. Veja na foto que a atividade requer alguma concentração.

Depois basta repetir o movimento, puxando o parafuso com o alicate. O processo todo leva tempo suficiente para a lava lamp esquentar e adquirir seu aspecto mais familiar, como pode-se ver ao fundo.

Infelizmente na medida em que puxei, um desastre mais uma vez se anunciou:

O primeiro rasgo do parafuso decerto abalou a estrutura da rolha. O resultado foi este:

Com mais ou menos metade da rolha já arrancada, não há a necessidade de repetir o processo.

A nova solução encontrada foi simplesmente enfiar a rolha pra dentro, liberando o gargalo. A primeira opção foi usar o parafuso como um formão, batendo com o alicate:

Com pouca força a rolha já desceu. Quando a cabeça do parafuso já estava perto do gargalo deixei de lado o alicate para não correr o risco de numa manobra desastrada acertar a garrafa lascando o vidro. Empurrei com o dedo mesmo, conforme demonstrado:

Coube neste momento um raciocínio importante: Com esta técnica, no momento em que a rolha chegasse no fim do gargalo, ela cairia com parafuso e tudo dentro do vinho, o que poderia quebrar um pouco a disposição de brindar com aquela bebida por parte dos comensais. Uma outra ferramenta precisou ser trazida ao processo. Neste caso, uma chave de fenda maior serve bem:

Antes, um lembrete de higiene. Como é grande a chance da ferramenta entrar em contato com o líquido, e você não saiba onde a ferramenta foi utilizada por último (ou talvez saiba mas não quer falar sobre isso), nunca esqueça de dar aquela lavadinha amiga:

Depois basta inserir a chave de fenda empurrando o resto de rolha para dentro:

Eis o resultado. Garrafa aberta, vinho servido, e a rolha boiando ainda deu um inesperado e exótico efeito decorativo.

Se além de não ter saca-rolhas você não tiver taças de vinho, a solução é servir em charmosos copos longos. Fale alguma bobagem sobre o feliz ano novo e a vida nova, em um comovido discurso no brinde, desviando a atenção dos convidados, que tudo dará certo. Não esqueça de botar Elvis Costello tocando ao fundo. Um brinde.







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