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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

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Cortesia WebCount

Sons captados Quarta-feira, Agosto 23, 2006


Uma coisa que merece post à parte sobre Obrigado por fumar é a abertura sensacional, com os nomes aparecendo como se fossem marcas de cigarro ao som de um country bizarro. Trata-se de Smoke! Smoke! Smoke! (That Cigarette) de Tex Williams, que liderou as vendas de compactos nos Estados Unidos por 6 semanas em 1947. O Tex era estrela de um estilo conhecido como Talkin' Blues, também seguido por Woody Guthrie, que por sua vez inspirou Bob Dylan.

Sua banda, Western Caravan, tocava num estilo conhecido como Western Swing, uma fusão de country, bepop e jazz, e em cima dessa base lá vinha o Tex falando rapidamente versos rimados. Pra quem quiser entender do que se trata, o YouTube que não nos deixa ignorantes sobre nada neste mundo: Clique aqui para ver o vídeo do Tex e sua cara cínica e aqui para ler a letra hilária.

Analisando essa música dá pra juntar as peças: Batida dançante + Fala rápida no ritmo. Pois é. Hoje em dia, se chama rap ou hip hop, é totalmente identificado como algo genuíno da cultura negra, e a playboyzada curte uma onda de "gueto" ouvindo isso. Quem diria, foi invenção de um bando de caubóis... Incrível, mas inegável.

P.S.: O Tex morreu de câncer no pulmão. Fumava dois maços por dia.





Sons captados Domingo, Agosto 20, 2006


Obrigado por fumar é mais um filme que eu vou usar pra tentar provar minha tese polêmica: O cinema americano é - disparado - o melhor do mundo. Não se trata de comparar uma produção multi-milionária de roliúde com um singelo filme iraniano e louvar o poderio técnico yankee. O que me maravilha é fábrica americana de grandes primeiros filmes de jovens diretores e roteiristas. Jason Reitman é filho do Ivan, cujo filme mais famoso foi "Caça-Fantasmas". Após alguns curtas, se lançou como roteirista e diretor deste "Obrigado por fumar", filme que toca num ponto extremamente espinhoso. O ponto de vista de um camarada que trabalha para a indústria do fumo como porta-voz e lobista a favor do consumo de cigarros. O Jason ainda vai além, e com esse tema faz uma comédia rasgada e satírica.

Esqueçam o politicamente correto, mas esqueçam também essa onda de comédias que tentam extrair graça de deformidades e escatologia como que batendo no peito pra gritar "Riam com a gente, somos irreverentes e incorretos, rá rá". Até são, mas não rio com quem me chama de imbecil, muito obrigado. Por isso ri um bocado com as aventuras de Nick Naylor, o camarada em questão, defendendo o direito das pessoas fumarem com expedientes como virar para um garotinho careca e canceroso num programa de TV e dizer que "quem é contra o fumo é quer que você fique doente e morra para conseguir mais orçamento, nós queremos você bem e podendo fumar", e ao mesmo tempo tentando orientar seu filho de 10 anos nas escolhas da vida.

Num filme só você tem um roteiro extremamente corajoso, mexendo com gente cujos interesses financeiros fazem todo o tipo de pressão (Não por acaso uma das missões do Nick é ir a Los Angeles para conseguir botar artistas famosos fumando em algum grande filme), capacidade analítica a respeito de como funciona a política, bom humor e uma tremenda capacidade de entender o ser humano. Não há moralismo, nem para condenar nem para proteger. Funciona quase como um documentário do Michael Moore sem o maior incômodo, que é a moral fechada e algo manipulativa (Eu continuo adorando o Mike, não me entendam mal). O Jason sacaneia igualmente o materialismo e o moralismo de seu país. Os diálogos são sensacionais, discutindo dialética, moral, ética, vocação, sociedade e outras questões filosóficas com muita graça e rapidez (Ah, se fosse um filme francês, como isso ia se arrastar...). É filme pra gente grande, e não para estreante. Só um lugar com gente que reúne uma cultura fora do comum com uma compreensão milimétrica de como se diverte um público pode gerar algo assim. Ver um filme desses é ficar com raiva do nosso próprio sentimento que versa que em tese os americanos são uns ignorantes incultos, com um sistema educacional bitolado, e que só têm poderio econômico. Ok, junk food veio de lá, mas em termos de arte eles nos deram o Rock e o Jazz. Eles nos dão fina literatura. A Pop Art veio de lá. Fotógrafos sensacionais. Alguns dos melhores museus do mundo (O Campus da universidade de Stanford tem esculturas de Rodin no jardim, acho que isso diz algo sobre um povo). E os Ramones, meu Deus.

E eles acreditam fundamentalmente que arte pode e deve ser divertida. Não dá pra gente recriminar esses caras - pelo menos no que tange meu cineminha e meus mp3 - enquanto eles continuarem nos mandando coisas como este filme. Não percam.





Sons captados Quarta-feira, Agosto 16, 2006


Ferrou. Tem coisas que indicam quando se está numa fase estranha da vida. A música, por exemplo. Às vezes eu pego um violão e as pessoas em volta ficam na expectativa. Os pessimistas pensam que eu sou aquele chato que vai tocar MPB com um brilho superior no olhar. Os otimistas, que vou tocar aquelas músicas bacanas e sensacionais que vão mudar o clima do lugar pra muito melhor, afinal reza a lenda que eu sou músico. Só que nunca sai nada que preste, por um motivo simples: Eu deixei de treinar músicas alheias faz tempo. Não é esnobismo, mas o tempo em que me dedico a tocar é integralmente gasto trabalhando em minhas próprias canções. Eu paro e ouço muita coisa dos outros, mas com o violão ou teclado nas mãos eu quero é saber de criar.

Só que ultimamente eu me peguei com o browser aberto num site de letras de música e cantando a plenos pulmões algumas coisas.

Tem uma parte que toco só pelo prazer de sacar um ritmo novo, e aí tenho desfiado uma paixão por música de raízes espanholas representada por roqueiros latinos ilustres. "Mala Vida" do franco-hispânico Mano Negra (de onde saiu o Manu Chao, que mora por aqui, parece que atraído pela cachaça) é uma das coisas mais contagiantes que conheço, além da levada de violão ser um treino ótimo pra mão direita. Em outra vertente, "Donde Manda Marinero", uma coisa entre o flamenco e o caribenho por Andrés Calamaro, argentino que foi pra Espanha e depois de muito sucesso à frente do Los Rodriguez voltou pro país hermano e teve uma sólida carreira solo com composições pop muito bem sacadas. Do Los Rodriguez recomendo "Sin Documentos" que aliás começa com o verso "Dejame atravesar el viento sin documentos"... Pois é. Favor não reparar no tamanho dos mullets do baterista. Até na Espanha isso já foi chique um dia. Outra coisa a notar no clipe é que embora o Andrés tenha passado uma fita na marca do seu teclado, eu reconheço aquilo a dez quilômetros de distância. Trata-se de um sintetizador DX7 da Yamaha, primeiro modelo, exatamente o teclado vintage que eu uso com os Hereges. Só que o meu é charmosamente mais enferrujado. E acho que isso não tem o menor interesse pra ninguém, então voltemos ao assunto.

Até aí, tudo ótimo comigo. Mostrei cultura musical, atenção com o que ouço em viagens, diligência de pesquisador e até uma redentora falta de preconceito com a cultura argentina.

Aí vem a outra parte. Uma das músicas que eu não paro de tocar, quase às lágrimas, é "I see you, You see me" do Magic Numbers, espécie de Mammas & Papas com várias Mama Cass uns dois meses após a morte. E outra, que me fez parar a interpretação emocionada e escrever este post pra ver se a auto-análise me traz mais consciência, é "Advertising Space" do Robbie Williams.

...É grave?


Enquanto isso, já que falei da banda, moradores do Rio estão intimados a comparecer no Teatro Odisséia nesta quinta. 7 bandas de todas as partes do Brasil (a lista completa: Hereges, Fuzzcas e Lunar 4 do Rio, Bois de Gerião de Brasília, A Plane of Mine da Bahia, Superguidis do Rio Grande do Sul e Los Porongas do Acre) sobem no palco para shows de meia-hora - período bom pra fazer algo enxuto e sólido - a partir das 21 horas. Podem acreditar que será pontual. Seremos a sexta banda, fazendo o show após meia-noite, quando as pessoas de bem já começam a querer ir embora. Precisaremos então de todo o quórum que pudermos ter. Por favor apareçam?

E aquele clipe já tem data de estréia na MTV: 9 de setembro, no MTVLab, não por acaso o único programa que realmente vale a pena por lá. Muito nos honra.





Sons captados Sexta-feira, Agosto 11, 2006


Fiquei do nada sem internet predial e com isso teremos mais um emocionante capítulo da saga "Eu x Net, ódio e amor por fibra ótica". Mas fui bastante ao cinema, vejam só. Deixo pílulas cinematográficas e pedidos de desculpas pelo sumiço, principalmente à minha querida mãe que lá de fora do país usa o blog como forma de saber que estou vivo. Vamos todos fazer o corinho juntos? Já: "Tô vivo, mamma!"

Sobre o Superman, não sei se é longo demais pra um filme tão raso ou raso demais pra um filme tão longo. Tivesse uma hora e meia, teria sido bem bacana. Do jeito que está, tem cenas de ação sensacionais, um visual de cair o queixo, e personagens cujo traço mais marcante é o cabelo, pelo que pude reparar nos comentários pós-filme. Só dava a careca e perucas do Lex ao supergel do Super-Homem, passando pelo laquê muito estranho da Lois. Pra história daquele povo, ninguém ficou nem aí, o que é preocupante num filme com bastante cenas dramáticas e diálogos.

Então passo para outra pipoca de longa duração, Piratas do Caribe 2. Também com duas horas e meia, pelo menos o Gore Verbinski soube usar o trunfo de carregar a mão na ação desenfreada e pastelão, porque é disso que o povo gosta, e é isso que ajuda um cristão a aguentar um filme mais comprido que o normal. Conte uma história em 90 minutos, mas se tiver umas seqüências divertidas de correria e lutas pra inserir, pode aumentar o filme à vontade, que a gente ainda pede mais. De resto, está tudo lá, o Johnny Depp com seu Jack Sparrow bêbado, afetado, e parecendo inspirado em antigos desenhos animados da própria Disney que produziu o filme, as maçãs do rosto vermelhinhas da Keira Knightley que dão vontade de morder, e o Orlando Bloom, com seu carisma zero, coitadinho, e atuação totalmente ridícula, tentando dar um ar de seriedade que ele não tem estofo pra conseguir, e se conseguisse não teria nada a ver com o clima do filme. A cada filme ele notabiliza-se como um dos maiores Zé Mané em atividade em Hollywood em disputa acirrada com Colin Farrell, que ganha alguns pontos pela sobrancelha super-poderosa. De qualquer forma isso é amenizado pela presença sensacional do Bill Nighy, em fase iluminada da carreira, que faz um vilão inesquecível mesmo com um polvo enfiado na cara. O trabalho de maquiagem impressionante é só o começo do que pode-se dizer da direção de arte desse filme. Tudo é tão bonito, o Caribe dos piratas é tão vívido e vibrante (não me perguntem de onde tirei esses adjetivos vistosos, vivazes e vaporosos), que mesmo depois de duas horas e cacetada eu lamentei o final - que na verdade não termina a história, só obriga a quem realmente quiser saber como tudo termina a esperar o terceiro filme em 2007. Só não sei se a estratégia dará muito certo, porque o comentário mais acertado sobre a história em si partiu do molequinho que estava sentado na minha frente. Acabou o filme, ele levantou, olhou emocionado nos olhos do pai e declarou com entusiasmo: "Não entendi nada!!" - Aliás ele estava vestido com o uniforme completo do super-homem, incluindo cueca vermelha em cima da calça de lycra azul. Isso aliás lembrou que tenho uma cueca didática: Está escrito "Underwear" no elástico. Se o pobre Clark, com usa ignorância e inocência alienígena tivesse uma dessas quando criança, seu uniforme teria ficado bem menos embaraçoso. Ainda dentro desse "aliás", o pirralho tinha aquele cabelo de cuia típico, que acho realmente ridículo. Não tem criança que não fique com com cara de idiota ostentando aquilo. Preciso me lembrar de não cortar o cabelo dos meus filhos assim. Se bem que gene ruim passa adiante e eles devem herdar meus belos cachos. Então é melhor eu mudar o lembrete para não ter filha mulher antes da moda do cabelo-vaca-lambeu terminar. Ela já vai ser minha filha, melhor minimizar a possibilidade de outros traumas acontecerem. Mas onde eu estava mesmo? Sei lá.







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