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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

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Cortesia WebCount

Sons captados Terça-feira, Junho 20, 2006


Aí tou testando o serviço de Alerts do Google, que é uma espécie de busca periódica feita automaticamente, com o envio dos resultados por e-mail. No arroubo de egocentrismo tasco lá: Hereges. No meio de um monte de tralha vem a carinhosa resenha publicada em dezembro no blog musical do Multiply de um certo Mascarenhas:

"Banda indie carioca que melhorou bastante a qualidade, chega a parecer a Legiao Urbana dos bons tempos, aquela antes da fase aviadada. Tomara que nao virem banda de Faustao"

Em seguida, links pros mp3 de A Praia, Balada Triste, Alice e Santa Heresia.

O que posso responder? Agradeço comovido a menção, o elogio, e a comparação da qual não me sinto digno. Depois da tal fase, aliás, muito menos digno, melhor deixar claro para as groupies. E se virar banda do Faustão é encher o rabo de grana com música, bem, sinto desapontá-lo mas eu bem que gostaria. Mas as chances são mínimas. Eu faço o que gosto do jeito que gosto, escrevendo sobre o que me dói, e não acho que algum dia a massa que assiste TV em busca de uma diversão sem neurônios vá incluir os Hereges no seu cardápio dominical. Queremos ser uma banda que agrada as filhas enquanto horroriza os pais. Desunimos famílias e ampliamos o conflito de gerações. Então pode ficar tranquilo, que a Globo não está exatamente aqui batendo na minha porta. E tenho um sofá legal pra esperar deitado, enquanto componho coisas novas.





Sons captados Sábado, Junho 17, 2006


Momento da Copa:Já repararam que no final de todos os jogos o som ambiente do estádio toca nada menos que "Go West" do Village People? Ouçam lá.

Essa música tem uma progressão de acordes bastante conhecida. Um bocado de hits utiliza os mesmos acordes, um que lembro agora é "All together now" do The Farm. Essa progressão veio do cânone composto pelo alemão Pachelbel por volta de 1680. É bem bonito, tá aqui um arquivo de aúdio com quarteto de cordas (formato ogg).

Quem quiser ver outras músicas com a mesma seqüência de acordes é só olhar esta lista do Wikipedia, e quem sabe adicionar mais alguma.





Sons captados Terça-feira, Junho 13, 2006


Esculhambei o Brett Ratner no post sobre o X-Men 3. Aliás que post mal escrito. E assim começa esse post, com a auto-crítica impiedosamente demolindo qualquer chance de legitimação que este blog supostamente emprestaria ao meu mau-humor. Sim, vocês sabem, o dia dos namorados está aí. Época de botar a mão na consciência. Para estrangulá-la, talvez. E encostar o ouvido só no coração, atento aos sussurros abafados. Sou um mortal como qualquer outro (embora goste de achar que finjo bem, comemorando eventuais olhares assustados), não posso escapar. Então queria me reparar com o Brett. Porque só falar mal de um diretor que tem um filmete que insiste em incomodar meu coração é uma injustiça. Ainda mais por ser uma comédia romântica, gênero normalmente incompatível com testosterona no sangue, e que serve de justificativa pra tanta bobagem cinematográfica.

Falo de "Homem de Família", filminho natalino romântico com aquele quê de Dickens que já se tornou clichê: Homem recebe a chance de ver como seria sua vida se tivesse feito outras escolhas. No caso, se ele tivesse se casado com sua namorada ao invés de viajar para Londres, 13 anos atrás.

A cena que mais fica na minha mente é quando o cara em questão, Jack, após deitar sozinho em sua cama no mega-apartamento em Manhattan, acorda com um braço de mulher em cima dele. Ele fica olhando pra aquilo sem entender nada, e percebe que não está no seu quarto. Antes que possa ter uma reação, surgem crianças gritando e um cachorro subindo na cama. Então a Kate, sua ex-namorada que ele não via desde que viajou na década anterior, levanta-se do lugar que ocupava na cama ao seu lado, olha-o com a cara resignada e implora: "Jack. Strong. Coffee."

Ele surta, obviamente, e tenta voltar pra casa, só pra descobrir que está preso indefinidamente nesta história paralela onde ao invés de um executivo ricaço e solteiro, ele é um suburbano que trabalha como vendedor de pneus na empresa do sogro e mal consegue pagar as contas da família com 2 filhos.

Ele passa o resto do filme tentando desesperadamente voltar pra sua vida anterior, enquanto todos se perguntam o que aconteceu com o "antigo Jack" camarada, marido dedicado, trabalhador, simples e ótimo jogador de boliche. Um cara que ele mesmo despreza. Obviamente a história vai rumo à redenção dele, e as novas pessoas que o cercam são fundamentais para isso. Num dado momento ele comenta com o amigo sobre a vizinha gostosona e casada que deu mole pra ele, e diz que vai lá conferir. O Jack "real" é pegador. Aí o amigo retruca, revoltado, que todo o bairro morre de inveja dele por ter casado com a Kate. E arremata: "Não estrague a melhor coisa da sua vida só porque está um pouco inseguro sobre quem você é."

E então, quem seria o Jack? O cara estressado, arrogante e bem-sucedido ou o loser boa-praça com uma linda família? O filme com seu clima feliz deixa claro que essa pergunta é tremendamente retórica. Mesmo assim acreditem em mim, acompanhar a trajetória de Jack rumo à descoberta do real peso das coisas é uma delícia. Primeiro, os diálogos são afiados. Com poucas palavras disseca-se de muito. Depois, Nicholas Cage faz um Jack arrebatador. Ele convence totalmente como o babaca auto-suficiente, e depois, com aqueles olhos de cachorrinho, convence de homem rumo à sua redenção. Ao longo do filme é impossível não achar que se alguém no mundo merece achar a redenção, o Nicholas Cage tinha que estar ali pela frente da fila.

Seu par é uma grata supresa: Téa Leoni está linda demais, em todas as cenas. E sabe ser a mulher resignada e feliz com suas escolhas por mais difíceis que pareçam. Não deixa dúvidas a respeito de seu amor. Ela fala: "...vou tirar as crianças de uma vida que eles amam e vou sair do único lar que já compartilhamos, e vou me mudar pra qualquer lugar aonde você precise ir. Vou fazer isso porque te amo. Eu te amo, e isso é mais importante pra mim do que o nosso endereço. Eu escolho a nós." - e convence. Quando as partes que falam abertamente de amor de um filme, ao invés de resvalar no brega te fazem engolir em seco, e pensar que quer uma mulher exatamente assim, há que se tirar o chapéu pros atores.

Ainda há um coadjuvante de luxo, Don Cheadle, como o cara que de alguma forma está por trás da troca de vidas. Cada participação dele é sensacional.

Aí entra o Brett Ratner e seu mérito de dirigir esse pessoal com muita sensibilidade. As cenas são rápidas. O clima é sempre um pouco desconfortável, o filme esconde sob o verniz fácil das pessoas bonitas e valores óbvios um dilema dolorosamente real. Jack fez uma escolha. Teve que pensar e decidir de acordo com as oportunidades e o que sabia em uma dada época. Só tentou fazer o melhor. Isto não é tratado como café pequeno. Mais importante que uma moral simples sobre o poder do amor, é mostrar que qualquer um poderia estar ali, ignorando amor por algum motivo que em um dado momento pode parecer mais sólido.

Com tantos filmes mais profundos ou mais ambiciosos sobre o amor (Este post é primo pobre do feito por Inagaki ali no PEPN, usando um filme e palavras de muito mais categoria), quis falar deste por ser uma pequena pérola. Apenas uma comédia romântica levemente clichê. Mas eu me vi ali. Antes mesmo que minha vida mostrasse contornos assustadoramente similares à história de Jack, eu já sabia que ali estava um homem como eu, portanto eu estava sujeito aos mesmos erros.

Só o que penso nessa noite solitária é que Jack é obviamente um babaca superficial e estúpido. Me resta ainda saber qual desculpa eu tenho. E se há redenção na vida real. Tenho para mim que deve haver, senão os filmes não falariam disso. Eis aqui um ingênuo que acredita que a vida imita a arte. Ou melhor, a arte é a vida como realmente é, sem as sombras que nossos medos nos impõem.

Então como não chorar com o Jack descrevendo sua fantasia em poucas palavras: "Temos uma casa em Jersey. Temos dois filhos, Annie e Josh. Annie não toca o violino lá muito bem, mas se esforça muito. Ela é um pouco precoce, mas isso é apenas porque ela fala sempre o que está pensando. E quando ela sorri... E o Josh, ele tem os seus olhos. Ele não fala muito, mas nós sabemos que ele é esperto. Ele sempre está de olhos abertos, sempre olha o que estamos fazendo. Às vezes você pode olhar pra ele e saber que está aprendendo algo novo. É como testemunhar um milagre. A casa é uma bagunça mas é nossa. Depois de mais 122 pagamentos, será nossa. E você, você é uma advogada que trabalha de graça. É isso mesmo, completamente sem fins lucrativos, mas isso não parece te incomodar. E estamos apaixonados. Depois de 13 anos de casados nós estamos incrivelmente cheios de amor um pelo outro. Você não me deixa nem te tocar sem que eu te diga isso. eu canto pra você, não sempre, mas com certeza em ocasiões especiais. Nós tivemos a nossa cota de surpresas e fizemos um monte de sacrifícios mas permanecemos juntos. Na verdade, você é uma pessoa muito melhor que eu. E ficar perto de você fez de mim uma pessoa melhor. Eu não sei, talvez tenha sido só um sonho. Talvez eu tenha ido pra cama numa noite solitária de dezembro e imaginado tudo. Mas eu juro, nada jamais pareceu mais real. E se você subir neste avião agora, isso irá desaparecer pra sempre. Eu sei que ambos podemos seguir com a nossas vidas e ambos ficaremos bem, mas eu vi o que podemos ser juntos. E eu escolho a nós."

Um brinde às escolhas. E às chances de repará-las. Nessa noite, acreditemos no amor. E que ele nos acorde amanhã.





Sons captados Segunda-feira, Junho 05, 2006


X-Men e Código da Vinci são bons exemplos de um tipo de filme que não é facilmente identificado pelo grande público, e na verdade tem isso como trunfo: "O filme de produtor". Dou este nome aos filmes que são feitos da seguinte forma: Um cara tem muito, muito dinheiro mesmo. Pais ricos, sabem como é. Aí ele vai no cinema ver um filme do Van Damme e conclui que gosta muito daquilo. Ele vê o cinema cheio e pensa que aquilo deve dar lucro, então fazer filmes será o seu novo investimento. Ele vai pra casa, liga pro seu amigo de milionária infância, explica o plano e os dois tentam pensar em alguma idéia bacana, um filme que chame o público só pelo título. Normalmente as escolhas não vão recair sobre projetos muito artísticos, mas sim sobre filmagem de best-sellers bem pop (nisto incluo gibis de heróis), ou refilmagens de grandes sucessos do passado. Uma vez escolhido o filme, os caras chamam lá algum agente que conheça as pessoas. Aí eles mostram uma mala cheia de dinheiro e dizem: "Queremos um roteirista, um diretor, e no mínimo três atores de peso. Queremos gente do Oscar. É só dizer quanto custa." - E alguns meses depois temos um blockbuster lançado com uma máquina de publicidade mais eficiente que a do nazismo.

A historinha acima é só pra ilustrar que este tipo de filme não é um projeto artístico nascido no coração de um diretor ou roteirista ávido por retratar emoções ou reflexões para um determinado público, mas apenas um investimento que atraia pagantes independente de ser bom ou ruim. Todo estúdio lança filmes assim, se isto foi gerado por demanda do próprio público a fim de garantir a sobrevivência dos estúdios ou se isto está formando um novo público de baixo nível de expectativa em detrimento do futuro do próprio cinema é uma discussão que não vou entrar agora, sintam-se à vontade.

Eu só quero apontar que estes são os casos de filmes como os supra-citados, e os remakes que estão chegando aí. Um deles é O Destino do Poseidon, filme-catástrofe favorito das sessões da tarde. Realizar isso depois de Titanic, é uma idéia que é... uma barca furada. Consigo enxergar os playboys esfregando as mãos e dizendo, com um brilho nos olhos: "Já sei!!! As pessoas querem mais filmes de navios! Rápido, consigam-me filmes de navios que fizeram sucesso". Se eu estivesse lá responderia que Poseidon sem o Ernest Borgnine jamais daria certo.

Outro filme dessa leva estréia amanhã, com uma história curiosa. Dessa vez o produtor brilhante estava visivelmente enfadado, já tinha brincado por horas na Paciência e no Campo Minado, então passou a brincar de olhar o calendário do Windows. Foi adiantando os meses e... viu na sua frente a próxima idéia que jamais poderia dar errado. O dia 6 de junho de 2006 seria 6/6/06. Hmmm... Três números seis seguidos... O número da besta! Sim, usemos esta data pra alguma coisa! Ele ligou pros agentes e pediu pra pesquisarem qualquer coisa que pudesse ser feita aproveitando a data de lançamento. Depois de descartar show do Iron Maiden na praia de Copacabana, ele gostou da idéia de refilmar um clássico (como eles gostam) terror apocalíptico do Richard Donner: A Profecia. Afinal, o número 666 aparece no filme, segundo garantiram pra ele. Então pronto, a idéia estava no papel e a data de lançamento no mundo inteiro já estava definida. Agora só faltava o resto todo, com 11 meses pra produzir. Para o roteiro, simplesmente pegaram o original. Não é simples? Pediram pro mesmo cara dar uma atualizada e pronto. Quanto menos mexer, mais rápido acaba. Então procuraram um diretor que aceitasse filmar o roteiro. O escolhido foi o zé-ninguém John Moore, que de mais importante fez o filme de guerra Behind enemy lines. A escolha do elenco correu em paralelo, com nomes como o picolé de xuxu Julia Stiles, e buscaram uma atriz que tente emprestar uma certa legitimidade sinistra à parada, no caso a Mia Farrow. Se não fosse ela aposto que a Sissy spacek pegava mais essa boca.

Mais interessante foi a escolha do garotinho que vive Damien, o capiroto-mirim. Eles simplesmente filmaram o moleque num balanço olhando pra câmera, sem fazer nada, e mostraram o filme pra equipe. Quando todo mundo concordou que por algum motivo o pirralho dava muito medo mesmo, não só deram-lhe o papel como usaram exatamente este filme-teste como o teaser oficial.

Então amanhã estréia um filme que foi gerado só por causa da data de lançamento cabalística e das possibilidades de marketing que ela oferecia. Não há paixão ou vontade de proporcionar nada além do que o original já fez. É um caso curioso do cinema atual. Por mim, se chegar perto do medo que o original dá, vale o ingresso. E assistir um filme desse numa data dessa... Ok, dou a mão à palmatória. Esse produtor é gênio. Amanhã tou no cinema, todo feliz, pagando ingresso pra conferir essa picaretagem e me sentindo ótimo. Obrigado, róliúde!




E aconteceu o óbvio. Tire um diretor de filmes aclamados por público e crítica de um projeto, e bote um diretor de filmes medianos e muito menos experiência no lugar. Ainda por cima, o projeto envolve um dos gêneros mais exigentes do cinema, pela escala e número das distrações para quem não entende do assunto: Adaptação de história de heróis. Esse foi o caso de X-Men 3, super aguardado não só pelo amor que tenho pelo universo dos mutantes como pelo gancho do último filme, que deixava claro que dessa vez o bicho ia pegar com a Fênix Negra, um dos personagens mais fascinantes surgidos no universo Marvel. Ainda por cima, junto com o diretor Bryan Singer, que pegou o filme do Superman, foi com ele toda a equipe dos primeiros dois filmes, incluindo roteiristas e diretores de arte.

Em poucas palavras, o resultado previsível foi um filme mal escrito, de visual brega e direção burocrática. Ou detalhando um pouco mais:

A direção de arte do filme é incrivelmente gay. O visual dos equipamentos modernos por exemplo no laboratório ou no jato dos X-Men dava muita vontade de rir. Outras coisas dignas de nota dentro deste quesito:
  • O Anjo, velho personagem da primeira encarnação do grupo, lá no início dos anos 80, finalmente apareceu. Além dele ser completamente inútil na história, suas cenas e visual sugerem que um nome melhor pra ele seria "Homem-Pomba" ou algo igualmente afrescalhado.

  • O Leech, mutante que inibe a ação do gene mutante dos outros, ao invés da criatura verde dos quadrinhos tornou-se um angelical menininho de cabeça raspada e grandes olhos azuis piscantes. Tá mais pra encarnação andrógina de Buda.

  • A Fênix Negra, quando finalmente surge, está com um vestido de baile mais apropriado pra noite de entrega de Oscar. Ainda por cima, adquiriu subitamente uma cor vermelho fashion de cabelo. Numa cena especial ela pergunta, com um ar petulante, "O que você quer?" ao nosso amigo Magneto, vivido pelo gay assumido Ian McKellen. Por um segundo eu jurava que ele ia dizer "A marca dessa tinta de cabelo des-lum-bran-te!!!"

  • Em um dado momento o Pyro e o Iceman se enfrentam. Aí era um de frente pro outro braços estendidos, seus poderes saindo das mãos de cada um e batendo de frente, ambos com cara de quem está fazendo força. Lembrou aquelas brigas-de-galo que se faz com meninas montadas em meninos na piscina, as duas se segurando e balançando pra derrubar, sabem como é? Ficou ridículo.

  • O filme tem muitas mortes. Vocês podem argumentar que isto torna-o mais carregado de testosterona, mas devo apontar que na maioria dos falecimentos foi usado um efeito especial que fazia com que as infelizes vítimas virassem um monte de... purpurina. Coisa mais sem dignidade

  • E se ainda houvesse alguma dúvida de que a direção de arte estava entregue a um carnavalesco, o que dizer da cena onde o grupo maligno de mutantes surge andando por uma ponte? Ficou igualzinho a uma comissão de frente. Eu não consegui não rir alto no cinema.


Fora isso aconteceram outros problemas de bastidores que tiveram influências muito fortes no resultado final. O Alan Cumming não acertou sua participação (ou seria o cachê?) e como resultado o mutante mais sensacional do filme anterior, o Noturno, ficou de fora sem nenhuma explicação. Grande perda. A Halle Berry também não queria fazer este filme pois achava seu papel muito pequeno. Como resultado, o roteiro foi reescrito para que a Tempestade tivesse mais destaque. Outra perda colossal, pois o que já não era bom nos outros filmes fica trágico nesse. A Halle deixa claro que não acredita naquilo, fala suas frases como se só estivesse a fim de ir pra casa. O visual patricinha estilo "encontrei um cabelereiro di-vi-no ontem" também não ajuda em nada. Assistir as cenas dela chega a dar desânimo.

Já é um problema quando o roteirista ao invés de escrever uma boa história precisa ficar acomodando exigências de astros egocêntricos no script. Agora é pior ainda quando ele simplesmente não acredita nas premissas básicas da franquia que tem nas mãos. Fazer um filme dos X-Men para matar ou retirar os poderes de vários mutantes não é lá uma decisão que adicione muito. Se o próprio escritor não acredita que um bando de pessoas com mutações que geram poderes incríveis e seus conflitos com os humanos normais e entre si já não seja interessante o suficiente, deveria deixar o projeto pra quem tivesse mais respeito. Mesmo que o roteiro esteja calcado na saga "Gifted", da revista "Astonishing X-Men", escrita pelo Joss Whedon, criador da minha queridíssima Buffy, existe uma diferença enorme de leitura. A morte um mutante deveria ser trágica, a perda de poderes deveria ser lamentada, mas no filme é tudo banal e sem punch.

Ainda fez-se a bobagem adicional de adicionar-se quinhentos mutantes por fotograma. O que era divertido nos dois primeiros filmes tornou-se confuso neste terceiro. A cada segundo de filme, mais mutantes obscuros apareciam, numa tentativa meio desengonçada de agradar aos nerds que se divertem em identificar. Só que os nerds como eu se divertiriam bem mais se os Morlocks ou a Fênix Negra tivessem mais fidelidade com os quadrinhos, e não meros coadjuvantes. Aquele japonês-porco-espinho fazendo cara de mau não convencia nada nada. Verdade seja dita, o filme tenta concentrar tanta gente que todo mundo vira coadjuvante. Não há maiores destaques nas novidades. O Fera aparece muito mas faz bem pouco. O Colossus mal diz uma palavra. Salvam-se a Kitty Pride, que conseguiu emprestar alguma graça à ação, e, pra variar, o Wolverine. O Hugh Jackman nasceu pra isso. Na turma do mal o Magneto está perfeito como sempre, e o Juggernaut é uma boa surpresa. Dá pra arrancar algumas risadas, e é dele a melhor frase do filme, um insulto clássico dirigido à Kitty.

Também rolam em vários momentos manifestações de mutantes. É engraçado ficar reparando nas pessoas. Dá a impressão que a agência que fez o casting pensou "Hm. Mutantes. Ok. Chamem lá os caras que fizeram papel de terroristas ultimamente." - Era uma cambada de gente muito feia e mal-encarada mesmo. Os caras definitivamente não pegaram o espírito da coisa.

A tal cena na ponte gastou uma fortuna de efeitos especiais, mas foi completamente risível, porque não houve nenhuma justificativa pra aquilo acontecer. Ainda por cima, estava de dia, mas quando a coisa se concluiu, era noite. Falha de continuidade mesmo, muito esquisito. Assim como pareceu piada no meio da guerra entre mutantes o Magneto esperar, esperar, e quando finalmente entrou em ação... Fez uma chuva de carros pegando fogo que não acertou ninguém, e mais nada. Alô roteiristas, os vilões precisam perder sem ter seu QI ou poderes subitamente diminuídos.

O filme então é uma maçaroca mal engendrada, pode até servir de diversão ligeira, mas os fãs estavam acostumados com coisa muito melhor. De Bryan Singer pra Brett Ratner existem alguns planetas de distância.

Como curiosidade divertida, o Josh Holloway, conhecido como o caipira gostosão Sawyer em Lost, foi convidado a fazer o Gambit. Seria bem interessante isso. Só que ele acavou recusando por achar o mutante, um americano sulista malandrão, muito parecido com o que vive em Lost. Como resultado, o Gambit ficou de fora também. Essas histórias de bastidores onde os atores é que decidiram que mutantes iam ou não aparecer e qual seria o tamanho de cada participação mostrou bastante falta de pulso dos produtores. Talvez esteja aí e explicação maior de porque uma série que começou tão bem pode ter tido um terceiro filme tão fraco. Nos resta ver se haverá um quarto e quem vai fazer. De concreto, só os projetos dos filmes-solo de Wolverine e Magneto. Vejamos quem serão os diretores.







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