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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

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Sons captados Terça-feira, Abril 25, 2006


É hora do Group Hug!!

Eu fiquei sem internet um tempo, e ainda perdi um post. Estou desolado.

Por favor, gostaria de pedir consolo (no sentido hetero) com um grande abraço grupal aí nos comentários. Vamos lá, todo mundo que lê esse blog besta deixe agora um comentário dizendo absolutamente qualquer coisa, e fazendo uma grande família desocupada feliz. Isso inclui você que jamais comentou, e você que entrou aqui escrevendo no Google "Quero ver índias peladas".

...1,2,3, já!





Sons captados Quarta-feira, Abril 12, 2006


Jack Johnson quem mesmo? Credo que troço chato. Mas música de playboy por musica de playboy, melhor isso que hip hop de quinta categoria ou bandinhas de new metal ou pseudo punk de boutique. Embora eu não nem aí pra música do ex-surfista não pude deixar de admirar uma coisa nos clipes dele que rolam na MTV. Em NENHUM deles ele consegue sincrozinar os movimentos labiais com as músicas. Que coisa isso.




Sons captados Domingo, Abril 09, 2006


V de vingança tem história do Alan Moore. E isso é tudo o que você precisa saber, a julgar pelo tratamento dado pelos diretores ao filme. O Alan Moore é uma das pessoas da Santíssima Trindade dos quadrinhos, os outros dois estão mais abaixo deste texto. Ele chegou a ler o roteiro deste filme, projeto bem antigo em oliúde, e esconjurou. O Moore cria histórias tremendamente complexas e odeia o reducionismo que o cinema de massa impõe. As outras adaptações de suas obras são o mediano From Hell e o lixo League of Extraordinary Gentlemen, uma total ofensa a qualquer fã de cinema, o que dirá o de quadrinhos e de Moore.

Talvez pensando nisso os irmãos Wachwoski produziram e escreveram um roteiro com diálogos pacas. Quase um filme francês. A direção, entregue a um amigo deles estreiando nesse cargo, não consegue tornar isto realmente empolgante. Afinal, V é também um filme de ação, ou deveria. As cenas de ação são poucas, e no momento das brigas (com exceção da última), filmadas naquele close irritante que não mostra nada, exatamente o oposto do que fez de Matrix o filme que todos os outros copiaram. No mínimo estranho. Os diálogos do governo e dos que lutam contra ele nos dão um bocado de informação e pontos de vista. Na verdade creio que o filme funciona só por conta disso. O problema é que embora tudo soe intrigante, ao longo do filme vai se arrastando, porque falta algum ponto de vista além de "Governo fascista é mau, então terrorismo nesse caso é bom". Não precisava de um filme inteiro só nisso. Eu não aguentava mais ver os governantes discutindo na mesma sala preta, com o mesmo ditador lá cuspindo na câmera. Então o foco vai para a história de Evey, da lindinha mas preocupantemente magrela Nathalie Portman, aliás muito bem no seu papel. É uma personagem que vai se transformando, e é a parte do filme que prende o interesse, principalmente quando ela está presa. Outra linha narrativa vai descortinando o passado do V, a quem o Agente Smith Hugo Weaving, mesmo mascarado em 100% de suas cenas empresta uma certa graça. Essa parte, junto com o final meio clichê coalhado de mensagens poderosas, foram as que me deixaram com vontade de reler os quadrinhos. É aquele caso clássico de você notar que ali está uma grande história, cheia de ramificações com a história atual do mundo e a política do Jorge Moita, contada de uma forma meio boba, e na saída do cinema começar a esquecer o que viu mas fazer uma nota mental para correr atrás do material que originou aquilo.

Nesses tipos de filme é difícil decidir se gostei ou não do que vi. Acho que conclusão mais justa é que vale o ingresso, diverte um pouco. Mas fico com pena porque os espectadores normalmente ficarão com apenas este contato com a obra do Mr. Moore. Por favor, quem está lendo este post, acredite: Quadrinhos são uma forma de arte tão relevante, divertida e inteligente quanto qualquer outra. Basta ler quem realmente entende do assunto, como o Alan Moore. Procurem pela internet e nas livrarias, e me agradeçam depois.

Falando do resto da Santa Trindade, o filme de Neil Gaiman dirigido pelo Dave McKean, ilustrador que fazia as capas de Sandman, veio para o Brasil direto em DVD. Não entendi nada, mas em todo caso é melhor do que nem chegar. Então tá aqui a dica: "Máscara da Ilusão (Mirrormask)". Não é uma adaptação, mas um roteiro escrito pelo Gaiman especialmente para o cinema, mais ou menos como já tinha feito com Neverwhere, escrita para virar série na BBC na década passada. Uma adaptação de outra obra do Gaiman está em produção, trata-se do infantil Coraline, a ser feito em animação. A direção será de Henry Selick, o homem que ninguém sabe que dirigiu O Estranho Mundo de Jack, por acaso, um dos filmes "de" Tim Burton. Só pode vir coisa muito boa por aí.

Fechando as divindades, Frank Miller está mais uma vez dirigindo com o Robert Rodriguez história spassadas em Sin City. Lá fora deve estreiar em agosto. O Miller gostou tanto dessa história de dirigir junto que já disse que nunca mais deixa outra pessoa realizar algo baseado em sua obra. Bem que o Alan Moore podia pensar nisso também, quem sabe ainda dá tempo de salvar Watchmen...





Sons captados Sexta-feira, Abril 07, 2006


Eu vi Shutter numa maratona do Odeon, fiquei lá 4 da matina esperando o filme porque achava que ver um filme de terror tailandês no cinema era uma chance que não podia desperdiçar. Acabou que o filme estreiou com o nome de "Espíritos" e o inevitável subtítulo besta "A morte está ao seu lado". É mais um filme de garota-fantasma-oriental-com-o-cabelo-compridão-na-cara. Se for pra comparar com os antecessores japas Ju-on e Ringu, sai perdendo. O foco é um fotógrafo que começa a ver manchas estranhas nas fotos que tira e sai investigando possíveis conexões sobrenaturais. Ele tem três características muito ridículas: Seu nome é a onomatopéia "Thun", que garante sempre um certo riso preso ao longo da sessão (ainda mais na voz esganiçada da esposa dele), o nome do ator que faz o papel é "Ananda", e ele é muito o Jack White da Tailândia, conforme mostro ao lado.

A história é em alguns momentos mal-amarrada, pessoas em torno dos protagonistas começam a morrer e isso nem aparece, é apenas narrado (por favor, né, paguei pra ver essas mortes todas no máximo de detalhes) e acaba não sendo explicado. Em compensação os apuros do casal são bem interessantes, mesmo as cenas já vistas em algum filme de terror oriental perto de você funcionam bem. O problema é que os diretores (ok, estou parecendo o Jô Soares ao ficar fazendo piadinha xenófoba, mas não posso deixar de apontar o nome dos caras: Banjong Pisanthanakun e Parkpoom Wongpoom pá-rá-rá-tchi-bum) resolveram que esse filme ia ter sustos. E susto bom, pra eles, é susto alto. Em alto volume, mesmo. Quer dizer, MUITO alto. Eu quero dizer ENSUREDECEDOR, num volume ABSURDO, e... Acho que vocês ainda não pegaram a idéia. Deixa eu dar um exemplo:

Coisas bizarras rolam na salinha de revelação do apartamento. A porta está fechada. A mulher chega perto da porta. Um musiquinha macabra quase inaudível. Ela olha pra maçaneta, vai chegando com a cara bem perto. BAAAAAAAAAAAAAAAWGGHJAWJAPOSDMPOWWWWWWWWWW!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! - Esse é o barulho da maçaneta tremendo. Só isso. Não acontece nada além da maçaneta tremer. Mas o barulho faz as pipocas voarem, mocinhas gritarem e os tímpanos de qualquer pessoa de bem estourarem. Em outro momento o cara está revelando uma foto. A imagem vem vindo vagarosamente, em close. O clima está armado. Aparece uma mancha branca, que vai se definindo, definindo, parece ser uma mulher de perfil... GAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHWKKKKKKKKKKKKGHGHGHGHG - Um barulho bizarro enquanto do nada o rosto dela fica de frente. Tipo, a foto vira desenho animado. Então é isso, esse filme cai na categoria que chamo "terror injusto". É quando o terror depende de cenas sem o menor sentido, feitas só pra dar um susto mesmo.

Só que outras cenas são simplesmente geniais e tremendamente perturbadoras, como o momento em que acaba a luz no estúdio do Thun e sua máquina começa a disparar flashes, e só vemos algo nesses flashes; ou na investigação que leva a esposa dele a um laboratório escolar repleto de vidros com bichos mortos, fotografando de todos os ângulos com uma polaroid e observando o resultado em busca de algo... que começa a aparecer nas fotos. Ainda rola uma cena num banheiro de posto de beira de estrada que simplesmente vale o ingresso, pela gargalhada geral no fim do suspense quase insuportável. O final ainda reserva uma cena incrivelmente poética e surpreendente que amarra um bocado o filme todo.

Então Shutter (Esqueça o nome mané em português, a tradução seria algo como "obturador", fazendo alusão à câmera) é um filme que se não inova, pelo menos ainda traz as características de um belo filme de terror oriental: História intrigante, nenhuma necessidade de sangue e um mal que arrasa quem cruzar o seu caminho, sem possibilidade de escapatória ou redenção. Não se preocupem, não estou revelando nenhum final aqui. Esse sentimento é fundamental para que o terror funcione. O George Romero usa exatamente isto nos seus filmes de zumbi, por exemplo. Um bom terror sobrenatural não deve deixar saídas visíveis, sua lógica não pode ser facilmente decifrada ou contemplada sem horror, a mistura de caos e deturpação moral é que nos dá a sensação de acreditar que estamos vendo algo saído do inferno ou de qualquer outro lugar que não queremos conhecer, mas o filme te pega pela mão e põe diante de você. Isso sempre funcionou mais do muito sangue ou sustos BU de coisas pulando na frente da câmera, pena que os diretores parecem compreender isto, mas não confiaram o suficiente pra resistir à tentação das cenas mais gratuitas. E ensurdecedoras. Vá por sua conta e risco. Ou espere o remake americano que ano que vem chega aí.





Sons captados Quarta-feira, Abril 05, 2006


Momento Champions League cretino: Isso não pode ser normal, mas o fato inegável é que a sobrancelha do Deco me irrita profundamente.



Nem a certa semelhança com o John Leguizamo, que é um cara bacana, salva.







Sons captados Terça-feira, Abril 04, 2006


Ninguém fala de Instinto Selvagem 2 nas reportagens sobre Instinto Selvagem 2. O que fala-se é da forma de Sharon Stone com 48 anos. Se tem cruzada de perna ou não. Quantas vezes fica nua, e se é total ou parcial. Que a Playboy ofereceu 1 milhão de doletas para tê-la na capa. Em suma, o filme não interessa nem um pouco, toda a estratégia de marketing e capacidade de catar tostões fica em cima da Sharon. Ela andou ajudando nessa impressão, ao dizer que vai lançar um DVD sobre como manter a forma, e ao descrever o filme como algo sobre "corrupção sociológica em que pessoas pegam pessoas para serem sua própria sombra, despertando o mal e o sombrio nelas sem assumir a responsabilidade". Faltou o "...Ah, caso vocês achem isso totalmente imbecil, eu fico nua também."

A direção foi entregue a Michael Caton Jones, mais conhecido como o animal que cometeu "O Chacal" com Bruce Willis e Richard Gere. Neste filme um assassino passa semanas construindo uma complexa e sofisticadíssima arma de grossíssimo calibre (uma única bala havia anteriormente arrancado o braço do pobre Jack Black) com um braço robótico hiper-preciso, com mira via câmera, montado dentro de um furgão com vidros pretos, tudo operado por controle remoto. E numa das cenas mais inacreditáveis de toda a história do cinema, ele aciona o controle remoto para ABRIR O VIDRO da janela do furgão antes de atirar para matar seu alvo, o que fez com que todo mundo visse a arma antes do tiro fatal. Como se não bastasse, com câmera e controle remoto ele poderia estar em outra cidade se quisesse, mas estava operando tudo num banco de praça a menos de 2 metros do furgão, possibilitando que um agente malandrão corresse atrás. Em suma, o único filme até hoje que me fez levantar e ir embora do cinema antes do fim. Eu agüento filme ruim. Mas me sinto insultado facilmente, não agüento provocação de roteirista piadista ("Ahahah, quero ver se esses idiotas engolem ISSO!") e diretores sem nenhum senso crítico.

Então desde 1997, com toda a justiça, ele só tinha feito mais 2 filmes. Coitada da Sharon, haja pernas cruzadas e descruzadas pra valer o ingresso.

Aliás, Vera Fischer é a Sharon Stone brasileira, se precisar de maiores provas, a foto ao lado encerra a questão. Cada uma cruza as pernas do jeito que pode.

Falando nela ainda na tal viagem de ônibus passou o filme Xuxa e os Duendes 2, vejam só. Eu estava com fones de ouvido sacando os últimos do Wolf Parade, New Pornographers e Gravenhurst, e acabei me divertindo um bocado ao só olhar as imagens. Filme com criança é sempre legal se você nunca olhar pra quem está falando, mas pras outras crianças que não têm falas naquela cena. É um tal de espirrar, olhar pra alguém pra trás da câmera e rir, acaba sendo uma ótima distração. Chega a ser inacreditável como o diretor ou o montador deixam passar certas coisas. Tipo, numa cena em que uma bruxa faz uma ventania, uma criancinha pára de gritar e parecer assustada pra se ajeitar, porque o vento tinha levantado o vestido dela até o pescoço. Coitadinha, pô. O pior é que a mesmíssima garota protagonizou outro momento ridículo ao comemorar algum acontecimento com o Luciano Szafir. Não, não foi só isso o ridículo. O ridículo foi que seu arco de cabelo escorregou e ficou na frente dos olhos, ao melhor estilo do Tenente Geordi do Star Trek New Generation. Ainda assim, a pobre, num arroubo de concentração e permanência no personagem, continuou celebrando como se nada houvesse acontecido. É cena pra ver e rever.

O que tem a Vera Fischer com isso? Ela aparece de duende, contracenando com a Zezé Motta, e eu juro que a pele da catarinense alemã estava muito mais escura do que a da mulata brasileira. Muitas risadas no ônibus, se eu achasse foto postava aqui.

Pronto, arrumei 2 motivos pra alguém ver Xuxa e os Duendes 2. Alguém devia me pagar seriamente por isso.





Sons captados Segunda-feira, Abril 03, 2006


Eu nunca durmo em ônibus. Eu não sou curioso. Duas coisas que acho importantes sobre mim, pelo menos. Sobre ser curioso, não digo que não sou capaz de dar uma navegada por flogs e scraps alheios, afinal aquilo é público (Embora normalmente me pegue gritando na frente do monitor: "Menos informação, caramba!"), mas sou do tipo que acha que se não me contaram algo, é porque não preciso saber mesmo. E só durmo deitado, e de preferência na minha cama, com o meu travesseiro, e se rolar um leitinho morno com café antes o mundo fica magicamente perfeito.

Então hoje me peguei acordando de um cochilo no ônibus com o volume alto usado pela mulher atrás de mim para proferir: "Nossa, essa foi a história mais interessante que eu já ouvi".

Em segundos tudo o que eu sabia sobre mim mesmo esfacelou-se. Foi praticamente um episódio de Lost. Por favor, quem souber o número do Locke manda aí.







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