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Rock, Cinema, Música, Cultura Pop em opiniões inconvenientes formadas por anos e mais anos de intrigante falta de coisa melhor pra fazer e feroz resistência para sair da adolescência.

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Sons captados Sexta-feira, Janeiro 26, 2007


O hype é uma coisa realmente triste. A imprensa inglesa elege a nova salvação do Rock com a mesma freqüência com que os argentinos escolhem o novo Maradona. Em suma, mais ou menos uma vez por mês, pra dar nova capa de revista. Os americanos, que são espertos, sacaram que dá dinheiro fazer isso e neste mês os Killers estouraram em tudo quanto é publicação, apesar dos bigodes ridículos. O divertido é que o pessoal descolado, antenado e muderno que dá de ombros tatuados para o que o mainstream tem a dizer tem a mesma doença. Deve ser efeito das viagens para Glastonbury.

Então do nada aparece uma banda que todo mundo precisa ouvir e amar, senão está out. Nomes que você - e as pessoas de bem - jamais ouviu falar na vida. E na semana seguinte, outra, porque aquela já virou super semana passada e é só pros mal-informados. Nesse ciclo a relação das pessoas hype é com a informação, não com a música. Eu descobri Elvis Costello por acaso, bem moleque, e aí já vão mais de 10 anos ouvindo sempre, cada vez mergulhando mais fundo nas antigüidades do homem, o ídolo, o mito. Finalmente cheguei no ponto de ter absorvido satisfatoriamente sua discografia, já vi 3 shows, já peguei autógrafo e tirei foto, creio que cumpri todas as etapas do caminho do fã com seu ídolo, pelo menos o fã hetero. Se bem que se fosse pra ter graus de proximidade sexual com o ídolo eu bem toparia a ex-namoradinha Bebe Ruell, e se a véia não aceitasse, me contentaria com a filha dela, a tal de Liv Tyler. Mas o assunto não é esse, estou me deixando levar pela sexta à noite.

O ponto é que eu sempre tive que conviver com o fato do Costello não ser hype. Dentro do panteão dos ídolos punk/new wave, ele lembrado no máximo como parte do terceiro time da cena. E agora ele parece só fazer parte do time dos tiozões ainda em ação, sem merecer maiores ponderações da maioria dos amantes de róque & raipe. Se isso em algum momento me incomodou, não sei mais o porquê. Até porque ele teve o momento da moda aqui, quando veio pro TIM, e as pessoas emocionadas lotaram os lugares para ouvir "She", cantada sob visível constrangimento dele. O mais importante é que, conhecida ou não, a música dele serve pra mim. Minha vida é mais feliz com essa trilha sonora, por motivos insondáveis. A informação que a sociedade possa ter é irrelevante neste relacionamento.

Então quando chega a turma muderna jogando confete e nomes obscuro pro alto, eu fico com uma vontade danada de não ouvir e não gostar. E quanto mais as pessoas insistem no mesmo nome, menor a vontade de saber qualé, porque existe uma forte chance de só estarem falando porque todo mundo está falando. Um fenômeno parecido com as pseudo-celebridades que são muito famosas pelo fato de serem muito famosas. Assumo mesmo, fico de saco cheio e má vontade com os tais queridinhos do pessoal que só mede o grau de novidade e não de contribuição musical. Óbvio que essa atitude rabugenta acaba me fazendo perder alguma banda realmente boa, mas ao mesmo tempo me livra de centenas de ruindades. E fazendo compras há duas semanas passei a acreditar numa justiça roqueira divina.

Num fenômeno que acontece a cada conjunção de Marte, luas de Urano e uma vitória do Íbis, ou a cada era glacial, o que ocorrer primeiro, eu resolvi comprar uma calça nova. Isso significou pegar a calça e esperar o provador da loja ficar livre. Enquanto esperava, me vi balançando a cabeça levemente, depois batendo o pé de leve no chão, depois fui invadido por uma onda pensamentos de felicidade e paz para toda a humanidade, incluindo meu vizinho que reclama se eu tocar violão na sala. Só depois percebi que era a música ambiente da loja. Fiquei ali ouvindo com mais atenção e curtindo, aí começou alguma música emo e eu voltei aos meus pensamentos. Ou tentei, porque só conseguia pensar no que tinha ouvido. Acabei perguntando pro vendedor o que era, ele foi olhar no winamp lá: Blonde Redhead.

Ahhh, ok, esse nome já tinha sido soprado pelos passarinhos do hype há um tempaço, e como ninguém mais tinha mencionado desde então, caiu no meu limbo de "banda que sei que existe e só". Chegando em casa a primeira surpresa foi descobrir que tinham uma extensa discografia. Escolhi dois álbums - meu limite mínimo pra conhecer uma banda - ao acaso e comecei a ouvir. Meu queixo caiu de vez. Aquilo era absolutamente sublime e de acordo com tudo o que eu mais queria ouvir no momento. Como assim os indies não me explicaram *direito* que daquela vez era sério e a banda era boa de verdade?

Senão vejamos: Uma japonesa, Kazu Makino, que canta com sotaque e voz fininha característica. Pode parecer irritante, mas Polysics e Pizzicato Five já me ensinaram a achar charmoso. E tem mais um fator crucial, se as músicas do Blonde Redhead já seriam por si só tristes, a voz de Makino faz com que sejam quase que insuportavelmente doloridas, e por isso mesmo, belas. Completando a banda, dois irmão gêmeos italianos, Amedeo e Simone (homem, ok?) Pace. Tá explicado porque gostei de cara, meu coração criado com música brega italiana sabe reconhecer e amar o drama característico dos ancestrais. Toda música parece épica, os arranjos são muito detalhados e cheios de momentos, tudo é feito para ser uma experiência emocional extrema. Só que isso está longe de sugerir complexidade, afinal a banda são só eles três mesmo. Simone toca as baterias de poucas notas, Amedeo dedilha guitarras, Makino às vezes ajuda na guitarra ou eventual baixo. Some mais um teclado coringa, e é isso. Épico e quase lo-fi, simples e onipresente. Embora nenhum deles tenha inglês como língua-pátria, as letras terminam o trabalho de te arrepiar até a medula, tornando a experiência de ouvir o CD inteiro sem pausas algo só para os mais fortes e corajosos. Mas de qualquer forma, melhor se acovardar para sorver devagar as amargas e divinas iguarias do Bonde Redhead.

"You were sorry that i was alone/So sorry that you run away." lamenta Makino em "Hated because of great qualities", com a voz de uma solidão infinita, para depois fechar a estrofe no suspiro: "It never meant a thing/So be it". Resignação, raiva e dor unidas numa melodia impossivel de tão doce. A guitarra dá apenas notas longas e graves, a bateria sem baixo adiciona um clima desértico. "I can't understand this at all/I can't pronounce this at all" - aqui o sotaque estrangeiro dá outro peso a esta confissão. Quando ela finalmente conclui que "These are different matters/These are uncertain feelings/They should never be discussed here/So keep it to yourself", para dar lugar ao lento solo de guitarra em outro tom, não há como não dar razão a ela. Ele não merecia mesmo, aquele crápula.

Esta é apenas a terceira música de "Melody of Certain Damaged Lemons", lançado em 2000, e eu já estava embriagado de beleza. A próxima música, "Love despite of great faults", cantada pelo Amedeo dá um contraponto com melodia e instrumental que só posso descrever, sem a criatividade que deixo pros críticos da Pitchfork, como puro Beatles. A letra, já a partir do título, parece ser uma resposta à canção anterior. O refrão explode: "That you refuse to fade away/I hide to stay the same/Where do we go from here/I don't know". Não poderia ser mais humano. Talvez ele pudesse ter uma segunda chance?

Por algum motivo as músicas da Makino são em 4/4, as de Amedeo em 6/8. Uma música quebra a outra numa seqüência de quebrar qualquer tentativa de dançar. Soa alienígena e distante como o que se esconde em nossas almas. Mais tarde "This is not" remete ironicamente ao som de synthpop dos anos 80, quase sinalizando uma concessão à pista de dança, não fosse a bateria quase marcial de Simone. A letra continua discorrendo sobre amores impossíveis: "He could have been with her/But today can't be anymore/Tomorrow maybe yes./But today he is not there". Depois ela trai sua amargura solitária novamente: "I think it's so pathetic./Don't you ?/Were you listening to me./No not even one word". Quando a música fecha com um "La la la la" fica evidente a ironia no lugar da alegria. "For the damaged" é sua balada com acompanhamento apenas de piano e violão, misto de canção de ninar e sussurro de promessas muito mais negras: "Don't cross your finger/Sundays will never change/They keep on coming/You'll be a freak/And i'll keep you/company" - a música termina abruptamente como se houvesse algo mais a ser dito, e é automático procurar o repeat do player para entender melhor.

O álbum seguinte, "Misery is a Butterfly", lançado só 4 anos depois devido a um acidente com um cavalo sofrido por Makino, ganhou auxílio apropriado de cordas. Na abertura, "Elephant Woman", cada "Ah" dói como se o cavalo tivesse passado por cima de nós. Ela sufoca com frases como "Do return my heart to me/No don¿t insist I¿m already hurt", "Elephant girl/It was an accident unfortunate" ou "Lay me down on the ground softly softly/Don¿t remove my head hurts much too much ". Foi essa a música que ouvi naquela loja e que me arrebatou de primeira. Depois vem "Messenger", onde um hipnótico tema instrumental dá o clima dos apelos de Amedeo. Quando a música chega na repetição de "So how can I keep anything to myself?" para explodir novamente no tema, desta vez cantado, juro que me dá vontade de botar saia de filó e sair fazendo pliê. Isso pode não fazer o menor sentido, mas é o mais perto que chego de descrever a sensação.

Dá vontade de tentar guiar vocês pela mão pra mostrar tudo que vi e senti com as outras músicas, e do porque canto junto com o Amedeo o refrão "I'm just a man still learning how to fall" de "Falling Man", mas o post tá comprido e apaixonado o suficiente para passar a idéia. Não vou botar links de youtube aqui de propósito a fim de reforçar que vocês ouçam estes dois álbuns e conheçam uma banda que acredita em beleza e drama. Eles chegaram a se desligar de sua gravadora para gravar "Misery is a Butterfly" para ter mais liberdade. Óbvio que fecharam um bom contrato de distribuição com outra gravadora, que lançará também o novo trabalho, "23", em abril. O Arcade Fire terá um rival à altura em 2007.

...Sim, eu citei o Arqueide, vocês não sabem o hype do momento? Vazou o Neon Bible! É a coisa mais genial e moderna da semana! Baixem agora
clicando aqui.





Sons captados Segunda-feira, Janeiro 22, 2007


O título do post sobre os filmes ali embaixo, "Beautiful Losers", foi roubado do segundo livro do Leonard Cohen, publicado em 1966, ali no início de sua genial carreira musical. O livro causou certo escândalo, pelo que se vê nas manchetes mostradas logo no início desta entrevista que encontrei (onde mais?) no youtube.

De lá pra cá um bocado de coisa mudou: Existe um programa de rádio chamado Canada Reads que traz 5 personalidades famosas defendendo seu livro canadense predileto, com um sistema de votação que vai eliminando um por dia até ser coroado o campeão, que ganha o título de "the book that Canada reads". Beautiful Losers concorreu na edição de 2005, e para fazer sua defesa estava escalado ninguém menos que o Rufus Wainwright.

O moleque já tem história com o Leonard, como podemos ver neste trecho do documentário "I'm your man" que sempre vale a pena assistir de novo. O Rufus fala do seu esdrúxulo primeiro encontro com o gênio e canta divinamente a cínica Everybody Knows.

Este documentário passou na mostra São Paulo, tirando as aparições constrangedoras do Bono falando as cretinices de sempre é bem emocionante. Numa das cenas o Cohen lê orgulhoso o prefácio da edição chinesa de seu livro. O texto bem revelador da personalidade única do Coehn está aqui.

De lambuja, mais dois números do I'm your fan:

  • Antony sem os Johnsons cantando If it be your will caprichando nos trinados sertanejos e no visual traveco-goth.

  • E o Jarvis Cocker arrebentando na I can't forget, que aliás tem também uma ótima versão by Pixies, no seu cliente p2p predileto.





  • Sons captados Sexta-feira, Janeiro 19, 2007


    Até eu acho que às vezes enxergo conspiração demais nas coisas, mas aí sempre vem algum fato que me dá razão. Escrevi sobre o suposto nojo de um elite dominante pelo poder que a internet dá as massas só por causa do causinho Cicarelli. Depois me vi passando madrugadas na cama falando comigo mesmo enquanto esperava o sono chegar (quer dizer, na verdade passei essas madrugadas pendurado no msn ou no playstation, mas a imagem da cama tá mais poética): "Fábio, meu filho, você e essa mania de ver gigante onde só tem moinho - ou pastel - ou peitos - de vento..." Sério que fiquei preocupado. Já há mais de um mês fora do país, acho que estou ficando meio desequilibrado na minha análise social.

    Até que me chega a notícia por e-mail de que o COB "proibiu" a veiculação ou transmissão do Pan via internet.

    Paranóia em Defcon 4. Eu queria muito rir disso, mas não tem nenhuma graça. Uma coisa é vergonha alheia, outra coisa é vergonha por mim mesmo. Grazie a Dio pela dupla cidadania que me permite viajar disfarçado.





    Sons captados Terça-feira, Janeiro 16, 2007


    Lost só em fevereiro, mas Heroes volta segunda que vem. Eis aí as séries hype do momento, por isso cito ambas no mesmo post. Lost foi o seriado que me fez aprender a usar o bit torrent. Não há o que não gostar no esquema da série onde os mistérios da ilha são o de menos, o foco fica sobre os mistérios da alma de cada um dos personagens. Você passa tanto tempo exposto às dificuldades e complexos de cada um que não tem como não ficar amigo de todos e querer continuar vendo e torcendo por eles. Quase comprei um bonequinho do Hurley numa loja de brinquedos, mas achei que seria um pouco demais. Falando em nosso amigo Hugo, é bom destacar que a coisa só funciona tão bem porque todos - eu disse TODOS - os atores estão entre o ótimo e o fenomenal. Este deve ser o melhor casting para TV em muito tempo.

    Esta é uma das abissais diferenças de Lost pra Heroes. Os atores de Heroes estão entre o ok e o fraco. O Mohinder com aquela constante cara de conteúdo e fala intensa não convence de cientista, por exemplo. Poderia citar também o emo suicida que é bem irritante, mas acho que seria injusto. O texto dele é que não ajuda nem um pouco. O conflito familiar fica no rascunho com suas frases (mal-)feitas, e talvez aí esteja maior diferença de todas entre os dois seriados, que torna meio descabida qualquer comparação: A história de Heroes é interessante, mas os roteiros individuais dos episódios, não. Várias cenas são desnecessárias, rasas demais pra ter impacto emocional ou mesmo absurdas. Os capítulos só decolam quando a história principal anda. Ou quando aparece o Hiro. Porque o Hiro é o melhor e vale a minha audiência.

    Não por acaso o responsável por ele, o japonês Masi Oka, foi o único ator de Heroes indicado ao Globo de Ouro neste ano. Perdeu para... Jeremy Irons!? Vacilo isso, o cara já ganhou Oscar, pô! Deixe os otakus concorrerem a prêmios em paz. E nem preciso comentar a cara de estuprador de criancinha que o Jeremy ostenta. Só rivaliza com o Christopher Walken no teor de sinistrez.

    Em todo caso, aqui está a imperdível entrevista do Masi Oka com o Craig Ferguson do Late late show, onde além de confirmar que trabalha na Industrial Light & Magic, nosso herói ainda esclarece a diferença entre um nerd e um geek. Clique bem aqui.

    PS.: Heroes e Lost perderam o prêmio de melhor série dramática para Grey's Anatomy. A bonitinha porém bizarrinha Evangeline Lilly citada no post abaixo concorreu a melhor atriz por Lost. Sou muito mais a Sun. E o prêmio de melhor série de comédia foi para... Ugly Betty. Sim, é isso mesmo que vocês estão pensando. Em remake americano.





    Sons captados Quarta-feira, Janeiro 10, 2007


    Aí todos os blogs que se prezam precisam falar da Cicarelli, nem que seja só pra atrair hits do Google. Eu meio que entrei em discussões sobre isso em listas, mas desisto. Não acho que o ponto real esteja realmente sendo discutido. Neste país, uma modelo dá pra um jogador de futebol como o caminho mais rápido para chegar à riqueza, à elite. E esta elite não gosta do lugar de onde saiu. Calem as multidões, fechem as janelas para não sentir seu cheiro pestilento. A campanha presidencial deste ano me tirou de vez a esperança no Brasil. Nossa ditadura e seu fim por um momento nos deu a sensação de sermos um povo, uma comunhão de pessoas interessadas em crescer unidos, em ser nação. A última campanha revelou a polarização que vem acontecendo de lá pra cá: A elite tão horrorizada com os pobres que até perdeu a noção de que chamar alguém de analfabeto e burro pela origem humilde é feio. Virou até piada. Um país que só dá o direito básico da educação pra quem ganha em 5 dígitos pode rir disso? E se ri, não seria sinal que mesmo esta educação é miseravelmente falha?

    Cabe aqui um parêntesis, podem pensar que estou aqui me posicionando politicamente, mas não é caso. Deixe-me explicar em uma frase minha posição política: Não apareci para votar na última eleição. Enough said. Segue o texto.

    O que sinto é que a máscara caiu de vez. Riqueza é vista como superioridade moral, cívica e intelectual no país dos coronéis. A novidade não é essa. A novidade é que perdeu-se a vergonha de assumir isso. A internet tem nos dado mostras de como realmente funciona nossa sociedade. Enquanto lá fora os memes se espalham e fascinam, aqui matam de medo os pretensos donos da cultura. Como assim o próprio povo decidindo o que é ou não entretenimento? Aí tome blog sendo censurado, gente sendo processada, e, agora, o imbroglio do youtube. Se existe ou não o direito à preservação da imagem eu prefiro nem discutir no caso do palpite jurídico brazuca na imagem captada numa praia pública da Espanha posta no ar num servidor americano. Mais importante é a representação metafórica da truculência do famoso contra a massa anônima, do centralizador da informação contra o poder do boca-a-boca cibernético. A China com seu controle ditatorial da mídia e, vejam só, o Brasil, se igualam neste espírito. O caso todo é deprimente e estúpido, não por causa dos famosos zé-ninguém tentando proteger direitos discutíveis (e esta discussão é cabível), mas pelos juristas surreias que também querem sua casquinha no mundo da fama ao invés de legislar com um mínimo de representatividade do desejo da sociedade. Reparem que apareceram em todas as notícias o nome dos advogados e do - Deus meu - desembargador envolvidos no caso.

    Agora nada disso importa. O que me irrita mesmo é que A DANIELA BOCARELLI É FEIA, PÔ. O rosto é desproporcional. O pescoço é de cegonha. A voz lembra um anão tísico tocando tuba. E o corpo... Que homem quer pegar uma mulher mais forte do que ele? O Ronaldo só encarou porque o cara é guerreiro, não tem tempo ruim, e seus 100 quilos equilibram qualquer batalha física. Posso até aceitar taras específicas por mulheres parrudas, afinal é só isso que se vê nas musas BBB (burra, biônica e biscate) de hoje, mas existe um componente fartamente documentado da admiração pelo sexo oposto: Somos fascinados pelas diferenças, porque elas indicam pros nossos instintos mais primais que a criatura que vem ali do outro lado da rua serve pra procriar. Por isso, mulheres, não (só) por safadeza olhamos para a bunda, os peitos, o rebolar ao caminhar. Olhos, cabelos, essas coisas (alguns) homens também têm. O que não temos são essas curvas, por isso olhamos embasbacados. Quando a mulher está de lado, as curvas são dos seios e traseiro. Quando está de frente ou de costas, vem da diferença entre cintura e quadril. E agora chegamos no ponto nevrálgico de toda essa questão do youtube: Mulher sem curva no quadril é interpretada pelo neandertal dentro de mim como "homem". Se os ombros forem mais largos que o quadril em questão, cai na categoria "jogador de futebol americano". O vídeo mostra bem que a Dani tem esse tipo de corpo. Respeitos os gostos dos leitores, mas por mim realmente nada sexy.

    Outro caso famoso é Evangeline Lilly, a Kate de Lost, que tem um rosto angelical, mas além de estar sempre com a mesma cara de "quem peidou", ainda é portadora do mesmo tipo de corpo:



    Pro hobbit dar uns pegas tá bom demais, mas cá entre nós, vejam a semelhança física impressionante:



    Não dá, né.

    Fica aqui a campanha "Chega de turbinadas imbecis. Para um homem feliz, mulheres com quadris". Já até escolhi a musa ideal:



    Ai, ai, Charlotte... Montauk é o escambau, meet me in Tokyo.







    Chegou até aqui?? Então leia o que escrevi em:




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